Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Retrospetiva 2012: Cinema (parte 2)

Na Parte I, nós examinamos os grandes sucessos de Hollywood. Na Parte 2, vamos dar uma olhada nos sucessos locais.

Brasil: "Até Que a Sorte Nos Separe" de Leandro Hassum é a melhor bilheteria nacional do ano e a décima melhor no total (16.3 milhões de dólares arrecadados/cerca de 20 milhões de reais). O filme ultrapassou 3 milhões de ingressos vendidos e uma sequencia já está em produção.



Não foi um ano muito bom para o cinema nacional mas Hollywood soltou fogos. "Os Vingadores", como já mencionei na Parte 1, é a maior bilheteria da história do país (R$125 milhões) e é um dos poucos filmes da história do país a ultrapassar 10 milhões de bilhetes vendidos. "Amanhecer Parte I" e "A Era do Gelo 4" arrecadaram mais de 80 milhões de reais. 

Enquanto, no mundo, Batman foi o super herói solo mais bem-sucedido, os brasileiros preferem O Homem Aranha. Apesar de O Cavaleiro das Trevas Ressurge ter a vantagem de ser o terceiro de uma trilogia e o Incrível Homem Aranha ser o primeiro, o filme de Marc Webb superou o de Christopher Nolan por 6 milhões de reais por aqui (62 milhões contra 56 milhões reais).

Top 5 Brasil - valores em dólar: 1. Os Vingadores (64 milhões de dólares) ; 2. Twilight Saga Breaking Dawn pt. II (44.6 milhões); 3. A Era do Gelo 4; 4. The Amazing Spiderman (30.3 milhões); 5. Madagascar 3 (28.6 milhões).

Argentina: Adrian Suar é um baita de um nome na Argentina. Produtor de novelas e seriados, ele é dono da maior produtora independente do país, a Pol-Ka. Ele também é ator, estrelando em muitas de suas novelas e seriados. Além disso, ele é o diretor do Canal 13, que divide a liderança de audiência com a Telefe. Ah, e além disso tudo, ele também é, atualmente, o maior nome do cinema local.

Em 2008, o filme de maior bilheteria do país foi Un Novio para mi Mujer (Um Namorado para minha Esposa), estrelando Adrian Suar (e Valeria Bertucceli), uma divertida comédia sobre um homem que não aguenta mais sua esposa e, sem ter coragem de pedir o divórcio, tenta fazer com que ela se apaixone por outro homem e o largue. Em 2009, a décima maior bilheteria do país -- e maior bilheteria de um filme local -- foi Igualita a Mi, estrelando Adrian Suar (e Florencia Bertotti), uma comédia sobre um homem mulherengo restabelecendo laços com sua filha adulta grávida que ele não sabia que tinha. E, esse ano, novamente, a maior bilheteria para um filme local (e oitava do ano) é Dos Mas Dos, estrelando Adrian Suar sobre swing e trocas de casal.
Ou seja, ao longo dos últimos cinco anos, o cinema local argentino foi dominado por Adrian Suar. A exceção foi 2010 quando a maior bilheteria do ano foi El Secreto de tus Ojos, o filme com Ricardo Darin que acabou levando o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Eu não curto monopólio mas pelo menos os filmes de Suar são bem divertidos. Abaixo, o trailer de Dos Mas Dos.

 

Top 5 Argentina: 1. Era do Gelo 4 (29 milhões de dólares); 2. Os Vingadores (18 milhões); 3. Madagascar 3 (17 milhões); 4. The Dark Knight Rises (11 milhões); 5. Brave (10.6 milhões).

Austrália: A indústria cinematográfica australiana não é exatamente muito próspera. Apesar de o país ter bastante domínio da técnica e vários profissionais talentosos (que migram para Hollywood), é raro um filme local causar repercussão no país.

Esse ano, The Sapphires foi o filme local que mais chegou perto de fazer barulho. Musical, o filma narra a história de quatro mulher indígenas no fim dos anos 60 que formam as The Saphires, a resposta australiana para The Supremes. O filme lucrou 15 milhões de dólares e é a 22ª maior bilheteria do ano. A trilha sonora do filme também foi um sucesso, alcançando o topo da parada de álbuns e chegando a disco de platina.


É claro que o sucesso não se compara com filmes de Hollywood. The Avengers é a melhor bilheteria do ano por lá com 55 milhões de dólares arrecadados, seguido de The Dark Knight Rises e Skyfall. A comédia Ted também teve um ótimo desempenho no país, com 35 milhões de dólares em bilheteria e o quarto melhor resultado do ano.

Filmes ingleses também fizeram bonito por lá. Além de Skyfall, Sherlock Holmes foi a décima melhor bilheteria (21 milhões) enquanto The Best Exotic Marigold Hotel, a modesta comédia sobre um grupo de velhinhos britânicos numa viagem desastrosa para Índia encabeçada por Dev Patel, Meggie Smith e Dame Judi Dench é a nona maior bilheteria (21.2 milhões).

No mais, Ice Age 4, foi como na maior parte do mundo, a maior filme animado (28.6 milhões de dólares) e tanto Hunger Games quanto Breaking Dawn Pt. 1 fizeram bonito (ambos na casa dos 30 milhões de dólares).

Top 5 Austrália: 1. Os Vingadores (55 milhões de dólares); 2. The Dark Knight Rises (44.2 milhões de dólares); 3. Skyfall (35 milhões de dólares); 4. Ted (33.54 milhões de dólares); 5. The Hunger Games (31 milhões).

Japão: É inacreditável o quanto a indústria local japonesa cresceu na última década. Em 2002, entre as dez maiores bilheterias do ano, apenas um filme (The Cat Returns,uma animação do Studio Ghibli) era japonês. Dez anos depois, 8 entre os 10 filmes mais lucrativos do ano foram filmes locais.

Contudo, nem tudo são boas notícias: foi a primeira vez em cinco anos que o filme mais assistido não ultrapassou a barreira dos 100 milhões de dólares (em 2011, Harry Potter & the Deathly Hollows 2 e Piratas do Caribe 4 ultrapassaram a marca; em 2010, Alice no País das Maravilhas, Toy Story 3 e o filme do Studio Ghibli, The Borrowers). Mesmo assim, o Japão continua firme e forte como um dos maiores mercados do mundo.

No cinema local japonês, não existe marca mais forte do que o Studio Ghibli. O estúdio de animação, fundado por Hayao Miyazaki, tem lançado filmes de sucesso no país desde os anos 80 e é responsável pela maior bilheteria da história do país, Sen to Chihiro no Kamikakushi, de 2001, conhecido no Brasil como "A Viagem de Chihiro".

Os filmes do estúdio são garantia de rendimentos altíssimos: em 2001, Sen to Chihiro virou a maior bilheteria de todos os tempos, com 240 milhões de dólares arrecados; em 2002, The Cat Returns lucrou 50.6 milhões de dólares; em 2004, Howl's Moving Castle lucrou 190 milhões de dólares; em 2006, Gendo Senki (Tales from Earthsea), lucrou 64 milhões (um relativo fracasso para  a companhia e, mesmo assim, o melhor resultado para um filme japonês naquele ano e a terceira melhor bilheteria geral); em 2008, Ponyo alcançou 165 milhões; em 2010, Arriety alcançou 110 milhões e, ano passado, o low profile From Up the Poppy Hill fez 56 milhões de dólares. Mesmo com os resultados oscilantes, os filmes do Studio Ghibli tiveram a distinção de, todos os anos, serem os filmes japoneses com maior bilheteria e, com Chihiro (2002); Ponyo (2008) e Howl's Moving Castle (2004), a maior bilheteria geral do ano, superando qualquer blockbuster hollywodiano. Totoro; Castle in the Sky e Kiki Delievery Service, clássicos Ghibli lançados nos anos 80, são os filmes mais vendidos em DVD no país (Totoro é o mais vendido de todos os tempos) enquanto Princess Mononoke, com 170 milhões de dólares arrecadados em 1997, foi a segunda maior bilheteria da década (atrás apenas de Titanic). Chihiro; Howl's; Ponyo e Princess Mononoke figuram entre as dez maiores bilheterias de todos os tempo no país (com Chihiro encabeçando a lista) e são os quatro filmes japoneses mais lucrativos da história.


Contudo, em 2012, o estúdio Ghibli não lançou nenhum filme e o estúdio Mad House soube muito bem preencher o vazio. Okami kodomo no Ame to Yuki (Ame e Yuki, as Crianças Lobo) lucrou 52 milhões de dólares e finalizou o ano como o principal filme infanto-juvenil. O número foi modesto comparado com os lançamentos do estúdio de Hayao Miyazaki e o filme não teve a distinção de ser a maior bilheteria local (foi a quinta maior). O filme teve, porém, a distinção de ser o único entre os dez mais vistos desse ano que não fazia parte de uma franquia já estabelecida e bem sucedida.

(para os fãs de Ghibli, sem pânico: o estúdio lança dois filmes ano que vem, inclusive um dirigido e escrito pelo próprio Hayao Miyazaki. Esses -- como provado por Totoro; Chihiro; Mononoke; Ponyo e Howl's Moving Castle -- são sempre os maiores fenômenos do estúdio).

Ame to Yuki não foi a única animação infantil a arrasar nas bilheterias. Como todos os anos, três franquias infanto-juvenis continuaram super fortes. Os desenhos animados Doraemon, sobre um gato robô; Pokemon, que todos nós conhecemos e Detetive Conan, sobre um detetive excepcional preso no corpo de uma criança, são sucessos gigantescos na televisão faz gerações e, todo ano, eles originam um filme que registra altíssimas bilheterias.


O filme de Doraemon, o 32º em 32 anos, lucrou 44.6 milhões de dólares e ocupou o oitavo lugar entre as dez maiores bilheterias. Ele foi seguido pelo 15º filme do Pokemon, com 44 milhões. Finalmente, o novo caso cinematográfico de Detetive Conan, o 16º em 16 anos, encerra o top 10 com 42.3 milhões.

Mas não só animes para criança atraem multidões. Em meados dos anos 90, Evangelion, uma melancólica história sobre o mundo no século 21, que mistura personagens cheios de bagagem emocional com robôs gigantescos, foi um verdadeiro fenômeno no país e um divisor de águas para a animação local. Desde 2007, a história está sendo recontada através de quatro filmes. O terceiro, Evangelion 3.0, estreou esse ano causando enorme histeria e lucrou 53 milhões de dólares, a quarta maior bilheteria do ano. O terceiro filme da série ultrapassa em 10 milhões a quantidade arrecadada pelo anterior, em 2007, e quase triplica os resultados do primeiro filme, de 2004. O capitulo final da saga chega aos cinemas japoneses no ano que vem.


Mas, ao contrário do que os estereótipos dizem, não é só de anime que vive o Japão. De fato, as três melhores bilheterias no país foram filmes carne-e-osso: Umizaru 4; Thermae Romae e Odoru Daisoasen.

O quarto filme da série Umizaru foi o filme mais assistido do ano, com 92 milhões de dólares arrecadados. A série, adaptada de um mangá de mesmo nome, mistura ação e romance e foca num grupo de mergulhadores de resgate. Ido Hideaki é o protagonista da série -- acompanhamo-os desde seu treinamento no primeiro filme até sua ascensão como sea marshall (se tem algo que japonês ama é ver filme e novela sobre gente trabalhando duro para chegar ao topo) -- em uma série de missões cada vez mais grandiosas, arriscadas e com maior orçamentos e efeitos especiais. Também acompanhamos o seu romance com a personagem interpretada por Ai Kato que se apaixona pelo protagonista no primeiro filme e, no quarto, é sua esposa e mãe de seus filhos.

Umizaru é uma das maiores franquias carne-e-osso da história do cinema japonês. O primeiro filme, lançado em 2004, lucrou pouco mais de 14 milhões de dólares, porém, graças a promoção constante da Fuji TV, emissora que co-produziu os filmes, e boca a boca, a seqüencia, Umizaru: Limit of Love, ultrapassou a barreira dos 60 milhões. O filme alcançou seu ápice de lucros em 2010 quando Umizaru 3: The Last Message, impulsionado por cópias 3D, ultrapassou a barreira dos 95 milhões. Em bilhetes vendidos, contudo, Umizaru 4 continua o crescimento da franquia, pois teve um lucro similar sem o auxílio dos ingressos mais caros.


Com tanto sucesso, é óbvio que um quinto filme está sendo produzido, certo? Não tão rápido. O autor de mangá responsável pela obra, Shuho Sato, conhecido por ter um pavil bem curto, anunciou, em outubro, que encerrou seu relacionamento com a Fuji TV, resultando no fim da franquia cinematográfica. O motivo? A emissora marcou dezenas de entrevistas com ele sem confirmar sua disponibilidade antes. 

(Fun fact: não é a primeira vez que ele toma uma decisão chocante: a alguns meses atrás, depois de brigar com a editora que publicava seu mangá atual, o bem-sucedido Say Hello to Black Jack, ele resolveu publica-lo apenas na internet e, a parte mais bizarra, liberar os direitos da obra e de seus personagens para qualquer um).

A segunda maior bilheteria do ano também foi baseado em um mangá. A comédia Thermae Romae é a história de Lucius, um arquiteto na Roma Antiga e que, com dificuldade de acompanhar todas as mudanças freqüentes em técnicas e estética da época, acaba perdendo seu emprego. Um dia, numa casa de banho, ele descobre uma drenagem estranha na banheira que o leva para uma casa de banho do Japão atual. Lá, ele fica em choque com todas as novidades e, de volta ao passado, começa a implementar mudanças baseados no que ele viu no futuro e assim obtém enorme sucesso e respeito. A história acompanha Lucius nas suas idas e vindas entre o Japão atual e a Roma antiga. Baseado num mangá de Maki Ozakasi, considerado um dos grandes sucessos de crítica e público dos últimos anos, a adaptação lucrou 75 milhões de dólares.

Em terceiro lugar temos o último filme da franquia Odoru Daisôsasen, essa sim o maior franchise live action do cinema japonês. A série começou como uma mini-série em 1997 e, subseqüentemente, deu origem a cinco especiais televisivos e seis filmes para o cinema (dois dos quais são spin-offs da série original) que lucraram mais de 400 milhões de dólares no total. O segundo filme da série, lançado em 2003, teve lucros de 156 milhões de dólares e é o filme japonês em carne-e-osso de maior bilheteria da história (e o quinto maior filme japonês, atrás dos quatro lançamentos Ghibli mencionados ali em cima).

Desde seu ápice, o filme perdeu um pouco de força mas, mesmo assim, continua em boa forma. Odoru Daisôassen the Final, o último capítulo da série, lucrou 73 milhões de dólares, quinze anos depois dos personagens terem sido inicialmente introduzidos aos japoneses no programa da Fuji TV. A série conta a história de um detetive jovem e idealista, que trabalha numa estação policial em Tokyo. A grande sacada do filme, contudo, não são cenas de perseguição e explosão mas sim uma sátira do excesso de burocracia e regulamentação tão presente na polícia japonesa e na sociedade em geral. Esse é o ponto de partida da primeira mini-série que, obviamente, foi se desenvolvendo ao longo desses 15 anos.

Todos os filmes entre as cinco maiores bilheterias japonesas são filmes locais. O primeiro filme hollywoodiano aparece apenas na sexta posição. E, na verdade, o filme em questão é tão Hollywood quanto Japão.

Resident Evil: Retribution, o quinto filme da franquia Resident Evil, baseada numa série de video games criada e produzida na Japão. A essa altura do campeonato, a série estrelada por Mila Jovovich parece estar sendo produzida somente com o mercado japonês em mente já que ele lucrou mais no país do que em qualquer outro lugar do mundo, inclusive os EUA. Com 45.6 milhões de dólares arrecadados, o filme superou por 300 mil dólares o colossal The Avengers que aparece logo em seguida na lista das maiores bilheterias. São os dois únicos filmes não-japoneses a aparecer entre os dez mais vistos.


No top 20, a situação é ligeiramente melhor para Hollywood com quatro lançamentos ultrapassando a barreira dos 25 milhões de dólares: The Amazing Spider Men; Men in Black 3; Tim Burton's Dark Shadow (o Japão AMA o Johnny Depp e AMA o Tim Burton mas esse resultado foi fraco para a dupla que ultrapassou 100 milhões de dólares com A Fábrica de Chocolate e Alice no País das Maravilhas) e Madagascar 3. Em todo o top 100, apenas 39 filmes são estrangeiros (um deles, Intouchables, da França, que lucrou 18 milhões de dólares por lá).

O cinema japonês pega muita inspiração em mangás e seriados televisivos (muitas vezes, seriados televisivos baseados em mangás). Entre os filmes de sucesso baseados em mangá está a bem sucedida franquia Always Sanchome no Yuhi (Always: O Pôr do Sol na Rua 3), sobre as mudanças que Tokyo sofreu graças ao boom econômico nos anos 60, focando-se especificamente numa rua (o terceiro filme da série é o 11º mais visto do ano, com 40 milhões de dólares); o filme de samurai Rurouni Kenshin (14º, 37 milhões); o romance focado em garotas adolescentes Bokura Ga Ita (17º, 29 milhões de dólares); o estiloso thriller sobre fama Heleter Skelter (22º, 24.3 milhões) e Space Brothers (33º, 19.3 milhões), sobre irmãos treinando para ser astronautas. Também temos os filmes que funcionam como continuação de bem sucedidos seriados televisivos como o já mencionado Odoru Daisoasen e os policiais Spec TEN (16º, 29 milhões) e Kirin no Tsubasa (19º, 19.8 milhões). Ah, ainda temos os mindfucks que são continuações de séries televisivas baseadas em mangás como o thriller Liar Game: REBORN (21º, 25 milhões) e a comédia romântica Hotaru no Hikari (26º, 23 milhões). 

Alias, se tem alguém feliz com o crescimento gigantesco do cinema japonês é a distribuidora local Toho. 37 dos 100 filmes mais assistidos do ano foram distribuídos por eles, um monopólio chocante no segundo mercado mais lucrativo do mundo.

Keep in mind que toda essa lista deve sofrer uma importância modificação nas próximas semanas. No dia 15 de dezembro, o novo filme do franchise ONE PIECE -- um spin-off do anime e do mangá de mesmo nome -- estreou com 16 milhões de dólares arrecadados, a melhor primeira semana do ano (superando os 15 milhões arrecadados por EVANGELION 3.0, o melhor opening weekend até então). Em algumas semanas ele com certeza desbancara Okami kodomo no Ame to Yuki e se transformará numa das cinco maiores bilheterias do ano. O quão longe ele vai chegar dentro do top 5, contudo, é difícil de dizer: filmes animados baseados em propriedades amadas são beneficiados por fanbases gigantescas e empolgadas que inflam os números da primeira semana (como provado por Evangelion) porém não necessariamente tem pernas tão longas (on the long run, Umizaru -- que lucrou 10 milhões no primeiro final de semana -- o superou, além de Thermae Romae e Odoru Daisoasen). O que está mais do que claro, contudo, é que o novo filme da franquia, o 12º, irá ultrapassar os 50 milhões de dólares arrecadados e se transformará na maior bilheteria da série (o recorde anterior pertencia ao lançamento de 2009, que lucrou 48 milhões de dólares).

Dos 15 filmes da saga ONE PIECE, apenas o lançamento de 2009 (Strong World) e desse ano (One Piece Z) ultrapassaram a marca dos 40 milhões de dólares. De fato, mais do que isso: foram os únicos a ultrapassarem os 20 milhões. O lançamento do ano passado, por exemplo, lucrou pouco mais de 9 milhões. O motivo pelos resultados tão dispares é que a maior parte dos filmes são considerados apenas episódios mais longos da série animada exibida toda a semana pela FUJI TV. Porém, os filmes de 2009 e de 2012, tiveram fortíssimos envolvimento de Eichiiro Oda, o autor e desenhista responsável pela série original, que continua sendo publicada desde 1997. Dessa maneira, os filmes são vistos pelo público como uma extensão da amada série de mangá e adições substancias para a história e não apenas uma forma fácil de ganhar dinheiro.

ONE PIECE é, alias, a série de mangá mais vendida da história do Japão. São 68 volumes até o momento que venderam, no total, mais de 290 milhões de unidades (mais chocante: é o único mangá a ultrapassar 200 milhões no total. Dragon Ball, o segundo maior vendedor, moveu 157 milhões). O último volume, lançado em novembro, teve uma tiragem inicial de 4 milhões de unidade, das quais 1.5 milhão foram vendidos apenas na primeira semana (o volume 66 vendeu mais de 2 milhões em uma semana). Os seus personagens são usados na promoção de diversos produtos -- de desodorante Axe a carros Nissan, passando por Pepsi -- e os DVDs do anime também obtém vendas altíssimas.


Enquanto a Toho tem o monopólio na distribuição dos filmes japoneses, ONEPIECE é a menina dos olhos da TOEI, a segunda maior distribuidora do Japão, cujo poder está mesmo na produção de versões animadas de mangás populares (por exemplo, Dragon Ball; Cavaleiros do Zodiaco e Sailor Moon).

Top 5 Japão: 1. Umizaru 4 (91.3 milhões); 2. Thermae Romae (74 milhões); 3. Odoru Daisoasen: the FINAL (73 milhões); 4. Evangelion 3.0 (53.8 milhões); 5. Okami kodomo no Ame to Yuki (52.55 milhões).

Coréia do Sul: Assim como o Japão, a Coréia do Sul tem uma indústria local cinematográfica muitíssimo forte. De fato, enquanto no país vizinho isso é recente, na Coréia, as produções locais enfrentam os titãs hollywoodianos de igual para igual faz mais de 10 anos (ajudado, é verdade, por leis de incentivo ao cinema local e cotas que obrigam os cinemas a exibir uma proporção maior de produções nacionais comparados a filmes hollywoodianos) e é um dos poucos mercados do mundo onde filmes locais ultrapassam as vendas de ingressos de filmes americanos.

A Coréia do Sul também se destaca por ser um dos pouquíssimos mercados onde a bilheteria -- principalmente a local -- não é dominada por filmes de franquias já existentes e sim histórias originais, de diferentes gêneros. Dessa maneira, o ranking anual local deles é uma reflexão interessante de histórias que realmente moveram o público, em contraste aos filmes de super heróis e seqüencias que dominaram a bilheteria mundial.

Isso não quer dizer, é claro, que a Coréia do Sul não tem uma quedinha por franquias. Eles têm. De fato, dentre as dez maiores bilheterias do ano, os três filmes hollywoodianos que aparecem são todos de superheróis. Em terceiro, The Avengers lucrou  50 milhões de dólares; Dark Knight Rises, em quinto, 43 milhões e The Incredible Spiderman, 36 milhões em sexto.

Mas, de resto, todos os filmes foram produções locais, nenhum parte de uma franquia já existente e todos dos mais diferentes gêneros. A impressão é que o boca-a-boca acima de qualquer coisa foi o que atraiu as multidões para o cinema e não necessariamente efeitos especiais ou enorme hype.

2012 foi particularmente forte para o cinema local. Dos quatro filmes coreanos que ultrapassaram a marca de 12 milhões de ingressos vendidos na história, dois foram lançados esse ano. Ambos ultrapassaram 80 milhões de dólares em arrecadação.

Com 82.6 milhões de dólares arrecadados, The Thieves, um filme de ação e comédia sobre um grupo de ladrões, foi o sucesso do ano e se transformou na terceira maior bilheteria da história do país (atrás de Avatar e o filme local The Host de 2006). O segredo? Um elenco estrelado, um roteiro cheio de ação, twists and turns e seqüencias espetaculares e bem filmadas.


Thieves não foi o único filme a quebrar recordes. O drama histórico Masquarade lucrou 82 milhões de dólares (quarto maior filme coreano da história) e ganhou nada menos do que quinze estatuetas no Grand Bell Awards, o equivalente local ao Oscar.

O filme, ambientado na Dinastia Joseon no século 17, conta a história de um plebeu, que ganha a vida sendo um ator cômico. Quando o rei começa a receber ameaças de morte, ele é escolhido para ser o sósia do monarca. Tudo parece simples até que o rei acaba tendo que ser internado, vítima de um envenenamento, e o plebeu é forçado a substituí-lo em tempo integral, sem que ninguém perceba. Ambos os papéis são interpretados pela mega estrela local Lee Byung-Hun.


A Warewolf Boy foi a quarta maior bilheteria do ano. O filme conta a história de uma bela garota adolescente que, nos jardins de sua casa de campo, acha um menino-lobo e começa a treina-lo para que ele vire um garoto normal. Os dois acabam se apaixonando, o que dá origem a uma complexa e emocionante história de amor.
No mais, entre o top 10 temos Nameless Gangsters, um filme noir sobre a guerra do governo contra a corrupção em Busan (a segunda maior cidade do país) em 1990 (e que a revista Time descreveu como um filme "que deixaria o Scorsese orgulhoso"); The Grand Heist, uma comédia histórica ambientada no século 18; um remake local da comédia argentina Un Novio para mi Mujer mostrando que good storytelling não conhece fronteiras (All About My Wife, 29.3 milhões) e o filme de terror Derranged.

Apesar de ter certa noção sobre a cultura pop sul-coreana, nunca vi nenhum filme local. Contudo, a enorme variedade na indústria e o fato de que ela não parece dominada por franquias e sim por filmes que se esforçam para contar boas histórias -- de remakes a dramas históricos a cinema noir -- me parece algo bem interessante e um exemplo a ser seguido pelo resto do mundo.

Dos cinco filmes mais vistos do ano, apenas 21 são produções internacionais. Entre os 32 filmes que ultrapassaram a marca dos 10 milhões de dólares, apenas 12 não são coreanos (um deles, para variar, é o francês Les Intouchables).
França: A França é um raro caso de um país que, em 2012, segue tendo uma indústria cinematográfica local forte. É raro não ter pelo menos um filme francês entre os 5 mais assistidos e as duas melhores bilheterias da história do país -- as comédias Bienvenue chez le Ch'tis (2008; 195 milhões de dólares) e Intouchables (2011; 166.2 milhões) -- são made in France. Volta e meia o país também exporta algum mega smash global (Intouchables; Amelie Poulain) e alguns de seus atores crossover para a fama mundial (Marion Cotillard; Jean Dujardin; Audrey Tatou).

Porém, vendo os filmes franceses que mais lucraram esse ano, podemos concluir que o mesmo problema que assola Hollywood também chegou a França: as três maiores bilheterias de filmes locais são partes de franquias já conhecidas.

O maior sucesso do ano foi Sur le Piste du Marsupilami, baseado na propriedade de quadrinhos locais Marsupilami. O filme -- em carne-e-osso porém com um Marsipulami em CG -- lucrou 45 milhões de dólares, sendo a terceira maior bilheteria do ano e o filme francês mais lucrativo de 2012. O filme foi dirigido pelo celebre comediante Alain Chabat, que estrela ao lado do também comediante Jamel Débbouze. Ah, a Celine Dion faz uma ponta no filme interpretando ela mesma (isso não tem a menor importância mas achei interessante comentar, ha).


Logo abaixo, com 40 milhões de dólares, La Vérite si je mens! 3, o terceiro filme da bem sucedida franquia de comédias de Thomas Gilou cujo o primeiro filme foi lançado em 1997 e a seqüencia em 2001. O terceiro instalment continua seguindo um grupo de judeus ricos em Sentier, o distrito têxtil de Paris, e suas trapalhadas. Apesar de um resultado bom, o filme foi o que menos lucrou na trilogia (4.8 milhões de ingressos vendidos, comparado com os 5 milhões do primeiro e os 7 milhões do segundo).

Finalmente, em terceiro entre os filmes locais (e oitavo na lista geral), com 34 milhões de dólares, Astérix et Obélix : Au service de Sa Majesté, o quarto filme da franquia baseada na série de HQ francesa mais bem sucedida de todos os tempos e estrelando Édouard Baer e Gérard Depardieu. Alias, ai é que entramos na discussão "fracasso apesar das arrecadações altas".

Com promoção gigantesca, baseada na franquia de HQ francês mais popular de todos os tempos e com Gerard Depardieu -- de longe, o maior nome do cinema local -- no papel principal, é óbvio que as expectativas eram altas. Porém, a série de filmes, que nunca foi queridinha dos críticos (provavelmente porque, com todo respeito, o humor cinematográfico francês pode ser beeeem tosco e ha ha ha torta na cara ou, como eles mesmo classificam, l’humour pipi-caca), estava se mantendo em alta até pouco tempo atrás, com os dois primeiros filmes da série (lançados em 1999 e 2002) obtendo resultados altíssimos. O terceiro, Asterix sur les Jeux Olympees, lançado em 2008 (e o filme francês com o maior orçamento na história), já começou a mostrar uma tendência de queda (apesar de ter acabado o ano como a segunda maior bilheteria do ano, atrás só do recordista histórico Chi'tis).

Com A Service de sa Majesté, o público parece ter perdido a paciência e o filme despencou de vez. Será o primeiro da série a não se posicionar entre os três mais vistos do ano (tendo que se contentar com a oitava posição no ranking geral) e ainda vai acabar no vermelho: o orçamento foi de 62 milhões de Euros para menos de 40 milhões arrecadados (é verdade que o filme também deve lucrar alguns milhões em outros territórios, afinal, Asterix é mundialmente conhecido e popular).

Apesar de que a queda entre o segundo filme, Mission Cleopatra, e o terceiro, Jeux Olympees, já mostrava uma saturação por parte do público, havia uma certa expectativa em relação ao novo filme. Grande parte disso se devia a escolha de diretor: Laurent Tirarde que, em 2008, adaptou outra obra clássica de Goscinny (criador do Asterix), Le Petit Nicolas que foi um dos maiores sucessos de crítica e bilheteria naquele ano (e realmente é muito bom). Mas, no fim das contas, nem isso salvou a franquia.

O único filme francês que não fazia parte de uma franquia e que figurou entre os 10 mais visto do ano foi Les Seigneurs, uma comédia sobre futebol, que arrecadou 31 milhões de dólares nos cinemas. Contudo, o sucesso inesperado acabou sendo Le Prenóm, baseado na peça de mesma nome e que narra a história de Vincent, um homem que está para ser pai, e, para choque geral, quer nomear seu filho de Adolf. Sem muita expectativa, o filme lucrou 25.6 milhões de dólares, mais do que o novo Homem Aranha e do que Taken 2 (que, alias, é uma co-produção francesa).

No mais, Skyfall é a melhor bilheteria do ano na França (e, seguindo uma tendência global, o maior filme 007 já lançado no país) seguido de A Era do Gelo 4.

Top 5: 1. Skyfall (56 milhões de dólares); 2. A Era do Gelo 4 (55.6 milhões de dólares); 3. Sur la Piste du Marsupilami (45 milhões); 4. La Verité si je mens! 3 (40 milhões); 5. Os Vingadores (38 milhões).


Itália: Os dias do cinema italiano como grande força mundial estão cada vez mais distantes porém, a nível nacional, o cinema local continua forte. Prova disso é que nos últimos dez anos, uma das duas maiores bilheterias do ano sempre foi um filme italiano e, esse ano, não foi excessão.

Em 2008, Bienvenue suz les Ch'tis virou a maior bilheteria da história da França. O filme, uma sátira do nordeste do país e de seus estereótipos, lucrou 190 milhões de dólares e transformou a região de Nord pas de Calais -- antes demônizada pelo seu clima desagradável frio e cinzento, sua população de classe trabalhadora e seu dialeto próprio e pouco agradável aos ouvidos -- em região da moda. Em 2010, a Itália produziu sua própria versão, Bienvenuti al Sud, com um roteiro similar porém ambientado em Castellabate, uma cidade próxima a Napólis. Foi um gigantesco sucesso, lucrando 44 milhões de dólares.

Esse ano, uma sequência original -- Bienvenutti al Nord -- foi a maior bilheteria do ano, lucrando 33 milhões de dólares. O filme, que narra o a situação inversa -- um personagem sulista do filme original se mudando para Milão -- foi um grande sucesso, apesar de não ter superado a arrecadação do primeiro filme.


A outra maior bilheteria local do ano também foi uma seqüência. Continuação de Immaturi, que lucrou 20 milhões de dólares ano passado e narrava o reencontro de um grupo de amigos depois de 20 anos sem se ver, Immaturi: Il viaggio lucrou 15.5 milhões de dólares e foi o nono filme mais visto no ranking geral.

Enquanto ano passado quatro das dez maiores bilheterias foram filmes italianos, esse ano foram apenas duas, ambas seqüências.

No cinema local, o gênero mais popular de longe é a comédia pastelão e esse é o gênero de todos os filmes italianos que aparecem entre os 20 mais vistos. Pais divorciados sendo obrigados a morar juntos (Posti in piedi in paradiso, 11.4 milhões de dólares); uma família exemplar e seu vizinho pornstar (Com'è bello far l'amore, 10 milhões. Alias, inexplicavelmente, esse filme foi lançado com cópias 3D) e um natal muito cheio de trapalhadas (Il peggior Natale della mia vita, 9 milhões) foram as premissas de alguns dos sucessos do ano.

A Itália tem um sub-gênero próprio que tem grande popularidade no período natalino: o cine panetone que nada mais são do que comédias pastelão familiares ambientadas durante as festividades de fim de ano, normalmente em algum cenário exótico mundo aforo. O representante desse ano foi o filme da Disney Il peggior Natale della mia vita que teve um resultado bem morno comparado as tentativas dos anos anteriores, particularmente as franquias Vacanze di Natale e Nata a..., todos dirigidos pelo comediante local Neri Parenti e todos entre as maiores bilheterias do cinema italiano.


O primeiro Vacanze di Natale, ambientado na região de Cortina na Itália, foi lançado em 1983. Duas seqüencias, ambientadas na Suíça, foram lançadas em 1990 e 1991 e uma em Colorado em 1995. Mais dois filmes ambientados em Cortina foram lançados em 1999 e em 2011.

Além disso, Neri também dirigiu a fenomenalmente bem sucedida Natale a..., que começou no Nilo em 2002 antes de seguir para Índia em 2003; Miami em 2005; Nova York em 2006; República Dominicana em 2007; Rio de Janeiro em 2008 (curiosamente, junto com a de Republica Dominicana, foi a maior bilheteria de toda série); Beverly Hills em 2009 e África do Sul em 2010. Além disso, ainda teve Merry Christmas de 2001, em Amsterdam, e Christmas in Love, de 2004, ambientado na Suíça.

Em 2011, os filmes já estavam mostrando sinais de fadiga quando Vacanze di Natale a Cortina foi um dos primeiros cine panetone do diretor a não figurar entre as cinco maiores bilheterias do ano e não ultrapassar os 20 milhões de dólares arrecadados (ao invés disso, fez 15 milhões mas não apareceu sequer entre as dez maiores bilheterias do ano). 

Esse ano, o diretor optou por não ir pelo caminho do cine panetone depois e apostar em uma comédia tradicional, Colpi di fulmine. Os resultados do lançamento estão bem aquém dos populares filmes festivos.

É importante destacar que o cinema italiano local não teve um ano tão bom quanto 2011 mas os resultados obtidos ano passado são bem difíceis de superar. Apesar de uma queda de 11% de vendas de ingresso comparado com o 2010, o filme local Che bella giornatta, mais uma comédia pastelão do tipo que eles amam bastante, se transformou primeiro no maior filme italiano da história (superando A Vida é Bela, ganhador do Oscar em 1998) e, depois, na maior bilheteria ever, desbancando Titanic. O filme lucrou 60 milhões de dólares.

Esse ano, é claro, nenhum filme -- nacional ou internacional -- chegou perto. Depois de Bienvenuti al Nord, as maiores bilheterias foram Madagascar 3 e o último filme da saga Crepúsculo, Breaking Dawn pt. II. Assim como no resto do mundo, o francês Intouchables foi o blockbuster surpresa com 20 milhões de dólares arrecadados.

Top 5 Itália: 1. Bienvenutti al Nord (33.5 milhões de dólares); 2. Madagascar 3: Europe's Most Wanted (28 milhões); 3. Breaking Dawn pt. II (26 milhões); 4. Os Vingadores (22 milhões); 5. Era do Gelo 4 (20 milhões).

Espanha: Eu não sei vocês mas acredito que se uma produtora brasileira contratasse um diretor brasileiro para dirigir um filme baseado numa história real que aconteceu com uma família brasileira porém todo falado em inglês, com um elenco todo americano/inglês, eu imagino que iria ter algum tipo de backlash por aqui, não acham?

Contudo, não foi isso que aconteceu na Espanha. O filme El Imposíble, inspirado na história real de uma família espanhola que sobreviveu ao tsunami da Ásia em 2010, estrelado pelo britânico Ewan McGregor e a australiana Naomi Watts (apesar do diretor e da produtora serem espanhóis) se transformou na maior bilheteria já registrada por um filme espanhol, ultrapassando o filme de terror El Orfanato de 2007 (que, alias, foi dirigido pelo mesmo cara: J.A. Bayona).


É verdade que a Espanha já está acostumado de ver atores anglo-saxões estrelando filmes locais. Os Outros, de 2001, com Nicole Kidman, e Agora, lançado em 2009, com Rachel Weiz, são filmes locais, dirigidos por Alejandro Aménabar e, apesar de terem sido rodados em inglês, isso não prejudicou o sucesso deles no país já que ambos figuram entre as melhores bilheterias de todos os tempos.

The Impossible lucrou mais que o dobro que o segundo lugar em bilheteria, Breaking Dawn Pt 2, e mais que o triplo do que "Os Vingadores" arrecadou na Espanha. The Impossible também é um dos raríssimos casos onde a gente vê uma foto da família real que inspirou o filme e conclui que eles não ficam devendo em nada (em termos de beleza) aos atores que os retratam na versão cinematográfica.

Além disso, o filme gerou ainda mais burburinho quando Angelina Jolie publicou uma carta elogiando efusivamente a performance de Ewan McGregor, o que também, com certeza, ajudará o ator a conseguir uma indicação ao Oscar (um comunicado oficial de Julia Roberts elogiando Javier Bardem em Biutiful faz alguns anos é apontado como um dos principais motivadores a indicação de Bardem ao Oscar em 2010).

Por outro lado, El Imposible também atraiu críticas bem pesadas nos EUA (das quais eu tendo a concordar um pouco) por fazer algo que Hollywood tem o costume de fazer: usar um desastre que matou milhões e focar o filme não nos principais afetados mas em turistas caucasianos e ricos, pintando-os como as principias vítimas da situação e basicamente relegando os locais que perderam tudo a figurantes. Mesmo assim, as críticas são majoritariamente positivas.

El Impossible não só obtém o recorde de maior bilheteria para um filme local na história, ele também superou Titanic como o filme que mais atraiu pessoas ao cinema (6 milhões de bilhetes vendidos). Em lucros totais, ele continua atrás de Avatar já que não teve a vantagem dos ingressos 3D mais caros.

Mas El Impossible não foi o único sucesso local do ano. 2012 foi um ótimo ano para o cinema espanhol. Graças a diretores como Bayona, Almodovar e Guillermo del Toro e estrelas locais como Javier Bardem e Penelope Cruz, o cinema do país está mais valorizado que nunca, inclusive entre a população local. Ao longo dos últimos 5 anos, apenas seis filmes made in Spain alcançaram 10 milhões de euros arrecadados. Três desses foram esse ano.

Las Aventuras de Tadeo Jones, um filme animado produzido localmente, foi outro fenômeno, com 23.2 milhões de dólares arrecadados, superando o colossal A Era do Gelo 4 (19.6 milhões) e Madagascar 3 (13.4 milhões) e se transformando no filme infanto-juvenil mais visto do ano. Foi o primeiro longa metragem estrelado pelo personagem Tadeo Jones, já conhecido pelo público local graças a dois premiadissimos curta-metragens. Além disso, a música principal da trilha sonora, Te Voy a Esperar, um dueto entre o produtor/cantor dance Juan Magán com a estrela pop mexicana Belinda, ocupou o too das paradas de single por mais de 1 mês e foi um dos maiores hits do ano no país, fazendo do filme um sucesso multimídia.


O terceiro longa metragem local mais visto foi Tengo Ganas de Ti, um romance adolescente, seqüencia do sucesso de 2011 3 Metros sobre el Cielo. Os filmes são reamkes de uma bem sucedida franquia italiana baseado nos livros de Federico Moccia.

Alias, a trajetória de Moccia é interessante. Em 2004, Tre metri sopra el Cielo, um filme romântico adolescente e baseado em um de seus livros, virou um sucesso cult na Itália e impulsionou a venda de seus livros (todos romances adolescentes ambientados em Roma) a casa de milhões de unidas vendidas. Nos anos seguintes, o autor virou um fenômeno: os filmes baseados em sua obra lucravam milhões de euros e o autor era tratado como uma superstar e um trendsetter pelas meninas italianas. Mas, depois de quatro anos de onipresença midíatica, a popularidade do autor despencou e, conseqüentemente,  o lucro de seus livros e filmes sofreram.

Porém, o autor ganhou um novo vento de popularidade na Espanha onde, graças a força do império editorial da Planeta, seus livros se transformaram em best-sellers. 3MSC foi adaptado para uma versão local, ambientada em Barcelona em 2010 (a maior bilheteria de um filme espanhol naquele ano) e, esse ano, Tengo Ganas de Ti (adaptação de Ho Voglio di Ti) superou os lucros do primeiro e foi o terceiro filme local mais visto com 15.7 milhões de dólares arrecadados (mais do que The Dark Knight Rises). A renda total ficou bem perto do que a versão italiana lucrou em 2007 (18.6 milhões de dólares) e, proporcionalmente (a Espanha é um país menor), o sucesso foi ainda maior. Um terceiro filme baseado na obra de Federico Moccia, Perdona si te Llamo de Amor (cuja versão italiana lucrou 21 milhões de euros em 2008) já está em produção para o ano que vem.


Tanto El Impossible quanto Tadeo Jones são produções do braço cinematográfico do canal de mais audiência do país, Telecinco (propriedade da italiana Mediaset do Berlusconi). Já Tengo Ganas de Ti é produzido pelo canal rival, Antena 3. Contudo, para 2013, a Telecinco conseguiu os direitos da obra de Moccia e Perdona si te llamo de Amor será produzido por eles. Será um dos 9 filmes produzidos pela companhia da Mediaset em 2013, fazendo com que a empresa de Berlusconi seja a maior produtora de filmes na Espanha e na sua Itália natal. Outras produções Telecinco incluem a sequência de Tadeo Jones e novos filmes dos badalados diretores Daniel Monzón e Patxi Amezcua. Ano que vem o cinema espanhol ainda deverá se beneficiar da esperada reunião de Almodovar com sua musa, Penelope Cruz em Los amantes pasejeros.

Top 5 Espanha: 1. The Impossible (51.3 milhões de dólares); 2. The Twilight Saga: Breaking Dawn pt II (26.5 milhões); 3. Las Aventuras de Tadeo Jones (23.2 milhões); 4. Intouchables (21 milhões); 5. Os Vingadores (20.2 milhões)

Alemanha: Til Schweiger é O cara do cinema alemã. Ele é o full package: um verdadeiro galã, ele é o rosto perfeito para estrelar filmes. Filmes os quais ele também dirige e escreve. Ah, ele também é um pai de família, com 4 filhos, todos lindos (fruto do casamento com uma top model), que costumam atuar ao lado dele. 

O sucesso de Til com o público alemão é tanto que Hollywood o usa como "arma", colocando-o em papéis pequenos em vários filmes com a intenção de, assim, atrair mais público nos territórios de língua alemã. Ele foi uma das estrelas da comédia de ensemble New Years Eve (junto com Zac Efron e Bon Jovi e Lea Michelle e Halle Berry e Sofia Vergara e Ashton Kutcher e Jessica Biel etc); teve uma ponta na comédia de Reese Whiterspoon, This Is War e participou do elogiado filme de Tarantino, Inglorious Bestards.


Na Alemanha, os filmes que ele estrela e produz costumam seguir a mesma formula: comédias românticas leves e divertidas, que equilibram momentos família com pitadas de humor mais caliente, tudo com a cênica Berlin como plano de fundo. Com essa formula, seu grande debut cinematográfico, Keinohrhasen (Coelho Sem Orelhas), sobre um mulherengo que se apaixona por uma atrapalhada professora pré-escolar, lucrou 75 milhões de dólares e foi o filme mais visto da Alemanha em 2007. A sequência, Keinohrhasen, lucrou 41 milhões de dólares em 2008, a sexta maior bilheteria do ano.

Kokowääh (o título é uma brincadeira com a pronuncia alemã de Coq-au-Vin), sua comédia romântica mais recente, que segue exatamente a mesma formula do sucesso anterior (mulherengo descobre que tem uma filha pequena, fruto de uma one night stand alguns anos antes) foi a terceira maior bilheteria de 2011, com 43 milhões de dólares arrecadados.

Em 2012, Til resolveu mudar radicalmente a formula, produzindo, dirigindo e estrelando o filme de ação Schutzengel. Resultado: fracasso. Para 2013, ele retorna com Kokowääh 2.

Com Til Schweiger underperforming, o cinema alemão não teve nenhum filme figurando entre as dez maiores bilheterias do país. Isso não que dizer que nenhum filme local fez sucesso. A comédia jovem, Türkisch für Anfänger - Der Filme (Turco para Iniciantes - O Filme), teve ótimo resultado, lucrando 21.7 milhões de dólares e acabando o ano como o maior sucesso alemão (e a 11ª maior bilheteria do ano). O elogiado filme é uma continuação da popular comédia teen de mesmo nome exibida entre 2006 e 2009, e que narra a história de uma garota adolescente em Berlin, acostumada com seu lifestyle liberal, que tem que aprender a conviver com a família turca muçulmana do novo marido de sua mãe

A maior bilheteria do ano, contudo, não foi um filme hollywoodiano e sim o francês Intouchables que, com 79 milhões de dólares, desbancou tudo e todos. Próximo dele, só Skyfall.

Na Alemanha, Batman desbancou Os Vingadores como o maior filme de herói do ano. Ted, o filme de Seth MacFarlene, também fez bonito no país com 31.43 milhões enquanto o quarto filme da franquia American Pie, American Reunion, teve dos seus melhores resultados internacionais por lá (23 milhões de dólares), provando que os alemães curtem uma comédia R-rated.

Top 5: 1. Intouchables (79 milhões de dólares); 2. Skyfall (75 milhões); 3. A Era do Gelo 4 (68 milhões); 4. Madagascar 3 (39.4 milhões); 5. The Dark Knight Rises (35.5 milhões).

Reino Unido: Ano passado, foi um ano record-breaking para a indústria cinematográfica britânica, com o top 3 de maiores bilheterias todo dominado por produções locais. No topo, o último filme da franquia Harry Potter, seguido do premiado Discurso do Rei e da comédia The Inbetweeners, baseado no fenômeno televísivo.

Esse ano, a parada não foi tão intensa mas o top da lista foi ocupado por mais um fenômeno local, Skyfall, o novo filme do James Bond com 160 milhões de dólares arrecadados. O longa metragem se transformou na maior bilheteria da história do país, ultrapassando os gigantes de James Cameron, Avatar e Titanic.

Em todo o caso, a indústria britânica de filmes pode respirar aliviada. Enquanto Harry Potter, um dos seus maiores fenômenos da história, chegou ao fim, Bond parece não dar sinais de cansaço e, ainda por cima, está mais forte do que nunca, com o novo filme sendo quase que unânimamente elogiado e se transformando no primeiro da franquia a ultrapassar a marca do 1 bilhão de dólares arrecadados.

No mais, o top 10 tem outro blockbuster co-produzido por Hollywood em associação com o Reino Unido. Prometheus, o caríssimo sci-fi de Ridley Scott, lucrou 40 milhões de dólares (10% dos seus 400 milhões arrecadados no mundo todo) no país, o suficiente para ser o oitavo maior filme.

No mais, o Reino Unido mostrou afinidades por super heróis como Batman, Vingadores e Homem Aranha (sétima maior bilheteria, 40.2 milhões de dólares) e blockbusters baseados em best-sellers jovens como o último filme da saga Crepúsculo e Jogos Vorazes (décima maior bilheteria, 37.2 milhões). Taken 2 -- uma propriedade extremamente popular no país, onde o primeiro filme já ultrapassou o 1 milhão de DVDs vendidos -- lucrou 37.9 milhões.

Além disso, o Reino Unido mostra sua afinidade por comédias R-rated. Depois dos dois primeiros The Hungover quebrarem recordes por lá, esse ano foi a vez de Ted, o filme de Seth MacFarlene como Mila Kunis e Mark Whalberg, conquistar altíssimos rendimentos, com quase 50 milhões de dólares arrecadados.

Para variar, A Era do Gelo 4 foi a maior animação do ano, com 47 milhões de dólares.

Enquanto o top 10 não teve tantos filmes locais quanto no ano passado, isso não quer dizer que as produções locais tiveram um mal ano. Entre os grandes sucessos locais de 2012 estiveram The Woman in Black, The Best Exotic Marigold Hotel e The Pirates! Band of Misfit.

The Woman in Black, o primeiro filme pós-Harry Potter de Daniel Redcliffe, mostrou o poder do ator no seu país de origem. O filme de suspense lucrou 35 milhões de dólares (de um total de 128 milhões a nível global) no país.


Já The Best Exotic Marigold Hotel, que contava com Dev Patel (Slumdog Millionaire) acompanhado de um elenco de peso de atores veteranos locais -- incluindo Dame Judi Dench, Tom Wilkinson e Maggie Smith -- fez 32.6 milhões (de um total de 134 milhões de dólares no mundo todo).



Finalmente, o filme animado Pirates! The Band of Misfit -- lançado pelo braço de animação da Sony e com as vozes de Hugh Grant, Salma Hayek, Martin Freeman e outros -- fez 26.6 milhões (de 121.6 milhões). Foi um bom resultado, mas não superou a animação britânica do ano passado, Arthur Christmas -- com as vozes de James McAvoy e Hugh Laurie -- que lucrou 34.2 milhões.

Top 5 Reino Unido: 1. Skyfall (158.4 milhões); 2. The Dark Knight Rises (90.3 milhões); 3. The Avengers (80.56 milhões); 4. The Twilight Saga: Breaking Dawn pt. II (55.68 milhões); 5. Ted (48.9 milhões)


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012: Cinema (Parte 1)

Não costumo falar sobre cinema aqui porque, vejam só vocês, não tenho muita paciência para filmes. Mas, como um blog de cultura pop, acho que esse é um assunto importante de ser tratado então bora lá para uma retrospectiva do que aconteceu no cinema ao longo dos últimos 12 meses?

The Avengers: o ano foi deles
Para  variar, as maiores bilheterias do ano foram blockbusters de ação e filmes animados da Dreamworks e da Pixar. Três filmes ultrapassaram a nada modesta barreira do bilhão: The Avengers (Os Vingadores); o último filme do Batman, Dark Knight Rises e o novo filme do James Bond, Skyfall.

The Avengers, como todo mundo sabe, é o filme que reúne todos os superheróis da Marvel -- com a exceção do Homem Aranha -- e foi o começo triunfal da nova era da gigante dos quadrinhos, agora propriedade da Disney. Alias, o Homem Aranha não participa do filme -- apesar de ser, de longe, o maior nome da companhia de HQ -- pois seus direitos de imagem no cinema são exclusivos da Sony. O filme, ajudado por críticas super positivas, lucrou 1.511 bilhão de dólares em todo o mundo, dos quais 41% (632 milhões) nos EUA.

Agora, vocês querem saber um dado curioso? O quarto maior mercado de Os Vingadores no mundo foi o Brasil. Alias, o filme desbancou "Tropa de Elite 2" por aqui para se transformar na maior bilheteria da história. Foram 120 milhões de reais arrecadados. Porém, é claro, temos que fazer ressalvas: ao contrário dos EUA, no Brasil calcula-se o sucesso de um filme pela quantidade de bilhetes vendidos e não pelo lucro total. Nesse caso, Tropa de Elite 2 -- que não teve auxílio de ingressos 3D e de Imax mais caros -- continua sendo um sucesso maior com 11,2 milhões de pagantes contra os 10 milhões do filme da Marvel. Alias, o filme com mais pagantes na história do Brasil continua sendo Titanic de 1998: 16 milhões de bilhetes vendidos.

O Brasil e o México foram o quarto e o quinto maiores mercados para o filme a nível global (apesar de, no panorama geral de lucratibilidade cinematográfica, serem respectivamente o 13º e o 12º mercados). Alias, o resultado do filme foi fantástico em toda a América Latina, onde arrecadou mais de 200 milhões de dólares e se transformou na maior bilheteria da região na história (e mais de 15% do arrecadamento total, em comparação com 43% para Ásia e a Europa juntas, apesar de ambas serem regiões, em geral, MUITO mais lucrativas). O Brasil e o México foram, alias, dois dos cinco países cuja bilheteria ultrapassou 60 milhões de dólares -- além dos EUA, o filme só lucrou mais na China ($84 milhões) e no Reino Unido ($80.5 milhões). Isso mostra a força da Marvel por aqui, principalmente comparado a Europa. Na França e na Alemanha, o terceiro e quinto maiores mercados em termos de lucro, Os Vingadores lucrou menos que 50% do que por aqui. No Japão, o segundo maior mercado, o rendimento foi 10 milhões de dólares a menos.

Depois de Os Vingadores, mais outro herói (porém da companhia rival, a DC): The Dark Knight Rises (O Cavaleiro das Trevas Ressurge) lucrou 1.08 bilhão de dólares a nível global e só podemos imaginar o quão mais o filme lucraria se não tivesse sido prejudicado pelo trágico tiroteio no cinema de Colorado.

Da série blockbusters bilionários não saem barato: Batman toma conta do exterior e do interior da estação de metrô mais movimentada de NYC, a de Times Square.
Alias, o tiroteio desencadeou uma queda enorme em bilheteria total nos EUA: o trauma no público foi tanto que a freqüência em cinemas no país despencou depois do acontecido. Por isso, o filme lucrou 85 milhões de dólares a menos que seu antecessor (448 milhões versus 533 milhões). Porém, no resto do mundo, o filme arrecadou mais e, por isso, Dark Knight Rises acabou com 1.08 bilhão, 40 milhões a mais que Tje Dark Knight.

Enquanto, no Brasil, o super herói da D.C. se provou bem menos popular que o coletivo da Marvel, lucrando menos da metade que Vingadores, na Europa, Batman se provou igualmente popular, com arrecadações similares na maior parte da região e números ainda mais satisfatórios no Reino Unido (90 milhões, 10mi a mais).

Finalmente, o outro filme a cruzar a barreira do bilhão foi Skyfall, o vigésimo-terceiro filme da franquia de James Bond e o terceiro estrelando Daniel Craig como o icônico espião. Foi o primeiro filme 007 a ultrapassar a marca.

E, alias, Batman, Homem de Ferro, Thor e afins podem ser os heróis de ação mais populares do mundo mas, na Europa, ninguém desbanca Bond. Na Alemanha e na França, Skyfall lucrou mais que o dobro do que Avengers e Dark Knight Rises. No Reino Unido, o país natal de 007, o filme tem quebrado todos os recordes.


E, alias, não é de se espantar: na Grã-Bretanha, Bond é um dos maiores icones nacionais. E é fácil notar isso: o Royal Albert Hall, a casa de espetáculos mais tradicional do país, sediou a pré-estréia que teve a presença de toda família real, incluindo Vovó Elizabeth. A vitrine da Harrod's, a loja de departamento mais importante do país, homenageia a película. Adele, o maior fenômeno musical do século, é responsável pela música tema. E até a BBC, a rede pública sinônimo de qualidade britânica, dedicou vários especiais ao filme em seus canais de TV e de rádio. Com toda essa promoção, não é de se espantar que o filme tenha lucrado 150 milhões de dólares e se transformado na maior bilheteria da história no país, desbancando Toy Story 3 em bilhetes vendidos e Avatar em total arrecadado.

A maior animação do ano foi A Era do Gelo 4 que lucrou 875 milhões de dólares a nível global. Alias, é interessante notar que essa franquia é muito mais bem quista a nível global que domesticamente. Nos EUA, o filme lucrou 160 milhões de dólares, um resultado bastante digno e que o coloca como a 16ª maior bilheteria do ano no país. Porém, no resto do mundo, o filme lucrou colossais 715 milhões de dólares, transformando-o na quarta maior arrecadação de 2012, atrás de Skyfall. A diferença entre o sucesso no mundo (principalmente na Europa e na América Latina, onde o filme obteve seus melhores resultados) e nos EUA é ainda mais gritante quando comparado com outros filmes animados: nos EUA, ele lucrou menos que Brave, Madagascar 3, Dr. Seuss' The Lorax e Wreck-It Ralph. Entre esses, alias, The Lorax, que lucrou 215 milhões de dólares nos EUA (61% de seu rendimento total), foi o que obteve menos sucesso mundo afora, provavelmente porque as histórias de Dr. Seuss são enormemente famosas nos EUA porém desconhecidas em outras bandas.

Da série blockbusters bilionários não saem barato: anúncio gigantesco de Skyfall em Westminster, Londres
Outro filme que teve enorme popularidade nos EUA porém ainda precisa crescer mundo afora é The Hunger Games (Jogos Vorazes), o filme baseado na trilogia de Suzanne Collins e que é considerado o grande sucessor de Harry Potter e Crepúsculo, sagas que causaram histeria tanto em suas versões impressas quanto cinematográficas. Nos EUA, o primeiro filme da saga lucrou 408 milhões de dólares. Colocando esses números em perspectiva: isso é 100 milhões de dólares a mais que a maior bilheteria da saga Crepúsculo (Eclipse de 2010). Porém, internacionalmente, por ser uma franquia recente e que ainda não alcançou seu potencial máximo, o filme lucrou bem menos: 278 milhões de dólares. Sendo assim, Hunger Games lucrou 686.5 milhões, um resultado bem inferior aos 800 milhões (65% internacionalmente) do filme final da consolidada saga Crepúsculo, Breaking Dawn Part II (Amanhecer Parte 2). Enquanto, nos EUA, Jogos Vorazes encerra o ano como a terceira maior bilheteria, a nível global o filme acabou em oitavo.

Três posições acima, encerrando o top 5 das maiores bilheterias, temos The Amazing Spider Man. Cinco anos depois de Spider Man 3, o filme final da saga dirigida por Sam Raimi e estrelando Tobey Maguire e Kirsten Dunst (e dois anos depois que eu dei a notícia), a Marvel e a Sony reiniciam a franquia com Marc Webb (500 Dias com Ela) na direção e o badalado Andrew Garfield (A Rede Social) no papel título com a igualmente badalada Emma Stone como seu par romântico (convenientemente, os dois também estão namorando na vida real). Com 752 milhões de dólares arrecadados, o filme não foi nenhum fracasso mas o resultado foi bastante aquém ao da saga anterior, cuja menor bilheteria -- em tempos pré-3D e ajuste de preços de ingresso -- foi o segundo com 784 milhões (o 1 e o 3 ultrapassaram 800 milhões).

Novamente, a Marvel conseguiu resultados especialmente bons na América Latina. Os rendimentos no Brasil e no México ultrapassam os dos países europeus (com a exceção, novamente, do Reino Unido), provando a popularidade da Marvel entre nós, latinos. Porém, enquanto o Homem Aranha é popular por aqui, seu maior território é a Ásia.

Enquanto individualmente, o Homem Aranha é, de longe, a maior franquia da Marvel, ele não pode lutar contra a união do Homem de Ferro, Capitão América, Hulk, Viuva Negra e Thor. Juntos, eles massacraram o superheroi solitário com mais do dobro do faturamento total e resultados superiores em todas as regiões (inclusive na Ásia). É claro que -- além de serem vários -- Os Vingadores ainda tiveram a vantagem de já terem sido introduzidos em filmes bem-sucedidos nos anos anteriores enquanto este novo Homem Aranha reapareceu em novo formato depois de um longo período de sumiço.

Alias, nove dos 10 filmes de maior sucesso do ano são parte de alguma franquia estabelecida. A única exceção é o animado Brave que atraiu o público com o selo Pixar de qualidade. Dentre esses nove, oito são seqüencias (incluindo Os Vingadores que, afinal, continua as histórias dos filmes individuas), com a exceção de The Hunger Games que, apesar da forte dependência do mercado americano, começou com o pé direito e com lucro total (incluindo internacional) duas vezes maior do que o primeiro Crepúsculo em 2008.

Porém, enquanto o top 10 não nos trás muitas novidades, logo em 12º temos uma enorme surpresa: o filme francês Intouchables (Os Intocáveis) passou na frente de centenas de blockbusters americanos e lucrou absurdos 417 milhões de dólares para se transformar no filme não falado em inglês de maior sucesso da história. 

A inclusão de Intouchables é meio controversa afinal uma parcela considerável do seu lucro veio de 2011, quando o filme estreou na França levando 166 milhões de dólares (segunda maior bilheteria na história do país, o primeiro lugar ainda é a comédia Bienvenue chez les Ch'tis de 2009 que satiriza o nordeste do país). Porém, foi em 2012 que a comédia estreou mundo afora, inclusive no resto da Europa onde lucrou mais de 200 milhões de dólares e acabou o ano como uma das maiores bilheterias em diversos países da região com a Alemanha (80 milhões de dólares, filme mais visto de 2012); Holanda (2º filme mais visto, atrás apenas de Skyfall); Espanha (4º mais visto) e Itália (6º mais visto). Além disso, a lista que eu uso como base, a do BoxOfficeMojo, considera a data de lançamento dos EUA como a data oficial de lançamento de qualquer filme (êta quanto egocentrismo) então Intouchables é classificado como um filme de 2012.

Alias, eu, que não dou ponta sem nó, já fiz um post aqui tratando do sucesso sem precedentes e inesperado dessa comédia francófona. Alias, com Harvey Weinstein por trás da distribuição do filme nos EUA -- o homem responsável por 9 em cada 10 filmes vencedores do Oscar nos últimos anos -- eu diria que a chance da França sair com a estatueta de Melhor Filme de Língua Estrangeira por dois anos consecutivos é alta (The Artist, o vencedor desse ano, também foi distribuído por Weinstein alias, assim como "O Discurso do Rei", o ganhador geral).

Logo acima dos Intocáveis, em 11º, temos Ted, a estréia na direção de Seth McFarlane, criador (e dublador de TODOS os personagens homens) de Family Guy (Uma Família da Pesada) e American Dad. Seth prova que seu humor escrachado porém hilariante é um sucesso garantido em várias mídias: Ted lucrou 502 milhões de dólares e é uma das comédias mais bem sucedidas de todos os tempos, lucrando mais até do que o primeiro The Hangover (Se Beber Não Case). Além de Seth na voz do personagem título (gente, sério, eu fico em choque com a quantidade de vozes que esse cara é capaz de produzir), o filme estrela Mark Whalberg e Mila Kunis. Mila, alias, faz a voz da filha adolescente Meg em Family Guy.

Seth MacFarlene: sucesso na TV e no cinema. Aqui, ao lado de seus co-stars Mila Kunis e Mark Whalberg
Com o sucesso de Ted, Seth MacFarlene vai ser o apresentador do Oscar 2013. Em geral, eu acho a cerimônia um saquinho mas achei a escolha dele como apresentador bastante inspirada e acho que vai ser bem sucedida em atrair um público jovem (then again, o James Franco e a Anne Hathaway em 2010 também pareciam inspirados e ~jovens e look how well that turned out...).

Enquanto o top 10 é dominado por seqüencias de franquias já existentes, o top 15 nos dá pistas de quais serão as seqüencias que poderam dominar a bilheteria em 2013 e 2014. Prometheus e Snow White & the Huntsman lucraram 400 milhões de dólares, resultados satisfatórios e que mais que justificam continuações.

É claro que Snow White tem um GIGANTESCO impedimento: o filme, que estrela Kristen Stewart, teve um resultado digno nas bilheterias. Contudo, o filme é mais lembrado pelo grande escândalo que ele originou: Kristen Stewart, que namora com o seu co-star de Crepúsculo Robert Pattinson, e o diretor, casado e pai de dois filhos, Rupert Sanders foram flagrados por um paparazzo em alta pegação adúltera dentro de um carro e as fotos estamparam a edição mais vendida do ano da US Weekly. Com isso, imagino que a Universal deve estar quebrando a cabeça para figure out como produzir a planejada continuação.

Charlize Theron, a co-estrela de Stewart no filme da Branca Neve, pode descansar tranqüilamente. Se a seqüencia de Snow White não sair, ela também é -- ao lado de Michael Fassbender, Idris Elba e a sueca Noomi Rapacci -- uma das estrelas de Prometheus. Já "o Caçador" do título, Chris Hemworth -- que especulou-se que seria o foco do filme 2 (que não contaria com a participação de Stewart) -- já tem suas bases cobertas graças a Thor.

Fechando o top 15, temos Taken 2 (Busca Implacável 2) estrelando Liam Neeson que, depois de anos como um ator respeitado, virou, aos 60 anos, uma digna estrela de ação numa transformação hollywoodiana bem curiosa. Alias, essa franquia é um ótimo exemplo de algo que se consolidou mundo afora com o tempo.

Lançado em 2009, e filmado com um orçamento bem baixo de 29 milhões de dólares, Taken era um filme que ninguém apostava muito. Ele acabou lucrando 145 milhões de dólares nos EUA. No resto do mundo, contudo, ele foi relativamente ignorado. Ao longo dos anos, com exibições em TV, o filme foi ganhando popularidade e as vendas do DVD mundo afora foram estratosféricas. Com isso, a seqüencia lucrou quase o triplo internacionalmente: 220 milhões de dólares (lucro total, contando com os EUA, de 362 milhões).

É claro que ao olhar a lista das maiores bilheterias do ano é preciso levar em conta vários fatores e acho que isso pode ser bem ilustrado com a trajetória de Channing Tatum e Taylor Kitsch ao longo de 2012.

Channing Tatum: o all-american boy foi a estrela do ano
Channing Tatum foi considerado O homem de 2012 por ser um dos unicos nomes que, hoje em dia, é sinônimo de sucesso e de salas de cinema cheias. Seus três filmes esse ano foram considerados enormes sucessos, apesar de nenhum ser parte de uma franquia. Diferente, por exemplo, de Chris Hemworth em Os Vingadores ou Anne Hathaway em Batman, o nome Channing Tatum no pôster foi considerado um dos fatores vitais para o sucesso dos três filmes nos quais ele estrelou.

The Vow, um drama estilo Nicholas Sparks (que, veja só, não é de Nicholas Sparks), lucrou 196 milhões de dólares. Magic Mike, o filme sobre homens strippers que, além de estrelar, ele também produziu, arrecadou 166 milhões. E 21 Jump Street, uma comédia baseada na série policial de sucesso dos anos 80 (conhecida por ter lançado Johnny Depp ao estrelato), fez 201 milhão de dólares.

Os resultados desses filmes foram tão enormemente satisfatórios e a resposta do público tão positiva que Hollywood o viu como algo raríssimo hoje em dia: um nome que atraí pessoas (principalmente mulheres) para o cinema.

Um exemplo do poder dele é o caso da seqüencia do filme G.I. Joe, baseado nos bonecos de ação dos anos 80. Channing era um dos muitos atores do primeiro filme da saga, G.I. Joe Rise of the Cobra, lançado em 2009. O filme teve um lucro digno: 300 milhões de dólares em cima de um orçamento de 175 milhões. Não é um resultado espetacular porém é satisfatório o suficiente para o desenvolvimento de uma seqüencia.

A seqüencia, G.I. Joe Retaliation, foi filmada em 2011 com lançamento previsto para o verão americano desse ano. Contudo, o personagem de Channing morria logo no começo e, ao ver o enorme sucesso junto ao público dele ao longo de 2012, o lançamento foi adiado para 2013 e, ao custo de milhões de dólares, o roteiro foi reescrito e as gravações já finalizadas foram retomadas para aumentar -- e muito -- o papel do ator no filme. Isso ilustra bem o tamanho da crença dos chefões de Hollywood em Channing Tatum que o vêem como uma verdadeira galinha dos ovos de ouro.

Apesar disso tudo, o filme de maior bilheteria de Channing, 21 Jump Street, foi apenas o 30º filme mais visto do ano e o desempenho de seus sucessos parecem modestos comparado com os filmes estrelados por Taylor Kitsch: Battleship (Batalha Naval) lucrou 302 milhões de dólares enquanto John Carter fez 282 milhões. Ambos os filmes de Kitsch aparecem entre as 25 maiores bilheterias do ano.

Mesmo assim, Channing foi considerado a maior estrela do ano e vai colher os frutos e encher os bolsos ao longo de 2013 enquanto Taylor terá que carregar a estigma de ter estrelado duas das maiores bombas do ano.  Porque, apesar dos lucros maiores, as expectativas para os filmes de Kitsch eram MUITO maiores.

Os filmes de Channing custaram de 7 (Magic Mike) a 42 milhões de dólares para produzir. Nenhum deles foi vendido como um blockbuster ou com uma campanha na casa das centenas de milhões de dólares. Já os filmes de Taylor custaram 209 milhões de dólares (Battleship) e 250 milhões de dólares (John Carter). Os números dobram quando se leva em conta os gastos em promoção (por exemplo, ambos os filmes de Taylor foram anunciados durante o SuperBowl. Cada uma dessas inserções de 1 minuto custaram 6 milhões de dólares). E, enquanto os resultados foram bastante medíocres mundo afora, eles foram simplesmente PAVOROSOS (nível suicidio de CEO de estúdio) nos EUA, onde ambos empacaram na faixa dos 70 milhões de dólares (100 milhões de dólares sendo o MÍNIMO esperado para um blockbuster). A parada foi tão feia que o chairman da Disney, estúdio por de trás de John Carter, foi forçado a renunciar do seu posto um mês depois da estréia, tamanha foi a repercussão do fracasso (e o impacto nas ações da Disney).

John Carter: Billboards do filme tomam conta de Los Angeles mas não previnem um enorme fracasso
Então, é óbvio, existem vários fatores que classificam um filme como "sucesso" e "fracasso" além do lucro total. E o mais importante é a expectativa por de trás. Think Like A Man -- uma comédia produzida por 12 milhões de dólares, estrelando um elenco todo negro, baseado em um livro de auto-ajuda com o mesmo nome e que não foi distribuída internacionalmente -- lucrou 92 milhões de dólares nos EUA e foi considerado um gigantesco sucesso. The Best Exotic Martigold Hotel, comédia inglesa modesta gravada na India com Dev Patel (Slumdog Millionaire) e estrelando grandes atores veteranos britânicos como Judi Dench e Maggie Smith, lucrou 160 milhões e também foi considerado um sucesso espetacular. The Lucky One, drama baseado em um livro de Nicholas Sparks e estrelando Zac Efron, lucrou 92 milhões de dólares (74 milhões nos EUA) e foi considerado um resultado digno que, enquanto não enalteceu o poder de Zac (principalmente comparado com o resultado de The Vow com Channing), também não o prejudicou e provou o poder da marca Sparks. Por outro lado, The Dark Shadows (Sombras da Noite) lucrou 239 milhões de dólares e foi considerado um fracasso, não só pelo seu alto custo (150 milhões sem os custos de promoção) mas também pelos nomes envolvidos (direção de Tim Burton estrelando Johnny Depp).

Ainda na comparação com Tatum: Magic Mike lucrou 165 milhões de dólares e foi considerado um enorme sucesso, enaltecendo o poder de Channing. Mirror Mirror (Espelho Espelho Meu) lucrou 166 milhões e foi considerado um fracasso e uma prova de que o poder de Julia Roberts, estrela do filme, já não é mais o mesmo. A diferença, novamente,  está nas expectativas: Mike custou 7 milhões de dólares para produzir (isso é equivalente a 10 centavos em dinheiro de Hollywood), Mirror custou 85 milhões. E mais: com o poder internacional de Roberts, o filme teve uma distribuição internacional maciça que ajudou o filme a lucrar 101 milhões de dólares e mascarar os resultados medíocres no mercado mais importante, os EUA (65 milhões). Por outro lado, com Channing sendo relativamente desconhecido mundo afora e o tema relativamente tabu do filme (nudez masculina), Magic Mike teve uma distribuição internacional bem fraca mas teve um total bem alto graças ao enorme faturamento nos EUA (114 milhões).

Alias, ver a lista de maiores bilheterias nos mostra duas realidades contraditórias: o primeiro, é o poder do mercado mundial. Sucesso nos EUA é importante, mas sucesso mundo afora é cada vez mais, principalmente com o crescimento de mercados emergentes como a China, a Rússia e o Brasil. Temos diversos casos de filmes cujo desempenho foram decentes nos EUA mas magníficos no resto do mundo e isso fez toda a diferença (Intouchables; A Era do Gelo 4).

Por outro lado, como a sede da cultura pop global, o mercado americano ainda é vital para make it or break it o sucesso dos filmes e dos atores. Julia Roberts ainda consegue resultados satisfatórios mundo afora porém, nos EUA, ela é considerada coisa do passado. Resultado: Roberts é coisa do passado. Ao mesmo tempo, Channing Tatum é uma estrela em ascensão nos EUA e amado pelo público local enquanto, no resto do mundo, ele ainda é relativamente desconhecido. Resultado: Channing é o futuro.

Mesmo antes de John Carter ter sua estréia internacional, o filme já tinha sido considerado um fracasso astronômico com seu resultado nos EUA. Exatamente para evitar isso, Battleship estreou com meses de antecedência mundo afora e, apesar de resultados bastante dignos e mais de 210 milhões de dólares arrecadados, o resultado horroroso nos EUA ofuscou isso e colocou a estigma de FRACASSO no filme.

E, bom, enquanto a ciência por de trás disso é discutível, não tem como negar que o comportamento do público americano é, muitas vezes, um sintoma de que, logo logo, o mundo vai seguir na mesma onda.

2012: Os ganhadores
O filme de 2012: o francês Intouchables; seguido de Os Vingadores.
A franquia que vai carregar Hollywood nas costas: Jogos Vorazes.
A franquia que vai deixar saudades: Crepúsculo.
O ator: Channing Tatum. Em um distante segundo lugar, Ben Affleck que agora é um diretor que estrela seus próprios filmes e todos até o momento foram sucessos de público e crítica (Argo; 160 milhões de dólares).
A atriz: Anne Hathaway. Ela provavelmente vai ganhar o Oscar 2013 com o seu papel no Les Miserables e abocanhou o papel de Mulher Gato no último filme do Batman, personagem bem disputado. Anne não estrelou nenhum filme que foi gigantesco por causa dela e teve seu fair share de fracasso de crítica nos últimos anos (a apresentação no Oscar; Love and Other Drugs) mas ela sempre se saí bem. Em segundo lugar, Jennifer Lawrence, que mal começou e já foi indicada a um Oscar e estrela a maior franquia do momento (Jogos Vorazes). E, em terceiro, Emma Stone, a queridinha do momento.
Melhor transição: Emma Watson. Este ano, ela estrelou o elogiado The Perks of Being a Wallflower, baseado no livro cult sobre amizade e high school. Acaba de filmar o próximo filme de Sofia Coppola e será uma das estrelas nos próximos projetos de Darren Aronofsky (Black Swan; Requiem for a Dream) e Guillermo del Toro (O Labirinto de Fauno).
O insider vencedor: Harvey Weinstein. Dominou o Oscar e os filmes queridinhos dos críticos em 2012 e provavelmente continuará dominando em 2013.
Queridos dos críticos e do público: Argo, estrelando e dirigido por Ben Affleck, com 95% de aprovação crítica e 150 milhões de dólares arrecadados até o momento; Moonrise Kingdom, dirigido por Wes Anderson e estrelando grande elenco com Edward Norton, Tilda Swinton e Bruce Willis, com 94% de aprovação crítica e 65 milhões de dólares arrecadados.

2012: os perdedores
O fracasso de 2012: John Carter.
Outros fracassos: Cloud Atlas com Tom Hanks e Halle Berry; Battleship com Taylor Kitsch, Liam Neeson, Rihanna e Brookylin Decker; Abraham Lincoln Vampire Killer; Rock of Ages com Tom Cruise, Alec Baldwin, Mary J Blige, Russel Brand, Diego Boneta e Julianne Hough.
Tentativa de franquia fracassada: John Carter; Battleship.
O pepino: O romance de Kristen Stewart e Rupert Sanders atrapalhando a pré-produção da sequencia de Snow White & the Huntsman
A tragédia:
Literalmente: o tiroteio em Colorado na sessão de meia-noite de The Dark Knight Rises
O loser: Taylor Kitsch, estrela das duas maiores bombas do ano. Além disso, Tim Burton também teve um péssimo ano. Além do fracasso de Sombras da Noite e do animado Frankieweenie, ele ainda foi um dos produtores de Lincoln Vampire Killer.
A loser: Nenhuma na mesma magnitude de Taylor Kitsch, vamos ser sinceros. (Pobre Taylor)
Pior transição: Taylor Lautner. Com o sucesso de Crepúsculo, ele era o ator jovem mais disputado do mundo e tudo parecia estar conspirando para ele se transformar na próxima grande estrela de ação, com franchises como Max Steel e Stretch Armstrong. Ambos os filmes não foram para a frente. Com um salário altíssimo, ele fez seu grande debut solo com Abduction que foi um fracasso de público e de crítica. Tentativa de estrela de ação fracassado, it's back to the drawing board para Taylor. Por sorte, ele ainda teve o último Crepúsculo esse ano que manteve sua popularidade em alta enquanto busca outros filmes.
O insider perdedor: Tim Burton. O pobre teve um péssimo ano. Além de Dark Shadows, mostrando que suas parcerias com Johnny Depp já estão mostrando sinais de desgaste, ele também foi ignorado com seu filme animado Frankieweenie e ele ainda foi um dos idealizadores e produtores do fracasso que foi Lincoln Vampire Killer.
Odiado pela crítica e pelo público: The Watch, com apenas 16% de críticas posítivas no Rotten Tomatoes e 68 milhões de dólares arrecadados a nível global (com um custo de produção -- sem a promoção -- de 69 milhões). O filme -- estrelado pelos pesos pesados da comédia Ben Stiller, Vince Vaughn e Jonah Hill -- já dava sinais de que seria um desastre quando, no começo do ano, quando sua promoção já tinha sido iniciado, ele teve que mudar o nome as pressas (era originalmente Neighborhood Watch) pelo caso Trayvon Martin.

Na próxima parte: Os fenômenos de bilheteria que você nunca ouviu falar

Notas: Obviamente, o ano ainda não acabou e com o período de fim de ano chegando -- um dos mais lucrativos -- ainda temos alguns enormes lançamentos que irão modificar um pouco a lista.

O primeiro deles, é claro, é O Hobbit. A prequel de O Senhor dos Anéis -- que, em sua época, quebrou tudo quanto é recorde de bilheteria -- estréia essa sexta-feira e com certeza irá rapidamente figurar entre as dez maiores bilheterias.

Depois, temos Les Miserables e Django Unchained. 

O primeiro é baseado no gigantesco musical da West-End e dirigido por Tom Hoopper, responsável pelo grande vencedor do Oscar desse ano, The King Speech (O Discurso do Rei).  O filme conta com um grande elenco encabeçado por Russel Crowe, Hugh Jackman, Anne Hathaway e Amanda Seyfried e também conta com participações de Sascha Baron Cohen e Helena Bonham-Carter.

Já o segundo é um filme Tarantino e todo mundo sabe que todo mundo ama filmes do Tarantino. O elenco é encabeçado por Kerry Washington; Jamie Foxx; Leonardo DiCaprio; Samuel L Jackson e Christopher Waltz.

Ah, ambos são produzidos por Harvey Weinstein e, como já mencionei lá em cima, todo mundo sabe o que isso significa: Oscar-ahoy. O mais óbvio de todos é Melhor Atriz para Anne Hathaway.

Além desses três,  ainda temos Wreck It Ralph (Destrói Ralph), o novo filme da Pixar que já estreou nos EUA porém ainda não estreou internacionalmente e Jack Reacher, o novo starring vehicle de Tom Cruise que, sinceramente, acho que não vai incomodar o top 20 mas nunca se sabe, né...

De qualquer maneira, planejo editar esse post depois para refletir essas mudanças.