Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

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sábado, 17 de julho de 2010

Robbie Williams volta ao Take That: minha opinião


Eu sou um gigantesco fã de cultura pop. Mas se tem uma coisa que eu não curto é boybands. Don’t get me wrong, eu posso até gostar de uma música ou outra dos N Sync ou do JLS mas boybands em geral me repugnam. Eu odeio a idéia, odeio a imagem, odeio os empresários sketchy e pedófilos por detrás.

Então, foi uma surpresa — pra mim mesmo — acabar como o maior stan do planeta terra do Take That. Como isso aconteceu?

Eu já tinha ouvido falar deles, é claro. Afinal, todo mundo sabe que o Robbie Williams, o maior cantor pop da decada passada, tinha feito parte do grupo.

Eu lembro quando eles anunciaram o retorno. Eu lembro da reação eufórica na Grã-Bretanha. Eu lembro que eu fiquei meio irritado: urgh, porque diabos esse bando de has-been do inicio dos anos 90 estão quebrando recordes? E porque eles estão ofuscando o retorno da única pop band que importa, as Spice Girls? Eu lembro de ir no Youtube ouvir Patience e Shine e não ficar nem um pouco impressionado.

Daí, depois de uns 3 anos com eles no topo, inclusive superando as vendas deles nos anos 90 e sendo elogiados nonstop por todos, eu resolvi set the record straight e ir conferir qual era da hype. Ao invés de tentar de novo ouvir as músicas, eu resolvi ir ver o DVD da turnê Beautiful World. Quando as 2 horas de show acabaram, eu estava completamente impressionado.

Chamar eles de boyband é injusto. Eles totalmente transcederam esse rótulo. Eles são pop royalty e todo mundo, do Chris Martin até o Paul McCartney, os admira. Eles escrevem e compõe as próprias canções, eles cantam e dançam muito bem, eles se mantiveram em super forma ao longo dos anos, as músicas deles são pop da maior qualidade, as vozes são muito boas, etc. etc. etc.

Então a grande notícia da semana para mim foi o fato do Robbie Williams ter voltado para a banda.

E eu não gostei nem um pouco.

Primeiro que parece oportunista. Para quem não sabe, Robbie saíu da banda em 1994, dois anos antes da banda encerrar as atividades oficialmente (ainda no topo, alias) e, depois, se transformou no maior cantor pop do planeta. Ele quebrou recordes de venda na Europa e conquistou mercados que o Take That nunca conseguiu penetrar: Argentina, Mexico, Africa do Sul. O único lugar que Robbie não explodiu — e ele diz que foi por decisão própria (e, por mais que eu o odeie, eu acredito) — foi os EUA.

Durante todo esse tempo, ele nunca parou de jogar sal na ferida dos outros quatro membros do Take That, que nunca conseguiram emplacar carreira solo. Ele riu da cara deles, ele repetiu inumeraveis vezes que sair da banda foi a melhor decisão da vida dele, etc.

Depois de uma decada falando mal da banda, o primeiro passo de reaproximação foi dado em 2005 quando Robbie aceitou aparecer num especial de televisão que anunciaria o retorno, depois de quase 10 anos, do Take That. Apesar de, no especial, os quatro membros se reunirem pela primeira vez desde a separação, Robbie não foi ao encontro de seus bandmates. Ele apareceu, porém, via gravação pedindo desculpas.

Após o especial, a briga entre a banda e ele pareceu se acalmar. O Take That voltou mais fortes do que nunca, quebrando todos os recordes (inclusive os de Robbie). Já Williams foi para rehab e passou anos fora do holofote.

Finalmente, em 2009, Robbie voltou a ativa com um novo CD, Reality Killed the Video Star. E, apesar de vendas altas (afinal, o nome dele já é o suficiente para vender MUITO), ele não conseguiu superar o sucesso do Take That que, no mesmo ano, tinha vendido 2 milhões de cópias de seu álbum e embarcado na turnê mais bem sucedida da história da Grã-Bretanha.

O star power de Robbie Williams estava diminuindo. No Reino Unido, Robbie — antes uma das celebridades mais amadas e discutidas — estava se tornando cada vez mais irrelevante. Aparições em todos os programas mais vistos do país (inclusive na final do The X Factor, que catapulta as vendas de QUALQUER pessoa), homenagem no BRIT Awards, promoções em tudo quanto é canto não foram o suficiente para fazer com que o CD dele ultrapassasse 1 milhão de cópias na Grã-Bretanha. Sim, ele continuava um dos artistas de maior sucesso. Mas ele não estava mais no topo.

Então me pareceu completamente oportunista a volta de Robbie para o Take That. Agora, de novo, a imprensa está enlouquecida com ele. Mas os outros quatro membros NÃO PRECISAVAM DISSO. Sim, eles vão ganhar MUITO dinheiro. Mas ele JÁ TINHAM muito dinheiro. Eles JÁ TINHAM a turnê mais bem sucedida de todos os tempos da Grã-Bretanha. Eles, como um quarteto no século 21, tinham ultrapassado a popularidade avassaladora deles no começo dos anos 90, como um five-piece.

É claro que todo mundo sabia que essa reunião estava por vir: Robbie já tinha sido fotografado saindo de um estudio em NY onde os outros quatro estavam gravando. No fim do ano passado, os cinco apareceram juntos pela primeira vez cantando Hey Jude com o Paul McCartney num programa de caridade da BBC. Faz um mês, Robbie anunciou que lançaria um dueto, Shame, com Gary Barlow, o líder do Take That, com quem ele havía tido uma briga ferrenha.

Mas enfim, mesmo sabendo que ela estava por vir, a notícia não me empolgou nem um pouco.

O que me empolgou — e muito — foi o fato deles estarem lançando novo material. Então eu vou relevar a presença do Robbie e vou torcer para que tudo de certo.

O que me preocupa, francamente, é a dinâmica deles — perfeita — ser abalada pela presença de Williams. Além disso, conseguir ingresso para a nova turnê deles vai ser impossível. Quer dizer, impossível sempre foi. Agora, com a presença de Robbie, vai ser MUITO mais que impossível. Oh well, I’ll do what I have to do.

LANÇEM LOGO O NOVO SINGLE E AS DATAS DA TURNÊ SEUS ESCROTOS.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Retrospectiva UK parte 3: Musical scene (pt 1)


Finalmente chegamos na parte final da nossa retrospectiva da cultura pop britânica ao longo de 2009. Mas, para evitar ficar tão gigantesca, eu a dividirei em duas (ou seja, será a Parte 3 parte 1 e Parte 3 parte 2, hahaha. Que tal?).


O post sobre o The X Factor já fez uma boa análise de muito que aconteceu no cenário musical britânico mas, por mas difícil que seja acreditar, existem acontecimentos importantes que nada tem a ver com o programa.

Porém, antes de começar a lista-los, eu tenho que tirar aqueles que causaram graças a associação com reality shows do meu caminho. São eles:



Susan Boyle. Se todo mundo ensinasse seus avós a baixar música no computador, o sucesso dessa senhora escocesa (que, lembrem-se, surgiu do Britain's Got Talent) seria evitável. Mas, infelizmente, não foi o caso. Em apenas 6 semanas, SuBo vendeu 1.64 milhões de cópias do seu CD na Grã-Bretanha e I Dreamed a Dream encerrou o ano como o álbum mais vendido de 2009 no país.




JLS. Pois é, você achava que as boybands tinham ficado nos anos 90, né? Errado. Pelo menos no Reino Unido, esse não é o caso. O JLS (que, notem, só tem membro feio, o que é uma afronta as leis mundias das boybands) ficou em segundo lugar na edição do ano passado do The X Factor e, ao se lançar oficialmente esse ano, alcançou vendas astronômicas, superando inclusive os números da ganhadora, Alexandra Burke. Os dois primeiros singles, Beat Again e Everybody in Love, alcançaram o primeiro lugar e, em menos de dois meses, o primeiro álbum vendeu 1 milhão de cópias, se tornando o sexto CD mais vendido do ano.




Cheryl Cole. OK, nada a comentar, já esgotei tudo que eu tinha para dizer nas duas primeiras partes da retrospectiva. Mas fiquem sabendo que o CD dela, 3 Words, vendeu impressionantes 630 mil cópias.




Leona Lewis. Vencedora da terceira edição do The X Factor, conquistou o mundo inteiro com o seu primeiro CD que, só no Reino Unido, vendeu 3 milhões de cópias. Em menos de dois meses, o seu novo álbum, Echo, já chegou a 562 mil cópias vendidas mas as vendas não estão tão aceleradas quanto a do antecessor.




Alexandra Burke. Ganhadora da edição passada do The X Factor, Alex foi ofuscada tanto pelo JLS quanto por Cheryl. Mas não, ela não fracassou: seu CD, Overcome, vendeu 490 mil cópias até o momento.


OK, pronto, agora que o assunto reality show foi esgotado, vamos aos outros acontecimentos do ano:


O fim do Oasis.




Quem não sabe que o Oasis é um dos maiores nomes da música mundial? Quem não sabe cantarolar Wonderwall?


Pois é, eles são muitíssimo famosos em todos os cantos do planeta mas a popularidade da banda no resto do mundo não se compara com o status de realeza que eles tem no Reino Unido onde (What's the Story) Morning Glory, de 1995, vendeu 4.25 milhões de cópias, se tornando o quarto CD mais vendido da história do país (atrás do Greatest Hits do Queen, do Sgt. Pepper dos Beatles e da coletânea Abba Gold). Todos os oito álbuns que lançaram estrearam em primeiro lugar e eles alcançaram o topo da parada de single sete vezes, algo extremamente raro para uma banda de rock nos tempos atuais. Ao longo de 15 anos, apenas na Grã-Bretanha, eles obtiveram nada menos do que 40 discos de platina.


Em 2009, Noel Gallagher, o cabeça e guitarrista da banda, comunicou aos fãs através de seu site oficial que estava saindo do Oasis pois "não aguentava trabalhar um dia sequer a mais ao lado de (seu irmão) Liam". O relacionamento entre os dois sempre foi extremamente violento e, com grande freqüência, algum deles ameaçava largar tudo. Porém, no dia 28 de agosto, Noel atingiu o limite e anunciou oficialmente que deixaria a banda para se concentrar em outros projetos.


Liam, o vocalista, e os demais integrantes continuarão lançando novos materiais provavelmente sob um nome diferente. Porém, sem Noel, que escreveu e produziu todos os maiores sucessos do grupo, o Oasis pelo qual o mundo se apaixonou chegou ao fim.


A turnê do Take That se transforma na mais bem sucedida da história do país.



Take That foi uma boyband que alcançou enorme sucesso na Europa no começo dos anos 90. No resto do mundo, ela é mais conhecida como “a banda da qual Robbie Williams fez parte” (ele caiu fora em 1994, no ápice). Em 1996, ainda no topo, eles resolveram se separar e, desde então, nenhum dos quatro conseguiu uma carreira solo de sucesso (já Robbie não teve o mesmo problema).


No finzinho de 2005, eles se reuniram para um especial na TV e o lançamento de uma coletânea. Os dois obtiveram grande sucesso. Daí, os quatro resolveram voltar, fizeram uma turnê enorme que esgotou em segundos e, depois de terem confirmado que ainda havia enorme interesse por eles, voltaram a gravar material inédito.


Em 2007, eles lançaram o CD Beautiful World que obteve vendas altíssimas. O álbum ultrapassou as 2 milhões de cópias, se tornando o mais vendido da carreira deles.


Para mim não fazia o menor sentido: como uma boyband do começo dos anos 90, cujos membros tem todos 30 e muitos anos, tinha voltado mais forte do que nunca em pleno século 21?


Para tentar tirar minhas duvidas, resolvi assistir o DVD da turnê deles, Beautiful World Tour, e TUDO fez sentido: o show era absolutamente impressionante, eles eram mega carismáticos, cantavam muito bem, tinham músicas extremamente catchy (que eles mesmos escreviam e até compunham) e, no palco, pareciam realmente felizes e agradecidos por tudo. Sim, eu tinha virado um fã do Take That.


No final de 2008, o Take That lançou um novo CD, The Circus e anunciou uma turnê. Dessa vez, eles iriam percorrer os maiores estádios da Grã-Bretanha e da Irlanda. Assim que os ingressos foram postos a venda, todos os 600 mil lugares esgotaram, quebrando o recorde de fastest-selling tour (ironicamente, esse recorde pentencia ao Oasis que, alguns meses antes, tinham conseguido vender 500 mil entradas). Para satisfazer a demanda, mais datas foram adicionadas e, em questão de dias, eles tinham vendido nada menos do que 1.1 milhão de entradas, se tornando assim a turnê mais bem sucedida da história do Reino Unido (dessa vez, quebrando o recorde de Michael Jackson e sua Bad Tour de 1987).


O Take That já transcendeu o rótulo de boyband. Hoje em dia, eles são extremamente respeitados por todos os críticos e até Paul McCartney é fã deles. Suas músicas são clássicos no país, conhecidos por absolutamente todos, independente do sexo ou da faixa-etária.


E sim, eu, que não gosto de boybands, os admiro muito. Na minha opinião, todo mundo deveria assistir a turnê deles The Circus Live que mereceu cada centavo que arrecadou (singelos 50 milhões de libras). É o show mais impressionante que já vi e, olha, eu já vi, ao vivo, Madonna, Rolling Stones, U2 e Britney Spears.


Na parte 2, prevista para entrar no ar depois de amanhã: os CDs e singles mais vendidos do ano e as grandes revelações de 2009, que prometem seguir causando esse ano.