Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

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sábado, 15 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012: o ano na cultura pop

A voz



No dia 12 de fevereiro, depois de meses e meses sumida devido a uma delicada cirurgia nas cordas vocais, Adele fez seu triunfal retorno aos palco durante a cerimônia dos Grammy's em Los Angeles. Uma semana mais tarde, em Londres, ela agraciou os BRIT Awards. Em ambas as premiações, ela seguiu exatamente o mesmo roteiro: uma apresentação de Rolling in the Deep, o primeiro single de seu histórico segundo CD, 21, e a vitória em absolutamente todas as categorias.

Enquanto as apresentações foram fortemente promovidas como a grande volta da cantora, elas serviram, na verdade, como uma despedida. A aparição dela no BRIT Awards, no dia 21 de fevereiro, foi sua última aparição pública ao longo do ano.

Em junho, no mesmo dia que Tom Cruise e Kate Holmes anunciaram seu divórcio, um porta-voz da artista anunciou que ela esperava seu primeiro filho. Não foi coincidência: o anúncio foi feito horas depois do divórcio mais high profile do ano exatamente para que a notícia, que seria manchete global em qualquer outro dia, passasse relativamente despercebida. No fim de outubro, Adele deu a luz. Nada se sabe sobre a criança, a não ser que é um menino.

Algumas semanas antes de ter seu filho, Adele lançou Skyfall, a música tema do novo filme de James Bond. O dia do lançamento -- uma sexta-feira -- prejudicou o posicionamento da música nas paradas de single global. Contudo, o single rapidamente se transformou no tema do 007 mais vendido de todos os tempos.

O fato dela ter passado o ano quase que reclusa não impediu que 21 fosse, pelo segundo ano consecutivo, o álbum mais vendido de ano em todo o mundo e continuasse quebrando todos os recordes possíveis e imagináveis.

As músicas

No fim de 2009, eu achei que seria impossível uma música ser mais onipresente do que I Gotta Feeling foi naquele ano. Demorou três anos mas, no final das contas, eu fui proved wrong.

Assim que eu ouvi Call Me Maybe pela primeira vez, em fevereiro, eu vim correndo fazer um post. Foi só ouvi uma vez que eu reconheci ali um enorme hit em potêncial. Em abril, a música alcançou o top 10 nos EUA. No mesmo mês, ela alcançou o topo no Reino Unido e na Austrália. No fim de junho, Call Me Maybe alcançou o primeiro lugar nos EUA, onde ficou por intermináveis nove semanas.



Trifecta EUA-AU-UK alcançada, não demorou muito para a música explodir em todo o resto do planeta e virar um sucesso viral covered não só pelos pioneiros Selena e Justin mas também pelo Time Olímpico de Natação dos EUA; por Katy Perry; por Cookie Monster; pelo Neymar; pelos vendedores da Abercrombie & Fitch; pela marinha dos EUA; pelo exército dos EUA; pelo elenco de Glee; por Barack Obama e por quem mais você conseguir imaginar.

Não sei vocês mas eu fui de achar a música uma fofura (em fevereiro) para querer me matar toda vez que eu escuto ela tocando (hoje em dia).

Porém, Call Me Maybe não foi a única múisca onipresente de 2012. Gotye, o cantor belgo-australiano, foi, na verdade, o primeiro smash hit do ano com seu absolutamente inescápavel Somebody That I Used To Know, colaboração com a neo-zelandesa Kimbra.

A música estourou em 2011 na Austrália (como já contei aqui), onde foi o segundo single mais vendido. Em fevereiro desse ano, a música alcançou o topo no Reino Unido. Em junho, impulsionado pelo uso da música no American Idol e uma performance de Gotye no Saturday Night Live, a canção atingiu o topo nos EUA.

Not surprisingly, Somebody That I Used to Know e Call Me Maybe foram, respectivamente, o primeiro e o segundo single que mais venderam em 2012. Nos EUA, as músicas foram as unicas ao longo do ano a ultrapassar 6 milhões de unidades vendidas (e ambas figuram entre as dez músicas mais vendidas de todos os tempos no país, com Gotye ocupando a sexta posição) enquanto, no Reino Unido, foram as únicas duas canções a ultrapassar 1 milhão de unidades em 2012. Elas ocuparam o topo em outros milhares de mercado mundo afora, incluindo a França e a Alemanha (o quarto e o quinto maiores mercados mundiais).



A outra música inescapavel do ano? Duh. Op-op-op-oppan Gangnam Style. A sensação coreana PSY atingiu o topo em todo o mundo e, com quase 1 bilhão de views, se transformou no vídeos mais assistido do YouTube de todos os tempos. O hit e a sua dançinha foram totalmente inescapaveis e, na Coréia do Sul, o sucesso da música foi tratado como um orgulho nacional (para comemorar, 100 mil pessoas se reuniram para uma grande festa no centro da cidade). Alguns dos grandes momentos da música -- como, por exemplo, o flash mob que atraiu 20 mil pessoas em Paris e a apresentação com Madonna -- foram tratados aqui e, esse mês, PSY cantou o sucesso para Barack Obama na Casa Branca.

A quarta música inescapavel do ano foi ignorada pelo mercado anglo-saxão mas abraçada por todo o resto do planeta e Brasil, pode comemorar (ou não), porque esse sucesso é nosso: Ai, Se Eu Te Pego de Michel Teló foi o sucesso do primeiro semestre do ano.

Na Alemanha, o quarto maior mercado do mundo, a música foi o maior sucesso digital da história, com quase 700 mil unidades vendidas. Na França, a música também superou Gotye e Carly Rae (que tiveram que se contentar com o segundo e o terceiro lugar) e acabará 2012 como o single de maior sucesso do ano, com 300 mil unidades comercializadas.



A lista de países que a canção atingiu o topo é interminável: Áustria, Alemanha, França, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Holanda, Itália, Espanha, México, Argentina, Chile, Grécia, Colômbia, Israel, Polônia e vários outros. Além disso, ela impulsionou músicas similares -- mais notavelmente Balada Boa de Gusttavo Lima (primeiro lugar na Itália, França e Holanda; terceiro lugar na Alemanha) -- a status de smash hit global.

Um dado depressivo: na França, o apetite por canções similares foi tanta que, além de Balada Boa, Bara Bará Bere Beré de Alex Ferrari também alcançou o topo por duas semanas. E se você está pensando "poxa, eu nunca ouvi essa música" é porque, apesar dela ser brasileira, ela é TÃO ruim que ela foi completamente ignorada por aqui (surra na cara do metido que acha que o Brasil tem o pior gosto do mundo).

[GENTE, PARA TUDO!!!!!! ACABEI DE DESCOBRIR Q MICHEL TELÓ TEM SUA PRÓPRIA VERSÃO DE BARA BARÁ BERE BERÉ! A que chegou ao topo na França não foi dele though]

O livro


Olha, achei que pior que "Crepúsculo" não dava para ficar (sorry, not a fan) mas, como diz o ditado, "nada está tão ruim que não possa piorar". Prova disso: o fenômeno literário do ano , 50 Shades of Grey (50 Tons de Cinza), nasceu vejam só vocês, como uma fanfic de Crepúsculo.

Apesar disso, os dois livros tem suas diferenças. A história de vampiros de Stephanie Meyers reflete os valores castos~ de sua autora mormon, com sexo só depois do casamento, uma heroína modesta etc. e tal. Já a trilogia da britânica E.L. James é um conto erótico cheio de sexo sadomaso.

Eu sou super a favor da libertação sexual feminina (anos 50 ligou e pediu seus tópicos de discussão de volta) e acho ótimo um livro soft porn direcionados a mulheres virar algo tão mainstream, discutindo na grande imprensa e lido sem vergonha por vovós, tias e adolescentes. Mas bom, acho que existem maneiras com mais qualidade das mulheres liberarem esse fogo interno~~ e suas inner godesses mas, né? Quem sou eu. Até porque não dá para ser mais clichê que heroína timida e desinteressante conhece homem controlador, milionário e obcecado por S&M e bondage (tá, tudo bem, essa última parte não é tão clichê mas só porque, até alguns meses atrás, ninguém se atrevia de deixar isso claro. Se vocês viram Amanhecer Parte I, vocês viram q a Bella e o Edwart curtem um S&M também).

Mas bom, independentemente da minha opinião pessoal, 50 Shades foi o fenômeno do ano com centenas de milhões de cópias comercializadas. Em agosto, foi anunciado que o primeiro livro da série de E.L. James tinha ultrapassado 5 milhões de unidades vendidas em seu país de origem e, por tanto, desbancado Harry Potter como o livro mais vendido de todos os tempos no Reino Unido desde que o Nielsen BookScan começou a acompanhar as vendas (em 1998). Levando em conta que o livro continua no topo dos mais vendidos até agora, o número total com certeza é considerável maior. Nos EUA, os três livros já tinham vendido mais de 20 milhões de unidades até julho (provavelmente deve ser o dobro disso agora).

Como de costume, uma franquia tão bem sucedida faz Hollywood salivar. Em março, quando o livro já estava a caminho de se transformar num fenômeno mas ainda não tinha se confirmado como o sucesso astronômico que acabou sendo, os direitos foram vendidos por 5 milhões de dólares para Universal, um valor bem alto ("O Código Da Vinci" foi vendido por 3.5 milhões). Mas a parte mais chocante é que o estúdio aceitou uma cláusula que especificava que a autora teria a palavra final em todas as grandes decisões (algo comum em filmes baseados em séries enormes -- J.K. Rowling, Stephanie Meyer e Suzanne Collins, todas estiveram super envolvidas na produção -- mas nunca especificado de maneira tão explícita no contrato).

Por outro lado, a dificuldade de adaptar um filme que é basicamente cena de sexo S&M atrás de cena de sexo S&M (incluindo uma cena que envolve um absorvente interno) é algo bem complicado, principalmente em Hollywood, que não gosta de espantar o dinheiro de ninguém. Talvez por isso, o desenvolvimento do filme não está indo tão de pressa quanto esperado (até o momento, nada -- a não ser quem serão os produtores e a roteirista -- foi oficialmente decidido).

De qualquer maneira, não restam duvidas: 50 Shades of Grey foi o livro de 2012.

Os programas de TV

Todo mundo ama zumbis: Walking Dead é o sucesso da temporada
Pela primeira vez na história, um programa de TV a cabo ocupou o topo da lista de programas de ficção mais vistos entre pessoas de 18 a 49 anos (for reference: o único demográfico que interessa aos anunciantes e, por tanto, o único que importa) nos EUA: Walking Dead, o elogiado seriados sobre zumbis da AMC, ultrapassou Modern Family, a comédia da ABC, para se transformar no maior sucesso do demo essa temporada.

Alias, todas as ficções mais comentadas do ano foram programas de TV a cabo: Breaking Bad (AMC); Walking Dead (AMC); Dexter (Showtime); Homeland (Showtime); True Blood (HBO); Game of Thrones (HBO); Girls (HBO). O público e a crítica parecem estar cansado dos seriados "seguros" da TV aberta e estão indo atrás de programas mais elaborados e com conteúdos mais complexos e criativos na TV fechada.

Enquanto isso, na TV aberta, o que mais próspera atualmente são as comédias. Além de Modern Family, as sitcoms da CBS são o grande sucesso de público: enquanto Two and a Half Men meio que perdeu o momentum, Big Bang Theory; How I Met You Mother e 2 Broke Girls têm obtido resultados fantásticos para o canal. Alias, os syndication deals -- direitos de retransmissão/reprise -- desses programas estão sendo vendidos por quantias absurdas (Big Bang Theory custa 2 milhões de dólares por episódios; 2 Broke Girls, 1.7 milhão), deixando todos os atores e produtores dessas comédias milionários pela eternidae.

 
Os reality shows, os grandes protagonistas nos anos anteriores, parecem ter perdido um pouquinho (bem pouquinho) de sua força nos EUA. Em 2012, nenhuma emissora lançou um grande sucesso mas os sucessos dos anos anteriores -- as Kardashians no E!; as Real Housewives na Bravo -- seguem firmes e fortes e novos programas (estrelando todo mundo, da Toni Braxton aos Jonas Brothers a esposa do Clint Eastwood) continuam pipocando.

Já os reality de canto continuam na linha tenue entre a saturação e o sucesso. American Idol teve seu ano mais baixo até o momento mas continua facilmente como líder de audiência. Para 2013, o programa terá um novo painel de jurados estrelando Mariah Carey, Nicki Minaj e o cantor country Keith Urban.

Já The X Factor continua tentando emplacar nos EUA. Esse ano, Britney Spears e Demi Lovato foram adicionadas ao juri e, enquanto o programa tem mantido audiências bem dignas, ele está longe de reproduzir o fenômeno social que é no Reino Unido.

O programa mais estável é The Voice da NBC. O formato holandês, que tem duas temporadas por ano, teve uma estréia espetacular pós-Super Bowl no começo do ano e, desde então, já desinflou bastante mas continua na frente do X Factor entre o público de 18-49 e tem uma das tarifas publicitárias mais caras da TV aberta americana. Enquanto ele não produziu nenhum vencedor bem sucedido, ele tem ajudado bastante seus jurados, revitalizando a carreira do Maroon 5 e ajudando a transformar Blake Shelton, o seu jurado country, numa estrela de grande porte nos EUA. Ano que vem, Xtina e Cee-Lo Green darão um break doo programa e serão substituídos por Shakira e Usher.

The Voice também é o formato de canto de maior sucesso mundo afora, graças a uma combinação das cadeiras giratórias (eu não sei porque mas elas fascinam muito o público) com um jurado cheio de nomes de grande porte. O programa tem obtido sucesso em atrair nomes respeitáveis em todos os principais mercados e isso, com certeza, ajuda no status do concurso como uma competição séria (não que eu concorde, né). O sucesso internacional dele pode ser comprovado aqui no Brasil e também no México, na Argentina, na Alemanha, na França e na Espanha, onde as respectivas versões têm conseguido audiências bem altas e tem ofuscado os concorrentes.

A exceção foi o Reino Unido. O país tem uma enorme importância por ser -- junto com a Alemanha e a França -- o maior mercado fora dos EUA. A BBC investiu milhões de dólares no formato, com a intenção de bater de frente com os colossais programas de Simon Cowell na ITV (X Factor e Britain's Got Talent). E o concurso não poderia chegar em momento melhor: o público estava se saturando dos programas de Cowell, com X Factor tendo registrado uma acentuada queda de audiência no ano anterior.

Inicialmente, o programa -- que tinha Jessie J, Will.I.Am, Tom Jones e Donnie O'Donaghue (vocalista do The Script) como jurados -- foi um gigantesco sucesso, batendo a audiência do Britain's Got Talent, que estava sendo exibido no mesmo horário na ITV1. Depois de alguns meses contudo, o público perdeu o interesse e a audiência começou a desinflar, até chegar a níveis preocupantes, O single da ganhadora sequer atingiu o top 40. Uma turnê com os finalistas, que passaria por arenas de todo o país, foi cancelada devido a falta de interesse.

A tendência do programa obter altas audiências com a fase de audições e das batalhas entre os jurados e perder força com o começo dos live shows (como já disse, o público gosta mesmo é da cadeira giratória) é normal em todas as edições, a ponto dos produtores estarem implementando pequenas mudanças para deixar a parte final do concurso mais dinâmica. Contudo, o alarmante não foi só a queda de audiência (o programa começou sua trajetória como o mais visto todas as semanas; na sua semi-final, oito programas tinham superado-o em audiência e Britain's Got Talent liderava com facilidade) mas a falta de interesse total do público e da imprensa nos acontecimentos do programa. A repercussão, depois das primeiras semanas, foi zero.

De qualquer maneira, a BBC e a Talpa, produtora do programa, estão mantendo a cabeça em pé: o programa volta, levemente remodelado, no ano que vem e com o mesmíssimo painel de jurados.

Enquanto, nos EUA, os reality perdem um pouquinho da sua força, na Europa, os programas de realidade -- claramente influenciados por sucessos americanos -- estão mais forte do que nunca.

Entre 2006 e 2009, The Hills foi um sucesso de audiência nos EUA, onde foi exibido pela MTV, e um enorme fenômeno social entre o público jovem no país. O programa focava em Lauren Conrad, uma moça jovem, bela e muito bem vestida, já apresentada ao público em outro sucesso da emissora (Laguna Beach), e sua busca por sucesso no mundo da moda em Los Angeles (o que, in hindsight, nem faz muito sentido pois a indústria da moda americana fica concentrada em NYC). Contudo, o que chamava a atenção era a falta de clareza entre o que era real e o que era falso: apesar do título "reality" ser meramente decorativo em absolutamente TODOS os reality americanos, The Hills levava isso a outro nível, mostrando a vida de Lauren e seu cotidiano de maneira tão novelesca que era impossível acreditar que não era roteirizado. O programa chegou ao absurdo de -- no ápice de sua popularidade, quando The Hills estava em tudo quanto é canto, inclusive na capa da Teen Vogue e da Rolling Stone -- mostrar Lauren, naquela altura uma super celebridade, como uma desconhecida, tendo que se apresentar para pessoas como se todo mundo já não soubesse seu nome, passando por entrevistas de emprego e indo numa cartomante que, surpresa, sabia tudo da vida dela (assim como todo o resto da população). Depois de anos negando ser roteirizado, o programa admitiu que tudo não passava de uma farsa na cena final do episódio final.

De qualquer maneira, o formato causou um impacto enorme e sua legacy lives on na Europa.

O caso mais notável é no Reino Unido onde The Only Way Is Essex é um dos programas mais visto da TV fechada, atraindo 1 milhão de espectadores todas as semanas e mantendo-se como um sucesso faz 2 anos, ao longo de 84 episódios (até o momento) e muitas trocas de elenco.


TOWIE, como o programa é apelidado pelos fãs e imprensa, é uma mistura de The Hills com outro sucesso da MTV, Jersey Shore. O formato é igualzinho a The Hills: dramas acerca de rompimentos, riqueza, gente bela e jovem e estilosa (dependendo do seu ponto de vista). Tudo -- das seqüencias musicais aos title cards toda vez que algum "personagem" aparece na tela -- é inspirado por The Hills. Contudo alguns elementos de choque a la Jersey Shore foram implementados: assim como Jersey Shore se foca nos guidos de Nova Jersey, com seus estilos peculiar, TOWIE foca nos playbas e nas pattys de Essex, uma zona afluente meio rural meio urbana na grande Londres onde todo mundo (pelo menos de acordo com a TV) parece ser obcecado com bronzeamento artificial, cilhos postiços gigantescos, maquiagem carregada, injeções de colágeno e  muita círurgia plástica.



Como contraponto de TOWIE, exibido no canal jovem da ITV, o ITV2, o canal rival, E4, o outpost a cabo do Channel 4, lançou o Made in Chelsea, outro programa seguindo a risca o manual The Hills de como fazer TV mas focando na galera aristocrática e rica do centro de Londres, especificamente em Chelsea, o distrito mais caro da capital inglesa. Uma versão bem mais classy de TOWIE que, obviamente, de classy não tem muita coisa.

Ambos os programas se mantém no topo dos mais vistos da TV fechada local e são enormes sucessos entre os jovens locais. O curioso é que, diferente dos EUA, o Reino Unido tem um orgão regulamentador de mídia muito forte, o OFCOM, e, para evitar problemas, tanto The Only Way Is Essex quanto Made in Chelsea começam com um aviso de que "as pessoas nesse programa são reais mas algumas histórias e enredos podem ter sido fabricadas para seu entretenimento".



Na França, a emissora jovem NRJ12 estreou, em março desse ano, Hollywood Girls, sobre duas garotas francesas em busca da fama em L.A. As similaridades entre HG e The Hills são gritantes a ponto de que, cedo ou tarde, eu suspeito que deve rolar uma ação judicial: TUDO -- dos locais a fotografia e mesmo alguns enredos -- é igualzinho ao programa da MTV, ao ponto de parecer um reamke com atores franceses.

Mesmo assim, Hollywood Girls é um sucesso e, apesar do visual sleak & chic & luxuoso, deve sair bem barato para a emissora pois é produzido em velocidade indústrial: foram 92 episódios desde março, comparado com 102 de The Hills ao longo de cinco anos.

Alias, Hollywood Girls é tão absurdamente novelesco que faz com que The Hills pareça um documentário sério. Saquem só a descrição da primeira temporada, traduzida da Wikipedia francesa:

A procura de Josh, seu irmão que ela nunca conheceu, Ayem migra para Hollywood junto com sua amiga Caroline, onde irão morar com a amiga de infância delas, Chloe Jones. Mas Sandra, a roommate de Chloe, não vê com bons olhos a chegada das duas francesas e fará de tudo para colocá-las para fora. Rapidamente, Ayem e Caroline se integram a vida em West Hollywood e conhecem Nicolas, Kevin e Kamel. Juntos, eles irão confrontar a maléfica Geny G, agente das estrelas mas também chefe de uma rede de prostituição. A temporada termina com a queda do avião de Ayem.
Pois é, chupem essa manga. E Hollywood Girls não é o único reality show a la Americaine. Outro sucesso é a série de programas que leva um grupo de jovens Ch'tis a regiões exóticas do mundo.

Em 2008, o filme Bienvenue chez les Ch'tis, que satiriza a região nordeste de Paris, foi um fenômeno de bilheteria e se transformou no maior sucesso do cinema francês. Daí, os Frenchies aplicaram o pensamento americano: faturar em cima do fenômeno do momento com um reality.

A região nordeste da França -- Nord-pas-Calain -- é uma região beeeem pouco sofisticada, com um dialeto próprio pouco charmoso (ao invés de "toi", por exemplo, eles falam "ti", hence a classificação dos locais como ch'tis) e com péssimo clima, sempre frio, cinza e chuvoso. Então, é claro, o conceito do programa é levar os locais da região para lugares que são o exato oposto: Ibiza; Mykono; Miami; Las Vegas.

Reino Unido e França já conquistado, ainda falta um potencial mercado. Worry not, a Alemanha também já mergulhou na onda do scripted reality (reality show lá é conhecido como doku soap, então os roteirizados são classificados como pseudo doku soap. Muto chique).

O maior sucesso do gênero é Berlin - Tag und Nacth (Berlin - Dia & Noite) que acompanha os dramas roteirizados de um monte de jovens reais em Berlin, a cidade mais cosmopolita e cool da Alemanha. O programa é um sucesso de repercussão e o programa alemão mais curtido no Facebook. Ah, uma versão para França, Paris Jour et Nuit, já está em produção, com estréia prevista para 2013.

Enquanto muitos parecem diretamente "chupados" de The Hills, outros adicionam seus próprios twist e, quase todos, parecem ser um mix entre o mundo fashionable cool de The Hills com o mundo outrageously drunk de baixaria de outro fenômeno da MTV, Jersey Shore.

O melhor exemplo de um mix dos dois, contudo, é a produção da MTV britânica, The Valleys. O nome indica uma homenagem ao icônico Hills. O elenco, contudo, é bem na linha de Jersey Shore como vocês podem ver pelo trailer abaixo.


A MTV britânica, alias, tem, desde 2011, sua própria versão de Jersey Shore entitulada Geordie Shore. "Geordie" é como são apelidados os habitantes de Newcastle, uma região conhecida por ser uma das mais pobres do país porém, também, a mais festeira. O lugar está na moda graças a celebridades provenientes da cidade como Cheryl Cole.


A versão britânica é bem parecida com a americana mas, com as regulamentações envolvendo nudez e xingamento muito mais relaxadas que nos EUA, ela é bem mais caliente. Rapidamente, o programa, que já está na quarta temporada, bateu recordes históricos de audiência para o canal.

O sucesso da versão inglesa só não é maior que a da versão espanhola. Gandía Shore atraiu 1 milhão de espectadores em seu primeiro episódio na MTV espanhola. Uma versão francesa está em produção.

Enquanto isso, a versão americana começa sua última temporada na próxima semana. Jersey Shore continua sendo o programa mais visto da MTV mas com 1/4 das audiências de seu ápice, as mudanças nas circunstâncias na vida do elenco (Snooki é mãe!!), a perda de momentum, sem falar no que aconteceu com o famoso Shore (destruído pelo furacão Sandy), é uma boa hora mesmo para o programa ser cancelado. Veremos se 2013 será um ano melhor para a criação de realities americanos. A MTV está apostando todas as fichas em caipiras. Será essa a tendência do próximo ano? 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Tamar Braxton no topo do iTunes: como isso aconteceu?


Por toda a paixão e sucesso que trashy reality television tem gerado nos EUA, o gênero não é exatamente conhecido por lançar estrelas em ramos de respeito -- atuação, canto, etc. (com a exceção, óbvio, dos de talento como Idol). Por isso, ao fazer meu check diário do iTunes estado-unidense, eu tomei um susto ao ver o primeiro lugar: Tamar Braxton.

De onde? Porque? Eu tento ser completamente antenado em tudo e nunca tinha notado absolutamente nenhum burburinho a respeito da música ou de Tamar.

Versão resumida (e injusta): a canção alcançou o topo graças a Lady Gaga.

Versão longa: Tamar é irmã de Toni Braxton, a superstar do R&B americano dos anos 90 que, depois de um período de prosperidade, caiu no esquecimento e não conseguiu emplacar nenhum hit. Toda cheia de débitos, ela fez o que qualquer former estrela em busca de dinheiro fácil faz: resolveu estrelar o seu próprio reality show.

Braxton Family Value estrelava Toni junto com suas irmãs -- Traci, Towanda e Tamar (esses nomes são muito bons gente) -- e mãe, Evelyn, e foi ao ar no WeTV, um canal direcionado a mulheres relativamente pequeno. Rapidamente, o programa das Braxton virou o maior sucesso do canal.

Mas o WEtv, como eu já disse, é um canal que, apesar de veterano (15 anos no ar) e alguns hits (Bridezillas, mais notavelmente), nunca virou uma household brand. Enquanto as Kardashians alcançam 3 milhões para o E!, as Housewives chegam aos 5 milhões no Bravo e, em seus dias dourados, Jersey Shore alcançava 7 milhões para a MTV, bastou 900 mil pessoas para as Braxton viraram o maior hit do WE.

Em todo o caso, Braxton Family Values foi um sucesso e a WE fez o que qualquer canal a cabo americano faz quando emplaca um reality hit: começou a desenvolver um spin-off. E assim nasceu Tamar & Vince, acompanhando o casamento da moça com o bem-sucedido produtor Vincent Herbert.

Bom, como vocês podem ver, a moça tem uma carreira televisiva bastante respeitável e relativamente bem-sucedida. Mas isso não garante uma posição no top 100 do iTunes, muito menos no Top 10. Alcançar o topo -- algo que muitos A-listers não conseguem -- é algo ainda mais raro.

Mas Tamar lançou sua primeira música, Love and War, e contra absolutamente todas as expectativas a canção alcançou o top 10 e depois o top 5 e rapidamente ela estava em segundo lugar.

E foi ai que Lady Gaga entrou na história: as duas são amississimas e Vince, o marido dela, foi um dos responsáveis por Gaga assinar com a Interscope. Por isso, a cantora não hesitou em promover o lançamento para seus 32 milhões de seguidores:

K I NEVER PROMOTE ARTISTS but if u want your mind blown check "Love & War" She's Toni Braxton sister + her voice is BEYOND

MYSELF AND have been the best of friends since her husband Vincent discovered + signed me when I was 20. SHE IS INCREDIBLE

Buy "Love And War" It would mean a lot to me monsters if u would support her. Its her turn to shine. #2 on iTunes!!

E assim, a música alcançou o topo.

Mas vamos colocar as coisas em perspectiva: sem nenhuma promoção além de um reality show razoavelmente bem-sucedido,  a música alcançou a segunda posição no iTunes estado-unidense, a maior loja digital do planeta.

Alias, vamos deixar uma coisa clara: o fato é ainda mais chocante quando se leva em conta que é um R&B. Muitos dos maiores vendedores do gênero -- Mary J Blige, Trey Songz e até Usher -- tem enorme dificuldade de emplacar singles no topo do iTunes (a não ser com músicas dance como OMG do Usher ou Bottoms Up de Trey).

E Gaga é famosa e popular mas, né? Ela não conseguiu emplacar muitas das suas próprias músicas (Marry the Night? You & I?), não é um tweet que fez com que Love & War atingisse o topo.

Minhas considerações sobre a música: completamente diferente de tudo que tá estourando no momento, uma balada R&B bem tradicional com vozeirão e gritaria. Eu gostei bastante. Agora, se ela vai conseguir manter o momentum é algo que teremos que julgar com o tempo.

Enquanto isso, a música também está escalando o iTunes do Reino Unido. Vamos ver o quão longe ela vai chegar ou se, assim como a carreira de Toni, vai empacar depois de alguns minutos.

E falando em músicas de sucesso, se vocês lêem o blog, vocês sabem que eu não gosto de me vangloriar (ha. Se vocês realmente lêem o blog, vcs sabem que o que eu acabei de escrever é uma mentira) mas ó: orgulho de 2012 foi escrever sobre Call Me Maybe e Somebody That I Used to Know antes delas explodirem globalmente.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Gangnam Style: 10 momentos do fenômeno


A música só invadiu as paradas globais em setembro mas no mês de agosto, a Coréia do Sul já estava mais do que entregue ao fenômeno Gangnam Style. PSY reuniu 40 mil pessoas no Estádio Olímpico de Seoul e colocou os locais -- conhecidos pela modéstia e tímidez -- numa festa frenética de dança.


Rapidamente, a música invadiu os EUA e até Britney Spears quis aprender a coreografia num momento que, assim como o vídeo musical original, também virou um sucesso viral.



Se você é parodiado no Saturday Night Live pode ter certeza que você entrou para os anais da cultura pop. E esse sketch foi o empurrãozinho para levar a música do PSY para o topo do iTunes estado-unidense.


Um sucesso viral não é um sucesso viral até o Latino fazer seu próprio cover. Depois de Dragonstea Din Tei/Festa no Apê e Danza Kuduro, o ex da Kelly Key fez sua própria versão do hit do PSY. Mas, enquanto os hits anteriores deles foram prontamente abraçados por nós brasileiros, o público se encarinhou tanto com a versão original coreana que a interpretação de Latino causou enorme revolta nas redes sociais e o moço teve que dar explicações via Twitter.


Não satisfeito com os EUA, PSY foi comemorar o sucesso de Gangnam Style na Austrália -- onde o single é a música mais vendida do ano até o momento -- cantando no X Factor local. A apresentação bateu recorde de audiência e o intérprete ainda ensinou a dança para a Scary Spice Mel B, que é jurada no programa.


Na Europa, a música alcançou o topo em mais de 15 países, inclusive os três maiores mercados -- Reino Unido, Alemanha e França. Em Paris, Cauet, uma personalidade de rádio da estação mais ouvida do país, NRJ, juntou 20 mil pessoas para dançar a música com PSY no Trocadero. Foi o maior flashmob já organizado na França.


No MTV Europe Music Awards, PSY foi considerado o ponto alto da noite. Ele ainda levou o prêmio de Melhor Vídeo do Ano, derrotando Rihanna, Katy Perry e Lady Gaga.


Ele também marcou presença no show de Madonna no Madison Square Garden, onde colocou a Rainha do Pop para fazer a já clássica dançinha do cavalo.


Em algo que já está virando tradição para PSY, ele foi novamente o ponto alto de mais uma premiação, dessa vez o American Music Awards. Ele fechou a noite com uma super apresentação que incluiu a aparição de MC Hammer e um mash-up com Too Legit To Quit. Depois da performance, a música voltou para o topo do iTunes estado-unidense pela 2897238ª vez.


Se tem alguém orgulhoso com o sucesso internacional de PSY são os seus conterrâneos sul-coreanos. Para comemorar o fenômeno, 100 mil pessoas (!!!) se juntaram no centro da cidade de Seoul para dançar o Gangnam Style.

Fun fact: Gangnam Style atingiu o topo de 90% dos mercados mais importantes do mundo. Com uma notável exceção: Japão, o segundo maior mercado fonográfico do mundo depois dos EUA, onde a música foi quase que completamente ignorado. O fato fica ainda mais curioso quando se leva em consideração que o Japão é o segundo maior mercado do mundo para o Kpop (depois da Coréia do Sul, óbvio) e quando se fala em lucro, o país -- com uma população muito maior que a Coréia do Sul -- é responsável por 80% de todo o rendimento internacional do gênero (inclusive, o mercado japonês dá mais lucro do que o mercado sul-coreano).

O porque dos japoneses terem ignorado PSY é questão de muito debate na internet (uma das teorias mais populares é que esse tipo de vídeo musical comédia já é algo saturado pelos comediantes locais, de modo que o Gangnam Style não se destacou no país) mas o fato é que o artista parece ter se dado por satisfeito com o resto do mundo se rendendo a ele e, num ato raro para um artista coreano, optou por não promover a música no Japão. Uma versão adaptada da música -- entitulada Roppongi Style (Roppongi sendo o equivalente japonês ao bairro Gangnam de Seoul) -- chegou a ser gravada mas o lançamento foi cancelado.

O resto da Ásia, contudo, não seguiu o lead do Japão e, assim como por aqui, a música é inescapavel em todo o resto da região. Quer dizer, tirando a Coréia do Norte, eu suponho...

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Opan Ganganam style: PSY e K-pop no Ocidente

Esse último mês foi bom para os que curtem uma boa meme. Tivemos Dona Cecília e seu Jesus restaurado e, claro, Nissin Ourfali. Mas, nas últimas semanas, é o rapper coreano PSY que tem monopolizado os feeds de Facebook e as timelines no Twitter.

Gangnam Style virou um sucesso viral, acumulando mais de 200 milhões de views no Youtube. Mais do que isso, a música virou a primeira canção em língua estrangeira a alcançar o topo do iTunes estado-unidense. Mas como ele conseguiu isso?


Simples: boca a boca. A música virou um enorme hit no Youtube e, rapidamente, a imprensa mundial começou a falar na música. Katy Perry, Vanessa Hudgens, Robbie Williams, Tom Cruise, LMFAO, Ryan Seacrest e Britney Spears foram alguns famosos que comentaram o vídeo nas redes sociais. Com todo o burburinho, a música alcançou o top 20 no iTunes estado-unidense e se tornou o vídeo mais assistido do Youtube.

Daí PSY teve uma ajudinha extra do timing: a música explodiu no começo de setembro, bem na época que todos os principais programas americanos estão voltando de um longo hiatus de férias. E não deu outra: PSY e seu hit pegajoso foi tema de todos eles.

Gangnam Style foi tocado durante a premiação da MTV, os VMAs, onde PSY fez a dança com Kevin Hart, o apresentador. Depois, no talkshow de Ellen DeGeneres, ele ensinou Britney Spears a famosa dançinha. E ainda teve uma aparição no programa matinal mais visto dos EUA, o Today Show, e num sketch na estréia de temporada do prestigioso Saturday Night Live além de uma apresentação surpresa durante um jogo de baseball no Dodgers Stadium. Com toda essa onda de promoção, o astro coreano desbancou Taylor Swift e seu mega hit Never Ever Getting Back Together, que passou duas semanas no topo das paradas, e se transformou na música mais vendida dos EUA.


Além disso, Scooter Braun -- empresário de Justin Bieber e Carly Rae-Jepsen -- assinou com o astro coreano e a música está no top 20 do iTunes do mundo inteiro. Ah, e Latino, que adora regravar esses sucessos virais (vide Dragonstea Din Tei e Danza Kuduro), também já fez sua versão.

Gangnam Style alias é uma referência ao distrito de Gangnam, que é o bairro mais luxuoso e badalado de Seoul, a capital da Coréia do Sul.  Alias, no país de origem dele a música também arrasou, né? Vejam o vídeo abaixo e vejam os coreanos -- timidos e recatados por natureza -- se acabarem no estilo Gangnam.


Ironicamente, PSY conseguiu, sem nenhum esforço, o que todos os principais artistas coreanos estão tentando fazer faz anos: conquistar o mundo.

Para quem não sabe, K-Pop, o pop sul-coreano, é o gênero mais badalado na Ásia e, com a explosão de novelas e músicas do país, o continente inteiro foi dominado pela chamada Hallyu wave (onda coreano). Nas Filipinas, em Taiwan, na Malásia, na Indonésia, em Singapura, na China e, mais importante, no Japão (de longe o mercado mais lucrativo da Ásia), a Coréia e suas estrelas são verdadeiros fenômenos. Em Tokyo e em Shanghai, os principais artistas coreanos fazem shows em estádios gigantescos e as novelas coreanas vendem milhões de DVDs e são exibidas em todos os principais canais abertos da região. E, mais do que vender CDs, DVDs e revistas, eles estimulam a economia sul-coreana como um todo e, por isso, até o governo local tem investido pesadamente na promoção desses artistas. Seoul tem recebido milhões de turistas asiáticos (principalmente mulheres japonesas) que gastam uma fortuna na cidade e multinacionais  coreanas, como a Samsung e a LG, tem se aproveitado ao máximo dos rostos famosos das celebridades locais.

Desde então, todas as principais agências de talento sul-coreana estão tentando conquistar o Ocidente.

Em 2006, Rain, na época, o maior fenômeno do K-pop, deu os primeiros passos na expansão ocidental quando ele se apresentou para 8 mil pessoas em Nova York e apareceu na lista das 100 Pessoas Mais Influentes do Mundo da revista Time. No mesmo ano, a agência YG Entertainment juntou seus principais artistas para shows em Washington, Los Angeles e NY e, no ano seguinte, tentou lançar seu maior astro, Se7en, no mercado americano.

Em 2008, a SM, principal agência da Coréia do Sul, entrou nos EUA. Como BoA foi a primeira artista coreana a explodir no Japão, foi decidido que ela seria a primeira a ser lançada nos EUA. Um álbum, com colaboração de vários dos mais badalados produtores, foi lançado porém totalmente ignorado pelo grande público.

Apesar de todas as tentativas high profile de lançar artistas coreanos nos EUA terem sido mal sucedida, as agências não pensam em desistir.

 
Um billboard em Times Square anuncia a chegada do SM Town em Nova York e a gigantesca multinacional sul-coreana LG

A SM Entertainment está colocando todas as fichas nas Girls Generation, o maior girlgroup da Ásia no momento. As meninas já lançaram seu primeiro single, The Boys, e apareceram em dois dos mais prestigiosos programas dos EUA, o Live! with Kelly e o Late Show with David Letterman, além do badalado programa francês Le Grand Journal. Além disso, o SM Town, concerto que reúne todos os principais nomes da agência (Girls Generation, BoA, as boybands Super Juniors, Shinee e TVXQ, entre outros) fez três shows em importantes arenas no país, encendo o Madison Square Garden de Nova York, o Staples Center, em Los Angeles e o Honda Center, em Anaheim, vendendo um total de 45 mil ingressos para as três apresentações. Na Europa, 8 mil ingressos foram vendidos para o show da agência em Paris.

Já a principal rival da SM, a YG (que, alias, são os "donos" do PSY) também não está perdendo tempo e está investindo tudo para explodir seus dois maiores nomes, a girlgroup 2ne1 e a boyband Big Bang, no mercado ocidental. Will.I.Am foi contratado para produzir o próximo álbum das meninas do 2ne1 e Jeremy Scott, badalado estilista, é responsável pelo look delas. As meninas ainda são uma das estrelas da nova campanha global da Adidas e encheram 8 mil pessoas no Nokia Theatre de Los Angeles e 11 mil no Prudential Center em New Jersey. Já o Big Bang irá tocar para 12 mil pessoas no Honda Center e 14 mil em New Jersey em novembro. Em Londres, 20 mil ingressos foram vendidos para dois shows na Wembley Arena.


Ah, e a YG também está de olho no Brasil: o Big Bang irá se apresentar em São Paulo no final do ano, após um show em um estádio em Lima, no Peru. O Peru é, alias, o primeiro mercado sulamericano conquistado pelos coreanos e é o unico país do ocidente onde novelas sul-coreanas são exibidas na TV aberta.

Mas, quando o Big Bang chegar ao Brasil, eles não terão a honra de ser as primeiras estrelas coreanas a fazer um show em território nacional. A agência Cube já trouxe a boyband Beast e o girlgroup 4 Minutes para um show para 4 mil pessoas em São Paulo no fim do ano passado. São Paulo e Londres (onde as estrelas coreanas se apresentaram para 5 mil pessoas) foram as unicas paradas das estrelas carro chefe da Cube fora da Ásia.

A emissora pública sul-coreana MBC é outra que está investindo pesadamente no Kpop, organizando um festival em Sydney, no ANZ Stadium, o maior estádio da Austrália, e um show para 3 mil pessoas na IndigO2 em Londres, durante as Olimpíadas. Outras companhias asiáticas também estão organizando outras apresentações em capitais européias.

Porém, apesar de todos os investimentos, o K-pop continua sendo um gênero de nicho no Ocidente. Alias, não deixa de ser irônico que, enquanto as companhias sul-coreanas desembolsam milhões na promoção das Girls Generation e do Big Bang, foi PSY, que não tinha nenhuma ambição de explodir no Ocidente, que conseguiu o primeiro hit mainstream mundial.

Alias, PSY podia servir de lição para as agências coreanas. O rapper estourou pois sua música, além de ser hilária e pegajosa, era diferente o suficiente para se destacar no meio das centenas de popstars americanos. Os superstars coreanos, apesar de serem ótimos cantores e dançarinos, são genéricos as they come: hits influenciados pela música urbana americana, produzida por suecos. E, quando o assunto são superstars genéricos, os coreanos não tem nada a acrescentar, uma vez que o Ocidente já tem os seus próprios.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Euphoooooooria: Eurovision 2012


Nesse domingo, o concurso de talento pan-europeu, o Eurovision, aconteceu em Baku, no Azerbaijão. Um enorme e super produzido show kitshy, o programa -- produzido pela European Broadcasting Association -- é o evento não-esportivo mais visto no continente e, ao longo de mais de cinco décadas, revelou, entre outros, o Abba (ganhadores pela Suécia) e Celine Dion (que, apesar de ser franco-canadense, ganhou pela Suíça).

Como vencedor do ano passado, o Azerbaijão ganhou o direito de sediar o evento esse ano. Apesar de ser algo estabelecido nas regras oficias do concurso, a decisão foi extremamente polêmica, afinal o país tem um péssimo histórico quando o assunto são direitos humanos e liberdade de expressão (para os interessados, recomendo esse documentário da BBC). 

De qualquer maneira, o Azerbaijão recebeu a oportunidade de braços abertos. Assim como as Olimpíadas ou a Copa do Mundo, o Eurovision é uma ótima oportunidade de promover o país sede perante uma audiência gigantesca pan-europeia, algo que parece muito vantajoso para um lugar cheio de belezas naturais porém relativamente obscuro e ignorado pelo turismo. E, diferente da maior parte do território europeu, que está falido e submergido em crises, a nação é cheia de dinheiro graças a enorme quantidade de petróleo em suas terras.

Por isso, vendo essa oportunidade impar de promover o país, os líderes de Estado resolveram investir 100 milhões de dólares no evento, um número bastante alto para algo que, diferente de outros grandes acontecimentos que duram semanas, tem uma duração total de apenas 3 horas. Para não perder o hábito, foi tudo feito perante protestos (silenciados a força) de corrupção e violação de direitos humanos mas, no final das contas, um suntuoso estádio foi construído e o país organizou um show espetacular e bem produzido, mantendo a tradição de grandiosidade que a European Broadcast Association tem tentando sustentar nos últimos anos para combater a reputação de "cafona" que o concurso carrega (mas né? Já dizia Countess LuAnn, money can't buy you class. Espetacular, bem feito e suntuoso? Sim. Mas ainda cafona).

Em troca do investimento, eles ganharam uma oportunidade valiosa de promover o país através de bonitas e bem produzidas vinhetas exibidas ao longo do programa mostrando tudo que ele tem a oferecer de bonito e atraente para os potenciais turistas europeus: linda arquitetura, belíssimos museus, chá, paisagens fantásticas (a parte dark do país -- e o fato dele ser comandado por uma mafia -- foi obviamente ignorado durante a transmissão mas, né? Detalhes).

O slogan desse ano foi Light your fire, uma referência ao fato de Baku ser conhecida como "cidade do fogo". E, para quem estava acompanhando o burburinho, a Suécia parecia ser a aposta mais segura de quem sairia como vencedor.


O que aconteceu esse ano foi algo similar aos acontecimentos de 2010 na Alemanha. Meses antes do concurso, a música entry do país (no caso, Satelite da jovem Lena) tinha se transformado num enorme fenômeno social, vendido centenas de milhares de cópias, ocupado o topo da parada de singles por semanas e enchido a população local de otimismo. Na hora H, não deu outra: a Alemanha venceu a competição.

Uma seqüência  de eventos bem parecida se desenrolou na Suécia: assim como Lena em 2010, Loreen foi escolhida como a representante do país num reality show de talento que atinge enormes audiências (no caso, o Melodifestivalen, uma tradição no país faz décadas). Sua entry, Euphoria, se transformou num enorme fenômeno social imediatamente após a cantora ter sido nomeada a vencedora e, meses antes da competição, a música já tinha atingido o topo das paradas locais e se transformado, em pouco mais de um mês, no single mais vendido do ano, alcançando 5x Platina e uma onipresença na mídia que não era visto fazia anos para uma canção do Eurovision.

E, quando chegou o momento, não deu outra: Loreen, com Euphoria, foi coroada a grande vencedora do Eurovision, sendo a quinta vez que a Suécia ganhou o concurso.

 

E não foi uma simples vitória, foi uma vitória arrasadora. O vencedor é escolhido por uma combinação de votos do público (que não pode votar no seu próprio país mas pode escolher a música favorita de outras nações) e do jurado. Mais de 1/5 de todos os votos do público computados foram para Loreen (lembrando que a Suécia não podia votar nela) e a música ganhou com 372 pontos, a segunda pontuação mais alta da história do concurso (atrás do norueguês Alexander Rybak que, em 2009, venceu com 387 pontos pela Noruega). Horas após o evento ter sido exibido, a música tinha alcançado o topo do iTunes de 14 países.

Um dos países que a canção arrasou depois da vitória foi o Reino Unido onde a música alcançou o primeiro lugar no iTunes e o terceira lugar nas paradas oficiais fazendo com que Euphoria se transformasse na primeira canção do Eurovision a alcançar o top 3 em mais de duas décadas.

Na Suécia, como não poderia deixar de ser, a vitória foi recebida com enorme histeria. Milhares de pessoas foram receber Loreen no centro de Estocolmo e até a Guarda Real Sueca comemorou fazendo uma rendition da música.


No fim, o Eurovision desse ano foi um sucesso coroando uma música universalmente elogiada (em contraste com a vitória extremamente esquecível e duvidosa do Azerbaijão no ano passado) e dando a vitória para a Suécia, um dos países que mais se entusiasmam com o concurso.

Alias, é interessante destacar que, enquanto a popularidade do Eurovision oscila bastante nas diferentes nações européias, a Suécia é um país que, entra ano e sai ano, se mantém com um interesse bem alto no concurso. Além disso, é um dos países que mais têm vitórias e, assim como no panorama pop em geral, onde as paradas internacionais são monopolizados por produtores escandinavos, a maior parte dos países participantes do concurso (Reino Unido, Espanha, Chipre, Grécia, Malta e até o próprio Azerbaijão) escolhem produtores suecos para produzir as músicas que representaram o país.

No mais, além de Loreen, as outras estrelas da noite foram as vovózinhas russas que ficaram em segundo lugar com Party for Everybody. Por mais que as vovózinhas de Buranov tenham conquistado a Europa, a música delas não esta exatamente pegando fogo nos iTunes mundo afora (ainda bem).

Loreen é recebido por multidão no centro de Estocolmo
Já os grandes perdedores foram as outras nações escandinavas e o Reino Unido. Tanto a Dinamarca quanto a Noruega tiveram péssimos resultados mas o UK teve uma das derrotas mais dolorosas afinal eles tinham até feito um esforço e mandado Engelbert Humperdinick, um cantor com bastantes achievments e certo reconhecimento mundial.

Alias, dado curioso, por serem os maiores contribuintes financeiros da European Broadcasting Association, o Reino Unido, a Alemanha, a França, a Itália e a Espanha tem entrada automática no concurso enquanto o resto das nações européias tem que participar de uma semi-final e podem não ser escolhidos para serem representados na final.

sábado, 14 de abril de 2012

One Direction: boyband 2012-style


Se existia uma tendência que, a nível global, parecia ter ficado no fim dos anos 90 eram boybands. Desde os tempos dos Backstreet Boys e do NSync, nenhum grupo de garotos cantores capturou as paradas mundiais e despertou o caos entre garotas adolescentes mundo afora (os Jonas Brothers TALVEZ mas eles tocavam instrumentos, né?). O sucesso dos britânicos do One Direction, contudo, parece atestar que a moda voltou com bastante força. Porém, é claro, de uma maneira bem 2012.

O One Direction foi formado na nona temporada do The X Factor britânico. Cada um dos cinco meninos -- Harry, o mais popular; Zayn, o misterioso; Nial, o irlandês; Louis, o engraçado e Liam, o sensível -- fizeram audições separadamente e foram juntados como um grupo por Simon Cowell. Os garotos não ganharam o programa (ficaram em terceiro lugar). Mas, vendo tudo que eles alcançaram, não tem como negar que eles foram os vencedores morais.


Lançado em novembro, Up All Night, o primeiro álbum dos meninos, já vendeu 600 mil unidades no Reino Unido. O primeiro single, What Makes You Beautiful, também estreou no topo e ultrapassou 540 mil unidades ao longo do ano passado. E, em março, eles esgotaram -- em minutos -- os 400 mil ingressos da turnê por arenas britânicas que eles irão fazer entre fevereiro e abril do ano que vem (só em Londres foram vendidos 115 mil ingressos para dez apresentações na O2 Arena. Com isso, os meninos empatam com Rihanna como os artistas que mais se apresentaram consecutivamente no local, atrás apenas de Bon Jovi, Prince e das Spice Girls em sua turnê de reunião).

O segredo dos sucessos? Os cinco meninos são charmosos e bem humorados e eles sabem expressar bem esses trajeitos no Twitter (algo muito importante em 2012, né?) e em entrevistas. Eles são bonitos de uma maneira boy next door e são muito estilosos, no estilo "namorado dos sonhos" da típica jovem de hoje em dia.

Enquanto no Reino Unido o sucesso deles foi impulsionado pelo X Factor (que é, afinal de contas, o programa mais visto no país), no resto do mundo eles alcançaram popularidade de uma maneira muito 2012: através das redes sociais.

O Twitter dos meninos ficou cada vez mais popular e, no Tumblr as imagens daqueles garotos bonitos e bem vestidos começou a se popularizar, atraindo a atenção de meninas na América do Sul, do Norte e da Europa afora.

Rapidamente, os One Direction já eram mega estrelas no Brasil, no Mexico, na Itália, na Suécia, na Espanha, na Alemanha, na França, na Austrália...

E, finalmente, nos EUA.

O maior mercado do mundo nunca foi enormemente receptivo a bandas pops britânicas. Desde que os Beatles explodiram nos anos 60, as Spice Girls foram os outros únicos atos jovens pop a alcançar enorme sucesso no país. Nem os irlandeses do Westlife, nem os historicamente bem sucedidos Take That conseguiram penetrar o mercado apesar de centenas de milhões de cópias vendidas no Reino Unido.

Porém, depois de anos de seca, 2012 parecia finalmente ser o ano dos britânicos teenyboppers quando os meninos do The Wanted, outra boyband inglesa, foram impulsionados por uma apresentação no talkshow da Ellen e levaram seu single, Glad You Came, para o top 5 do Billboard.

Porém, o sucesso do The Wanted foi rapidamente ofuscado pelo One Direction. Sem nenhuma promoção e apenas com a força das mídias sociais, os meninos movimentaram mais de 130 mil unidades do primeiro single, What Makes You Beautiful, em apenas uma semana, penetrando o top 10 do iTunes e o top 30 do Billboard Hot 100. Desde então, a música já alcançou o top 5 do iTunes e o nono lugar no Hot 100 (e continua escalando as paradas).

Porém, o mais impressionante ainda estava por vir: o álbum deles, Up All Night, vendeu 175 mil unidades, estreando em primeiro lugar nas paradas americanas. Dessa maneira, eles conseguiram o que nenhum grupo britânico -- nem os Beatles -- conseguiu: estrear no topo com o primeiro álbum.


Desde então, os meninos estão sendo tratados como pop royalty. Suas sessões de autografo atraem milhões de meninas EUA afora (uma apresentação gratuita de 45 minutos -- com entradas limitadas a portadores de wristbands -- atraiu 25 mil fãs em Dallas, no Texas) e a aparição deles no Today Show, para um concerto ao ar livre na Rockfeller Plaza, atraiu multidões na mesma escala que Lady Gaga, Justin Bieber e Chris Brown. Eles também foram as grandes estrelas do Kids' Choice Awards e uma apresentação no Saturday Night Live catapultou What Makes You Beautiful para o topo do iTunes e fez com que o CD tivesse um aumento de 95% em vendas (mais de 500 mil unidades já foram comercializadas nos EUA).

Talvez por serem ingleses, os meninos devem "menos" do que as boybands anteriores. Apesar de serem todos bastante novos, entre 18 e 19 anos, eles bebem e um deles até -- hold the phone -- fuma (Zayn Malick). Dois deles (Harry e Zayn) tiveram relacionamentos com mulheres muito mais velhas. Em suas entrevistas, eles fazem piadas politicamente incorretas e até xingam. Eles não dançam. O fato deles serem europeus, e não americanos, dá a eles a permissão de serem populares entre um público bem jovem e, mesmo assim, não terem a obrigação de serem squeaky clean.

Tudo isso, é claro, só dá força ao fenômeno e faz deles mais approachable e reais para a multidão de garotas que os idolatram. Alias, elas parecem compartilhar do senso de humor britânico dos meninos. Em seus concertos EUA afora, não é incomum ver cartazes como "ONE DIRECTION GIVES ME ERECTION" e "LET ME MALICK YOU, ZAYN MALICK".

Enquanto isso, os meninos continuam imparaveis. O inicio da venda de ingressos da turnê australiana deles colapsou os sites de venda e um esquema de segurança de proporções épicas está sendo montado para controlar as fãs quando eles desembarcarem no país. Na França, um início de pisoteamento enlouqueceu policiais quando 3 mil fãs foram recebe-los na estação de trem durante uma breve parada promocional. Já nos EUA, a primeira turnê deles pelo país encontra-se esgotada. O sucesso foi tamanho que os meninos anunciaram um show extra na arena mais importante do país, o Madison Square Garden em NY. Em cinco minutos, os 16 mil ingressos tinham acabado. Com uma demanda excedendo as mais positivas expectativas, os garotos acabam de anunciar 25 shows adicionais nos EUA para daqui a mais de um ano (de junho a agosto de 2013) com cerca de 300 mil ingressos sendo disponibilizados para os fãs. Em breve, eles devem anunciar uma turnê pelo resto da Europa e, no fim do ano, eles lançam um segundo CD.

É, parece que as boybands voltaram de vez.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

2011: Música (e video game) no Reino Unido


A Official Charts Company revelou em janeiro a lista dos 40 maiores produtos de entretenimento do ano por volume de venda. A lista inclui CDs, DVDs e video-games mas eu vou focar apenas em música. Vou falar brevemente sobre os video-games e vou usar o resto das informações como base para outros posts.

A lista, que pode ser vista aqui, inclui 20 DVDs, 13 CDs e sete video games. Nenhuma surpresa que o topo da lista foi ocupada por Adele, que vendeu quase 4 milhões de unidades de 21 no Reino Unido em menos de 1 ano. Ela aparece novamente em 10º, com 19, lançado originalmente em 2009. De cada 25 CDs comprados no Reino Unido ao longo do ano, 1 era da londrina de 23 anos.

Mas o lançamento mais rentavel de 2011 no Reino Unido (e no mundo) foi o videogame Call of Duty: Modern Warfare que vendeu 2.815 milhões de cópias no país (a 30 libras, o triplo do valor cobrado por um CD). O jogo inclusive quebrou o recorde de Avatar, filme de James Cameron, como o produto de entretenimento que atingiu 1 bilhão de dólares em arrecadação em menos tempo. O jogo alcançou a marca em 16 dias, Avatar demorou 17.

Outros video games tiveram ótimos resultados no Reino Unido ao longo do ano: Fifa 12 (2.2 milhões de unidades); Battlefield 3 (1.2 milhão) e, mostrando o poder crescente das mulheres no mundo de gaming, Zumba Fitness (1.1 milhão) e Just Dance 3 (820 mil). Se você é fã de video game e quer uma lista detalhada do que vendeu em 2011 por plataforma na terra da rainha, clique aqui. O XBox foi, de longe, a plataforma mais vendida, seguida pelo Nintendo Wii.

Mas bom, video game não é assunto desse blog e eu não sei muito sobre isso então vamos move on para coisas que eu realmente entendo.

Música: albuns
Na música (e em qualquer coisa, lets be real), o ano pertenceu a Adele. O distante segundo lugar ficou entre a popstar caribenha Rihanna e o crooner canadense Michael Bublé.

Rihanna vendeu 1.6 milhão de CDs no UK ao longo de 2011; 910 mil de Loud (cujas vendas totais no Reino Unido, incluindo os números de 2010, ultrapassam 1.8 milhão) e 685 mil de Talk That Talk, o novo álbum lançado em novembro. Isso foi o suficiente para colocá-la duas vezes na lista dos 10 CDs mais vendidos de 2011, em sexto e em décimo (detalhe, a lista feita pela British Phonographic Association exclui compilações).


Já Michael Bublé teve o segundo álbum mais vendido do ano. Seu CD natalino Christmas, com reinterpretações de clássicos festivos, vendeu 1.35 milhão de unidades em pouco mais de um mês. Bublé é um fenômeno no Reino Unido e seu álbum anterior, Crazy Love, lançado em 2009, já vendeu 2.9 milhões de unidades no país (411 mil no ano passado). Para ajudar a promover o álbum festivo, Bublé participou da grande final do X Factor, um dos eventos televisivos mais assistidos do país e teve um especial na ITV1, que contou com a participação de muitos A-listers locais como Gary Barlow e Dawn French. Ele também visitou estações de rádio, o talkshow de Jonathan Ross e cantou no Children in Need Rocks, evento beneficente retransmitido pela BBC One.

Rihanna é outra que goza de enorme popularidade no Reino Unido. De fato, seu sucesso no país rivaliza (e até ultrapassa) o sucesso dela nos EUA, o seu mercado natal. A cantora sempre teve vendas bastante satisfatórias no UK, onde explodiu de vez com Umbrella que passou 10 semanas consecutivas no topo da parada de singles em 2007. O CD que continha a música vendeu 1.8 milhão de unidades (com ajuda de um relançamento) e, até o lançamento de Loud em 2010, era o álbum mais vendido da caribenha no país.

 
Rihanna sensualiza na final do X Factor 2010 e go british em We Found Love

Porém, Loud quebrou todos os recordes ao vender 800 mil unidades em pouco mais de um mês em 2010 e mais 910 mil ao longo do ano passado (for the record, isso é mais do que o CD vendeu nos EUA, um mercado muito maior). O single Only Girl já ultrapassou 1 milhão de unidades comercializadas no país, enquanto What's My Name está muitíssimo próximos a passar da marca. A cantora promoveu o álbum com duas aparições high profile no X Factor em 2010 (inclusive uma na grande final), além de apresentação no BRIT Awards e outra no talkshow de Graham Norton.

A turnê do CD vendeu mais de 800 mil ingressos só no Reino Unido. A demanda em Londres foi tão gigantesca que a cantora se apresentou por dez noites na O2 Arena (com 200 mil ingressos vendidos e 13 milhões de dólares arrecadados), a mais prestigiosa arena da Europa, onde se apresentam todos os maiores nome da música. Só três artistas -- Prince (21 shows); Spice Girls (17 na turnê de reunião em 2006) e Bon Jovi (12) -- fizeram mais apresentações consecutivas no local.


Rihanna e sua equipe não foram bobos e souberam capitalizar com o groundbreaking success da cantora no UK. We Found Love, o primeiro single do novo álbum dela, foi produzido pelo megastar local Calvin Harris e o clipe foi todo gravado em Belfast, com um setting tipicamente britânico (apesar de tecnicamente Belfast ficar na Irlanda do Norte). Não a toa, a música passou seis semanas no topo e vendeu 906 mil cópias em três meses no Reino Unido (e, na segunda semana de fevereiro, ultrapassou a marca do milhão).

Além de Adele, Bublé e Rihanna, o top 10 de álbuns mais vendidos incluiu Bruno Mars; Coldplay; Lady Gaga; Jessie J e Ed Sheeran.

Bruno Mars foi a grande revelação do ano. O americano e suas baladas soulful românticas obtiveram enorme sucesso no Reino Unido, onde seu álbum de estréia, Do-Woop & Hooligans, vendeu 1.25 milhão de unidades ao longo de 2011, o suficiente para ser o terceiro mais vendido do ano. As vendas foram, sem duvidas, impulsionadas pelo enorme sucesso dos três number one singles, Just the Way You Are, um dos maiores sucessos no país em 2010 (e com mais de 1 milhão de unidades vendidas no total); Grenade, que vendeu 852 mil unidades em 2011 e Lazy Song. Marry You, que não teve vídeo lançado e nunca sequer alcançou o top 10, foi um vendedor estável ao longo do ano e chegou a 400 mil unidades, ultrapassando as vendas de várias músicas que alcançaram o topo.
Coldplay manteve a tradição de vendas altas, apesar do novo álbum, Mylo Xyloto, não ter voado das prateleiras tão rapidamente quanto os lançamentos anteriores. O CD vendeu 950 mil unidades e ganhou fôlego depois que o segundo single, Paradise foi interpretado ao vivo pela banda no talkshow Graham Norton e na grande final do X Factor, dando ao grupo seu segundo número 1 nas paradas de single britânicas. O quinto álbum do grupo liderado por Chris Martin não terá problemas em passar da marca do milhão no mercado natal deles mas, se juntará ao álbum anterior, Viva la Vida or Death and All His Friends, como os dois unicos lançamentos do grupo de Chris Martin a não chegar as 2 milhões de unidades vendidas.


Mylo Xyloto
foi o CD de rock que mais vendeu no Reino Unido em 2011. Paradise foi o single do gênero de maior sucesso, com 410 mil unidades enquanto Every Teardrop is a Waterfall vendeu 247 mil cópias.

Já Lady Gaga deveria aprender a não overhype seus projetos. Apesar de promessas de ser o "álbum da década" e uma promoção mais que intensa (aparições no X Factor; no Children in Need Rocks; MTV Europe Music Awards; um especial; entrevistas de rádio; capa da NME, Elle UK e i-D e apresentações em quatro talkshows, Jonathan Ross, Graham Norton, Alan Carr Chatty Man e Paul O'Grady), Born this Way não ultrapassou a barreira de 1 milhão de unidades (The Fame/The Fame Monster alcançou 2 milhões, com a ajuda de um relançamento) e não originou nem sequer um número 1 na parada de singles (comparado com quatro de The Fame/The Fame Monster; é verdade que o single homônimo teria facilmente conseguido a distinção se ele não tivesse sido lançado no final da semana).

Mesmo assim, não é justo chamar o segundo álbum de Gaga de "fracasso". O projeto vendeu respeitáveis 855 mil unidades (sétimo maior vendedor do ano) e o primeiro single alcançou 625 mil unidades vendidas.

Ed Sheeran (conheça-o: Lego House; The A-Team; Drunk) e Jessie J
O top 10 de álbuns conclui com as duas maiores revelações locais do ano: Jessie J e Ed Sheeran.

Jessie foi overhyped to death como the next big thing (inclusive aqui no blog) e, pelo menos no Reino Unido, ela não desapontou. O seu CD, Who You Are, vendeu 838 mil unidades (com a ajuda de um relançamento) e originou vários grandes hits incluindo Price Tag (quarto maior single do ano, com 980 mil unidades comercializadas). A cantora foi promovida nonstop no Reino Unido com enorme hype da mídia e da indústria (que deu a ela o primeiro lugar na prestigiosa poll da BBC, Sound of 2011, e também o Critics Choice no BRIT Awards); aparição em todos os principais festivais (do Glastonbury ao Capital FM Summerball); capas de revista e slots em todos os programas de TV, do X Factor e Britain's Got Talent ao matinal Daybreak, passando por So You Think You Can Dance?; Graham Norton; Alan Carr Chatty Man e Children in Need Rocks.

Já o sucesso de Ed Sheeran foi bem mais orgânico. O jovem músico e compositor, de apenas 20 anos, já tinha um following considerável graças ao sucesso de seus EPs e, em 2011, finalmente assinou com uma grande gravadora. Seu primeiro single, The A Team, foi um gigantesco sucesso e seu álbum vendeu 822 mil unidades até o momento. A julgar pelo sucesso do single atual, Lego House, cujo vídeo tem a participação de Rupert Grint, o CD continuará vendendo ao longo de 2012. Ele também conseguiu 4 indicações ao BRIT Awards, mais até do que Adele.

Coldplay no X Factor e Gaga em um O'Grady Live especial: apresentações high profile

Os álbuns mais vendidos: 1. 21 - Adele (3.925 milhões); 2. Christmas - Michael Bublé (1.35 milhão); 3. Doo-Woop & Hooligans - Bruno Mars (1.265 milhão); 4. 19 - Adele (1.265 milhão; total: 2 milhões); 5. Mylo Xyloto - Coldplay (943 mil); 6. Loud - Rihanna (910 mil; total: 1.8 milhão); 7. Born this Way - Lady Gaga (855 mil); 8. Who You Are* - Jessie J (838 mil); 9. + - Ed Sheeran (820 mil); 10. Talk that Talk - Rihanna (684 mil)

*inclui relançamento

Em 2011, 119 CDs ultrapassaram a marca de 100 mil unidades vendidas (disco de ouro) mas apenas 39 cruzaram 300 mil, o suficiente para uma certificação de platina. Além de Talk That Talk de Rihanna, mais sete CDs lançados entre novembro e dezembro (onde as vendas vão as alturas graças ao natal) conseguiram o certificado. Desses sete, só um deles não estava envolvido com Simon Cowell e seus talent shows. Lioness Hidden Treasures, o álbum póstumo de Amy Winehouse, vendeu 640 mil unidades em menos de um mês (e Back to Black, seu álbum mais famoso, vendeu 342 mil, elevando o total de vendas para 3.25 milhões).

Todos os outros big sellers lançados no período natalino (One Direction, Olly Murs, Westlife, Rebecca Fergunson, Susan Boyle, JLS) estavam envolvidos com Simon Cowell one way or another. Westlife, a legendária boyband irlandesa que FINALMENTE anunciou o fim (uns 7 anos too late), vendeu 425 mil unidades do seu segundo greatest hits (o primeiro, lançado em 2002, vendeu 1.3 milhão). Detalhe: eles são empresariados por Simon (e Louis Walsh, outro jurado do X Factor) e cantaram na grande final do programa.

 
One Direction e Olly Murs: do X Factor ao topo dos charts em 2011

Falando em X Factor, os segundo colocados do programa se mostraram bem mais bem-sucedidos que seus vencedores. Olly Murs, que ficou em segundo lugar em 2009, vendeu 600 mil unidades de seu segundo álbum In Case You Didn't Know, impulsionado pelo sucesso de My Heart Skips a Beat, ultrapassando inclusive as vendas de seu debut (algo quase inédito no mundo de reality show contestants).  Já a soulful Rebecca Fergunson, segundo lugar em 2010, vendeu 380 mil cópias de Heaven, seu elogiado CD de estréia, em menos de 1 mês. Em compensação, Joe McElderry, primeiro lugar em 2009, vendeu apenas 110 mil cópias do seu CD de música clássica (o que já foi um improvement dos 90 mil comercializados pelo seu CD de estréia pós-vitória. O primeiro lugar dele no concurso de talentro From Popstar to Operastar, que tem 1/10 da audiência do X Factor, se provou bem mais efetiva) e 100 mil do seu álbum de músicas natalinas; enquanto Matt Cardle, ganhador de 2010, vendeu 225 mil unidades de seu CD de estréia, Letters.

Mas nem Rebecca nem Matt foram os verdadeiros vencedores do X Factor 2010. O charttopper da temporada foi a boyband One Direction, terceira colocada, que vendeu 480 mil unidades de seu CD de estréia em três semanas.

Enquanto 1D começa sua carreira no topo, o JLS, a outra boyband de sucesso lançada pelo X Factor, mostra sinais de desgaste. As 360 mil unidades de Jukebox, vendidas em pouco mais de 1 mês, são um número satisfatório, mas decepcionantes quando comparado com as 600 mil do álbum anterior ou 1.5 milhão do álbum de estréia.

Outro ato made by Simon Cowell que está perdendo a força é Susan Boyle. Mas não tem como negar que ela durou BEM mais do que eu esperava. Já faz quase quatro anos desde aquele vídeo viral e essa mulher, que não tem nada de interessante e só canta covers, ainda vende mais de 300 mil unidades em 1 mês (315 mil com Someone to Watch Over Me). É verdade que é um número bem mais modestos que 1.8 milhão alcançados por I Dreamed a Dream em 2010 mas continua sendo uma quantidade bem chocante para alguém cujo hype já morreu faz bastante tempo.

Will Young, o maior vencedor de reality, e Rebecca Ferguson, a queridinha dos críticos.

Will Young, o primeiro grande vencedor de reality show de talento (ele venceu Pop Idol back in 2002), prova que ele outgrow o programa que o originou e continua sendo um dos unicos vencedores que conseguiu emplacar uma carreira realmente respeitável: seu quinto álbum, Echoes, vendeu 390 mil. Todos os CDs de Will, incluindo seu greatest hit, alcançaram platina.
 
Tirando Amy, outro non-reality show success story do ano foi a nova banda de Noel Gallagher. Depois de centenas de brigas, os irmãos Liam e Noel finalmente anunciaram o fim do Oasis, o top-selling act do UK das últimas décadas e ambos lançaram suas novas bandas. Liam seguiu com os ex-músicos do Oasis na Beady Eye enquanto Noel lançou um projeto novo que se provou mais bem sucedido. O álbum homônimo do Noel Gallagher's High Flying Birds vendeu 500 mil unidades enquanto o CD do Beady Eye vendeu 200 mil.

Noel Gallagher's High Flying Birds vs. Liam Gallagher's Beady Eye

Chase & Status, uma dupla de produtores de dubstep, também não fizeram feio, com mais de 400 mil unidades de seu segundo álbum, No More Idols. O CD contou com o vocal de vários atos up and coming e promissores como Plan B; Tinie Tempah; Dizzee Rascal; White Lies e Mavercik Sabre

Outros artistas que alcançaram platina incluíram Florence & the Machine, com seu segundo CD; a holandesa Caro Emerald que, depois de bater recordes de venda em seu país de origem, obteve respeitável sucesso com seu álbum de estréia, Deleted Scenes from the Cutting Room no Reino Unido (graças ao apoio da Radio 2 ao single On a Night Like This) e o grupo a capella The Overtones, impulsionados por uma aparição na final de Dancing on Ice, bem sucedido reality show que é basicamente uma versão com patinação no gelo de "Dança dos Famosos".

Quando se contabiliza compilações, 2011 foi mais um ano fortíssimo para o franchise Now! That's What I Call Music. Desde os anos 80, a coletânea é lançada três vezes por ano, tendo uma tracklist composta pelos maiores sucessos do período. Mesmo com a crise da indústria fonográfica, a coleção ainda se prova um gigantesco sucesso, com seus três lançamentos ultrapassando a marca de 600 mil unidades vendidas cada (Now! 80, lançado no período natalino, alcançou 1.2 milhão).

Chase & Status


No mais, 2011 foi o ano que pop virou o gênero favorito do Reino Unido, ultrapassando o rock. 33.6% dos álbuns vendidos (incluindo 6 dos 10 mais vendidos do ano) pertencia ao gênero, comparado com apenas 29.4% do rock. Pop teve seu melhor ano desde 1999 (quando Britney Spears, Westlife, Boyzone e Robbie Willaims estavam no ápice) enquanto o rock teve seu pior ano desde 2003 (o ápice do século foi 2004, quando o gênero teve uma fatia de 41.5% do mercado). Apenas dois dos vinte álbuns mais vendidos foram de rock: Coldplay e Noel Gallagher's High Flying Birds (detalhe: a associação fonográfica britânica conta Rihanna como hip-hop. Se ela fosse contada como pop, o que seria o mais correto, a porcentagem seria ainda maior. Outros lançamentos injustamente contados como urbano inclui o smash hit dance da J.Lo On the Floor).

Além de Coldplay e Gallagher, três álbuns de rock ultrapassaram as 300 mil unidades vendidas: o segundo lançamento de Florence & the Machine; o novo álbum dos Foo Fighters; Mumford & Sons (que ultrapassaram 1 milhão de unidades somadas com as vendas do ano passado) e Elbow. CDs  que ultrapassaram os 100 mil incluíram Velociraptor do Kasabian; Fallen Empires do Snow Patrol; Last Night on Earth do Noah & the Whale; What Did You Expect from the Vaccines dos The Vaccines; I'm with You dos Red Hot Chilli Peppers; Different Gear Still Speeding do Beady Eyes; Tourist History do Two Doors Cinema Club; Helplessness Blue dos Fleet Foxes e Let England Shake da P.J. Harvey. O primeiro álbum do Florence & the Machine vendeu 180 mil cópias, elevando o total de Lungs para 1.7 milhão enquanto Only by the Night, dos Kings of Leons, vendeu 120 mil, se aproximando dos 3 milhões de unidades totais e Come Around Sundown, da mesma banda, ultrapassou o 1 milhão com 166 mil.


2011 foi um ano bom para o folk, que registrou o maior share de vendas do século com 1.6% do mercado graças ao sucesso de Laura Marling. Michael Bublé, sozinho, foi o responsável pelo recorde de vendas do gênero easy listening que dominou 8% do mercado.


Os que alcançaram certificação de platina: 11. Lioness: Hidden Treasures - Amy Winehouse (670 mil); 12. In Case You Didn't Know - Olly Murs (600 mil); 13. Lady Killer - CeeLo Green (590 mil; total: 700 mil); 14. Noel Gallagher's High Flying Birds - Noel Gallagher's High Flying Birds (500 mil); 15. Progress* - Take That (483 mil; total: 2.5 milhões); 16. Up All Night - One Direction (470 mil); 17. No More Idols - Chase & Status (465 mil); 18. 4 - Beyoncé (455 mil); 19. Greatest Hits - Westlife (425 mil); 20. Crazy Love* - Michael Bublé (411 mil; total: 2.9 milhões); 21. Defamation of Strickland Banks - Plan B (405 mil; total: 1.5 milhão); 22. Ceremonials - Florence & the Machine (385 mil); 23. Echoes - Will Young (381 mil); 24. Wasting Lights - Foo Fighters (380 mil); 25. Teenage Dream - Katy Perry (380 mil; total: 1 milhão); 26. Heaven - Rebecca Fergunson (377 mil); 27. Sigh No More - Mumford & Sons (370 mil; total: 1.3 milhão); 28. Disc-Overy - Tinie Tempah (360 mil; total: 750 mil); 29. Jukebox - JLS (355 mil); 30. The Fame* - Lady Gaga (336 mil; total: 2.8 milhões); 31. Build A Rocket Boys - Elbow (327 mil); 32. Back to Black - Amy Winehouse (325 mil; total: 3.5 milhões); 33. Someone to Watch Over Me - Susan Boyle (315 mil); 34. Good Ol' Fashioned Love - The Overtones (308 mil; total: 400 mil); 35. Deleted Scenes from the Cutting Room - Caro Emerald (308 mil)


Música: singles

Impulsionado pelo iTunes e afins, o mercado digital salvou o mercado de singles. Prova disso é o fato de, pela primeira vez em anos, os dois singles mais vendidos de 2011, Someone Like You de Adele e Moves Like Jagger de Maroon 5, ultrapassarem a marca de 1 milhão de unidades comercializadas. Curiosamente, Moves Like Jagger nunca alcançou o primeiro lugar, tendo peaked na 2ª posição, num caso similar a Love the Way You Lie, o dueto entre Eminem e Rihanna que foi a música mais vendida de 2010, também ultrapassou o milhão e também nunca alcançou o topo. 

De fato, um primeiro lugar parece significar cada vez menos. É verdade que entre os dez mais vendidos, oito alcançaram o topo mas existem charttoppers como Don't Wanna Go Home de Jason DeRulo que venderam menos que músicas que nunca nem sequer alcançaram o top 10 (DeRulo, com um número 1, vendeu 349 mil unidades, menos que Marry You, de Bruno Mars, e Set Fire to the Rain de Adele, ambos peaking em 11º. Outros número 1 com vendas bem baixas incluem She Makes Me Wanna do JLS; Swagger Jagger da Cher Lloyd; All About Tonight da Pixie Lott; Loca People de Sak Noel; Stay Awake de Example e Don't Go do Wretch 32, todos vendendo menos de 340 mil unidades no total).


Outros hits onipresentes globalmente em 2011 aparecem no top 10 anual britânicos como Party Rock Anthem (sério gente, essa foi A música do ano) do LMFAO; Give Me Everything Tonight do Pitbull e On the Floor, o grande comeback da J.Lo.

Graças ao fato de serem cantadas por finalistas do X Factor e do Britain's Got Talent, Iris, sucesso dos anos 90 do Goo Goo Dolls, e Fast Car, charttopper de Tracy Chapman em 89, voltaram ao top 10 britânico. As músicas venderam 262 e 269 mil unidades respectivamente ao longo do ano.

No mais, pela primeira vez desde 2009, os vencedores do X Factor não alcançaram o número 1 na semana natalina. Quem conseguiu a honra foi o Military Wives' Choir que, como o nome indica, é um coro formado por esposas de militares. A gravação de um cover de Wherever You Are foi tema de um documentário da BBC, que promoveu o single pesadamente leading up ao lançamento, incluindo aparição das mulheres no talkshow do Graham Norton e no muitíssimo assistido Strictly Come Dancing. As moças venderam mais de 500 mil unidades em apenas uma semana.

Mesmo assim, Little Mix, as vencedoras do X Factor, tiveram uma semana em primeiro lugar. As vendas, contudo, foram médias: 390 mil unidades, primeira vez que um vencedor não ultrapassa os 400 mil. De todo modo, as meninas merecem crédito: nenhuma girlband conseguiu ultrapassar da segunda semana do programa e não só elas chegaram na final, elas ganharam a edição. Depois do programa lançar boybands de sucesso, tá na hora de uma girlband lead the charts (e, como as Girls Aloud provaram, girlbands ganhadoras de reality show em geral tem uma carreira bem mais longa e impactante que boybands).

Wherever You Are do Military Wives' Choir teve a melhor semana de vendas para um single e as Little Mix tiveram a segunda melhor semana de vendas.


Entre former reality show contestants, Olly Murs e One Direction foram os mais bem sucedidos tanto na parada de CDs quanto na de singles. Tanto My Heart Skips a Beat como What Makes You Beautiful ultrapassaram as 500 mil unidades vendidas totais.

Além de Moves Like Jagger, The A-List de Ed Sheeran e Rollin' in the Deep de Adele foram os singles que não alcançaram o topo das paradas mais bem-sucedidos do ano. Já The Edge of Glory de Lady Gaga; Yeah x 3 de Chris Brown e Super Bass de Nicki Minaj foram os três singles que não alcançaram o top 5 que mais venderam enquanto Set Fire to the Rain de Adele; Marry You de Bruno Mars; Hello de Martin Soreveign e o cover de Skinny Love feito por Birdy são os singles que não alcançaram o top 10 com as vendas mais altas.

Entre os 100 singles mais vendidos, Rihanna aparece 6 vezes (We Found Love; Who's That Chick; Only Girl; What's My Name; California King Bed) e Adele e Bruno Mars apareceram 4 (Someone Like You; Rollin' in the Deep; Set Fire to the Rain; Make You Feel My Love/Grenade; The Lazy Song; Marry You; Just the Way You Are). 115 músicas ultrapassaram 200 mil unidades comercializadas; 187 ultrapassaram 100 mil.

Assim como nas vendas de CD, não foi um bom ano para o rock: nenhuma música do gênero apareceu entre os 35 maiores singles. Paradise, do Coldplay, foi a unica representante do gênero a ultrapassar 300 mil unidades vendidas (410 mil). Alias, Coldplay foi, de longe, a banda de maior sucesso do ano, responsáveis por quatro das 19 músicas do gênero que conseguiram ultrapassar 90 mil unidades (além de Paradise e Every Tear is a Waterfall; Fix You, com 124 mil e Viva la Vida, com 96 mil).

Iris do Goo Goo Doll foi a segunda música rock mais popular (264 mil), impulsionada pelo fato de ser usada no X Factor. Skinny Love, cover da Birdy do sucesso do Bon Iver (259 mil); Fix You do Coldplay e Cannonball do Damien Rice (99 mil) também foram outras músicas  impulsionadas por apresentações no reality do Simon Cowell enquanto Wherever You Will Go do The Calling (125 mil) ganhou nova vida graças a um comercial de chá. L.I.F.E.G.O.E.S.O.N. de Noah & the Whale (242 mil) e o sucesso global do Foster the People, Pumped Up Kicks (225 mil) foram alguns dos poucos relativos sucessos do gênero. Os primeiros singles dos novos CDs de James Morrison (I Won't Let You Go; 228 mil); Florence & the Machine (Shake It Out; 127 mil); Noel Gallagher's High Flying Band (A.K.A. What a Life; 115 mil); Snow Patrol (Called Out in the Dark; 103 mil) e Artic Monkeys (Don't Sit Down Cause I've Moved Your Chair; 81 mil) tiveram vendas dignas assim como alguns clássicos recentes como Chasing Cars do Snow Patrol (128 mil; um total acima de 1 milhão); Sex on Fire do Kings of Leon (90 mil; total acima de 1 milhão) e Bring Me To Life do Evanescence (98 mil).

Os singles mais vendidos: 1. Adele - Someone Like You (1.25 milhão; peak: 1º); 2. Maroon 5 (ft. Christina Aguilera) - Moves Like Jagger (1.05 milhão; 2º); 3. LMFAO - Party Rock Anthemm (995 mil; 1º); 4. Jessie J (ft. BoB) - Price Tag (982 mil; 1º); 5. Rihanna (ft. Calvin Harris) - We Found Love (905 mil; 1º); 6. Pitbull (ft. Ne-Yo) - Give Me Everything (870 mil; 1º); 7. Bruno Mars - Grenade (853 mil; 1º); 8. Ed Sheeran - The A Team (800 mil; 3º); 9. Adele - Rollin' in the Deep (799 mil; 2º); 10. Jennifer Lopez (ft. Pitbull) - On the Floor (785 mil; 1º); 11. Christina Perri - Jar of Hearts (670 mil; 4º); 12. Rihanna - S&M (650 mil; 3º); 13. Military Wives Choir - Wherever You Are (632 mil; 1º); 14. Lady Gaga - Born this Way (626 mil; 3º); 15. Bruno Mars - Lazy Song (618 mil; 1º); 16. Chris Brown (ft. Benny Benassi) - Beautiful People (589 mil; 4º); 17. Example - Changed the Way You Kiss Me (582 mil; 1º); 18. Aloe Blacc - I Need A Dollar (584 mil; 2º); 19. Snoop Dogg & David Guetta - Sweat (559 mil; 4º); 20. One Direction - What Makes You Beautiful (545 mil; 1º); 21. Olly Murs - My Heart Skips a Beat (505 mil; 1º); 22. Alexandra Stan - Mr. Saxobeat (502 mil; 3º); 23. Labrinth (ft. Tinie Tempah) - Earthquake (501 mil; 2º); 24. The Wanted - Glad You Came (496 mil; 1º); 25. DJ Fresh - Louder (489 mil; 1º); 26. Jessie J - Do It Like A Dude (480 mil; 2º; total: 575 mil); 27. Lady Gaga - The Edge of Glory (479 mil, 6º); 28. Chris Brown - Yeah 3x (473 mil, 6º); 29. Adele - Set Fire to the Rain (472 mil, 12º); 30. Nicki Minaj - Superbass (456 mil; 8º); 31. LMFAO - Sexy & I Know It (455 mil; 5º); 32. David Guetta (ft. Nicki Minaj & Flo-Rida) - Where Dem Girls At (439 mil; 3º); 33. Nicole Scherzinger - Don't Hold Your Breath (438 mil; 1º); 34. Beyoncé - Best Thing I Never Had (429 mil; 3º); 35. Calvin Harris (ft. Kelis) - Bounce (421 mil; 2º)