Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Retrospetiva 2012: Cinema (parte 2)

Na Parte I, nós examinamos os grandes sucessos de Hollywood. Na Parte 2, vamos dar uma olhada nos sucessos locais.

Brasil: "Até Que a Sorte Nos Separe" de Leandro Hassum é a melhor bilheteria nacional do ano e a décima melhor no total (16.3 milhões de dólares arrecadados/cerca de 20 milhões de reais). O filme ultrapassou 3 milhões de ingressos vendidos e uma sequencia já está em produção.



Não foi um ano muito bom para o cinema nacional mas Hollywood soltou fogos. "Os Vingadores", como já mencionei na Parte 1, é a maior bilheteria da história do país (R$125 milhões) e é um dos poucos filmes da história do país a ultrapassar 10 milhões de bilhetes vendidos. "Amanhecer Parte I" e "A Era do Gelo 4" arrecadaram mais de 80 milhões de reais. 

Enquanto, no mundo, Batman foi o super herói solo mais bem-sucedido, os brasileiros preferem O Homem Aranha. Apesar de O Cavaleiro das Trevas Ressurge ter a vantagem de ser o terceiro de uma trilogia e o Incrível Homem Aranha ser o primeiro, o filme de Marc Webb superou o de Christopher Nolan por 6 milhões de reais por aqui (62 milhões contra 56 milhões reais).

Top 5 Brasil - valores em dólar: 1. Os Vingadores (64 milhões de dólares) ; 2. Twilight Saga Breaking Dawn pt. II (44.6 milhões); 3. A Era do Gelo 4; 4. The Amazing Spiderman (30.3 milhões); 5. Madagascar 3 (28.6 milhões).

Argentina: Adrian Suar é um baita de um nome na Argentina. Produtor de novelas e seriados, ele é dono da maior produtora independente do país, a Pol-Ka. Ele também é ator, estrelando em muitas de suas novelas e seriados. Além disso, ele é o diretor do Canal 13, que divide a liderança de audiência com a Telefe. Ah, e além disso tudo, ele também é, atualmente, o maior nome do cinema local.

Em 2008, o filme de maior bilheteria do país foi Un Novio para mi Mujer (Um Namorado para minha Esposa), estrelando Adrian Suar (e Valeria Bertucceli), uma divertida comédia sobre um homem que não aguenta mais sua esposa e, sem ter coragem de pedir o divórcio, tenta fazer com que ela se apaixone por outro homem e o largue. Em 2009, a décima maior bilheteria do país -- e maior bilheteria de um filme local -- foi Igualita a Mi, estrelando Adrian Suar (e Florencia Bertotti), uma comédia sobre um homem mulherengo restabelecendo laços com sua filha adulta grávida que ele não sabia que tinha. E, esse ano, novamente, a maior bilheteria para um filme local (e oitava do ano) é Dos Mas Dos, estrelando Adrian Suar sobre swing e trocas de casal.
Ou seja, ao longo dos últimos cinco anos, o cinema local argentino foi dominado por Adrian Suar. A exceção foi 2010 quando a maior bilheteria do ano foi El Secreto de tus Ojos, o filme com Ricardo Darin que acabou levando o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Eu não curto monopólio mas pelo menos os filmes de Suar são bem divertidos. Abaixo, o trailer de Dos Mas Dos.

 

Top 5 Argentina: 1. Era do Gelo 4 (29 milhões de dólares); 2. Os Vingadores (18 milhões); 3. Madagascar 3 (17 milhões); 4. The Dark Knight Rises (11 milhões); 5. Brave (10.6 milhões).

Austrália: A indústria cinematográfica australiana não é exatamente muito próspera. Apesar de o país ter bastante domínio da técnica e vários profissionais talentosos (que migram para Hollywood), é raro um filme local causar repercussão no país.

Esse ano, The Sapphires foi o filme local que mais chegou perto de fazer barulho. Musical, o filma narra a história de quatro mulher indígenas no fim dos anos 60 que formam as The Saphires, a resposta australiana para The Supremes. O filme lucrou 15 milhões de dólares e é a 22ª maior bilheteria do ano. A trilha sonora do filme também foi um sucesso, alcançando o topo da parada de álbuns e chegando a disco de platina.


É claro que o sucesso não se compara com filmes de Hollywood. The Avengers é a melhor bilheteria do ano por lá com 55 milhões de dólares arrecadados, seguido de The Dark Knight Rises e Skyfall. A comédia Ted também teve um ótimo desempenho no país, com 35 milhões de dólares em bilheteria e o quarto melhor resultado do ano.

Filmes ingleses também fizeram bonito por lá. Além de Skyfall, Sherlock Holmes foi a décima melhor bilheteria (21 milhões) enquanto The Best Exotic Marigold Hotel, a modesta comédia sobre um grupo de velhinhos britânicos numa viagem desastrosa para Índia encabeçada por Dev Patel, Meggie Smith e Dame Judi Dench é a nona maior bilheteria (21.2 milhões).

No mais, Ice Age 4, foi como na maior parte do mundo, a maior filme animado (28.6 milhões de dólares) e tanto Hunger Games quanto Breaking Dawn Pt. 1 fizeram bonito (ambos na casa dos 30 milhões de dólares).

Top 5 Austrália: 1. Os Vingadores (55 milhões de dólares); 2. The Dark Knight Rises (44.2 milhões de dólares); 3. Skyfall (35 milhões de dólares); 4. Ted (33.54 milhões de dólares); 5. The Hunger Games (31 milhões).

Japão: É inacreditável o quanto a indústria local japonesa cresceu na última década. Em 2002, entre as dez maiores bilheterias do ano, apenas um filme (The Cat Returns,uma animação do Studio Ghibli) era japonês. Dez anos depois, 8 entre os 10 filmes mais lucrativos do ano foram filmes locais.

Contudo, nem tudo são boas notícias: foi a primeira vez em cinco anos que o filme mais assistido não ultrapassou a barreira dos 100 milhões de dólares (em 2011, Harry Potter & the Deathly Hollows 2 e Piratas do Caribe 4 ultrapassaram a marca; em 2010, Alice no País das Maravilhas, Toy Story 3 e o filme do Studio Ghibli, The Borrowers). Mesmo assim, o Japão continua firme e forte como um dos maiores mercados do mundo.

No cinema local japonês, não existe marca mais forte do que o Studio Ghibli. O estúdio de animação, fundado por Hayao Miyazaki, tem lançado filmes de sucesso no país desde os anos 80 e é responsável pela maior bilheteria da história do país, Sen to Chihiro no Kamikakushi, de 2001, conhecido no Brasil como "A Viagem de Chihiro".

Os filmes do estúdio são garantia de rendimentos altíssimos: em 2001, Sen to Chihiro virou a maior bilheteria de todos os tempos, com 240 milhões de dólares arrecados; em 2002, The Cat Returns lucrou 50.6 milhões de dólares; em 2004, Howl's Moving Castle lucrou 190 milhões de dólares; em 2006, Gendo Senki (Tales from Earthsea), lucrou 64 milhões (um relativo fracasso para  a companhia e, mesmo assim, o melhor resultado para um filme japonês naquele ano e a terceira melhor bilheteria geral); em 2008, Ponyo alcançou 165 milhões; em 2010, Arriety alcançou 110 milhões e, ano passado, o low profile From Up the Poppy Hill fez 56 milhões de dólares. Mesmo com os resultados oscilantes, os filmes do Studio Ghibli tiveram a distinção de, todos os anos, serem os filmes japoneses com maior bilheteria e, com Chihiro (2002); Ponyo (2008) e Howl's Moving Castle (2004), a maior bilheteria geral do ano, superando qualquer blockbuster hollywodiano. Totoro; Castle in the Sky e Kiki Delievery Service, clássicos Ghibli lançados nos anos 80, são os filmes mais vendidos em DVD no país (Totoro é o mais vendido de todos os tempos) enquanto Princess Mononoke, com 170 milhões de dólares arrecadados em 1997, foi a segunda maior bilheteria da década (atrás apenas de Titanic). Chihiro; Howl's; Ponyo e Princess Mononoke figuram entre as dez maiores bilheterias de todos os tempo no país (com Chihiro encabeçando a lista) e são os quatro filmes japoneses mais lucrativos da história.


Contudo, em 2012, o estúdio Ghibli não lançou nenhum filme e o estúdio Mad House soube muito bem preencher o vazio. Okami kodomo no Ame to Yuki (Ame e Yuki, as Crianças Lobo) lucrou 52 milhões de dólares e finalizou o ano como o principal filme infanto-juvenil. O número foi modesto comparado com os lançamentos do estúdio de Hayao Miyazaki e o filme não teve a distinção de ser a maior bilheteria local (foi a quinta maior). O filme teve, porém, a distinção de ser o único entre os dez mais vistos desse ano que não fazia parte de uma franquia já estabelecida e bem sucedida.

(para os fãs de Ghibli, sem pânico: o estúdio lança dois filmes ano que vem, inclusive um dirigido e escrito pelo próprio Hayao Miyazaki. Esses -- como provado por Totoro; Chihiro; Mononoke; Ponyo e Howl's Moving Castle -- são sempre os maiores fenômenos do estúdio).

Ame to Yuki não foi a única animação infantil a arrasar nas bilheterias. Como todos os anos, três franquias infanto-juvenis continuaram super fortes. Os desenhos animados Doraemon, sobre um gato robô; Pokemon, que todos nós conhecemos e Detetive Conan, sobre um detetive excepcional preso no corpo de uma criança, são sucessos gigantescos na televisão faz gerações e, todo ano, eles originam um filme que registra altíssimas bilheterias.


O filme de Doraemon, o 32º em 32 anos, lucrou 44.6 milhões de dólares e ocupou o oitavo lugar entre as dez maiores bilheterias. Ele foi seguido pelo 15º filme do Pokemon, com 44 milhões. Finalmente, o novo caso cinematográfico de Detetive Conan, o 16º em 16 anos, encerra o top 10 com 42.3 milhões.

Mas não só animes para criança atraem multidões. Em meados dos anos 90, Evangelion, uma melancólica história sobre o mundo no século 21, que mistura personagens cheios de bagagem emocional com robôs gigantescos, foi um verdadeiro fenômeno no país e um divisor de águas para a animação local. Desde 2007, a história está sendo recontada através de quatro filmes. O terceiro, Evangelion 3.0, estreou esse ano causando enorme histeria e lucrou 53 milhões de dólares, a quarta maior bilheteria do ano. O terceiro filme da série ultrapassa em 10 milhões a quantidade arrecadada pelo anterior, em 2007, e quase triplica os resultados do primeiro filme, de 2004. O capitulo final da saga chega aos cinemas japoneses no ano que vem.


Mas, ao contrário do que os estereótipos dizem, não é só de anime que vive o Japão. De fato, as três melhores bilheterias no país foram filmes carne-e-osso: Umizaru 4; Thermae Romae e Odoru Daisoasen.

O quarto filme da série Umizaru foi o filme mais assistido do ano, com 92 milhões de dólares arrecadados. A série, adaptada de um mangá de mesmo nome, mistura ação e romance e foca num grupo de mergulhadores de resgate. Ido Hideaki é o protagonista da série -- acompanhamo-os desde seu treinamento no primeiro filme até sua ascensão como sea marshall (se tem algo que japonês ama é ver filme e novela sobre gente trabalhando duro para chegar ao topo) -- em uma série de missões cada vez mais grandiosas, arriscadas e com maior orçamentos e efeitos especiais. Também acompanhamos o seu romance com a personagem interpretada por Ai Kato que se apaixona pelo protagonista no primeiro filme e, no quarto, é sua esposa e mãe de seus filhos.

Umizaru é uma das maiores franquias carne-e-osso da história do cinema japonês. O primeiro filme, lançado em 2004, lucrou pouco mais de 14 milhões de dólares, porém, graças a promoção constante da Fuji TV, emissora que co-produziu os filmes, e boca a boca, a seqüencia, Umizaru: Limit of Love, ultrapassou a barreira dos 60 milhões. O filme alcançou seu ápice de lucros em 2010 quando Umizaru 3: The Last Message, impulsionado por cópias 3D, ultrapassou a barreira dos 95 milhões. Em bilhetes vendidos, contudo, Umizaru 4 continua o crescimento da franquia, pois teve um lucro similar sem o auxílio dos ingressos mais caros.


Com tanto sucesso, é óbvio que um quinto filme está sendo produzido, certo? Não tão rápido. O autor de mangá responsável pela obra, Shuho Sato, conhecido por ter um pavil bem curto, anunciou, em outubro, que encerrou seu relacionamento com a Fuji TV, resultando no fim da franquia cinematográfica. O motivo? A emissora marcou dezenas de entrevistas com ele sem confirmar sua disponibilidade antes. 

(Fun fact: não é a primeira vez que ele toma uma decisão chocante: a alguns meses atrás, depois de brigar com a editora que publicava seu mangá atual, o bem-sucedido Say Hello to Black Jack, ele resolveu publica-lo apenas na internet e, a parte mais bizarra, liberar os direitos da obra e de seus personagens para qualquer um).

A segunda maior bilheteria do ano também foi baseado em um mangá. A comédia Thermae Romae é a história de Lucius, um arquiteto na Roma Antiga e que, com dificuldade de acompanhar todas as mudanças freqüentes em técnicas e estética da época, acaba perdendo seu emprego. Um dia, numa casa de banho, ele descobre uma drenagem estranha na banheira que o leva para uma casa de banho do Japão atual. Lá, ele fica em choque com todas as novidades e, de volta ao passado, começa a implementar mudanças baseados no que ele viu no futuro e assim obtém enorme sucesso e respeito. A história acompanha Lucius nas suas idas e vindas entre o Japão atual e a Roma antiga. Baseado num mangá de Maki Ozakasi, considerado um dos grandes sucessos de crítica e público dos últimos anos, a adaptação lucrou 75 milhões de dólares.

Em terceiro lugar temos o último filme da franquia Odoru Daisôsasen, essa sim o maior franchise live action do cinema japonês. A série começou como uma mini-série em 1997 e, subseqüentemente, deu origem a cinco especiais televisivos e seis filmes para o cinema (dois dos quais são spin-offs da série original) que lucraram mais de 400 milhões de dólares no total. O segundo filme da série, lançado em 2003, teve lucros de 156 milhões de dólares e é o filme japonês em carne-e-osso de maior bilheteria da história (e o quinto maior filme japonês, atrás dos quatro lançamentos Ghibli mencionados ali em cima).

Desde seu ápice, o filme perdeu um pouco de força mas, mesmo assim, continua em boa forma. Odoru Daisôassen the Final, o último capítulo da série, lucrou 73 milhões de dólares, quinze anos depois dos personagens terem sido inicialmente introduzidos aos japoneses no programa da Fuji TV. A série conta a história de um detetive jovem e idealista, que trabalha numa estação policial em Tokyo. A grande sacada do filme, contudo, não são cenas de perseguição e explosão mas sim uma sátira do excesso de burocracia e regulamentação tão presente na polícia japonesa e na sociedade em geral. Esse é o ponto de partida da primeira mini-série que, obviamente, foi se desenvolvendo ao longo desses 15 anos.

Todos os filmes entre as cinco maiores bilheterias japonesas são filmes locais. O primeiro filme hollywoodiano aparece apenas na sexta posição. E, na verdade, o filme em questão é tão Hollywood quanto Japão.

Resident Evil: Retribution, o quinto filme da franquia Resident Evil, baseada numa série de video games criada e produzida na Japão. A essa altura do campeonato, a série estrelada por Mila Jovovich parece estar sendo produzida somente com o mercado japonês em mente já que ele lucrou mais no país do que em qualquer outro lugar do mundo, inclusive os EUA. Com 45.6 milhões de dólares arrecadados, o filme superou por 300 mil dólares o colossal The Avengers que aparece logo em seguida na lista das maiores bilheterias. São os dois únicos filmes não-japoneses a aparecer entre os dez mais vistos.


No top 20, a situação é ligeiramente melhor para Hollywood com quatro lançamentos ultrapassando a barreira dos 25 milhões de dólares: The Amazing Spider Men; Men in Black 3; Tim Burton's Dark Shadow (o Japão AMA o Johnny Depp e AMA o Tim Burton mas esse resultado foi fraco para a dupla que ultrapassou 100 milhões de dólares com A Fábrica de Chocolate e Alice no País das Maravilhas) e Madagascar 3. Em todo o top 100, apenas 39 filmes são estrangeiros (um deles, Intouchables, da França, que lucrou 18 milhões de dólares por lá).

O cinema japonês pega muita inspiração em mangás e seriados televisivos (muitas vezes, seriados televisivos baseados em mangás). Entre os filmes de sucesso baseados em mangá está a bem sucedida franquia Always Sanchome no Yuhi (Always: O Pôr do Sol na Rua 3), sobre as mudanças que Tokyo sofreu graças ao boom econômico nos anos 60, focando-se especificamente numa rua (o terceiro filme da série é o 11º mais visto do ano, com 40 milhões de dólares); o filme de samurai Rurouni Kenshin (14º, 37 milhões); o romance focado em garotas adolescentes Bokura Ga Ita (17º, 29 milhões de dólares); o estiloso thriller sobre fama Heleter Skelter (22º, 24.3 milhões) e Space Brothers (33º, 19.3 milhões), sobre irmãos treinando para ser astronautas. Também temos os filmes que funcionam como continuação de bem sucedidos seriados televisivos como o já mencionado Odoru Daisoasen e os policiais Spec TEN (16º, 29 milhões) e Kirin no Tsubasa (19º, 19.8 milhões). Ah, ainda temos os mindfucks que são continuações de séries televisivas baseadas em mangás como o thriller Liar Game: REBORN (21º, 25 milhões) e a comédia romântica Hotaru no Hikari (26º, 23 milhões). 

Alias, se tem alguém feliz com o crescimento gigantesco do cinema japonês é a distribuidora local Toho. 37 dos 100 filmes mais assistidos do ano foram distribuídos por eles, um monopólio chocante no segundo mercado mais lucrativo do mundo.

Keep in mind que toda essa lista deve sofrer uma importância modificação nas próximas semanas. No dia 15 de dezembro, o novo filme do franchise ONE PIECE -- um spin-off do anime e do mangá de mesmo nome -- estreou com 16 milhões de dólares arrecadados, a melhor primeira semana do ano (superando os 15 milhões arrecadados por EVANGELION 3.0, o melhor opening weekend até então). Em algumas semanas ele com certeza desbancara Okami kodomo no Ame to Yuki e se transformará numa das cinco maiores bilheterias do ano. O quão longe ele vai chegar dentro do top 5, contudo, é difícil de dizer: filmes animados baseados em propriedades amadas são beneficiados por fanbases gigantescas e empolgadas que inflam os números da primeira semana (como provado por Evangelion) porém não necessariamente tem pernas tão longas (on the long run, Umizaru -- que lucrou 10 milhões no primeiro final de semana -- o superou, além de Thermae Romae e Odoru Daisoasen). O que está mais do que claro, contudo, é que o novo filme da franquia, o 12º, irá ultrapassar os 50 milhões de dólares arrecadados e se transformará na maior bilheteria da série (o recorde anterior pertencia ao lançamento de 2009, que lucrou 48 milhões de dólares).

Dos 15 filmes da saga ONE PIECE, apenas o lançamento de 2009 (Strong World) e desse ano (One Piece Z) ultrapassaram a marca dos 40 milhões de dólares. De fato, mais do que isso: foram os únicos a ultrapassarem os 20 milhões. O lançamento do ano passado, por exemplo, lucrou pouco mais de 9 milhões. O motivo pelos resultados tão dispares é que a maior parte dos filmes são considerados apenas episódios mais longos da série animada exibida toda a semana pela FUJI TV. Porém, os filmes de 2009 e de 2012, tiveram fortíssimos envolvimento de Eichiiro Oda, o autor e desenhista responsável pela série original, que continua sendo publicada desde 1997. Dessa maneira, os filmes são vistos pelo público como uma extensão da amada série de mangá e adições substancias para a história e não apenas uma forma fácil de ganhar dinheiro.

ONE PIECE é, alias, a série de mangá mais vendida da história do Japão. São 68 volumes até o momento que venderam, no total, mais de 290 milhões de unidades (mais chocante: é o único mangá a ultrapassar 200 milhões no total. Dragon Ball, o segundo maior vendedor, moveu 157 milhões). O último volume, lançado em novembro, teve uma tiragem inicial de 4 milhões de unidade, das quais 1.5 milhão foram vendidos apenas na primeira semana (o volume 66 vendeu mais de 2 milhões em uma semana). Os seus personagens são usados na promoção de diversos produtos -- de desodorante Axe a carros Nissan, passando por Pepsi -- e os DVDs do anime também obtém vendas altíssimas.


Enquanto a Toho tem o monopólio na distribuição dos filmes japoneses, ONEPIECE é a menina dos olhos da TOEI, a segunda maior distribuidora do Japão, cujo poder está mesmo na produção de versões animadas de mangás populares (por exemplo, Dragon Ball; Cavaleiros do Zodiaco e Sailor Moon).

Top 5 Japão: 1. Umizaru 4 (91.3 milhões); 2. Thermae Romae (74 milhões); 3. Odoru Daisoasen: the FINAL (73 milhões); 4. Evangelion 3.0 (53.8 milhões); 5. Okami kodomo no Ame to Yuki (52.55 milhões).

Coréia do Sul: Assim como o Japão, a Coréia do Sul tem uma indústria local cinematográfica muitíssimo forte. De fato, enquanto no país vizinho isso é recente, na Coréia, as produções locais enfrentam os titãs hollywoodianos de igual para igual faz mais de 10 anos (ajudado, é verdade, por leis de incentivo ao cinema local e cotas que obrigam os cinemas a exibir uma proporção maior de produções nacionais comparados a filmes hollywoodianos) e é um dos poucos mercados do mundo onde filmes locais ultrapassam as vendas de ingressos de filmes americanos.

A Coréia do Sul também se destaca por ser um dos pouquíssimos mercados onde a bilheteria -- principalmente a local -- não é dominada por filmes de franquias já existentes e sim histórias originais, de diferentes gêneros. Dessa maneira, o ranking anual local deles é uma reflexão interessante de histórias que realmente moveram o público, em contraste aos filmes de super heróis e seqüencias que dominaram a bilheteria mundial.

Isso não quer dizer, é claro, que a Coréia do Sul não tem uma quedinha por franquias. Eles têm. De fato, dentre as dez maiores bilheterias do ano, os três filmes hollywoodianos que aparecem são todos de superheróis. Em terceiro, The Avengers lucrou  50 milhões de dólares; Dark Knight Rises, em quinto, 43 milhões e The Incredible Spiderman, 36 milhões em sexto.

Mas, de resto, todos os filmes foram produções locais, nenhum parte de uma franquia já existente e todos dos mais diferentes gêneros. A impressão é que o boca-a-boca acima de qualquer coisa foi o que atraiu as multidões para o cinema e não necessariamente efeitos especiais ou enorme hype.

2012 foi particularmente forte para o cinema local. Dos quatro filmes coreanos que ultrapassaram a marca de 12 milhões de ingressos vendidos na história, dois foram lançados esse ano. Ambos ultrapassaram 80 milhões de dólares em arrecadação.

Com 82.6 milhões de dólares arrecadados, The Thieves, um filme de ação e comédia sobre um grupo de ladrões, foi o sucesso do ano e se transformou na terceira maior bilheteria da história do país (atrás de Avatar e o filme local The Host de 2006). O segredo? Um elenco estrelado, um roteiro cheio de ação, twists and turns e seqüencias espetaculares e bem filmadas.


Thieves não foi o único filme a quebrar recordes. O drama histórico Masquarade lucrou 82 milhões de dólares (quarto maior filme coreano da história) e ganhou nada menos do que quinze estatuetas no Grand Bell Awards, o equivalente local ao Oscar.

O filme, ambientado na Dinastia Joseon no século 17, conta a história de um plebeu, que ganha a vida sendo um ator cômico. Quando o rei começa a receber ameaças de morte, ele é escolhido para ser o sósia do monarca. Tudo parece simples até que o rei acaba tendo que ser internado, vítima de um envenenamento, e o plebeu é forçado a substituí-lo em tempo integral, sem que ninguém perceba. Ambos os papéis são interpretados pela mega estrela local Lee Byung-Hun.


A Warewolf Boy foi a quarta maior bilheteria do ano. O filme conta a história de uma bela garota adolescente que, nos jardins de sua casa de campo, acha um menino-lobo e começa a treina-lo para que ele vire um garoto normal. Os dois acabam se apaixonando, o que dá origem a uma complexa e emocionante história de amor.
No mais, entre o top 10 temos Nameless Gangsters, um filme noir sobre a guerra do governo contra a corrupção em Busan (a segunda maior cidade do país) em 1990 (e que a revista Time descreveu como um filme "que deixaria o Scorsese orgulhoso"); The Grand Heist, uma comédia histórica ambientada no século 18; um remake local da comédia argentina Un Novio para mi Mujer mostrando que good storytelling não conhece fronteiras (All About My Wife, 29.3 milhões) e o filme de terror Derranged.

Apesar de ter certa noção sobre a cultura pop sul-coreana, nunca vi nenhum filme local. Contudo, a enorme variedade na indústria e o fato de que ela não parece dominada por franquias e sim por filmes que se esforçam para contar boas histórias -- de remakes a dramas históricos a cinema noir -- me parece algo bem interessante e um exemplo a ser seguido pelo resto do mundo.

Dos cinco filmes mais vistos do ano, apenas 21 são produções internacionais. Entre os 32 filmes que ultrapassaram a marca dos 10 milhões de dólares, apenas 12 não são coreanos (um deles, para variar, é o francês Les Intouchables).
França: A França é um raro caso de um país que, em 2012, segue tendo uma indústria cinematográfica local forte. É raro não ter pelo menos um filme francês entre os 5 mais assistidos e as duas melhores bilheterias da história do país -- as comédias Bienvenue chez le Ch'tis (2008; 195 milhões de dólares) e Intouchables (2011; 166.2 milhões) -- são made in France. Volta e meia o país também exporta algum mega smash global (Intouchables; Amelie Poulain) e alguns de seus atores crossover para a fama mundial (Marion Cotillard; Jean Dujardin; Audrey Tatou).

Porém, vendo os filmes franceses que mais lucraram esse ano, podemos concluir que o mesmo problema que assola Hollywood também chegou a França: as três maiores bilheterias de filmes locais são partes de franquias já conhecidas.

O maior sucesso do ano foi Sur le Piste du Marsupilami, baseado na propriedade de quadrinhos locais Marsupilami. O filme -- em carne-e-osso porém com um Marsipulami em CG -- lucrou 45 milhões de dólares, sendo a terceira maior bilheteria do ano e o filme francês mais lucrativo de 2012. O filme foi dirigido pelo celebre comediante Alain Chabat, que estrela ao lado do também comediante Jamel Débbouze. Ah, a Celine Dion faz uma ponta no filme interpretando ela mesma (isso não tem a menor importância mas achei interessante comentar, ha).


Logo abaixo, com 40 milhões de dólares, La Vérite si je mens! 3, o terceiro filme da bem sucedida franquia de comédias de Thomas Gilou cujo o primeiro filme foi lançado em 1997 e a seqüencia em 2001. O terceiro instalment continua seguindo um grupo de judeus ricos em Sentier, o distrito têxtil de Paris, e suas trapalhadas. Apesar de um resultado bom, o filme foi o que menos lucrou na trilogia (4.8 milhões de ingressos vendidos, comparado com os 5 milhões do primeiro e os 7 milhões do segundo).

Finalmente, em terceiro entre os filmes locais (e oitavo na lista geral), com 34 milhões de dólares, Astérix et Obélix : Au service de Sa Majesté, o quarto filme da franquia baseada na série de HQ francesa mais bem sucedida de todos os tempos e estrelando Édouard Baer e Gérard Depardieu. Alias, ai é que entramos na discussão "fracasso apesar das arrecadações altas".

Com promoção gigantesca, baseada na franquia de HQ francês mais popular de todos os tempos e com Gerard Depardieu -- de longe, o maior nome do cinema local -- no papel principal, é óbvio que as expectativas eram altas. Porém, a série de filmes, que nunca foi queridinha dos críticos (provavelmente porque, com todo respeito, o humor cinematográfico francês pode ser beeeem tosco e ha ha ha torta na cara ou, como eles mesmo classificam, l’humour pipi-caca), estava se mantendo em alta até pouco tempo atrás, com os dois primeiros filmes da série (lançados em 1999 e 2002) obtendo resultados altíssimos. O terceiro, Asterix sur les Jeux Olympees, lançado em 2008 (e o filme francês com o maior orçamento na história), já começou a mostrar uma tendência de queda (apesar de ter acabado o ano como a segunda maior bilheteria do ano, atrás só do recordista histórico Chi'tis).

Com A Service de sa Majesté, o público parece ter perdido a paciência e o filme despencou de vez. Será o primeiro da série a não se posicionar entre os três mais vistos do ano (tendo que se contentar com a oitava posição no ranking geral) e ainda vai acabar no vermelho: o orçamento foi de 62 milhões de Euros para menos de 40 milhões arrecadados (é verdade que o filme também deve lucrar alguns milhões em outros territórios, afinal, Asterix é mundialmente conhecido e popular).

Apesar de que a queda entre o segundo filme, Mission Cleopatra, e o terceiro, Jeux Olympees, já mostrava uma saturação por parte do público, havia uma certa expectativa em relação ao novo filme. Grande parte disso se devia a escolha de diretor: Laurent Tirarde que, em 2008, adaptou outra obra clássica de Goscinny (criador do Asterix), Le Petit Nicolas que foi um dos maiores sucessos de crítica e bilheteria naquele ano (e realmente é muito bom). Mas, no fim das contas, nem isso salvou a franquia.

O único filme francês que não fazia parte de uma franquia e que figurou entre os 10 mais visto do ano foi Les Seigneurs, uma comédia sobre futebol, que arrecadou 31 milhões de dólares nos cinemas. Contudo, o sucesso inesperado acabou sendo Le Prenóm, baseado na peça de mesma nome e que narra a história de Vincent, um homem que está para ser pai, e, para choque geral, quer nomear seu filho de Adolf. Sem muita expectativa, o filme lucrou 25.6 milhões de dólares, mais do que o novo Homem Aranha e do que Taken 2 (que, alias, é uma co-produção francesa).

No mais, Skyfall é a melhor bilheteria do ano na França (e, seguindo uma tendência global, o maior filme 007 já lançado no país) seguido de A Era do Gelo 4.

Top 5: 1. Skyfall (56 milhões de dólares); 2. A Era do Gelo 4 (55.6 milhões de dólares); 3. Sur la Piste du Marsupilami (45 milhões); 4. La Verité si je mens! 3 (40 milhões); 5. Os Vingadores (38 milhões).


Itália: Os dias do cinema italiano como grande força mundial estão cada vez mais distantes porém, a nível nacional, o cinema local continua forte. Prova disso é que nos últimos dez anos, uma das duas maiores bilheterias do ano sempre foi um filme italiano e, esse ano, não foi excessão.

Em 2008, Bienvenue suz les Ch'tis virou a maior bilheteria da história da França. O filme, uma sátira do nordeste do país e de seus estereótipos, lucrou 190 milhões de dólares e transformou a região de Nord pas de Calais -- antes demônizada pelo seu clima desagradável frio e cinzento, sua população de classe trabalhadora e seu dialeto próprio e pouco agradável aos ouvidos -- em região da moda. Em 2010, a Itália produziu sua própria versão, Bienvenuti al Sud, com um roteiro similar porém ambientado em Castellabate, uma cidade próxima a Napólis. Foi um gigantesco sucesso, lucrando 44 milhões de dólares.

Esse ano, uma sequência original -- Bienvenutti al Nord -- foi a maior bilheteria do ano, lucrando 33 milhões de dólares. O filme, que narra o a situação inversa -- um personagem sulista do filme original se mudando para Milão -- foi um grande sucesso, apesar de não ter superado a arrecadação do primeiro filme.


A outra maior bilheteria local do ano também foi uma seqüência. Continuação de Immaturi, que lucrou 20 milhões de dólares ano passado e narrava o reencontro de um grupo de amigos depois de 20 anos sem se ver, Immaturi: Il viaggio lucrou 15.5 milhões de dólares e foi o nono filme mais visto no ranking geral.

Enquanto ano passado quatro das dez maiores bilheterias foram filmes italianos, esse ano foram apenas duas, ambas seqüências.

No cinema local, o gênero mais popular de longe é a comédia pastelão e esse é o gênero de todos os filmes italianos que aparecem entre os 20 mais vistos. Pais divorciados sendo obrigados a morar juntos (Posti in piedi in paradiso, 11.4 milhões de dólares); uma família exemplar e seu vizinho pornstar (Com'è bello far l'amore, 10 milhões. Alias, inexplicavelmente, esse filme foi lançado com cópias 3D) e um natal muito cheio de trapalhadas (Il peggior Natale della mia vita, 9 milhões) foram as premissas de alguns dos sucessos do ano.

A Itália tem um sub-gênero próprio que tem grande popularidade no período natalino: o cine panetone que nada mais são do que comédias pastelão familiares ambientadas durante as festividades de fim de ano, normalmente em algum cenário exótico mundo aforo. O representante desse ano foi o filme da Disney Il peggior Natale della mia vita que teve um resultado bem morno comparado as tentativas dos anos anteriores, particularmente as franquias Vacanze di Natale e Nata a..., todos dirigidos pelo comediante local Neri Parenti e todos entre as maiores bilheterias do cinema italiano.


O primeiro Vacanze di Natale, ambientado na região de Cortina na Itália, foi lançado em 1983. Duas seqüencias, ambientadas na Suíça, foram lançadas em 1990 e 1991 e uma em Colorado em 1995. Mais dois filmes ambientados em Cortina foram lançados em 1999 e em 2011.

Além disso, Neri também dirigiu a fenomenalmente bem sucedida Natale a..., que começou no Nilo em 2002 antes de seguir para Índia em 2003; Miami em 2005; Nova York em 2006; República Dominicana em 2007; Rio de Janeiro em 2008 (curiosamente, junto com a de Republica Dominicana, foi a maior bilheteria de toda série); Beverly Hills em 2009 e África do Sul em 2010. Além disso, ainda teve Merry Christmas de 2001, em Amsterdam, e Christmas in Love, de 2004, ambientado na Suíça.

Em 2011, os filmes já estavam mostrando sinais de fadiga quando Vacanze di Natale a Cortina foi um dos primeiros cine panetone do diretor a não figurar entre as cinco maiores bilheterias do ano e não ultrapassar os 20 milhões de dólares arrecadados (ao invés disso, fez 15 milhões mas não apareceu sequer entre as dez maiores bilheterias do ano). 

Esse ano, o diretor optou por não ir pelo caminho do cine panetone depois e apostar em uma comédia tradicional, Colpi di fulmine. Os resultados do lançamento estão bem aquém dos populares filmes festivos.

É importante destacar que o cinema italiano local não teve um ano tão bom quanto 2011 mas os resultados obtidos ano passado são bem difíceis de superar. Apesar de uma queda de 11% de vendas de ingresso comparado com o 2010, o filme local Che bella giornatta, mais uma comédia pastelão do tipo que eles amam bastante, se transformou primeiro no maior filme italiano da história (superando A Vida é Bela, ganhador do Oscar em 1998) e, depois, na maior bilheteria ever, desbancando Titanic. O filme lucrou 60 milhões de dólares.

Esse ano, é claro, nenhum filme -- nacional ou internacional -- chegou perto. Depois de Bienvenuti al Nord, as maiores bilheterias foram Madagascar 3 e o último filme da saga Crepúsculo, Breaking Dawn pt. II. Assim como no resto do mundo, o francês Intouchables foi o blockbuster surpresa com 20 milhões de dólares arrecadados.

Top 5 Itália: 1. Bienvenutti al Nord (33.5 milhões de dólares); 2. Madagascar 3: Europe's Most Wanted (28 milhões); 3. Breaking Dawn pt. II (26 milhões); 4. Os Vingadores (22 milhões); 5. Era do Gelo 4 (20 milhões).

Espanha: Eu não sei vocês mas acredito que se uma produtora brasileira contratasse um diretor brasileiro para dirigir um filme baseado numa história real que aconteceu com uma família brasileira porém todo falado em inglês, com um elenco todo americano/inglês, eu imagino que iria ter algum tipo de backlash por aqui, não acham?

Contudo, não foi isso que aconteceu na Espanha. O filme El Imposíble, inspirado na história real de uma família espanhola que sobreviveu ao tsunami da Ásia em 2010, estrelado pelo britânico Ewan McGregor e a australiana Naomi Watts (apesar do diretor e da produtora serem espanhóis) se transformou na maior bilheteria já registrada por um filme espanhol, ultrapassando o filme de terror El Orfanato de 2007 (que, alias, foi dirigido pelo mesmo cara: J.A. Bayona).


É verdade que a Espanha já está acostumado de ver atores anglo-saxões estrelando filmes locais. Os Outros, de 2001, com Nicole Kidman, e Agora, lançado em 2009, com Rachel Weiz, são filmes locais, dirigidos por Alejandro Aménabar e, apesar de terem sido rodados em inglês, isso não prejudicou o sucesso deles no país já que ambos figuram entre as melhores bilheterias de todos os tempos.

The Impossible lucrou mais que o dobro que o segundo lugar em bilheteria, Breaking Dawn Pt 2, e mais que o triplo do que "Os Vingadores" arrecadou na Espanha. The Impossible também é um dos raríssimos casos onde a gente vê uma foto da família real que inspirou o filme e conclui que eles não ficam devendo em nada (em termos de beleza) aos atores que os retratam na versão cinematográfica.

Além disso, o filme gerou ainda mais burburinho quando Angelina Jolie publicou uma carta elogiando efusivamente a performance de Ewan McGregor, o que também, com certeza, ajudará o ator a conseguir uma indicação ao Oscar (um comunicado oficial de Julia Roberts elogiando Javier Bardem em Biutiful faz alguns anos é apontado como um dos principais motivadores a indicação de Bardem ao Oscar em 2010).

Por outro lado, El Imposible também atraiu críticas bem pesadas nos EUA (das quais eu tendo a concordar um pouco) por fazer algo que Hollywood tem o costume de fazer: usar um desastre que matou milhões e focar o filme não nos principais afetados mas em turistas caucasianos e ricos, pintando-os como as principias vítimas da situação e basicamente relegando os locais que perderam tudo a figurantes. Mesmo assim, as críticas são majoritariamente positivas.

El Impossible não só obtém o recorde de maior bilheteria para um filme local na história, ele também superou Titanic como o filme que mais atraiu pessoas ao cinema (6 milhões de bilhetes vendidos). Em lucros totais, ele continua atrás de Avatar já que não teve a vantagem dos ingressos 3D mais caros.

Mas El Impossible não foi o único sucesso local do ano. 2012 foi um ótimo ano para o cinema espanhol. Graças a diretores como Bayona, Almodovar e Guillermo del Toro e estrelas locais como Javier Bardem e Penelope Cruz, o cinema do país está mais valorizado que nunca, inclusive entre a população local. Ao longo dos últimos 5 anos, apenas seis filmes made in Spain alcançaram 10 milhões de euros arrecadados. Três desses foram esse ano.

Las Aventuras de Tadeo Jones, um filme animado produzido localmente, foi outro fenômeno, com 23.2 milhões de dólares arrecadados, superando o colossal A Era do Gelo 4 (19.6 milhões) e Madagascar 3 (13.4 milhões) e se transformando no filme infanto-juvenil mais visto do ano. Foi o primeiro longa metragem estrelado pelo personagem Tadeo Jones, já conhecido pelo público local graças a dois premiadissimos curta-metragens. Além disso, a música principal da trilha sonora, Te Voy a Esperar, um dueto entre o produtor/cantor dance Juan Magán com a estrela pop mexicana Belinda, ocupou o too das paradas de single por mais de 1 mês e foi um dos maiores hits do ano no país, fazendo do filme um sucesso multimídia.


O terceiro longa metragem local mais visto foi Tengo Ganas de Ti, um romance adolescente, seqüencia do sucesso de 2011 3 Metros sobre el Cielo. Os filmes são reamkes de uma bem sucedida franquia italiana baseado nos livros de Federico Moccia.

Alias, a trajetória de Moccia é interessante. Em 2004, Tre metri sopra el Cielo, um filme romântico adolescente e baseado em um de seus livros, virou um sucesso cult na Itália e impulsionou a venda de seus livros (todos romances adolescentes ambientados em Roma) a casa de milhões de unidas vendidas. Nos anos seguintes, o autor virou um fenômeno: os filmes baseados em sua obra lucravam milhões de euros e o autor era tratado como uma superstar e um trendsetter pelas meninas italianas. Mas, depois de quatro anos de onipresença midíatica, a popularidade do autor despencou e, conseqüentemente,  o lucro de seus livros e filmes sofreram.

Porém, o autor ganhou um novo vento de popularidade na Espanha onde, graças a força do império editorial da Planeta, seus livros se transformaram em best-sellers. 3MSC foi adaptado para uma versão local, ambientada em Barcelona em 2010 (a maior bilheteria de um filme espanhol naquele ano) e, esse ano, Tengo Ganas de Ti (adaptação de Ho Voglio di Ti) superou os lucros do primeiro e foi o terceiro filme local mais visto com 15.7 milhões de dólares arrecadados (mais do que The Dark Knight Rises). A renda total ficou bem perto do que a versão italiana lucrou em 2007 (18.6 milhões de dólares) e, proporcionalmente (a Espanha é um país menor), o sucesso foi ainda maior. Um terceiro filme baseado na obra de Federico Moccia, Perdona si te Llamo de Amor (cuja versão italiana lucrou 21 milhões de euros em 2008) já está em produção para o ano que vem.


Tanto El Impossible quanto Tadeo Jones são produções do braço cinematográfico do canal de mais audiência do país, Telecinco (propriedade da italiana Mediaset do Berlusconi). Já Tengo Ganas de Ti é produzido pelo canal rival, Antena 3. Contudo, para 2013, a Telecinco conseguiu os direitos da obra de Moccia e Perdona si te llamo de Amor será produzido por eles. Será um dos 9 filmes produzidos pela companhia da Mediaset em 2013, fazendo com que a empresa de Berlusconi seja a maior produtora de filmes na Espanha e na sua Itália natal. Outras produções Telecinco incluem a sequência de Tadeo Jones e novos filmes dos badalados diretores Daniel Monzón e Patxi Amezcua. Ano que vem o cinema espanhol ainda deverá se beneficiar da esperada reunião de Almodovar com sua musa, Penelope Cruz em Los amantes pasejeros.

Top 5 Espanha: 1. The Impossible (51.3 milhões de dólares); 2. The Twilight Saga: Breaking Dawn pt II (26.5 milhões); 3. Las Aventuras de Tadeo Jones (23.2 milhões); 4. Intouchables (21 milhões); 5. Os Vingadores (20.2 milhões)

Alemanha: Til Schweiger é O cara do cinema alemã. Ele é o full package: um verdadeiro galã, ele é o rosto perfeito para estrelar filmes. Filmes os quais ele também dirige e escreve. Ah, ele também é um pai de família, com 4 filhos, todos lindos (fruto do casamento com uma top model), que costumam atuar ao lado dele. 

O sucesso de Til com o público alemão é tanto que Hollywood o usa como "arma", colocando-o em papéis pequenos em vários filmes com a intenção de, assim, atrair mais público nos territórios de língua alemã. Ele foi uma das estrelas da comédia de ensemble New Years Eve (junto com Zac Efron e Bon Jovi e Lea Michelle e Halle Berry e Sofia Vergara e Ashton Kutcher e Jessica Biel etc); teve uma ponta na comédia de Reese Whiterspoon, This Is War e participou do elogiado filme de Tarantino, Inglorious Bestards.


Na Alemanha, os filmes que ele estrela e produz costumam seguir a mesma formula: comédias românticas leves e divertidas, que equilibram momentos família com pitadas de humor mais caliente, tudo com a cênica Berlin como plano de fundo. Com essa formula, seu grande debut cinematográfico, Keinohrhasen (Coelho Sem Orelhas), sobre um mulherengo que se apaixona por uma atrapalhada professora pré-escolar, lucrou 75 milhões de dólares e foi o filme mais visto da Alemanha em 2007. A sequência, Keinohrhasen, lucrou 41 milhões de dólares em 2008, a sexta maior bilheteria do ano.

Kokowääh (o título é uma brincadeira com a pronuncia alemã de Coq-au-Vin), sua comédia romântica mais recente, que segue exatamente a mesma formula do sucesso anterior (mulherengo descobre que tem uma filha pequena, fruto de uma one night stand alguns anos antes) foi a terceira maior bilheteria de 2011, com 43 milhões de dólares arrecadados.

Em 2012, Til resolveu mudar radicalmente a formula, produzindo, dirigindo e estrelando o filme de ação Schutzengel. Resultado: fracasso. Para 2013, ele retorna com Kokowääh 2.

Com Til Schweiger underperforming, o cinema alemão não teve nenhum filme figurando entre as dez maiores bilheterias do país. Isso não que dizer que nenhum filme local fez sucesso. A comédia jovem, Türkisch für Anfänger - Der Filme (Turco para Iniciantes - O Filme), teve ótimo resultado, lucrando 21.7 milhões de dólares e acabando o ano como o maior sucesso alemão (e a 11ª maior bilheteria do ano). O elogiado filme é uma continuação da popular comédia teen de mesmo nome exibida entre 2006 e 2009, e que narra a história de uma garota adolescente em Berlin, acostumada com seu lifestyle liberal, que tem que aprender a conviver com a família turca muçulmana do novo marido de sua mãe

A maior bilheteria do ano, contudo, não foi um filme hollywoodiano e sim o francês Intouchables que, com 79 milhões de dólares, desbancou tudo e todos. Próximo dele, só Skyfall.

Na Alemanha, Batman desbancou Os Vingadores como o maior filme de herói do ano. Ted, o filme de Seth MacFarlene, também fez bonito no país com 31.43 milhões enquanto o quarto filme da franquia American Pie, American Reunion, teve dos seus melhores resultados internacionais por lá (23 milhões de dólares), provando que os alemães curtem uma comédia R-rated.

Top 5: 1. Intouchables (79 milhões de dólares); 2. Skyfall (75 milhões); 3. A Era do Gelo 4 (68 milhões); 4. Madagascar 3 (39.4 milhões); 5. The Dark Knight Rises (35.5 milhões).

Reino Unido: Ano passado, foi um ano record-breaking para a indústria cinematográfica britânica, com o top 3 de maiores bilheterias todo dominado por produções locais. No topo, o último filme da franquia Harry Potter, seguido do premiado Discurso do Rei e da comédia The Inbetweeners, baseado no fenômeno televísivo.

Esse ano, a parada não foi tão intensa mas o top da lista foi ocupado por mais um fenômeno local, Skyfall, o novo filme do James Bond com 160 milhões de dólares arrecadados. O longa metragem se transformou na maior bilheteria da história do país, ultrapassando os gigantes de James Cameron, Avatar e Titanic.

Em todo o caso, a indústria britânica de filmes pode respirar aliviada. Enquanto Harry Potter, um dos seus maiores fenômenos da história, chegou ao fim, Bond parece não dar sinais de cansaço e, ainda por cima, está mais forte do que nunca, com o novo filme sendo quase que unânimamente elogiado e se transformando no primeiro da franquia a ultrapassar a marca do 1 bilhão de dólares arrecadados.

No mais, o top 10 tem outro blockbuster co-produzido por Hollywood em associação com o Reino Unido. Prometheus, o caríssimo sci-fi de Ridley Scott, lucrou 40 milhões de dólares (10% dos seus 400 milhões arrecadados no mundo todo) no país, o suficiente para ser o oitavo maior filme.

No mais, o Reino Unido mostrou afinidades por super heróis como Batman, Vingadores e Homem Aranha (sétima maior bilheteria, 40.2 milhões de dólares) e blockbusters baseados em best-sellers jovens como o último filme da saga Crepúsculo e Jogos Vorazes (décima maior bilheteria, 37.2 milhões). Taken 2 -- uma propriedade extremamente popular no país, onde o primeiro filme já ultrapassou o 1 milhão de DVDs vendidos -- lucrou 37.9 milhões.

Além disso, o Reino Unido mostra sua afinidade por comédias R-rated. Depois dos dois primeiros The Hungover quebrarem recordes por lá, esse ano foi a vez de Ted, o filme de Seth MacFarlene como Mila Kunis e Mark Whalberg, conquistar altíssimos rendimentos, com quase 50 milhões de dólares arrecadados.

Para variar, A Era do Gelo 4 foi a maior animação do ano, com 47 milhões de dólares.

Enquanto o top 10 não teve tantos filmes locais quanto no ano passado, isso não quer dizer que as produções locais tiveram um mal ano. Entre os grandes sucessos locais de 2012 estiveram The Woman in Black, The Best Exotic Marigold Hotel e The Pirates! Band of Misfit.

The Woman in Black, o primeiro filme pós-Harry Potter de Daniel Redcliffe, mostrou o poder do ator no seu país de origem. O filme de suspense lucrou 35 milhões de dólares (de um total de 128 milhões a nível global) no país.


Já The Best Exotic Marigold Hotel, que contava com Dev Patel (Slumdog Millionaire) acompanhado de um elenco de peso de atores veteranos locais -- incluindo Dame Judi Dench, Tom Wilkinson e Maggie Smith -- fez 32.6 milhões (de um total de 134 milhões de dólares no mundo todo).



Finalmente, o filme animado Pirates! The Band of Misfit -- lançado pelo braço de animação da Sony e com as vozes de Hugh Grant, Salma Hayek, Martin Freeman e outros -- fez 26.6 milhões (de 121.6 milhões). Foi um bom resultado, mas não superou a animação britânica do ano passado, Arthur Christmas -- com as vozes de James McAvoy e Hugh Laurie -- que lucrou 34.2 milhões.

Top 5 Reino Unido: 1. Skyfall (158.4 milhões); 2. The Dark Knight Rises (90.3 milhões); 3. The Avengers (80.56 milhões); 4. The Twilight Saga: Breaking Dawn pt. II (55.68 milhões); 5. Ted (48.9 milhões)


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

2011: Música (e video game) no Reino Unido


A Official Charts Company revelou em janeiro a lista dos 40 maiores produtos de entretenimento do ano por volume de venda. A lista inclui CDs, DVDs e video-games mas eu vou focar apenas em música. Vou falar brevemente sobre os video-games e vou usar o resto das informações como base para outros posts.

A lista, que pode ser vista aqui, inclui 20 DVDs, 13 CDs e sete video games. Nenhuma surpresa que o topo da lista foi ocupada por Adele, que vendeu quase 4 milhões de unidades de 21 no Reino Unido em menos de 1 ano. Ela aparece novamente em 10º, com 19, lançado originalmente em 2009. De cada 25 CDs comprados no Reino Unido ao longo do ano, 1 era da londrina de 23 anos.

Mas o lançamento mais rentavel de 2011 no Reino Unido (e no mundo) foi o videogame Call of Duty: Modern Warfare que vendeu 2.815 milhões de cópias no país (a 30 libras, o triplo do valor cobrado por um CD). O jogo inclusive quebrou o recorde de Avatar, filme de James Cameron, como o produto de entretenimento que atingiu 1 bilhão de dólares em arrecadação em menos tempo. O jogo alcançou a marca em 16 dias, Avatar demorou 17.

Outros video games tiveram ótimos resultados no Reino Unido ao longo do ano: Fifa 12 (2.2 milhões de unidades); Battlefield 3 (1.2 milhão) e, mostrando o poder crescente das mulheres no mundo de gaming, Zumba Fitness (1.1 milhão) e Just Dance 3 (820 mil). Se você é fã de video game e quer uma lista detalhada do que vendeu em 2011 por plataforma na terra da rainha, clique aqui. O XBox foi, de longe, a plataforma mais vendida, seguida pelo Nintendo Wii.

Mas bom, video game não é assunto desse blog e eu não sei muito sobre isso então vamos move on para coisas que eu realmente entendo.

Música: albuns
Na música (e em qualquer coisa, lets be real), o ano pertenceu a Adele. O distante segundo lugar ficou entre a popstar caribenha Rihanna e o crooner canadense Michael Bublé.

Rihanna vendeu 1.6 milhão de CDs no UK ao longo de 2011; 910 mil de Loud (cujas vendas totais no Reino Unido, incluindo os números de 2010, ultrapassam 1.8 milhão) e 685 mil de Talk That Talk, o novo álbum lançado em novembro. Isso foi o suficiente para colocá-la duas vezes na lista dos 10 CDs mais vendidos de 2011, em sexto e em décimo (detalhe, a lista feita pela British Phonographic Association exclui compilações).


Já Michael Bublé teve o segundo álbum mais vendido do ano. Seu CD natalino Christmas, com reinterpretações de clássicos festivos, vendeu 1.35 milhão de unidades em pouco mais de um mês. Bublé é um fenômeno no Reino Unido e seu álbum anterior, Crazy Love, lançado em 2009, já vendeu 2.9 milhões de unidades no país (411 mil no ano passado). Para ajudar a promover o álbum festivo, Bublé participou da grande final do X Factor, um dos eventos televisivos mais assistidos do país e teve um especial na ITV1, que contou com a participação de muitos A-listers locais como Gary Barlow e Dawn French. Ele também visitou estações de rádio, o talkshow de Jonathan Ross e cantou no Children in Need Rocks, evento beneficente retransmitido pela BBC One.

Rihanna é outra que goza de enorme popularidade no Reino Unido. De fato, seu sucesso no país rivaliza (e até ultrapassa) o sucesso dela nos EUA, o seu mercado natal. A cantora sempre teve vendas bastante satisfatórias no UK, onde explodiu de vez com Umbrella que passou 10 semanas consecutivas no topo da parada de singles em 2007. O CD que continha a música vendeu 1.8 milhão de unidades (com ajuda de um relançamento) e, até o lançamento de Loud em 2010, era o álbum mais vendido da caribenha no país.

 
Rihanna sensualiza na final do X Factor 2010 e go british em We Found Love

Porém, Loud quebrou todos os recordes ao vender 800 mil unidades em pouco mais de um mês em 2010 e mais 910 mil ao longo do ano passado (for the record, isso é mais do que o CD vendeu nos EUA, um mercado muito maior). O single Only Girl já ultrapassou 1 milhão de unidades comercializadas no país, enquanto What's My Name está muitíssimo próximos a passar da marca. A cantora promoveu o álbum com duas aparições high profile no X Factor em 2010 (inclusive uma na grande final), além de apresentação no BRIT Awards e outra no talkshow de Graham Norton.

A turnê do CD vendeu mais de 800 mil ingressos só no Reino Unido. A demanda em Londres foi tão gigantesca que a cantora se apresentou por dez noites na O2 Arena (com 200 mil ingressos vendidos e 13 milhões de dólares arrecadados), a mais prestigiosa arena da Europa, onde se apresentam todos os maiores nome da música. Só três artistas -- Prince (21 shows); Spice Girls (17 na turnê de reunião em 2006) e Bon Jovi (12) -- fizeram mais apresentações consecutivas no local.


Rihanna e sua equipe não foram bobos e souberam capitalizar com o groundbreaking success da cantora no UK. We Found Love, o primeiro single do novo álbum dela, foi produzido pelo megastar local Calvin Harris e o clipe foi todo gravado em Belfast, com um setting tipicamente britânico (apesar de tecnicamente Belfast ficar na Irlanda do Norte). Não a toa, a música passou seis semanas no topo e vendeu 906 mil cópias em três meses no Reino Unido (e, na segunda semana de fevereiro, ultrapassou a marca do milhão).

Além de Adele, Bublé e Rihanna, o top 10 de álbuns mais vendidos incluiu Bruno Mars; Coldplay; Lady Gaga; Jessie J e Ed Sheeran.

Bruno Mars foi a grande revelação do ano. O americano e suas baladas soulful românticas obtiveram enorme sucesso no Reino Unido, onde seu álbum de estréia, Do-Woop & Hooligans, vendeu 1.25 milhão de unidades ao longo de 2011, o suficiente para ser o terceiro mais vendido do ano. As vendas foram, sem duvidas, impulsionadas pelo enorme sucesso dos três number one singles, Just the Way You Are, um dos maiores sucessos no país em 2010 (e com mais de 1 milhão de unidades vendidas no total); Grenade, que vendeu 852 mil unidades em 2011 e Lazy Song. Marry You, que não teve vídeo lançado e nunca sequer alcançou o top 10, foi um vendedor estável ao longo do ano e chegou a 400 mil unidades, ultrapassando as vendas de várias músicas que alcançaram o topo.
Coldplay manteve a tradição de vendas altas, apesar do novo álbum, Mylo Xyloto, não ter voado das prateleiras tão rapidamente quanto os lançamentos anteriores. O CD vendeu 950 mil unidades e ganhou fôlego depois que o segundo single, Paradise foi interpretado ao vivo pela banda no talkshow Graham Norton e na grande final do X Factor, dando ao grupo seu segundo número 1 nas paradas de single britânicas. O quinto álbum do grupo liderado por Chris Martin não terá problemas em passar da marca do milhão no mercado natal deles mas, se juntará ao álbum anterior, Viva la Vida or Death and All His Friends, como os dois unicos lançamentos do grupo de Chris Martin a não chegar as 2 milhões de unidades vendidas.


Mylo Xyloto
foi o CD de rock que mais vendeu no Reino Unido em 2011. Paradise foi o single do gênero de maior sucesso, com 410 mil unidades enquanto Every Teardrop is a Waterfall vendeu 247 mil cópias.

Já Lady Gaga deveria aprender a não overhype seus projetos. Apesar de promessas de ser o "álbum da década" e uma promoção mais que intensa (aparições no X Factor; no Children in Need Rocks; MTV Europe Music Awards; um especial; entrevistas de rádio; capa da NME, Elle UK e i-D e apresentações em quatro talkshows, Jonathan Ross, Graham Norton, Alan Carr Chatty Man e Paul O'Grady), Born this Way não ultrapassou a barreira de 1 milhão de unidades (The Fame/The Fame Monster alcançou 2 milhões, com a ajuda de um relançamento) e não originou nem sequer um número 1 na parada de singles (comparado com quatro de The Fame/The Fame Monster; é verdade que o single homônimo teria facilmente conseguido a distinção se ele não tivesse sido lançado no final da semana).

Mesmo assim, não é justo chamar o segundo álbum de Gaga de "fracasso". O projeto vendeu respeitáveis 855 mil unidades (sétimo maior vendedor do ano) e o primeiro single alcançou 625 mil unidades vendidas.

Ed Sheeran (conheça-o: Lego House; The A-Team; Drunk) e Jessie J
O top 10 de álbuns conclui com as duas maiores revelações locais do ano: Jessie J e Ed Sheeran.

Jessie foi overhyped to death como the next big thing (inclusive aqui no blog) e, pelo menos no Reino Unido, ela não desapontou. O seu CD, Who You Are, vendeu 838 mil unidades (com a ajuda de um relançamento) e originou vários grandes hits incluindo Price Tag (quarto maior single do ano, com 980 mil unidades comercializadas). A cantora foi promovida nonstop no Reino Unido com enorme hype da mídia e da indústria (que deu a ela o primeiro lugar na prestigiosa poll da BBC, Sound of 2011, e também o Critics Choice no BRIT Awards); aparição em todos os principais festivais (do Glastonbury ao Capital FM Summerball); capas de revista e slots em todos os programas de TV, do X Factor e Britain's Got Talent ao matinal Daybreak, passando por So You Think You Can Dance?; Graham Norton; Alan Carr Chatty Man e Children in Need Rocks.

Já o sucesso de Ed Sheeran foi bem mais orgânico. O jovem músico e compositor, de apenas 20 anos, já tinha um following considerável graças ao sucesso de seus EPs e, em 2011, finalmente assinou com uma grande gravadora. Seu primeiro single, The A Team, foi um gigantesco sucesso e seu álbum vendeu 822 mil unidades até o momento. A julgar pelo sucesso do single atual, Lego House, cujo vídeo tem a participação de Rupert Grint, o CD continuará vendendo ao longo de 2012. Ele também conseguiu 4 indicações ao BRIT Awards, mais até do que Adele.

Coldplay no X Factor e Gaga em um O'Grady Live especial: apresentações high profile

Os álbuns mais vendidos: 1. 21 - Adele (3.925 milhões); 2. Christmas - Michael Bublé (1.35 milhão); 3. Doo-Woop & Hooligans - Bruno Mars (1.265 milhão); 4. 19 - Adele (1.265 milhão; total: 2 milhões); 5. Mylo Xyloto - Coldplay (943 mil); 6. Loud - Rihanna (910 mil; total: 1.8 milhão); 7. Born this Way - Lady Gaga (855 mil); 8. Who You Are* - Jessie J (838 mil); 9. + - Ed Sheeran (820 mil); 10. Talk that Talk - Rihanna (684 mil)

*inclui relançamento

Em 2011, 119 CDs ultrapassaram a marca de 100 mil unidades vendidas (disco de ouro) mas apenas 39 cruzaram 300 mil, o suficiente para uma certificação de platina. Além de Talk That Talk de Rihanna, mais sete CDs lançados entre novembro e dezembro (onde as vendas vão as alturas graças ao natal) conseguiram o certificado. Desses sete, só um deles não estava envolvido com Simon Cowell e seus talent shows. Lioness Hidden Treasures, o álbum póstumo de Amy Winehouse, vendeu 640 mil unidades em menos de um mês (e Back to Black, seu álbum mais famoso, vendeu 342 mil, elevando o total de vendas para 3.25 milhões).

Todos os outros big sellers lançados no período natalino (One Direction, Olly Murs, Westlife, Rebecca Fergunson, Susan Boyle, JLS) estavam envolvidos com Simon Cowell one way or another. Westlife, a legendária boyband irlandesa que FINALMENTE anunciou o fim (uns 7 anos too late), vendeu 425 mil unidades do seu segundo greatest hits (o primeiro, lançado em 2002, vendeu 1.3 milhão). Detalhe: eles são empresariados por Simon (e Louis Walsh, outro jurado do X Factor) e cantaram na grande final do programa.

 
One Direction e Olly Murs: do X Factor ao topo dos charts em 2011

Falando em X Factor, os segundo colocados do programa se mostraram bem mais bem-sucedidos que seus vencedores. Olly Murs, que ficou em segundo lugar em 2009, vendeu 600 mil unidades de seu segundo álbum In Case You Didn't Know, impulsionado pelo sucesso de My Heart Skips a Beat, ultrapassando inclusive as vendas de seu debut (algo quase inédito no mundo de reality show contestants).  Já a soulful Rebecca Fergunson, segundo lugar em 2010, vendeu 380 mil cópias de Heaven, seu elogiado CD de estréia, em menos de 1 mês. Em compensação, Joe McElderry, primeiro lugar em 2009, vendeu apenas 110 mil cópias do seu CD de música clássica (o que já foi um improvement dos 90 mil comercializados pelo seu CD de estréia pós-vitória. O primeiro lugar dele no concurso de talentro From Popstar to Operastar, que tem 1/10 da audiência do X Factor, se provou bem mais efetiva) e 100 mil do seu álbum de músicas natalinas; enquanto Matt Cardle, ganhador de 2010, vendeu 225 mil unidades de seu CD de estréia, Letters.

Mas nem Rebecca nem Matt foram os verdadeiros vencedores do X Factor 2010. O charttopper da temporada foi a boyband One Direction, terceira colocada, que vendeu 480 mil unidades de seu CD de estréia em três semanas.

Enquanto 1D começa sua carreira no topo, o JLS, a outra boyband de sucesso lançada pelo X Factor, mostra sinais de desgaste. As 360 mil unidades de Jukebox, vendidas em pouco mais de 1 mês, são um número satisfatório, mas decepcionantes quando comparado com as 600 mil do álbum anterior ou 1.5 milhão do álbum de estréia.

Outro ato made by Simon Cowell que está perdendo a força é Susan Boyle. Mas não tem como negar que ela durou BEM mais do que eu esperava. Já faz quase quatro anos desde aquele vídeo viral e essa mulher, que não tem nada de interessante e só canta covers, ainda vende mais de 300 mil unidades em 1 mês (315 mil com Someone to Watch Over Me). É verdade que é um número bem mais modestos que 1.8 milhão alcançados por I Dreamed a Dream em 2010 mas continua sendo uma quantidade bem chocante para alguém cujo hype já morreu faz bastante tempo.

Will Young, o maior vencedor de reality, e Rebecca Ferguson, a queridinha dos críticos.

Will Young, o primeiro grande vencedor de reality show de talento (ele venceu Pop Idol back in 2002), prova que ele outgrow o programa que o originou e continua sendo um dos unicos vencedores que conseguiu emplacar uma carreira realmente respeitável: seu quinto álbum, Echoes, vendeu 390 mil. Todos os CDs de Will, incluindo seu greatest hit, alcançaram platina.
 
Tirando Amy, outro non-reality show success story do ano foi a nova banda de Noel Gallagher. Depois de centenas de brigas, os irmãos Liam e Noel finalmente anunciaram o fim do Oasis, o top-selling act do UK das últimas décadas e ambos lançaram suas novas bandas. Liam seguiu com os ex-músicos do Oasis na Beady Eye enquanto Noel lançou um projeto novo que se provou mais bem sucedido. O álbum homônimo do Noel Gallagher's High Flying Birds vendeu 500 mil unidades enquanto o CD do Beady Eye vendeu 200 mil.

Noel Gallagher's High Flying Birds vs. Liam Gallagher's Beady Eye

Chase & Status, uma dupla de produtores de dubstep, também não fizeram feio, com mais de 400 mil unidades de seu segundo álbum, No More Idols. O CD contou com o vocal de vários atos up and coming e promissores como Plan B; Tinie Tempah; Dizzee Rascal; White Lies e Mavercik Sabre

Outros artistas que alcançaram platina incluíram Florence & the Machine, com seu segundo CD; a holandesa Caro Emerald que, depois de bater recordes de venda em seu país de origem, obteve respeitável sucesso com seu álbum de estréia, Deleted Scenes from the Cutting Room no Reino Unido (graças ao apoio da Radio 2 ao single On a Night Like This) e o grupo a capella The Overtones, impulsionados por uma aparição na final de Dancing on Ice, bem sucedido reality show que é basicamente uma versão com patinação no gelo de "Dança dos Famosos".

Quando se contabiliza compilações, 2011 foi mais um ano fortíssimo para o franchise Now! That's What I Call Music. Desde os anos 80, a coletânea é lançada três vezes por ano, tendo uma tracklist composta pelos maiores sucessos do período. Mesmo com a crise da indústria fonográfica, a coleção ainda se prova um gigantesco sucesso, com seus três lançamentos ultrapassando a marca de 600 mil unidades vendidas cada (Now! 80, lançado no período natalino, alcançou 1.2 milhão).

Chase & Status


No mais, 2011 foi o ano que pop virou o gênero favorito do Reino Unido, ultrapassando o rock. 33.6% dos álbuns vendidos (incluindo 6 dos 10 mais vendidos do ano) pertencia ao gênero, comparado com apenas 29.4% do rock. Pop teve seu melhor ano desde 1999 (quando Britney Spears, Westlife, Boyzone e Robbie Willaims estavam no ápice) enquanto o rock teve seu pior ano desde 2003 (o ápice do século foi 2004, quando o gênero teve uma fatia de 41.5% do mercado). Apenas dois dos vinte álbuns mais vendidos foram de rock: Coldplay e Noel Gallagher's High Flying Birds (detalhe: a associação fonográfica britânica conta Rihanna como hip-hop. Se ela fosse contada como pop, o que seria o mais correto, a porcentagem seria ainda maior. Outros lançamentos injustamente contados como urbano inclui o smash hit dance da J.Lo On the Floor).

Além de Coldplay e Gallagher, três álbuns de rock ultrapassaram as 300 mil unidades vendidas: o segundo lançamento de Florence & the Machine; o novo álbum dos Foo Fighters; Mumford & Sons (que ultrapassaram 1 milhão de unidades somadas com as vendas do ano passado) e Elbow. CDs  que ultrapassaram os 100 mil incluíram Velociraptor do Kasabian; Fallen Empires do Snow Patrol; Last Night on Earth do Noah & the Whale; What Did You Expect from the Vaccines dos The Vaccines; I'm with You dos Red Hot Chilli Peppers; Different Gear Still Speeding do Beady Eyes; Tourist History do Two Doors Cinema Club; Helplessness Blue dos Fleet Foxes e Let England Shake da P.J. Harvey. O primeiro álbum do Florence & the Machine vendeu 180 mil cópias, elevando o total de Lungs para 1.7 milhão enquanto Only by the Night, dos Kings of Leons, vendeu 120 mil, se aproximando dos 3 milhões de unidades totais e Come Around Sundown, da mesma banda, ultrapassou o 1 milhão com 166 mil.


2011 foi um ano bom para o folk, que registrou o maior share de vendas do século com 1.6% do mercado graças ao sucesso de Laura Marling. Michael Bublé, sozinho, foi o responsável pelo recorde de vendas do gênero easy listening que dominou 8% do mercado.


Os que alcançaram certificação de platina: 11. Lioness: Hidden Treasures - Amy Winehouse (670 mil); 12. In Case You Didn't Know - Olly Murs (600 mil); 13. Lady Killer - CeeLo Green (590 mil; total: 700 mil); 14. Noel Gallagher's High Flying Birds - Noel Gallagher's High Flying Birds (500 mil); 15. Progress* - Take That (483 mil; total: 2.5 milhões); 16. Up All Night - One Direction (470 mil); 17. No More Idols - Chase & Status (465 mil); 18. 4 - Beyoncé (455 mil); 19. Greatest Hits - Westlife (425 mil); 20. Crazy Love* - Michael Bublé (411 mil; total: 2.9 milhões); 21. Defamation of Strickland Banks - Plan B (405 mil; total: 1.5 milhão); 22. Ceremonials - Florence & the Machine (385 mil); 23. Echoes - Will Young (381 mil); 24. Wasting Lights - Foo Fighters (380 mil); 25. Teenage Dream - Katy Perry (380 mil; total: 1 milhão); 26. Heaven - Rebecca Fergunson (377 mil); 27. Sigh No More - Mumford & Sons (370 mil; total: 1.3 milhão); 28. Disc-Overy - Tinie Tempah (360 mil; total: 750 mil); 29. Jukebox - JLS (355 mil); 30. The Fame* - Lady Gaga (336 mil; total: 2.8 milhões); 31. Build A Rocket Boys - Elbow (327 mil); 32. Back to Black - Amy Winehouse (325 mil; total: 3.5 milhões); 33. Someone to Watch Over Me - Susan Boyle (315 mil); 34. Good Ol' Fashioned Love - The Overtones (308 mil; total: 400 mil); 35. Deleted Scenes from the Cutting Room - Caro Emerald (308 mil)


Música: singles

Impulsionado pelo iTunes e afins, o mercado digital salvou o mercado de singles. Prova disso é o fato de, pela primeira vez em anos, os dois singles mais vendidos de 2011, Someone Like You de Adele e Moves Like Jagger de Maroon 5, ultrapassarem a marca de 1 milhão de unidades comercializadas. Curiosamente, Moves Like Jagger nunca alcançou o primeiro lugar, tendo peaked na 2ª posição, num caso similar a Love the Way You Lie, o dueto entre Eminem e Rihanna que foi a música mais vendida de 2010, também ultrapassou o milhão e também nunca alcançou o topo. 

De fato, um primeiro lugar parece significar cada vez menos. É verdade que entre os dez mais vendidos, oito alcançaram o topo mas existem charttoppers como Don't Wanna Go Home de Jason DeRulo que venderam menos que músicas que nunca nem sequer alcançaram o top 10 (DeRulo, com um número 1, vendeu 349 mil unidades, menos que Marry You, de Bruno Mars, e Set Fire to the Rain de Adele, ambos peaking em 11º. Outros número 1 com vendas bem baixas incluem She Makes Me Wanna do JLS; Swagger Jagger da Cher Lloyd; All About Tonight da Pixie Lott; Loca People de Sak Noel; Stay Awake de Example e Don't Go do Wretch 32, todos vendendo menos de 340 mil unidades no total).


Outros hits onipresentes globalmente em 2011 aparecem no top 10 anual britânicos como Party Rock Anthem (sério gente, essa foi A música do ano) do LMFAO; Give Me Everything Tonight do Pitbull e On the Floor, o grande comeback da J.Lo.

Graças ao fato de serem cantadas por finalistas do X Factor e do Britain's Got Talent, Iris, sucesso dos anos 90 do Goo Goo Dolls, e Fast Car, charttopper de Tracy Chapman em 89, voltaram ao top 10 britânico. As músicas venderam 262 e 269 mil unidades respectivamente ao longo do ano.

No mais, pela primeira vez desde 2009, os vencedores do X Factor não alcançaram o número 1 na semana natalina. Quem conseguiu a honra foi o Military Wives' Choir que, como o nome indica, é um coro formado por esposas de militares. A gravação de um cover de Wherever You Are foi tema de um documentário da BBC, que promoveu o single pesadamente leading up ao lançamento, incluindo aparição das mulheres no talkshow do Graham Norton e no muitíssimo assistido Strictly Come Dancing. As moças venderam mais de 500 mil unidades em apenas uma semana.

Mesmo assim, Little Mix, as vencedoras do X Factor, tiveram uma semana em primeiro lugar. As vendas, contudo, foram médias: 390 mil unidades, primeira vez que um vencedor não ultrapassa os 400 mil. De todo modo, as meninas merecem crédito: nenhuma girlband conseguiu ultrapassar da segunda semana do programa e não só elas chegaram na final, elas ganharam a edição. Depois do programa lançar boybands de sucesso, tá na hora de uma girlband lead the charts (e, como as Girls Aloud provaram, girlbands ganhadoras de reality show em geral tem uma carreira bem mais longa e impactante que boybands).

Wherever You Are do Military Wives' Choir teve a melhor semana de vendas para um single e as Little Mix tiveram a segunda melhor semana de vendas.


Entre former reality show contestants, Olly Murs e One Direction foram os mais bem sucedidos tanto na parada de CDs quanto na de singles. Tanto My Heart Skips a Beat como What Makes You Beautiful ultrapassaram as 500 mil unidades vendidas totais.

Além de Moves Like Jagger, The A-List de Ed Sheeran e Rollin' in the Deep de Adele foram os singles que não alcançaram o topo das paradas mais bem-sucedidos do ano. Já The Edge of Glory de Lady Gaga; Yeah x 3 de Chris Brown e Super Bass de Nicki Minaj foram os três singles que não alcançaram o top 5 que mais venderam enquanto Set Fire to the Rain de Adele; Marry You de Bruno Mars; Hello de Martin Soreveign e o cover de Skinny Love feito por Birdy são os singles que não alcançaram o top 10 com as vendas mais altas.

Entre os 100 singles mais vendidos, Rihanna aparece 6 vezes (We Found Love; Who's That Chick; Only Girl; What's My Name; California King Bed) e Adele e Bruno Mars apareceram 4 (Someone Like You; Rollin' in the Deep; Set Fire to the Rain; Make You Feel My Love/Grenade; The Lazy Song; Marry You; Just the Way You Are). 115 músicas ultrapassaram 200 mil unidades comercializadas; 187 ultrapassaram 100 mil.

Assim como nas vendas de CD, não foi um bom ano para o rock: nenhuma música do gênero apareceu entre os 35 maiores singles. Paradise, do Coldplay, foi a unica representante do gênero a ultrapassar 300 mil unidades vendidas (410 mil). Alias, Coldplay foi, de longe, a banda de maior sucesso do ano, responsáveis por quatro das 19 músicas do gênero que conseguiram ultrapassar 90 mil unidades (além de Paradise e Every Tear is a Waterfall; Fix You, com 124 mil e Viva la Vida, com 96 mil).

Iris do Goo Goo Doll foi a segunda música rock mais popular (264 mil), impulsionada pelo fato de ser usada no X Factor. Skinny Love, cover da Birdy do sucesso do Bon Iver (259 mil); Fix You do Coldplay e Cannonball do Damien Rice (99 mil) também foram outras músicas  impulsionadas por apresentações no reality do Simon Cowell enquanto Wherever You Will Go do The Calling (125 mil) ganhou nova vida graças a um comercial de chá. L.I.F.E.G.O.E.S.O.N. de Noah & the Whale (242 mil) e o sucesso global do Foster the People, Pumped Up Kicks (225 mil) foram alguns dos poucos relativos sucessos do gênero. Os primeiros singles dos novos CDs de James Morrison (I Won't Let You Go; 228 mil); Florence & the Machine (Shake It Out; 127 mil); Noel Gallagher's High Flying Band (A.K.A. What a Life; 115 mil); Snow Patrol (Called Out in the Dark; 103 mil) e Artic Monkeys (Don't Sit Down Cause I've Moved Your Chair; 81 mil) tiveram vendas dignas assim como alguns clássicos recentes como Chasing Cars do Snow Patrol (128 mil; um total acima de 1 milhão); Sex on Fire do Kings of Leon (90 mil; total acima de 1 milhão) e Bring Me To Life do Evanescence (98 mil).

Os singles mais vendidos: 1. Adele - Someone Like You (1.25 milhão; peak: 1º); 2. Maroon 5 (ft. Christina Aguilera) - Moves Like Jagger (1.05 milhão; 2º); 3. LMFAO - Party Rock Anthemm (995 mil; 1º); 4. Jessie J (ft. BoB) - Price Tag (982 mil; 1º); 5. Rihanna (ft. Calvin Harris) - We Found Love (905 mil; 1º); 6. Pitbull (ft. Ne-Yo) - Give Me Everything (870 mil; 1º); 7. Bruno Mars - Grenade (853 mil; 1º); 8. Ed Sheeran - The A Team (800 mil; 3º); 9. Adele - Rollin' in the Deep (799 mil; 2º); 10. Jennifer Lopez (ft. Pitbull) - On the Floor (785 mil; 1º); 11. Christina Perri - Jar of Hearts (670 mil; 4º); 12. Rihanna - S&M (650 mil; 3º); 13. Military Wives Choir - Wherever You Are (632 mil; 1º); 14. Lady Gaga - Born this Way (626 mil; 3º); 15. Bruno Mars - Lazy Song (618 mil; 1º); 16. Chris Brown (ft. Benny Benassi) - Beautiful People (589 mil; 4º); 17. Example - Changed the Way You Kiss Me (582 mil; 1º); 18. Aloe Blacc - I Need A Dollar (584 mil; 2º); 19. Snoop Dogg & David Guetta - Sweat (559 mil; 4º); 20. One Direction - What Makes You Beautiful (545 mil; 1º); 21. Olly Murs - My Heart Skips a Beat (505 mil; 1º); 22. Alexandra Stan - Mr. Saxobeat (502 mil; 3º); 23. Labrinth (ft. Tinie Tempah) - Earthquake (501 mil; 2º); 24. The Wanted - Glad You Came (496 mil; 1º); 25. DJ Fresh - Louder (489 mil; 1º); 26. Jessie J - Do It Like A Dude (480 mil; 2º; total: 575 mil); 27. Lady Gaga - The Edge of Glory (479 mil, 6º); 28. Chris Brown - Yeah 3x (473 mil, 6º); 29. Adele - Set Fire to the Rain (472 mil, 12º); 30. Nicki Minaj - Superbass (456 mil; 8º); 31. LMFAO - Sexy & I Know It (455 mil; 5º); 32. David Guetta (ft. Nicki Minaj & Flo-Rida) - Where Dem Girls At (439 mil; 3º); 33. Nicole Scherzinger - Don't Hold Your Breath (438 mil; 1º); 34. Beyoncé - Best Thing I Never Had (429 mil; 3º); 35. Calvin Harris (ft. Kelis) - Bounce (421 mil; 2º)