Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

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sábado, 15 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012: o ano na cultura pop

A voz



No dia 12 de fevereiro, depois de meses e meses sumida devido a uma delicada cirurgia nas cordas vocais, Adele fez seu triunfal retorno aos palco durante a cerimônia dos Grammy's em Los Angeles. Uma semana mais tarde, em Londres, ela agraciou os BRIT Awards. Em ambas as premiações, ela seguiu exatamente o mesmo roteiro: uma apresentação de Rolling in the Deep, o primeiro single de seu histórico segundo CD, 21, e a vitória em absolutamente todas as categorias.

Enquanto as apresentações foram fortemente promovidas como a grande volta da cantora, elas serviram, na verdade, como uma despedida. A aparição dela no BRIT Awards, no dia 21 de fevereiro, foi sua última aparição pública ao longo do ano.

Em junho, no mesmo dia que Tom Cruise e Kate Holmes anunciaram seu divórcio, um porta-voz da artista anunciou que ela esperava seu primeiro filho. Não foi coincidência: o anúncio foi feito horas depois do divórcio mais high profile do ano exatamente para que a notícia, que seria manchete global em qualquer outro dia, passasse relativamente despercebida. No fim de outubro, Adele deu a luz. Nada se sabe sobre a criança, a não ser que é um menino.

Algumas semanas antes de ter seu filho, Adele lançou Skyfall, a música tema do novo filme de James Bond. O dia do lançamento -- uma sexta-feira -- prejudicou o posicionamento da música nas paradas de single global. Contudo, o single rapidamente se transformou no tema do 007 mais vendido de todos os tempos.

O fato dela ter passado o ano quase que reclusa não impediu que 21 fosse, pelo segundo ano consecutivo, o álbum mais vendido de ano em todo o mundo e continuasse quebrando todos os recordes possíveis e imagináveis.

As músicas

No fim de 2009, eu achei que seria impossível uma música ser mais onipresente do que I Gotta Feeling foi naquele ano. Demorou três anos mas, no final das contas, eu fui proved wrong.

Assim que eu ouvi Call Me Maybe pela primeira vez, em fevereiro, eu vim correndo fazer um post. Foi só ouvi uma vez que eu reconheci ali um enorme hit em potêncial. Em abril, a música alcançou o top 10 nos EUA. No mesmo mês, ela alcançou o topo no Reino Unido e na Austrália. No fim de junho, Call Me Maybe alcançou o primeiro lugar nos EUA, onde ficou por intermináveis nove semanas.



Trifecta EUA-AU-UK alcançada, não demorou muito para a música explodir em todo o resto do planeta e virar um sucesso viral covered não só pelos pioneiros Selena e Justin mas também pelo Time Olímpico de Natação dos EUA; por Katy Perry; por Cookie Monster; pelo Neymar; pelos vendedores da Abercrombie & Fitch; pela marinha dos EUA; pelo exército dos EUA; pelo elenco de Glee; por Barack Obama e por quem mais você conseguir imaginar.

Não sei vocês mas eu fui de achar a música uma fofura (em fevereiro) para querer me matar toda vez que eu escuto ela tocando (hoje em dia).

Porém, Call Me Maybe não foi a única múisca onipresente de 2012. Gotye, o cantor belgo-australiano, foi, na verdade, o primeiro smash hit do ano com seu absolutamente inescápavel Somebody That I Used To Know, colaboração com a neo-zelandesa Kimbra.

A música estourou em 2011 na Austrália (como já contei aqui), onde foi o segundo single mais vendido. Em fevereiro desse ano, a música alcançou o topo no Reino Unido. Em junho, impulsionado pelo uso da música no American Idol e uma performance de Gotye no Saturday Night Live, a canção atingiu o topo nos EUA.

Not surprisingly, Somebody That I Used to Know e Call Me Maybe foram, respectivamente, o primeiro e o segundo single que mais venderam em 2012. Nos EUA, as músicas foram as unicas ao longo do ano a ultrapassar 6 milhões de unidades vendidas (e ambas figuram entre as dez músicas mais vendidas de todos os tempos no país, com Gotye ocupando a sexta posição) enquanto, no Reino Unido, foram as únicas duas canções a ultrapassar 1 milhão de unidades em 2012. Elas ocuparam o topo em outros milhares de mercado mundo afora, incluindo a França e a Alemanha (o quarto e o quinto maiores mercados mundiais).



A outra música inescapavel do ano? Duh. Op-op-op-oppan Gangnam Style. A sensação coreana PSY atingiu o topo em todo o mundo e, com quase 1 bilhão de views, se transformou no vídeos mais assistido do YouTube de todos os tempos. O hit e a sua dançinha foram totalmente inescapaveis e, na Coréia do Sul, o sucesso da música foi tratado como um orgulho nacional (para comemorar, 100 mil pessoas se reuniram para uma grande festa no centro da cidade). Alguns dos grandes momentos da música -- como, por exemplo, o flash mob que atraiu 20 mil pessoas em Paris e a apresentação com Madonna -- foram tratados aqui e, esse mês, PSY cantou o sucesso para Barack Obama na Casa Branca.

A quarta música inescapavel do ano foi ignorada pelo mercado anglo-saxão mas abraçada por todo o resto do planeta e Brasil, pode comemorar (ou não), porque esse sucesso é nosso: Ai, Se Eu Te Pego de Michel Teló foi o sucesso do primeiro semestre do ano.

Na Alemanha, o quarto maior mercado do mundo, a música foi o maior sucesso digital da história, com quase 700 mil unidades vendidas. Na França, a música também superou Gotye e Carly Rae (que tiveram que se contentar com o segundo e o terceiro lugar) e acabará 2012 como o single de maior sucesso do ano, com 300 mil unidades comercializadas.



A lista de países que a canção atingiu o topo é interminável: Áustria, Alemanha, França, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Holanda, Itália, Espanha, México, Argentina, Chile, Grécia, Colômbia, Israel, Polônia e vários outros. Além disso, ela impulsionou músicas similares -- mais notavelmente Balada Boa de Gusttavo Lima (primeiro lugar na Itália, França e Holanda; terceiro lugar na Alemanha) -- a status de smash hit global.

Um dado depressivo: na França, o apetite por canções similares foi tanta que, além de Balada Boa, Bara Bará Bere Beré de Alex Ferrari também alcançou o topo por duas semanas. E se você está pensando "poxa, eu nunca ouvi essa música" é porque, apesar dela ser brasileira, ela é TÃO ruim que ela foi completamente ignorada por aqui (surra na cara do metido que acha que o Brasil tem o pior gosto do mundo).

[GENTE, PARA TUDO!!!!!! ACABEI DE DESCOBRIR Q MICHEL TELÓ TEM SUA PRÓPRIA VERSÃO DE BARA BARÁ BERE BERÉ! A que chegou ao topo na França não foi dele though]

O livro


Olha, achei que pior que "Crepúsculo" não dava para ficar (sorry, not a fan) mas, como diz o ditado, "nada está tão ruim que não possa piorar". Prova disso: o fenômeno literário do ano , 50 Shades of Grey (50 Tons de Cinza), nasceu vejam só vocês, como uma fanfic de Crepúsculo.

Apesar disso, os dois livros tem suas diferenças. A história de vampiros de Stephanie Meyers reflete os valores castos~ de sua autora mormon, com sexo só depois do casamento, uma heroína modesta etc. e tal. Já a trilogia da britânica E.L. James é um conto erótico cheio de sexo sadomaso.

Eu sou super a favor da libertação sexual feminina (anos 50 ligou e pediu seus tópicos de discussão de volta) e acho ótimo um livro soft porn direcionados a mulheres virar algo tão mainstream, discutindo na grande imprensa e lido sem vergonha por vovós, tias e adolescentes. Mas bom, acho que existem maneiras com mais qualidade das mulheres liberarem esse fogo interno~~ e suas inner godesses mas, né? Quem sou eu. Até porque não dá para ser mais clichê que heroína timida e desinteressante conhece homem controlador, milionário e obcecado por S&M e bondage (tá, tudo bem, essa última parte não é tão clichê mas só porque, até alguns meses atrás, ninguém se atrevia de deixar isso claro. Se vocês viram Amanhecer Parte I, vocês viram q a Bella e o Edwart curtem um S&M também).

Mas bom, independentemente da minha opinião pessoal, 50 Shades foi o fenômeno do ano com centenas de milhões de cópias comercializadas. Em agosto, foi anunciado que o primeiro livro da série de E.L. James tinha ultrapassado 5 milhões de unidades vendidas em seu país de origem e, por tanto, desbancado Harry Potter como o livro mais vendido de todos os tempos no Reino Unido desde que o Nielsen BookScan começou a acompanhar as vendas (em 1998). Levando em conta que o livro continua no topo dos mais vendidos até agora, o número total com certeza é considerável maior. Nos EUA, os três livros já tinham vendido mais de 20 milhões de unidades até julho (provavelmente deve ser o dobro disso agora).

Como de costume, uma franquia tão bem sucedida faz Hollywood salivar. Em março, quando o livro já estava a caminho de se transformar num fenômeno mas ainda não tinha se confirmado como o sucesso astronômico que acabou sendo, os direitos foram vendidos por 5 milhões de dólares para Universal, um valor bem alto ("O Código Da Vinci" foi vendido por 3.5 milhões). Mas a parte mais chocante é que o estúdio aceitou uma cláusula que especificava que a autora teria a palavra final em todas as grandes decisões (algo comum em filmes baseados em séries enormes -- J.K. Rowling, Stephanie Meyer e Suzanne Collins, todas estiveram super envolvidas na produção -- mas nunca especificado de maneira tão explícita no contrato).

Por outro lado, a dificuldade de adaptar um filme que é basicamente cena de sexo S&M atrás de cena de sexo S&M (incluindo uma cena que envolve um absorvente interno) é algo bem complicado, principalmente em Hollywood, que não gosta de espantar o dinheiro de ninguém. Talvez por isso, o desenvolvimento do filme não está indo tão de pressa quanto esperado (até o momento, nada -- a não ser quem serão os produtores e a roteirista -- foi oficialmente decidido).

De qualquer maneira, não restam duvidas: 50 Shades of Grey foi o livro de 2012.

Os programas de TV

Todo mundo ama zumbis: Walking Dead é o sucesso da temporada
Pela primeira vez na história, um programa de TV a cabo ocupou o topo da lista de programas de ficção mais vistos entre pessoas de 18 a 49 anos (for reference: o único demográfico que interessa aos anunciantes e, por tanto, o único que importa) nos EUA: Walking Dead, o elogiado seriados sobre zumbis da AMC, ultrapassou Modern Family, a comédia da ABC, para se transformar no maior sucesso do demo essa temporada.

Alias, todas as ficções mais comentadas do ano foram programas de TV a cabo: Breaking Bad (AMC); Walking Dead (AMC); Dexter (Showtime); Homeland (Showtime); True Blood (HBO); Game of Thrones (HBO); Girls (HBO). O público e a crítica parecem estar cansado dos seriados "seguros" da TV aberta e estão indo atrás de programas mais elaborados e com conteúdos mais complexos e criativos na TV fechada.

Enquanto isso, na TV aberta, o que mais próspera atualmente são as comédias. Além de Modern Family, as sitcoms da CBS são o grande sucesso de público: enquanto Two and a Half Men meio que perdeu o momentum, Big Bang Theory; How I Met You Mother e 2 Broke Girls têm obtido resultados fantásticos para o canal. Alias, os syndication deals -- direitos de retransmissão/reprise -- desses programas estão sendo vendidos por quantias absurdas (Big Bang Theory custa 2 milhões de dólares por episódios; 2 Broke Girls, 1.7 milhão), deixando todos os atores e produtores dessas comédias milionários pela eternidae.

 
Os reality shows, os grandes protagonistas nos anos anteriores, parecem ter perdido um pouquinho (bem pouquinho) de sua força nos EUA. Em 2012, nenhuma emissora lançou um grande sucesso mas os sucessos dos anos anteriores -- as Kardashians no E!; as Real Housewives na Bravo -- seguem firmes e fortes e novos programas (estrelando todo mundo, da Toni Braxton aos Jonas Brothers a esposa do Clint Eastwood) continuam pipocando.

Já os reality de canto continuam na linha tenue entre a saturação e o sucesso. American Idol teve seu ano mais baixo até o momento mas continua facilmente como líder de audiência. Para 2013, o programa terá um novo painel de jurados estrelando Mariah Carey, Nicki Minaj e o cantor country Keith Urban.

Já The X Factor continua tentando emplacar nos EUA. Esse ano, Britney Spears e Demi Lovato foram adicionadas ao juri e, enquanto o programa tem mantido audiências bem dignas, ele está longe de reproduzir o fenômeno social que é no Reino Unido.

O programa mais estável é The Voice da NBC. O formato holandês, que tem duas temporadas por ano, teve uma estréia espetacular pós-Super Bowl no começo do ano e, desde então, já desinflou bastante mas continua na frente do X Factor entre o público de 18-49 e tem uma das tarifas publicitárias mais caras da TV aberta americana. Enquanto ele não produziu nenhum vencedor bem sucedido, ele tem ajudado bastante seus jurados, revitalizando a carreira do Maroon 5 e ajudando a transformar Blake Shelton, o seu jurado country, numa estrela de grande porte nos EUA. Ano que vem, Xtina e Cee-Lo Green darão um break doo programa e serão substituídos por Shakira e Usher.

The Voice também é o formato de canto de maior sucesso mundo afora, graças a uma combinação das cadeiras giratórias (eu não sei porque mas elas fascinam muito o público) com um jurado cheio de nomes de grande porte. O programa tem obtido sucesso em atrair nomes respeitáveis em todos os principais mercados e isso, com certeza, ajuda no status do concurso como uma competição séria (não que eu concorde, né). O sucesso internacional dele pode ser comprovado aqui no Brasil e também no México, na Argentina, na Alemanha, na França e na Espanha, onde as respectivas versões têm conseguido audiências bem altas e tem ofuscado os concorrentes.

A exceção foi o Reino Unido. O país tem uma enorme importância por ser -- junto com a Alemanha e a França -- o maior mercado fora dos EUA. A BBC investiu milhões de dólares no formato, com a intenção de bater de frente com os colossais programas de Simon Cowell na ITV (X Factor e Britain's Got Talent). E o concurso não poderia chegar em momento melhor: o público estava se saturando dos programas de Cowell, com X Factor tendo registrado uma acentuada queda de audiência no ano anterior.

Inicialmente, o programa -- que tinha Jessie J, Will.I.Am, Tom Jones e Donnie O'Donaghue (vocalista do The Script) como jurados -- foi um gigantesco sucesso, batendo a audiência do Britain's Got Talent, que estava sendo exibido no mesmo horário na ITV1. Depois de alguns meses contudo, o público perdeu o interesse e a audiência começou a desinflar, até chegar a níveis preocupantes, O single da ganhadora sequer atingiu o top 40. Uma turnê com os finalistas, que passaria por arenas de todo o país, foi cancelada devido a falta de interesse.

A tendência do programa obter altas audiências com a fase de audições e das batalhas entre os jurados e perder força com o começo dos live shows (como já disse, o público gosta mesmo é da cadeira giratória) é normal em todas as edições, a ponto dos produtores estarem implementando pequenas mudanças para deixar a parte final do concurso mais dinâmica. Contudo, o alarmante não foi só a queda de audiência (o programa começou sua trajetória como o mais visto todas as semanas; na sua semi-final, oito programas tinham superado-o em audiência e Britain's Got Talent liderava com facilidade) mas a falta de interesse total do público e da imprensa nos acontecimentos do programa. A repercussão, depois das primeiras semanas, foi zero.

De qualquer maneira, a BBC e a Talpa, produtora do programa, estão mantendo a cabeça em pé: o programa volta, levemente remodelado, no ano que vem e com o mesmíssimo painel de jurados.

Enquanto, nos EUA, os reality perdem um pouquinho da sua força, na Europa, os programas de realidade -- claramente influenciados por sucessos americanos -- estão mais forte do que nunca.

Entre 2006 e 2009, The Hills foi um sucesso de audiência nos EUA, onde foi exibido pela MTV, e um enorme fenômeno social entre o público jovem no país. O programa focava em Lauren Conrad, uma moça jovem, bela e muito bem vestida, já apresentada ao público em outro sucesso da emissora (Laguna Beach), e sua busca por sucesso no mundo da moda em Los Angeles (o que, in hindsight, nem faz muito sentido pois a indústria da moda americana fica concentrada em NYC). Contudo, o que chamava a atenção era a falta de clareza entre o que era real e o que era falso: apesar do título "reality" ser meramente decorativo em absolutamente TODOS os reality americanos, The Hills levava isso a outro nível, mostrando a vida de Lauren e seu cotidiano de maneira tão novelesca que era impossível acreditar que não era roteirizado. O programa chegou ao absurdo de -- no ápice de sua popularidade, quando The Hills estava em tudo quanto é canto, inclusive na capa da Teen Vogue e da Rolling Stone -- mostrar Lauren, naquela altura uma super celebridade, como uma desconhecida, tendo que se apresentar para pessoas como se todo mundo já não soubesse seu nome, passando por entrevistas de emprego e indo numa cartomante que, surpresa, sabia tudo da vida dela (assim como todo o resto da população). Depois de anos negando ser roteirizado, o programa admitiu que tudo não passava de uma farsa na cena final do episódio final.

De qualquer maneira, o formato causou um impacto enorme e sua legacy lives on na Europa.

O caso mais notável é no Reino Unido onde The Only Way Is Essex é um dos programas mais visto da TV fechada, atraindo 1 milhão de espectadores todas as semanas e mantendo-se como um sucesso faz 2 anos, ao longo de 84 episódios (até o momento) e muitas trocas de elenco.


TOWIE, como o programa é apelidado pelos fãs e imprensa, é uma mistura de The Hills com outro sucesso da MTV, Jersey Shore. O formato é igualzinho a The Hills: dramas acerca de rompimentos, riqueza, gente bela e jovem e estilosa (dependendo do seu ponto de vista). Tudo -- das seqüencias musicais aos title cards toda vez que algum "personagem" aparece na tela -- é inspirado por The Hills. Contudo alguns elementos de choque a la Jersey Shore foram implementados: assim como Jersey Shore se foca nos guidos de Nova Jersey, com seus estilos peculiar, TOWIE foca nos playbas e nas pattys de Essex, uma zona afluente meio rural meio urbana na grande Londres onde todo mundo (pelo menos de acordo com a TV) parece ser obcecado com bronzeamento artificial, cilhos postiços gigantescos, maquiagem carregada, injeções de colágeno e  muita círurgia plástica.



Como contraponto de TOWIE, exibido no canal jovem da ITV, o ITV2, o canal rival, E4, o outpost a cabo do Channel 4, lançou o Made in Chelsea, outro programa seguindo a risca o manual The Hills de como fazer TV mas focando na galera aristocrática e rica do centro de Londres, especificamente em Chelsea, o distrito mais caro da capital inglesa. Uma versão bem mais classy de TOWIE que, obviamente, de classy não tem muita coisa.

Ambos os programas se mantém no topo dos mais vistos da TV fechada local e são enormes sucessos entre os jovens locais. O curioso é que, diferente dos EUA, o Reino Unido tem um orgão regulamentador de mídia muito forte, o OFCOM, e, para evitar problemas, tanto The Only Way Is Essex quanto Made in Chelsea começam com um aviso de que "as pessoas nesse programa são reais mas algumas histórias e enredos podem ter sido fabricadas para seu entretenimento".



Na França, a emissora jovem NRJ12 estreou, em março desse ano, Hollywood Girls, sobre duas garotas francesas em busca da fama em L.A. As similaridades entre HG e The Hills são gritantes a ponto de que, cedo ou tarde, eu suspeito que deve rolar uma ação judicial: TUDO -- dos locais a fotografia e mesmo alguns enredos -- é igualzinho ao programa da MTV, ao ponto de parecer um reamke com atores franceses.

Mesmo assim, Hollywood Girls é um sucesso e, apesar do visual sleak & chic & luxuoso, deve sair bem barato para a emissora pois é produzido em velocidade indústrial: foram 92 episódios desde março, comparado com 102 de The Hills ao longo de cinco anos.

Alias, Hollywood Girls é tão absurdamente novelesco que faz com que The Hills pareça um documentário sério. Saquem só a descrição da primeira temporada, traduzida da Wikipedia francesa:

A procura de Josh, seu irmão que ela nunca conheceu, Ayem migra para Hollywood junto com sua amiga Caroline, onde irão morar com a amiga de infância delas, Chloe Jones. Mas Sandra, a roommate de Chloe, não vê com bons olhos a chegada das duas francesas e fará de tudo para colocá-las para fora. Rapidamente, Ayem e Caroline se integram a vida em West Hollywood e conhecem Nicolas, Kevin e Kamel. Juntos, eles irão confrontar a maléfica Geny G, agente das estrelas mas também chefe de uma rede de prostituição. A temporada termina com a queda do avião de Ayem.
Pois é, chupem essa manga. E Hollywood Girls não é o único reality show a la Americaine. Outro sucesso é a série de programas que leva um grupo de jovens Ch'tis a regiões exóticas do mundo.

Em 2008, o filme Bienvenue chez les Ch'tis, que satiriza a região nordeste de Paris, foi um fenômeno de bilheteria e se transformou no maior sucesso do cinema francês. Daí, os Frenchies aplicaram o pensamento americano: faturar em cima do fenômeno do momento com um reality.

A região nordeste da França -- Nord-pas-Calain -- é uma região beeeem pouco sofisticada, com um dialeto próprio pouco charmoso (ao invés de "toi", por exemplo, eles falam "ti", hence a classificação dos locais como ch'tis) e com péssimo clima, sempre frio, cinza e chuvoso. Então, é claro, o conceito do programa é levar os locais da região para lugares que são o exato oposto: Ibiza; Mykono; Miami; Las Vegas.

Reino Unido e França já conquistado, ainda falta um potencial mercado. Worry not, a Alemanha também já mergulhou na onda do scripted reality (reality show lá é conhecido como doku soap, então os roteirizados são classificados como pseudo doku soap. Muto chique).

O maior sucesso do gênero é Berlin - Tag und Nacth (Berlin - Dia & Noite) que acompanha os dramas roteirizados de um monte de jovens reais em Berlin, a cidade mais cosmopolita e cool da Alemanha. O programa é um sucesso de repercussão e o programa alemão mais curtido no Facebook. Ah, uma versão para França, Paris Jour et Nuit, já está em produção, com estréia prevista para 2013.

Enquanto muitos parecem diretamente "chupados" de The Hills, outros adicionam seus próprios twist e, quase todos, parecem ser um mix entre o mundo fashionable cool de The Hills com o mundo outrageously drunk de baixaria de outro fenômeno da MTV, Jersey Shore.

O melhor exemplo de um mix dos dois, contudo, é a produção da MTV britânica, The Valleys. O nome indica uma homenagem ao icônico Hills. O elenco, contudo, é bem na linha de Jersey Shore como vocês podem ver pelo trailer abaixo.


A MTV britânica, alias, tem, desde 2011, sua própria versão de Jersey Shore entitulada Geordie Shore. "Geordie" é como são apelidados os habitantes de Newcastle, uma região conhecida por ser uma das mais pobres do país porém, também, a mais festeira. O lugar está na moda graças a celebridades provenientes da cidade como Cheryl Cole.


A versão britânica é bem parecida com a americana mas, com as regulamentações envolvendo nudez e xingamento muito mais relaxadas que nos EUA, ela é bem mais caliente. Rapidamente, o programa, que já está na quarta temporada, bateu recordes históricos de audiência para o canal.

O sucesso da versão inglesa só não é maior que a da versão espanhola. Gandía Shore atraiu 1 milhão de espectadores em seu primeiro episódio na MTV espanhola. Uma versão francesa está em produção.

Enquanto isso, a versão americana começa sua última temporada na próxima semana. Jersey Shore continua sendo o programa mais visto da MTV mas com 1/4 das audiências de seu ápice, as mudanças nas circunstâncias na vida do elenco (Snooki é mãe!!), a perda de momentum, sem falar no que aconteceu com o famoso Shore (destruído pelo furacão Sandy), é uma boa hora mesmo para o programa ser cancelado. Veremos se 2013 será um ano melhor para a criação de realities americanos. A MTV está apostando todas as fichas em caipiras. Será essa a tendência do próximo ano? 

terça-feira, 27 de março de 2012

Na telona: Hunger Games e outros sucessos


Hunger Games, conhecido no Brasil como "Jogos Vorazes", primeiro filme baseado na trilogia de best-sellers escrito por Suzanne Collins, estreou essa sexta-feira e, como previsto, quebrou recordes ao arrecadar centenas de milhões de dólares em seu primeiro final de semana. 

A nível mundial, o filme lucrou 250 milhões de dólares, mais da metade disso (155 milhões) apenas nos EUA e no Canadá. Com isso, ele se tornou a melhor estréia no mês de março da história e também o maior final de semana para uma não-seqüencia na história da América do Norte e terceiro no total (atrás apenas de Harry Potter & the Deathly Hollows part 2 e The Dark Knight), superando as aberturas de todos os filmes da saga Crepúsculo. O filme também foi um enorme sucesso de críticas, com 85% dos especialistas elogiando a produção de Gary Ross de acordo com o Rotten Tomatoes. O público também parece ter aprovado, dando um A no Cinemascore (um método de pesquisa que contabiliza a opinião do público, que pode dar de A+ a F-, e, por indicar como será o boca a boca nas semanas subsequentes, tem enorme importância para os estúdios), com o público alvo (garotas adolescentes) dando um A+.

Com mais de 15 milhões de cópias impressas nos EUA até o momento, a trilogia ocupa o topo da lista dos mais vendidos e, com 170 mil unidades, a trilha sonora do filme -- que conta com músicas inéditas de Taylor Swift; Maroon 5; The Civil Wars; Kid Cudi; Miranda Lambert e Arcade Fire, entre outros -- está prevista para estrear no topo da Billboard na semana que vem, sinalizando uma dominação multimídia total por parte da saga.

Jennifer Lawrence, que interpreta a protagonista Katniss, é a it girl do momento. Depois de ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz ano passado por Winter Bone, a garota conseguiu o papel mais cobiçado do ano e sua performance está sendo unânimamente elogiada. Jennifer estampa as capas da Glamour americana e britânica e da Seventeen, além da Parade magazine (suplemento distribuído para mais de 30 milhões de pessoas pelo USA Today, o jornal mais lido do país) e estima-se que a garota e os outros atores da saga estejam na capa de mais de 50 revistas mundo afora. Ela ainda tem mais uma franquia lucrativa em produção: a seqüencia de X Men First Class, onde interpreta o papel de Mystique.

Para promover o filme, Jennifer Lawrence, junto com Liam Hemworth e Josh Hutcherson, os galãs da trama, visitaram oito shoppings em diferentes cidades americanas e foram a pré-estréias em NY, Los Angeles, Londres, Paris e Berlim. O burburinho em torno do filme também ajudou o livro a alcançar o topo da lista dos mais vendidos em toda a Europa e também na América Latina (inclusive no Brasil onde "Jogos Vorazes" atrai cada vez mais fãs) e fez as ações da Lionsgate, a companhia por trás do filme, alcançarem números recordes na Bolsa de Valores depois de anos em queda.

Apesar do sucesso sem precedentes de Hunger Games estar ofuscando tudo e todos, o filme não é o unico que tem obtido resultados bastante sólidos. Vamos dar uma olhadinha em alguns outros sucessos:


21 Jump Street. No fim dos anos 80, 21 Jump Street (Anjos da Lei) era o seriado do momento. Responsável por lançar a carreira de Johnny Depp, o programa da Fox contava a história de policiais que resolviam casos se infiltrando em high schools. Duas semanas atrás, uma adaptação cômica, estrelando Seth Rogen e Channing Tattum, estreou nos cinemas americanos e, apesar dessa descrição parecer uma receita para o desastre, o filme foi um enorme sucesso arrecadando 87 milhões de dólares em duas semanas e atraindo criticas majoritariamente positivas. Bônus: o filme tem um cameo de Johnny Depp. O filme estréia no Brasil em maio.

 

The Vow. A Walk to Remember e The Notebook eternizaram o gênero e Dear John e The Last Song fizeram garotas adolescentes em todo o mundo chorarem de emoção. Isso tudo também ajudou Nicholas Sparks, o homem que escreveu todas os melosos livros que deram origem aos filmes citados, a se tornar um dos autores mais ricos do mundo. Porém, cansado de pagar royalties para Sparks, Hollywood resolveu pegar todos os elementos (clichês e overused) de suas histórias; juntar Rachel McAdams (The Notebook) e Channing Tatum (Dear John) e fazer uma história original, The Vow, sobre um casal recém-casado que tem a vida posta de cabeça para baixo quando a moça sofre um acidente de carro que a faz perder a memória, forçando o puro rapaz com quem ela se casou a ter que reconquista-la de novo. Estreando nos EUA no Dia dos Namorados (14 de fevereiro), o filme lucrou mais de 40 milhões de dólares em seu primeiro fim de semana e 166 milhões de dólares no total (em cima de um custo de apenas 30 milhões de produção), apesar das péssimas críticas. Ah, e apesar de Hollywood descobrir que dá para fazer filmes melosos, clichês e trágicos não baseados em livros de Sparks, o autor continua sendo um hot propriety: dia 20 de abril, estréia The Lucky Ones, outro drama romântico e trágico baseado em uma de suas obras com um hunky lead (Zac Efron, no caso).

 

The Lorax. Baseado na obra de Dr. Seuss, um dos autores infantis mais célebres dos EUA, o filme animado The Lorax lucrou 177 milhões de dólares nos EUA e deve ultrapassar os 250 milhões com sua estréia internacional. O filme conta com as vozes de Zac Efron; Taylor Swift (em sua estréia no cinema) e Danny DeVito nos papéis principais e teve uma campanha de marketing pesadíssima que incluiu um spot no Superbowl; integração com a NBC, rede que também pertence ao grupo Universal (distribuidor do filme), incluindo uma promoção com The Voice, atualmente o maior sucesso da emissora e mais de 70 promotional parters incluindo a HP; a rede de restaurantes iHop, a rede de supermercados de comida orgânica Whole Foods; sites infantis como Nick.com, Neopets e Poptronica; The Nature Conservancy; The National Education Association e a loja de departamento Target. O público latino, uma minoria extremamente numerosa nos EUA, também foi targeted com uma pesada campanha que incluiu promoções especiais em conjunto com a Univision e a Telemundo, as duas principais emissoras em espanhol dos EUA. Taylor e Zac ainda gravaram uma série de spots para a ABC Family, rede forte entre garotas adolescentes e Efron visitou Londres, Madrid e Roma para promover o filme.


Casa de mi Padre. Um filme extremamente bizarro, nenhuma surpresa que ele nunca tenha tido uma distribuição grande. Porém, apesar do seu limited release, Casa de Mi Padre foi um sucesso com quase 4 milhões de dólares arrecadados no seu primeiro final de semana e um per screen average bastante alto. A comédia, estrelado por Will Ferrel, deu o que falar por ser totalmente em espanhol (Will Ferrel não é latino); ter um elenco totalmente mexicano (além de Will Ferrel, é claro), liderado por Diego Luna e Gael Garcia Bernal, e ser uma paródia das novelas e filmes de ação mexicanos, com referências extremamente específicas (apesar de tanto o diretor quanto os roteiristas serem caucasianos). Toda essa bizarrice confundiu bastante os críticos mas atraiu um público maior que o esperado. Uma entrevista totalmente em espanhol entre Ferrel e o popular apresentador de talkshow Jimmy Kimmel também ajudou a causar burburinho.


 
October Baby. Com um per screen average de 6 mil dólares e 2 milhões de dólares arrecadados em um único final de semana, apesar de ser um lançamento extremamente limitado, October Baby foi outro sucesso de nicho nos EUA.  Porém, o nicho é bastante diferente da comédia de Will Ferrel: evangélicos conservadores. O filme anti-aborto, promovido pesadamente por grupos cristãos e pela reacionaria American Family Association, fez bonito nas regiões mais conservadoras dos EUA (Texas; Alabama; Mississipi; Carolina do Norte e Georgia) apesar de ter sido ignorado nas regiões menos, digamos, atrasadas (apenas 9 cinemas de Nova York exibiram o filme, em comparação com 32 no Texas e 28 na Carolina do Norte. Na Califórnia, o filme foi exibido em 26 cinemas, mas apenas dois em Los Angeles e em nenhum em São Francisco). De qualquer maneira, o drama cristão se mostrou extremamente rentavel.

Por outro lado, já tivemos um grande fracasso: John Carter. O filme de ação da Disney, estrelado por Taylor Kitsch, teve uma campanha milionária, incluindo spots no Super Bowl, e custou 250 milhões de dólares para produzir. Porém, o filme nem sequer cruzará a barreira dos 100 milhões domesticamente e, nem com a arrecadação internacional (230 milhões no total), conseguirá cobrir seus gastos. 

É óbvio que o ano mal começou e os maiores blockbusters do ano ainda estão para estrear. Entre os sucessos óbvios temos The Avengers, que juntará todas as propriedades fodonas da Marvel (Iron Man; Hulk; Capitain America; Thor, etc); The Dark Knight Rises, o terceiro filme do Batman; Brave, a nova animação da Pixar (a primeira com uma garota como protagonista) e Battleship, baseado no jogo Batalha Naval e que é a grande aposta para ser o sucessor de Transformers  e tem um elenco forte liderado por Taylor Kitcsh, Liam Neeson e Rihanna, na sua estréia cinematográfica. Espera-se que todos esses ultrapassem os 500 milhões de dólares internacionalmente.

terça-feira, 6 de março de 2012

Hunger Games: o nascimento de um fenômeno


Em 2011, Harry Potter, a maior franquia literária da história, chegou ao fim com o lançamento do último filme, Harry Potter & the Deathly Hollows Pt. 2, encerrando uma fenomenal saga cinematográfica que lucrou mais de 8 bilhões de dólares ao longo de oito filmes e vendeu 500 milhões de livros. Em novembro, Breaking Dawn Part 2, o quinto filme da saga Crepúsculo, será o capítulo final da série de Stephanie Meyers que, no final do ano, deverá ter lucrado 3 bilhões de dólares e vendido 150 milhões de livros em todo o mundo.

Com essas duas enormes franquias chegando ao fim, todos os olhos estão em The Hunger Games (Jogos Vorazes), a aposta para ser o novo fenômeno que carregará nas costas tanto a indústria literária (30 milhões de unidades dos três livros que compõem a série foram vendidos até agora apenas nos EUA) quanto da indústria cinematográfica.

Ao longo de 2011, todo ator jovem de Hollywood sonhou em conseguir os três papéis principais no filme, indiscutivelmente os papeis mais cobiçados por agentes em anos. A jovem Jennifer Lawrence, que ficou conhecida ao ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz por Winter Bone no ano passado, conquistou o papel principal, a jovem Katniss. Josh Hutcherson e Liam Hemworth foram escolhidos para interpretar os outros dois protagonistas, Peeta e Gale. Gary Ross, indicado ao Oscar quatro vezes, ficou incumbido de dirigir o filme que foi todo gravado na Carolina do Norte com um orçamento relativamente modesto (para padrões de Hollywood) de 75 milhões de dólares.

Agora, analistas esperam que o filme lucre mais de 100 milhões de dólares apenas em seu primeiro final de semana nos EUA e centenas de sessões de meia-noite já estão esgotadas. Desde que o primeiro trailer foi disponibilizado, em novembro do ano passado, mais de 8 milhões de cópias do livro foram vendidos. Esmaltes  e até água da marca Hunger Games estão disponíveis no mercado e a trilha sonora terá 16 músicas inéditas interpretadas por artistas como Arcade Fire, Maroon 5, The Decembrists e Kid Cudi, além de um hypado primeiro single interpretado por Taylor Swift em colaboração com os Civil Wars.

Hunger Games está carregando a Lionsgate nas costas. Depois de anos de fracasso (incluindo dois extremamente custosos ao longo do ano passado, Conan the Barbarian e o starring vehicle do Taylor Lautner, Abduction), o filme baseado no livro de Suzanne Collins é a unica coisa que está impedindo o estúdio de falir (além de uma junção com a Summit Entertainment, a produtora que é, curiosamente, responsável por Crepúsculo).

Agora é esperar o dia 23 de março para ver se Hunger Games realmente conseguirá alcançar todas as altíssimas expectativas.



Alias, aproveitando o embalo, deixa eu falar sobre duas adaptações de cinema que foram por caminhos completamente opostos: The Help (Vidas Cruzadas) e One Day (Um Dia). Ambos foram livros extremamente elogiados e com vendas altíssimas.  

The Help, escrito por Kathryn Sockett, foi lançado em 2009 e foi um dos grandes sucessos de 2010 e, depois de vender mais de 1 milhão ao longo do ano retrasado, encerrou 2011 como o maior vendedor do ano nos EUA com 5 milhões de cópias vendidas. O livro, que fala sobre a situação das domésticas negras no sul dos EUA nos anos 60, é bizarramente contemporâneo para a sociedade brasileira.

Já One Day, escrito pelo britânico David Nicholls, também publicado em 2009, foi outra mega fenômeno. Com 1 milhão de unidades vendidas, o livro, um romance onde cada capítulo relata um ano da vida de um casal com um enfoque em um dia específico, foi a novela mais vendida no Reino Unido ao longo do ano passado. No total, mais de 2 milhões de unidades foram vendidas na terra da rainha e o livro também alcançou o topo da lista dos mais vendidos da New York Times.

Enquanto The Help (Vidas Cruzadas) foi um gigantesco sucesso de crítica e de público (207 milhões de dólares e  um A+ no Cinemascore, apenas um dos sete filmes na história a obter essa nota) e um dos mais premiados na award season (quatro cobiçadas indicações ao Oscar, incluindo uma vitória para Octavia Spencer como Atriz Coadjuvante); One Day foi um relativo fracasso (56 milhões de dólares, o suficiente para ser lucrativo pois foi feito por apenas 13 milhões mas disapointing para o tamanho do livro e dos atores envolvidos), sem nenhuma indicação a prêmios e desagradando tanto os críticos, quanto os leitores da novela. A maior crítica? O casting de Anne Hathaway, americana, no papel da protagonista, que é proveniente do norte da Inglaterra (apesar de que isso deu certo com Renee Zelwalger, do Texas, como Bridget Jones).

Basicamente, o que diferencia um do outro? The Help conseguiu trazer a mágica do livro para as telas, emocionando o público da mesma maneira que o livro. Já One Day transformou o romance que tocou milhões em uma história piegas. Podemos concluir então que, quando o assunto é adaptação para o cinema o importante é saber traduzir o que encantou os leitores para a tela grande e causar neles as mesmas emoções. Parece óbvio mas it's easier said then done.

E no quesito "alcançar as expectativas e trazer a mágico do livro para as telas", The Hunger Games tem muito que live up to.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Retrospectiva 2010: os maiores nos EUA

Como todo mundo já sabe, a revista Billboard é a grande referência na hora de conferir as paradas estado-unidenses. Porém, os charts anuais deles funcionam de maneira diferente: ao invés de medir as vendas de janeiro a dezembro, as vendas são vendidas desde a primeira semana de dezembro até a última de novembro do ano seguinte.

A maior prova que o ranking anual da Billboard não mostra uma imagem fiel do ano é o fato de o primeiro lugar ser ocupado por I Dreamed a Dream, o primeiro CD de Susan Boyle. As vendas extremamente forte no mês de dezembro de 2009 foram o suficiente para fazer com que o álbum ocupasse o topo da parada anual da revista. Porém, quando se analisa as vendas ao longo dos 12 meses de 2010, o álbum de estréia de Boyle não aparece sequer entre os dez mais vendidos.

Por isso, os dados que eu uso nesse post não são da parada anual da Billboard, que você pode conferir aqui, mas do Nielsen SoundScan, esse sim que mede as vendas de janeiro até dezembro.

Além disso, eu também uso os números do Nielsen para a parada de single para manter um certo padrão: enquanto as paradas de single anuais da Austrália e da Grã-Bretanha só medem as vendas, no Hot 100 da Billboard as posições são determinadas por vendas e também por airplay de rádio. Já no caso do Nielsen, as paradas são só determinadas pelas vendas, o que eu acho mais justo.

Mas enfim, vamos aos números:

1. Recovery - Eminem (3.415 milhões)




Depois de críticas mornas do seu CD de comeback, Relapse, Eminem faz o seu verdadeiro retorno triunfal com Recovery. O álbum teve a segunda maior venda de primeira semana do ano (741 mil cópias) e deu origem a dois singles número 1 (Not Afraid e o giga smash global Love the Way You Lie). Eminem já encabeçou a parada anual do Nielsen SoundScan uma vez antes (com The Eminem Show que vendeu mais de 7 milhões de cópias em 2002), fazendo dele o primeiro artista a alcançar o primeiro lugar duas vezes na lista desde que o Nielsen começou a levantar as vendas em 1991. Eminem quebra mais um recorde ao ter o CD de rap mais vendido do ano pela quinta vez (num distante segundo lugar, o rapper 50 Cent que, apesar de ter tido sucesso passageiro, conseguiu isso duas vezes).

As 3.415 milhões de unidades vendidas incluem 852 mil cópias digitais. Com isso, Recovery se transforma no CD que mais vendeu digitalmente na história.

Eu já escrevi sobre o sucesso do novo CD do Eminem aqui.



2. Need You Now - Lady Antebellum (3.089 milhões)

O sucesso inesperado do ano foi o trio country Lady Antebellum, impulsionado pelo enorme sucesso da música que dá nome ao álbum. Country é o gênero que mais vende nos EUA e uma vez que você consegue crossover para as rádios pop (como aconteceu com Need You Now), o sucesso alcança um nível anda mais impressionante.

3. Speak Now - Taylor Swift (2.96 milhões)

Maior exemplo de ato country que conseguiu crossover para o público pop, Swift aparece em terceiro lugar, apesar de ter lançado seu CD perto do final do ano. O álbum vendeu 1.2 milhões de cópias em sua primeira semana (o primeiro CD a ultrapassar 1 milhão em uma semana desde 2007, quando Lil Wayne conseguiu o feito com The Carter II), ultrapassando Eminem como a melhor venda em uma semana do ano.

No total, Taylor vendeu 4 milhões de CDs nos EUA ao longo do ano (incluindo 880 mil cópias do seu CD anterior, Fearless, cujas vendas totais ultrapassam os 6 milhões de cópias no país), fazendo dela o ato que mais vendeu no país em 2010. Ela também é a maior vendedora country pelo quarto ano consecutivo.



4. My World 2.0 - Justin Bieber (2.14 milhões)

Biebs é o grande astro teen do ano e o maior vendedor pop de 2010 (uma vez que Taylor é classificada como country). O CD contém o single de maior sucesso de Justin, Baby, assim como Eenie Meenie, Somebody to Love e Ur Smile.

5. The Gift - Susan Boyle (1.852 milhões)

O segundo CD de Susan Boyle não repetiu o sucesso fenômenal de seu primeiro, I Dreamed Dream, cujas vendas chegaram a 4 milhões de cópias. Porém, o novo lançamento da escocesa, também todo formado por covers (uma versão de Perfect Day de Lou Reed foi usado como música de trabalho), teve resultados bastante dignos. É o segundo ano consecutivo que Boyle é a artista estrangeira que mais vende nos EUA (ah vai, Canada, terra do Biebs, é praticamente um estado americano mais liberal que a norma).



6. The Fame - Lady Gaga (1.591 milhões)

Lançado em 2008, The Fame é o único CD não lançado em 2010 a aparecer entre os dez mais vendidos. As vendas totais do álbum nos EUA estão próximas a 4 milhões de unidades vendidas.

7. Prisioner of Love - Sade (1.3 milhões)

O retorno da interprete de R&B britânica Sade depois de 10 anos foi bastante bem-sucedido nos EUA, onde ela teve a terceira melhor venda de primeira semana do ano, com mais de 500 mil cópias vendidas.



8. Thank Me Later - Drake (1.27 milhões)

Junto com Nicki Minaj, a grande revelação do rap dos últimos anos. Falei sobre o CD aqui.

9. Raymond v. Raymond - Usher (1.183 milhões)

O álbum contém dois gigantescos smash hits, OMG e DJ Got Us Fallin' in Love Again.

10. Animal - Ke$ha (1.143 milhões)

O álbum de Ke$ha foi o primeiro número 1 de 2010 e vendeu bem o suficiente para alcançar disco de platina.

  • O gênero que mais sofreu em 2010 foi o rock. Foi apenas a segunda vez, desde que o SoundScan foi criado em 1991, que o gênero não aparece representado nos 10 mais vendidos do ano e é a primeira vez que ele não aparece nem sequer no top 20 (pior, nem no top 30!). O álbum de rock mais vendido ao longo do ano foi Born Free do Kid Rock com 640 mil unidades comercializadas.
  • A trilha sonora mais vendida foi o CD de natal do elenco de Glee com 917 mil cópias e a trilha sonora de filme mais vendida foi a de Eclipse, o terceiro filme da saga Crepúsculo (517 mil). Com 388 mil cópias, Number Ones do Michael Jackson foi o álbum de catalogo com os melhores resultados enquanto Wicked foi o musical da Broadway cujo CD obteve as melhores vendas (172 mil cópias. O músical ocupou o primeiro lugar em 2004, 2005, 2006 e 2007 mas ficou em segundo nos últimos 2 anos, ofuscado por Jersey Boys).

Os singles mais vendidos:



1. California Gurls (ft. Snoop Dogg) - Katy Perry (4.4 milhões)
2. Hey, Soul Sister - Train (4.3 milhões)
3. Love the Way You Lie (ft. Rihanna) - Eminem (4.245 milhões)
4. Dynamite - Taio Cruz (4.083 milhões)
5. Airplanes (ft. Hayley Willaims) - B.o.B. (4 milhões)
6. OMG (ft. Will.i.Am) - Usher (3.76 milhões)
7. Not Afraid - Eminem (3.4 milhões)
8. Just the Way You Are - Bruno Mars (3.28 milhões)
9. Break Your Heart (ft. Ludacris) - Bruno Mars (3.245 milhões)
10. Need You Now - Lady Antebellum (3.2 milhões)
11. TiK ToK - Ke$ha (3.04 milhões)
12. Teenage Dream - Katy Perry (3 milhões)
13. I Like It (ft. Pitbull) - Enrique Iglesias (2.94 milhões)
14. Like a G6 (ft. Catracts Devs) - Far*East Movement (2.915 milhões)
15. Imma Be - Black Eyed Peas (2.9 milhões)
16. Just a Dream - Nelly (2.76 milhões)
17. Billionaire (ft. Bruno Mars) - Travie McCoy (2.73 milhões)
18. Baby (ft. Ludacris) - Justin Bieber (2.67 milhões)
19. Nothin' on You (ft. Bruno Mars) - B.o.B. (2.668 milhões)
20. Your Love Is My Drug - Ke$ha (2.664 milhões)


  • A Disney reinou os cinemas em 2010: Toy Story 3 foi o maior filme do ano nos EUA, onde arrecadou 415 milhões de dólares, e no mundo, com mais de 1 bilhão de dólares na bilheteria (1.063). O segundo lugar foi para a versão de Tim Burton de Alice in Wonderland com 334 milhões nos EUA e 1.024 bilhões em todo o mundo.
  • Também entre as cinco maiores arrecadações do ano nos EUA: Iron Man 2, The Twilight Saga: Eclipse e Inception.
  • A segunda metade do top 10 está dominado por filmes familiares: em sexto, Harry Potter and the Half-Blood Prince Part 1 (que deve ultrapassar Inception nas próximas semanas) seguido dos desenhos animados Despicable Me, Shrek Forever After e How to Train a Dragon. Karate Kid finaliza o top 10. Para mais informação sobre as bilheterias nos EUA ao longo do último ano, clique aqui.
  • Estima-se que Avatar vendeu mais de 10 milhões de DVDs ao longo de 2010, com Toy Story logo atrás (9 milhões de cópias em 2 meses). Em DVDs musicais, a coletânea de clipes de Michael Jackson, Visions, se destacou assim como I Am... World Tour de Beyoncé.
  • No mundo da literatura, o rei de 2010 foi o sueco Stieg Larson, autor da série Millenium, o grande fenômeno literária do ano com mais de 7 milhões de cópias vendidas. O primeiro livro da coleção, The Girl with the Dragon Tattoo (no Brasil, O Homem Que Não Amava as Mulheres) vendeu mais de 3 milhões de cópias enquanto as sequências, The Girl Who Played with Fire (A Garota que Brincou com Fogo) e The Girl Who Kicked the Hornet's Nest (A Rainha do Castelo de Ar) venderam 2.3 milhões e 1.5 milhão respectivamente.
  • Outro grande sucesso de ficção foi The Help de Kathryn Stockett. O livro fala sobre as lutas de mulheres negras que trabalham num country club no sul dos EUA durante os anos 60. 1.13 milhões de cópias foram comercializadas.
  • O livro de não-ficção mais vendido do ano foi Decision Points, a autobiográfia de George W Bush. Com 1.65 milhões de cópias comercializadas, o livro não fez feio mas não alcançou o sucesso da autobiográfia de Bill Clinton (2.5 milhões) e nem sequer da de Sara Palin, que moveu 2 milhões de cópías no ano passado.
  • Eat, Pray, Love, outro dos grandes fenômenos literários dos últimos anos, continuou forte em 2010 com 1.5 milhão de cópias vendidas, o segundo livro de não-ficção mais vendido do ano.
  • O humorista Jon Stewart, apresentador do jornalístico The Daily Show with Jon Stewart, continua uma marca forte. The Daily Show with Jon Stewart Presents Earth (the Book) vendeu 507 mil cópias.
  • Outra comediante e personalidade televisiva que registrou vendas extremamente altas foi Chelsea Handler, apresentadora do Chelsea Lately, talk-show do E! onde ela comenta, com seu humor caracteristico, a cultura pop. Seu terceiro livro de crônicas humorísticas, Chelsea Chelsea Bang Bang, vendeu 505 mil cópias enquanto o antecessor, Vodka Are You There? It's Me, Chelsea, lançado em 2008, ultrapassa 1 milhão. Não a toa, a editora que publica os livros da comediante a presenteou com seu próprio selo.
  • Um dos maiores sucessos do Twitter, Shit My Day Says também deu origem a um livro de sucesso, com 466 mil cópias comercializadas. O feed também deu origem a um sitcom da CBS.
  • Em livros infanto-juvenis, a coleção de livros humorísticos Diary of a Wimpy Kid, continua imparável, superando até a saga Crepúsculo: o quinto livro da série, The Ugly Truth, vendeu 1.63 milhões de cópias ao longo do ano. O primeiro volume também vendeu bem em 2010, com 659 mil cópias (e mais de 4 milhões no total) assim como as edições especiais The Wimpy Kid Movie Diary (746 mil) e Diary of a Wimpy Kid Do-It-Yourself Book (694 mil).
  • The Short Second Life of Bree Tenner de Stephanie Meyer, o spin-off de Crepúsculo lançado esse ano, vendeu 1.058 milhões de cópias. Já o último livro da coleção The Hunger Game (Jogo Voraz no Brasil) de Suzanne Collins, a grande aposta para ser a próxima milionária franquia voltada para jovens, vendeu 780 mil cópias. Os livros da coleção Percy Jackson também venderam solidamente, na casa dos 600 mil.