Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Cobertura: Grammy's e BRIT Awards


Rihanna: uma das performers que teve que suar para estar nas duas premiações em L.A. e Londres em menos de 24 horas

Esse ano, o Grammy e os BRIT Awards aconteceram na mesma semana: o primeiro no domingo, dia 13, e o segundo na terça, dia 15. A diferença de menos de 24 horas entre os dois prêmios (graças ao fuso horário gigantesco entre Grã-Bretanha e Califórnia) deve ter dado uma dor de cabeça entre os artistas marcados para se apresentar em ambos como Rihanna, Cee-Lo Green, Mumford & Sons e Arcade Fire.

O Grammy, como todo mundo sabe, é a principal premiação de musica dos EUA. Já os BRIT é o equivalente britânico. Embora ambos exerçam a mesma função (basicamente, aumentar as vendas de CD nos primeiros meses do ano, onde os números são bem baixos), existem alguma diferença entre eles.

Para começar, os Grammy's são MUITO mais pomposos. Com uma duração de três horas, ele é muito elegante e classudo e cheio de pompa. Os BRIT, por sua vez, é bem mais "pop" e jovem, com uma duração de apenas uma hora e meia, muito menos categorias técnicas e um clima mais descontraido (lembrando talvez mais os VMAs da MTV).

Além disso, ambas as premiações são meio duvidáveis no quésito qualidade, sempre dando prêmios não muito merecidos. Os critérios de premiação do Grammy são risíveis, com eles as vezes premiando artistas apenas pelas vendas (Taylor Swift por Melhor Performance Vocal e Álbum do Ano? Sério?) e as vezes optando por artistas ~underground que são totalmente esquecidos uma semana após a exibição da premiação (case in point: o irrelevante grupo de jazz Steely Dans ganhando Álbum do Ano em 2001 ao invés do icônico Marshall Matters LP de Eminem). Sem mencionar o fato deles ignorarem completamente muito dos artistas mais importantes da história, como David Bowie e, durante anos, Madonna.


Sempre discreta, Gaga chega nos Grammy's dentro de um ovo

Por outro lado, os BRIT não são muito melhores nesse aspecto, com eles não escondendo o fato de que o prêmio irá necessariamente para quem aceitou se apresentar no programa. Cee-Lo Green era o unico indicado a Best International Male que estava presente e, conseqüentemente, o prêmio foi para ele (apesar de que Eminem, com Recovery, tinha sido o ato com as melhores vendas, melhores críticas e tinha obtido o maior hit do ano anterior no país com Love the Way You Lie).

Mas enfim, apesar dos pesares, as premiações são divertidas de se assistir pelas performances e pelas celebridades e, na semana seguinte aos prêmios, os vencedores e performers se beneficiam de grandes aumentos nas vendas de seus álbuns.

Os Grammy's teve a audiência mais alta da última década com 26.55 milhões de telespectadores. Isso pode ser atribuido, em parte, a todo o hype envolvendo Lady Gaga que iria fazer a sua primeira apresentação de Born this Way na premiação.



Acostumada a causar, Gaga chegou no tapete vermelho dentro de um ovo, carregada pelos seus bailarinos e ela "nasceu" durante a performance, a segunda da noite. Apesar da grandiosidade da entrada, a apresentação foi muito mais contida do que se espera de Gaga o que fez com que ela fosse elogiada por alguns (a voz dela estava perfeita) e criticada por muitos outros (que esperavam que depois de todo o hype seguido de decepção com o primeiro single, Gaga fizesse algo inquestionavelmente incrível durante a premiação).

A premiação foi aberta por um tributo a Aretha Franklin. Participaram dele Florence (& the Machine), Yolanda Brown, Jennifer Hudson, Martina McBride e Christina Aguilera. Christina, apesar do fracasso de seu último CD, foi inquestionavelmente a estrela da performance, posicionada no centro (com um TRIPÉ VERMELHO.
Sindrome de atention whore?) e cantando os versos principais.

Todos os olhos estavam em Aguilera pois, menos de uma semana antes, ela tinha sido responsável por cantar o hino dos EUA no Superbowl, o maior evento esportivo dos EUA e a maior audiência televisiva do ano, e, nervosa, errou a letra. Nos Grammy's, Christina calou os críticos com uma performance vocal arriscada mas, pasmem, ela caiu no palco no fim da performance (por sorte, foi quase imperceptível).

Apesar de Christina ter sido a grande estrela, Florence foi a mais beneficiada, com as vendas de seu CD, Lungs, crescendo 42% na semana seguinte a premiação.

Mais quais foram consideradas, unanimamente, as melhores performances?

Sem a menor duvida, Cee-Lo Green e os britânicos do Mumford & Sons.



Com uma performance coloridíssima e irreverente, incluindo Cee Lo vestindo penas de pavão, um pug dançante, Muppets e participação de Gwyneth Paltrow, Fuck You (em sua versão censurada Forget You, é claro) foi um dos pontos altos da noite.

A apresentação foi tão bem recebida que Fuck You foi, depois de 26 semanas na parada, catapultado a segunda posição do Hot 100 da Billboard graças as vendas de 426 mil unidades da música no iTunes. Em qualquer semana, isso seria o suficiente para a primeira posição porém Cee-Lo teve o azar de ter como concorrente Lady Gaga que também foi beneficiada pela apresentação nos Grammys. Com 520 mil cópias, Gaga se transformou num dos casos raríssimos onde uma música que quebrou recordes em sua semana de estréia aumenta as vendas na semana seguinte.

Porém, Cee-Lo continua na corrida para o topo nas próximas semanas. Desde que a performance foi ao ar, airplay nas rádios estado-unidenses continuam crescendo dia após dia em velocidade assustadora.



A outra grande performance da noite foi a dos britânicos do Mumford & Sons. O grupo tinha vendas bastante satisfatórias nos EUA, com mais de 600 mil cópias de Sigh No More comercializadas, mas, apesar do sucesso do álbum, eles não eram conhecidos pelo grande público.

Isso mudou após a apresentação (em conjunto com os Avery Brothers e Bob Dylan que, alias, foi a pior apresentação da noite) de The Cave no Grammy.

Minutos após a performance, os Mumford estavam em primeiro nos Trending Topics do Twitter e também entre os mais buscados no Google. A música The Cave penetrou o top 10 do iTunes e o CD vôou para o primeiro lugar nos mais vendidos do aplicativo da Apple e também no Amazon.com, principal site de vendas.

Com apenas 24 horas dos efeitos do Grammy contabilizado, as vendas de Sigh No More já tinham aumentado 99% para 49 mil cópias, o suficiente para a segunda posição na parada de CDs. Na semana seguinte, com seis dias extras pós-Grammy, o álbum vendeu mais 144 mil unidades e está cada vez mais próximo de ultrapassar a barreira do milhão nos EUA.




A apresentação de Eminem, que contou com participações de Adam Levine, Dr. Dre e Rihanna, também foi bastante elogiado. O CD, o álbum que mais vendeu no ano passado nos EUA, viu suas vendas crescerem 61%, com 60 mil unidades de Recovery vendidas, o suficiente para aparecer em sexto lugar entre os mais vendidos da semana. A nova música de Dr. Dre, I Need a Doctor, cantada durante a apresentação de Eminem, foi a mais beneficiada, vendendo 238 mil cópias e voltando para o top 10.

E quanto aos grandes vencedores da noite, Lady Antebellum e Arcade Fire.

O grupo country ganhou, com a música Need You Now, os prêmios de Record of the Year e Song of the Year (qual a diferença entre essas categorias segue sendo um grande mistério). Já os canadenses do Arcade Fire desbancaram Eminem e Gaga para ganhar o principal prêmio da noite: Album of the Year.

Sinceramente, acho que o prêmio deveria ter ido para Gaga por The Fame Monster. O álbum era realmente muito bom e o impacto que ele causou ao longo do último ano foi muito maior que o do Arcade. Mas, enfim, é óbvio que o prêmio ia para a opção mais ~indie.


Alias, foi tudo meio falso, né? Ou foi só coincidência o fato do Arcade ter sido os performers a cantarem logo antes do anúncio final e, logo depois de aceitarem, cantarem outra música encerrando o show? Ridiculo.

Tanto Lady Antebellum (numa performance fraquinha que não fez jus a música) e Arcade Fire se apresentaram ao longo da noite.

Esperanza Spalding, artista jazz que chocou todo mundo ao ganhar Best New Act ao invés de Justin Bieber (particularmente, achava que o prêmio ia para Florence & the Machine que, alias, merecia bem mais que Esperanza), viu suas vendas crescerem 476% em relação a semana anterior com 18 mil unidades.

Bruno Mars, ganhador de Best Male Pop Vocal Performance por Just the Way You Are, se apresentou junto com o B.o.B. e a hypada Janelle Monae. Ele também viu as vendas de seu CD, Doo-Woop & Hooligans, crescerem 55%, o suficiente para a quinta posição nas paradas de CDs.


Além de cantar o hit Love the Way You Lie (part II) com Eminem, Rihanna ainda teve uma apresentação solo que contou com a participação de Drake. Os dois cantaram, pela primeira vez juntos, o giga hit de Rihanna, What's My Name?, numa das performances mais hot da noite.

Outra popstar do momento, Katy Perry, também teve seu momento. Ela cantou Just Like the Movie, com projeção de imagens do casamento da cantora com o comediante britânico Russel Brand (primeira vez que o público viu qualquer imagem da cerimônia, que tinha sido muito bem protegida), e seu mega hit Teenage Dream.

Miranda Lambert, cantora country que abocanhou grande parte dos prêmios do gênero, cantou The House That Built Me; Muse, o maior ato rock do último ano, cantou Uprising; Norah Jones, John Mayer e Keith Urban homenagearam Dolly Parton com uma rendition de Jolene; Justin Bieber se juntou com Jayden Smith e Usher para uma performance que incluiu Baby, Never Say Never e OMG. A noite também contou com uma apresentação de Barbara Streisend, uma das homenageadas da noite.

Menos de 24 horas depois, no BRIT Awards, os Mumford & Sons, grandes beneficiados do Grammy nos EUA, ganharam o British Album of the Year, o principal prêmio da noite no BRIT Awards. Os Mumford também cantaram Timshel na cerimônia.



Adele e Tinie: as grandes estrelas da noite


Nas paradas britânicas, Sigh no More, o CD da banda, subiu 13 posições em relação a última semana, chegando a segunda posição. Essa é a posição mais alta que o álbum alcançou, ultrapassando a terceira posição obtida faz 19 semanas. O CD vendeu 45 mil cópías.

Felizmente para Justin Bieber, nenhuma concorrente "surpresa" roubou dele o prêmio de Best International Breakthrough (Revelação Internacional). A surpresa mesmo foi na categoria British Female Act, onde a grande vencedora foi a desconhecida Laura Marling (num prêmio que, sinceramente, deveria ter ido para a Ellie Goulding).

Como já disse lá em cima, o BRIT Awards decide os performers com base em para quem eles vão dar o prêmio e vice-versa. Então, de todos os vencedores, só Laura Marling e Justin Bieber não se apresentaram durante a noite. Biebs, porém, mostrou o quanto queria vencer ao voar dos EUA para Londres só para aceitar o prêmio (e OK, promover seu filme Never Say Never).

No ano passado, a performance ao vivo de Florence (& the Machine) com o rapper Dizzee Rascal foi lançada no iTunes e a versão fez tanto sucesso -- alcançando a segunda posição e ficando quase dois meses no top 5 -- que, esse ano, todas as performances ao vivo (com exceção do medley de Rihanna) foram disponibilizados no aplicativo da Apple.

E, surpresa, o número 1 da semana nas paradas oficiais foi Someone Like You de Adele, cuja versão ao vivo foi direto para o topo do iTunes, ultrapassando com facilidade o lançamento mais hyped do ano, Born this Way da Lady Gaga.

Adele foi a unica performer da noite a não ser indicada a nenhum prêmio (pois não lançou nenhum álbum em 2010) mas ela foi, sem duvida, a grande estrela da noite, com sua apresentação emocionando o público e fazendo com que a música, que não é nem sequer um single oficial, subisse nada menos do que 46 posições nas paradas, ocupando o topo do single charts britânico e dando a jovem de 22 anos seu primeiro single número 1 nas paradas (tanto Chasing Pavement, do seu álbum anterior, quanto Rolling in the Deep, o primeiro single do seu atual CD, tinham empacado na 2ª posição).



A noite foi aberta pelo Take That que cantou Kidz, o segundo single do último álbum deles. A banda, que é inquestionavelmente o grupo de maior sucesso no país desde os Oasis nos anos 90, levou para casa o prêmio de Best British Band.

Tinie Tempah, um dos maiores vencedores da noite (British Single of the Year, por Pass Out, e British Breakthrough), fez um medley de três dos seus maiores hits de 2010: Pass Out, Writen in the Stars e Miami 2 Ibiza. Com as vitórias do rapper, o álbum dele, Disc-Overy, sobe 19 posições em relação a semana anterior e ocupa a sexta posição na parada de CDs britânicas, com vendas de 29 mil unidades.




Alias, quase todo mundo fez medley ao longo da noite. Plan B, ganhador de Best Male Artist, cantou She Said/Prayin'
enquanto Rihanna, Best International Female, cantou Only Girl, S&M e What's My Name.

Loud de Rihanna é presença fixa no top 10 de álbuns mais vendidos do UK desde que o CD foi lançado, em novembro, mas Plan B viu seu Defamation of Strickland Banks subir 18 lugares (7ª posição) e finalmente ultrapassar a barreira de 1 milhão de unidades vendidas graças a premiação.

Os canadenses do Arcade Fire também mal tiveram tempo para comemorar a grande vitória no Grammy uma vez que eles tiveram que voar para Londres quase que imediatamente após a premiação. A banda também foi premiada nos BRIT, Best International Band e Best International Album, onde cantaram Ready to Start.

E a noite foi fechada por Cee-Lo Green com uma performance bem inferior a dos Grammy's. Os produtores obviamente estavam tentando recriar o sucesso de Dizzee e Florence colocando Paloma Faith para cantar em dueto com Cee Lo mas o resultado foi decepcionante, principalmente comparado com a apresentação showstealer do cantor menos de 24 horas antes em Los Angeles.




Enfim, eu gostei das duas premiações esse ano. Mas os BRIT foram mais satisfatórias uma vez que eles tiveram metade do tempo e, conseqüentemente, foram muito menos entediantes.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Retrospectiva 2010: os maiores nos EUA

Como todo mundo já sabe, a revista Billboard é a grande referência na hora de conferir as paradas estado-unidenses. Porém, os charts anuais deles funcionam de maneira diferente: ao invés de medir as vendas de janeiro a dezembro, as vendas são vendidas desde a primeira semana de dezembro até a última de novembro do ano seguinte.

A maior prova que o ranking anual da Billboard não mostra uma imagem fiel do ano é o fato de o primeiro lugar ser ocupado por I Dreamed a Dream, o primeiro CD de Susan Boyle. As vendas extremamente forte no mês de dezembro de 2009 foram o suficiente para fazer com que o álbum ocupasse o topo da parada anual da revista. Porém, quando se analisa as vendas ao longo dos 12 meses de 2010, o álbum de estréia de Boyle não aparece sequer entre os dez mais vendidos.

Por isso, os dados que eu uso nesse post não são da parada anual da Billboard, que você pode conferir aqui, mas do Nielsen SoundScan, esse sim que mede as vendas de janeiro até dezembro.

Além disso, eu também uso os números do Nielsen para a parada de single para manter um certo padrão: enquanto as paradas de single anuais da Austrália e da Grã-Bretanha só medem as vendas, no Hot 100 da Billboard as posições são determinadas por vendas e também por airplay de rádio. Já no caso do Nielsen, as paradas são só determinadas pelas vendas, o que eu acho mais justo.

Mas enfim, vamos aos números:

1. Recovery - Eminem (3.415 milhões)




Depois de críticas mornas do seu CD de comeback, Relapse, Eminem faz o seu verdadeiro retorno triunfal com Recovery. O álbum teve a segunda maior venda de primeira semana do ano (741 mil cópias) e deu origem a dois singles número 1 (Not Afraid e o giga smash global Love the Way You Lie). Eminem já encabeçou a parada anual do Nielsen SoundScan uma vez antes (com The Eminem Show que vendeu mais de 7 milhões de cópias em 2002), fazendo dele o primeiro artista a alcançar o primeiro lugar duas vezes na lista desde que o Nielsen começou a levantar as vendas em 1991. Eminem quebra mais um recorde ao ter o CD de rap mais vendido do ano pela quinta vez (num distante segundo lugar, o rapper 50 Cent que, apesar de ter tido sucesso passageiro, conseguiu isso duas vezes).

As 3.415 milhões de unidades vendidas incluem 852 mil cópias digitais. Com isso, Recovery se transforma no CD que mais vendeu digitalmente na história.

Eu já escrevi sobre o sucesso do novo CD do Eminem aqui.



2. Need You Now - Lady Antebellum (3.089 milhões)

O sucesso inesperado do ano foi o trio country Lady Antebellum, impulsionado pelo enorme sucesso da música que dá nome ao álbum. Country é o gênero que mais vende nos EUA e uma vez que você consegue crossover para as rádios pop (como aconteceu com Need You Now), o sucesso alcança um nível anda mais impressionante.

3. Speak Now - Taylor Swift (2.96 milhões)

Maior exemplo de ato country que conseguiu crossover para o público pop, Swift aparece em terceiro lugar, apesar de ter lançado seu CD perto do final do ano. O álbum vendeu 1.2 milhões de cópias em sua primeira semana (o primeiro CD a ultrapassar 1 milhão em uma semana desde 2007, quando Lil Wayne conseguiu o feito com The Carter II), ultrapassando Eminem como a melhor venda em uma semana do ano.

No total, Taylor vendeu 4 milhões de CDs nos EUA ao longo do ano (incluindo 880 mil cópias do seu CD anterior, Fearless, cujas vendas totais ultrapassam os 6 milhões de cópias no país), fazendo dela o ato que mais vendeu no país em 2010. Ela também é a maior vendedora country pelo quarto ano consecutivo.



4. My World 2.0 - Justin Bieber (2.14 milhões)

Biebs é o grande astro teen do ano e o maior vendedor pop de 2010 (uma vez que Taylor é classificada como country). O CD contém o single de maior sucesso de Justin, Baby, assim como Eenie Meenie, Somebody to Love e Ur Smile.

5. The Gift - Susan Boyle (1.852 milhões)

O segundo CD de Susan Boyle não repetiu o sucesso fenômenal de seu primeiro, I Dreamed Dream, cujas vendas chegaram a 4 milhões de cópias. Porém, o novo lançamento da escocesa, também todo formado por covers (uma versão de Perfect Day de Lou Reed foi usado como música de trabalho), teve resultados bastante dignos. É o segundo ano consecutivo que Boyle é a artista estrangeira que mais vende nos EUA (ah vai, Canada, terra do Biebs, é praticamente um estado americano mais liberal que a norma).



6. The Fame - Lady Gaga (1.591 milhões)

Lançado em 2008, The Fame é o único CD não lançado em 2010 a aparecer entre os dez mais vendidos. As vendas totais do álbum nos EUA estão próximas a 4 milhões de unidades vendidas.

7. Prisioner of Love - Sade (1.3 milhões)

O retorno da interprete de R&B britânica Sade depois de 10 anos foi bastante bem-sucedido nos EUA, onde ela teve a terceira melhor venda de primeira semana do ano, com mais de 500 mil cópias vendidas.



8. Thank Me Later - Drake (1.27 milhões)

Junto com Nicki Minaj, a grande revelação do rap dos últimos anos. Falei sobre o CD aqui.

9. Raymond v. Raymond - Usher (1.183 milhões)

O álbum contém dois gigantescos smash hits, OMG e DJ Got Us Fallin' in Love Again.

10. Animal - Ke$ha (1.143 milhões)

O álbum de Ke$ha foi o primeiro número 1 de 2010 e vendeu bem o suficiente para alcançar disco de platina.

  • O gênero que mais sofreu em 2010 foi o rock. Foi apenas a segunda vez, desde que o SoundScan foi criado em 1991, que o gênero não aparece representado nos 10 mais vendidos do ano e é a primeira vez que ele não aparece nem sequer no top 20 (pior, nem no top 30!). O álbum de rock mais vendido ao longo do ano foi Born Free do Kid Rock com 640 mil unidades comercializadas.
  • A trilha sonora mais vendida foi o CD de natal do elenco de Glee com 917 mil cópias e a trilha sonora de filme mais vendida foi a de Eclipse, o terceiro filme da saga Crepúsculo (517 mil). Com 388 mil cópias, Number Ones do Michael Jackson foi o álbum de catalogo com os melhores resultados enquanto Wicked foi o musical da Broadway cujo CD obteve as melhores vendas (172 mil cópias. O músical ocupou o primeiro lugar em 2004, 2005, 2006 e 2007 mas ficou em segundo nos últimos 2 anos, ofuscado por Jersey Boys).

Os singles mais vendidos:



1. California Gurls (ft. Snoop Dogg) - Katy Perry (4.4 milhões)
2. Hey, Soul Sister - Train (4.3 milhões)
3. Love the Way You Lie (ft. Rihanna) - Eminem (4.245 milhões)
4. Dynamite - Taio Cruz (4.083 milhões)
5. Airplanes (ft. Hayley Willaims) - B.o.B. (4 milhões)
6. OMG (ft. Will.i.Am) - Usher (3.76 milhões)
7. Not Afraid - Eminem (3.4 milhões)
8. Just the Way You Are - Bruno Mars (3.28 milhões)
9. Break Your Heart (ft. Ludacris) - Bruno Mars (3.245 milhões)
10. Need You Now - Lady Antebellum (3.2 milhões)
11. TiK ToK - Ke$ha (3.04 milhões)
12. Teenage Dream - Katy Perry (3 milhões)
13. I Like It (ft. Pitbull) - Enrique Iglesias (2.94 milhões)
14. Like a G6 (ft. Catracts Devs) - Far*East Movement (2.915 milhões)
15. Imma Be - Black Eyed Peas (2.9 milhões)
16. Just a Dream - Nelly (2.76 milhões)
17. Billionaire (ft. Bruno Mars) - Travie McCoy (2.73 milhões)
18. Baby (ft. Ludacris) - Justin Bieber (2.67 milhões)
19. Nothin' on You (ft. Bruno Mars) - B.o.B. (2.668 milhões)
20. Your Love Is My Drug - Ke$ha (2.664 milhões)


  • A Disney reinou os cinemas em 2010: Toy Story 3 foi o maior filme do ano nos EUA, onde arrecadou 415 milhões de dólares, e no mundo, com mais de 1 bilhão de dólares na bilheteria (1.063). O segundo lugar foi para a versão de Tim Burton de Alice in Wonderland com 334 milhões nos EUA e 1.024 bilhões em todo o mundo.
  • Também entre as cinco maiores arrecadações do ano nos EUA: Iron Man 2, The Twilight Saga: Eclipse e Inception.
  • A segunda metade do top 10 está dominado por filmes familiares: em sexto, Harry Potter and the Half-Blood Prince Part 1 (que deve ultrapassar Inception nas próximas semanas) seguido dos desenhos animados Despicable Me, Shrek Forever After e How to Train a Dragon. Karate Kid finaliza o top 10. Para mais informação sobre as bilheterias nos EUA ao longo do último ano, clique aqui.
  • Estima-se que Avatar vendeu mais de 10 milhões de DVDs ao longo de 2010, com Toy Story logo atrás (9 milhões de cópias em 2 meses). Em DVDs musicais, a coletânea de clipes de Michael Jackson, Visions, se destacou assim como I Am... World Tour de Beyoncé.
  • No mundo da literatura, o rei de 2010 foi o sueco Stieg Larson, autor da série Millenium, o grande fenômeno literária do ano com mais de 7 milhões de cópias vendidas. O primeiro livro da coleção, The Girl with the Dragon Tattoo (no Brasil, O Homem Que Não Amava as Mulheres) vendeu mais de 3 milhões de cópias enquanto as sequências, The Girl Who Played with Fire (A Garota que Brincou com Fogo) e The Girl Who Kicked the Hornet's Nest (A Rainha do Castelo de Ar) venderam 2.3 milhões e 1.5 milhão respectivamente.
  • Outro grande sucesso de ficção foi The Help de Kathryn Stockett. O livro fala sobre as lutas de mulheres negras que trabalham num country club no sul dos EUA durante os anos 60. 1.13 milhões de cópias foram comercializadas.
  • O livro de não-ficção mais vendido do ano foi Decision Points, a autobiográfia de George W Bush. Com 1.65 milhões de cópias comercializadas, o livro não fez feio mas não alcançou o sucesso da autobiográfia de Bill Clinton (2.5 milhões) e nem sequer da de Sara Palin, que moveu 2 milhões de cópías no ano passado.
  • Eat, Pray, Love, outro dos grandes fenômenos literários dos últimos anos, continuou forte em 2010 com 1.5 milhão de cópias vendidas, o segundo livro de não-ficção mais vendido do ano.
  • O humorista Jon Stewart, apresentador do jornalístico The Daily Show with Jon Stewart, continua uma marca forte. The Daily Show with Jon Stewart Presents Earth (the Book) vendeu 507 mil cópias.
  • Outra comediante e personalidade televisiva que registrou vendas extremamente altas foi Chelsea Handler, apresentadora do Chelsea Lately, talk-show do E! onde ela comenta, com seu humor caracteristico, a cultura pop. Seu terceiro livro de crônicas humorísticas, Chelsea Chelsea Bang Bang, vendeu 505 mil cópias enquanto o antecessor, Vodka Are You There? It's Me, Chelsea, lançado em 2008, ultrapassa 1 milhão. Não a toa, a editora que publica os livros da comediante a presenteou com seu próprio selo.
  • Um dos maiores sucessos do Twitter, Shit My Day Says também deu origem a um livro de sucesso, com 466 mil cópias comercializadas. O feed também deu origem a um sitcom da CBS.
  • Em livros infanto-juvenis, a coleção de livros humorísticos Diary of a Wimpy Kid, continua imparável, superando até a saga Crepúsculo: o quinto livro da série, The Ugly Truth, vendeu 1.63 milhões de cópias ao longo do ano. O primeiro volume também vendeu bem em 2010, com 659 mil cópias (e mais de 4 milhões no total) assim como as edições especiais The Wimpy Kid Movie Diary (746 mil) e Diary of a Wimpy Kid Do-It-Yourself Book (694 mil).
  • The Short Second Life of Bree Tenner de Stephanie Meyer, o spin-off de Crepúsculo lançado esse ano, vendeu 1.058 milhões de cópias. Já o último livro da coleção The Hunger Game (Jogo Voraz no Brasil) de Suzanne Collins, a grande aposta para ser a próxima milionária franquia voltada para jovens, vendeu 780 mil cópias. Os livros da coleção Percy Jackson também venderam solidamente, na casa dos 600 mil.

domingo, 17 de outubro de 2010

VMAs 2010


Toda trabalhada nos statements, Gaga chega a premiação homenageando McQueen e protestando contra o Don't Ask, Don't Tell.

Pois é, gente, eu sei que esse post tá um mês atrasado mas eu ando ocupado e só deu para escrever agora, quando todo mundo já está mega over os VMAs (incluindo eu). Mas tudo bem, antes tarde do que nunca.


Para começar, o pré-show foi o pré-show mais visto da história dos VMAs. Graças a quem? A Nicki Minaj, é claro. Minaj fez sua primeira performance solo no programa que antecedeu a premiação e, por mais decepcionante que tenha sido, foi o suficiente para atrair bastante gente. Minaj prova, mais uma vez, que ela é uma das maiores estrelas do momento.



A grande estrela da noite foi, obviamente, Lady Gaga. Além de abocanhar quase todos os prêmios -- inclusive Video of the Year --, ela causou enorme sensação com suas trocas de roupa. Ela chegou ao evento vestida com a ultima coleção do Alexander McQueen, genial estilista que se suicidou no começo do ano (e que fez o styling do clipe de Bad Romance) e, como protesto contra o Don't Ask Don't Tell (que proíbe homossexuais de servirem no exército), acompanhada de soldados que foram expulsos do exército por causa de sua sexualidade. Mas foi o seu vestido feito de carne, que ela usou enquanto aceitava o principal prêmio da noite, que foi manchete em todo o planeta no dia seguinte ao evento.



Eminem também foi bastante prestigiado ao longo da noite. Ele abriu o show (algo reservado apenas para os maiores) e ganhou todos os prêmios pelo qual estava indicado (com a exceção de Video of the Year). Em, o artista que mais vendeu na última década passada, continua no topo: seu novo CD, Recovery, é o mais vendido do ano até o momento e Love the Way You Lie, seu dueto com Rihanna, é o maior hit de 2010.



O momento que Kanye West interrompeu o discurso de agradecimento de Taylor Swift no ano passado virou um dos momentos mais icônicos da cultura pop nos últimos anos. E, os VMAs desse ano, foram a "conclusão" disso tudo: num dos momentos mais vergonhosos da noite, Taylor Swift cantou a música que ela escreveu para Kanye, Innocent. A canção estará em em seu próximo CD, Speak Now.

Fechando a noite, Kanye subiu no palco para uma grandiosa performance de seu novo single, Runway. A apresentação foi a "redenção" do rapper perante ao grande público e foi extremamente aplaudida.

A performance foi apresentada pelo comediante Aziz Ansari que deixou claro a posição da MTV: Team Kanye.



Além de Eminem, Kanye e Taylor, se apresentaram também Usher (cuja performance foi bastante boa), Justin Bieber, Linkin Park (direto do observatório de Los Angeles), o novato B.o.B., Paramore, Drake e Florence & the Machine.

Florence, alias, foi considerada unânimamente a melhor performance da noite. A apresentação, que foi seu grande lançamento no mercado estado-unidense, fez com que o single The Dog Days Are Over fosse catapultado para o top 5 das músicas mais vendidas no iTunes e alcançasse o top 10 do Billboard Hot 100.



A apresentadora foi Chelsea Handler. A comediante é extremamente popular entre o publico jovem estado-unidense graças aos seus livros de crônica, todos best-sellers, e seu talk show Chelsea Lately, exibido no E!, onde ela zomba da cultura pop.

Como fã de Chelsea, eu super aprovei a performance dela como apresentadora. A imprensa americana, porém, não concordou comigo, com o New York Times chamando ela de uma das "piores apresentadoras da história da premiação" (um gigantesco -- e injusto -- exagero).

Os VMAs desse ano foram, na minha opinião, bastante solidos: as performances foram boas e a produção foi bastante caprichada (o set design foi extremamente elogiado). Porém, uma coisa fez bastante falta: drama.

Entre os apresentadores, o elenco de Jersey Shore, Nicki Minaj, Katy Perry, Ke$ha, zilhões de celebridades promovendo seus filmes e, claro, Cher, entregando o grande prêmio para Gaga, num momento que fez gays do mundo inteiro infartarem.


Cher entrega o prêmio de Video of the Year para Gaga

A premiação desse ano foi a emissão mais vista da MTV em oito anos (graças, claro, a toda a controvérsia em torno dos VMAs do ano passado). Mais de 11 milhões de telespectadores assistiram a premiação.

sábado, 8 de maio de 2010

Pop-watch: Os grandes lançamentos do verão

Os próximos meses -- verão no Hemisfério Norte -- estarão cheios de lançamentos de alguns dos maiores atos musicais da atualidade. Eu, como fã de cultura pop, estou muito interessado nos próximos passos desses artistas: qual a direção que eles estão tomando? Será que serão sucesso ou fracasso?

Nesse post, daremos uma olhada no que podemos esperar dos novos materiais:

Bionic - Christina Aguilera



A artista: Christina Aguilera foi um dos atos que surgiu na explosão do teen pop do fim dos anos 90. A gravadora esperava que a moça seguisse os passos de Britney Spears, um dos maiores fenômenos da época. O caminho das duas sempre foi extremamente entrelaçado: no começo da década, ambas tinham sido introduzidas ao público pela primeira vez no programa de talento Star Search e, mais tarde, quando ambas eram pré-adolescentes, apresentaram juntas The Mickey Mouse Club. A aposta deu certo: o álbum homônimo de Christina foi um gigantesco sucesso, dando origem a vários chart-toppers (Genie in a Bottle, o maior deles; Come On Over; I Turn to You; What a Girl Wants) e vendendo 10 milhões de cópias no mundo.

Christina não conseguiu exceder a popularidade de Britney mas, nos Grammys, ela obteve uma vitória ao conseguir o prêmio de Best New Artist, troféu que todos apostavam que iria para Spears.

Com seu segundo álbum, Stripped, Christina se consolidou como um dos atos pop mais bem-sucedidos da atualidade. O primeiro single, Dirrty, apresentava Aguilera de maneira extremamente chocante: suja, semi-nua, trashy. A música foi um gigantesco sucesso e o CD, cheio de músicas motivadoras e poderosas (Beautiful, o maior hit; Fighter; The Voice Within), vendeu mais de 11 milhões de cópias mundo afora.

Apesar do estrondoso sucesso do álbum, da consolidação no mundo pop e o fato dela ter uma voz extremamente poderosa, Aguilera continuava na sombra de Spears: aparecer com uma imagem juvenil e se transformar numa figura extremamente sexual era um caminho que já tinha sido traçado pela sua "rival".

Christina sempre tira longos descansos entre um CD e outro. Entre seu primeiro álbum e Stripped se passaram três anos. O terceiro só foi lançado quatro anos depois.

Com Back to Basics, Christina se reinventou mais uma vez. No CD duplo, Aguilera homenageava atos como Nina Simone e usava influências do jazz. O álbum não alcançou o sucesso de seus antecessores mas também não foi nenhum fracasso.

No fim de 2008, Christina lançou uma coletânea para comemorar seus dez anos de carreira. A sua performance nos VMAs daquele ano, onde ela apresentou o single Keeps Getting Better, foi acusado de copiar Lady Gaga que, na época, tinha acabado de surgir na mídia.

Christina tem uma voz extremamente poderosa, não costuma ser super exposta, está na indústria faz mais de uma década (algo extremamente raro para um cantor que surgiu no gênero teen pop. Aguilera, Justin Timberlake e Britney são, até agora, os únicos atos que apareceram em cena com essa imagem juvenil e aguentaram uma decada no topo) e seus álbuns costumam ser de boa qualidade (não a toa, ela não teve nenhum grande fracasso).

Apesar disso tudo, Aguilera tem seus pontos fracos: ela nunca conseguiu, por exemplo, um momento só para ela em baixo do holofote. Até cantoras menos estabelecidas, como Katy Perry e Rihanna, tiveram seus momentos de "destaque". Isso nunca aconteceu com Christina que, apesar de milhões de cópias vendidas, sempre ficou na sombra de outras artistas pop, mais especificamente na de Britney Spears.

Além disso, enquanto outras cantoras pop pelos menos fingem ser simpáticas, Christina passa uma imagem arrogante em todas as suas entrevistas. E mais, não importa o quão camaleônica ela tente ser, suas mudanças de look serão sempre ofuscada pela sua maquiagem extremamente excessiva e sempre igual: muito pó, lábios ultra vermelhos, etc.

Os lançamentos: Not Myself Tonight, o primeiro single, já está em rotação nas rádios e nos canais de vídeos musicais. O álbum, Bionic, chega as lojas em junho.

O que esperar: Não se sabe. O CD, que terá 16 faixas, tem a colaboração de artistas extremamente inovadores que quase nunca trabalham com artistas pop mainstream: M.I.A., Sia, Ladytron, LeTigre e Santogold. Ela também trabalhou com produtores de R&B (Tricky Stewart, Polow de Don) e sua antiga colaboradora Linda Perry (responsável por todos os maiores hits de Stripped).

Buzz: A RCA Records não economizou na hora de promove-la.

Através do site oficial, a gravadora criou enormes expectativas. Ao longo de uma semana, foram revelados pequenos detalhes sobre o álbum: a capa, a capa e o título do primeiro single, a letra da música e um pequeno preview da mesma.


Promoção de Christina Aguilera em Times Square, Nova Iorque

Finalmente, no dia 23 de março, Not Myself Tonight, foi lançada simultaneamente em rádios de todo o mundo. Resultado: extrema decepção. A música, produzida por Polow de Don, não só soava extremamente genérica, com letras patéticas ("I'm kissing all the boys and the girls". Uau Christina, vida loka essa a sua!) como também era muito pouco catchy. Não deu outra: a canção não causou nenhum impacto nas paradas, vendendo poucas cópias e recebendo baixa rotação nas rádios.

Havia esperança que o vídeo musical criasse mais interesse na música. E, por isso, o lançamento do clipe no Vevo, site de musica do Youtube, também foi altamente promovido. Mas a estréia do vídeo, no dia 30 de abril, só confirmou o fracasso da música: extremamente mal recebido, o clipe foi acusado de copiar Gaga e Madonna (de novo, na sombra de outras artistas pop) e de tentar chocar só por chocar.



Apesar desse início extremamente frustrante, Aguilera tem muitas aparições high profile marcadas para os próximos meses: performances na Oprah, no Today Show, no MTV Movie Awards e na final de American Idol, um VH1 Storytellers dedicado a ela e promoção na Europa. Mas muito dificilmente qualquer uma dessas apresentações mudaram o destino de Not Myself Tonight.

Não se sabe o quanto o single revela sobre o álbum. Resta torcer para que Bionic seja melhor do que a música de estréia e que Aguilera consiga dar a volta por cima.

Can't Be Tamed - Miley Cyrus



A artista: Eu já fiz longos textos sobre a Miley nesse blog pelo menos duas vezes. Então, ao invés de escrever tudo de novo, vou linkar para esse post. Mas em resumo: Miley é mega ultra odiada e, apesar disso, tudo que ela faz é um enorme sucesso.

Os lançamentos: Can't be Tamed é o nome tanto do single, que acaba de ser lançado, quanto do CD, previsto para o dia 22 de junho.

O que esperar: De acordo com a própria Miley, pop com uma pegada eletrônica na mesma veia que Lady Gaga (mas ó, acho que tá mais para Britney).

Buzz: O clipe de Can't be Tamed teve sua estréia no E! News, o noticiário de entretenimento do E!, que também estreou Telephone de Lady Gaga e Beyoncé. O vídeo foi altamente promovido pelo canal antes de sua estréia, anunciando-o como "o novo capítulo na carreira de Miley".



E qual é esse o novo capítulo? O mais previsível possível, é claro. Seguir os passos de Britney Spears (insira sua piada sem graça sobre raspar a cabeça e ter um meltdown aqui).

E olha, eu acho um saco essas pessoas que batem na tecla de "as garotas de hoje em dia acham que crescer é tirar a roupa" (zzzz) ou, pior, "as crianças estão sendo corrompidas" mas achei meio brochante Miley seguir o caminho de Britney de maneira tão literal. Elas sempre tiveram similaridades, óbvio: fama gigantesca, milhões de fãs no mundo inteiro, músicas pop de sucesso e uma pré-disposição para atrair controvérsia. Acontece que dar uma de Britney circa 2002 é algo TÃO previsível e Cyrus estava indo muito bem seguindo seu próprio caminho (Party in the USA anyone? 4 milhões de cópias vendidas nos EUA e 116 milhões de views no Youtube). Capa de CD com a barriga de fora? Em pleno de 2010? Please...


Mmm...

Mas enfim, como todas as músicas de Cyrus, Can't be Tamed é catchy, divertida e provavelmente será um grande sucesso. Em uma semana, a música já foi escutada 3 milhões de vezes no Youtube e, em questão de dias, o vídeo musical, que lembra bastante Brit Brit mas tem sim suas qualidades, ultrapassou 1 milhão de views em 3 dias.

O vídeo é uma metáfora: Miley quer abrir suas asas, não ficar enjaulada na gaiola Disney para sempre.

Em Can't Be Tamed, Miley avisa aos seus potenciais namorados: não posso ser domada, não posso ser culpada, não posso ser mudada. Se eles entenderem isso, ela conclui, elas podem fazer mágica juntos.


O álbum é supostamente o último CD da garota por um tempo. Depois disso, ela irá se dedicar a filmes e atuação.

Apesar da imagem "madura" e da mensagem de liberdade, a Disney continuará apoiando fortemente Cyrus: um dos shows da última turnê da garota será exibido como um especial em horário nobre na ABC, canal aberto da companhia, e ela aparecera em todos os principais programas da emissora como o Good Morning America e Regis and Kelly. Ela também irá promover o CD no Canadá (onde fará a primeira performance ao vivo de Can't be Tamed no Much Music Awards) e na Europa.

Recovery - Eminem


Capa do primeiro single (artwork do álbum ainda não foi revelada)


O artista: Não é um exagero dizer que Eminem é uma lenda viva. Um dos rappers mais bem sucedidos de todos os tempos, ele foi o artista que mais vendeu na última década (80 milhões de unidades), teve um filme de enorme bilheteria (8 Mile lucrou 243 milhões de dólares em 2002) e recebeu 171 prêmios, incluindo 11 Grammy's e 1 Oscar (por Melhor Música Original com Lose Yourself).

Seus selling points: além de ser um rapper extremamente talentoso, ele era branco (o unico rapper branco a alcançar tamanho prestígio e sucesso) e extremamente controverso, sempre arranjando briga com as figuras de moda (Britney, Christina, Fred Durst, Mariah Carey, Moby and the list goes on) e zombando de maneira divertida da cultura pop. Além disso, com sua dura história de vida, que era tema de muitos dos seus raps, ele mesmo se transformou num personagem (sua vida deu origem, afinal, ao filme 8 Mile).

Em 2005, ao encerrar a promoção de seu quinto álbum, Encore, Eminem entrou em hiatus para tratar sua depressão e seu vício em drogas de prescrição.

Ele voltou ano passado com Relapse. O título era uma referência, claro, ao seu meltdown que o forçou a pausar sua carreira. Isso ficou ainda mais óbvio quando a capa do álbum foi revelado: milhões de pílulas que, juntas, formavam uma imagem do rosto do rapper.


Capa do CD Relapse: referências ao vício de Eminem em pílulas de prescrição

O CD de retorno de Eminem obviamente não foi fracasso: teve uma das maiores vendas de primeira semana do ano e deu origem a três top 10 hits (inclusive Crack a Bottle que alcançou o primeiro lugar). Mas o álbum também não foi um grande sucesso: Eminem não parecia ter evoluído muito e seu estilo parecia stuck em 2003.

O segundo single do álbum, por exemplo, We Made You, trazia de volta a zombaria do rapper em relação a cultura pop. Na música, Eminem provava que continuava um assíduo leitor das revistas de fofoca: ele fazia provocações a Jessica Simpson e Tony Romo, Britney Spears, Kim Kardashian, Bret Michaels e seu reality show Rock of Love, Sarah Palin, Ellen DeGeneres e Portia DeRossi, Lindsay Lohan e Samantha Ronson, Jennifer Aniston e John Mayer, Miley Cyrus, Amy Winehouse e assim por diante. A música era até divertidinha mas, né? Eminem precisava move on. Os tempos mudaram, a gente não quer ouvir na rádio musquinha estilo flashback 2002 (até porque 2002 foi a muito pouco tempo atrás para causar qualquer tipo de nostalgia).

Quando Relapse foi lançado, Eminem anunciou que o álbum teria duas partes e Relapse 2 deveria ser lançado entre o fim de 2009 e o começo de 2010. Isso acabou não acontecendo. O rapper acabou produzindo um novo CD e deu a ele o título de Recovery (Recuperação).

Os lançamentos: O primeiro single, I'm Not Afraid, acaba de ser lançado. O álbum, Recovery, chega as lojas dia 18 de junho.

O que esperar: Quando Relapse foi lançado, Eminem anunciou que o álbum teria duas partes e Relapse 2 deveria ser lançado em novembro de 2009.

Em novembro, ao invés do segundo volume, ele re-lançou o álbum com algumas músicas inéditos. O lançamento do CD inédito foi adiado para 2010.

Em abril, ele anunciou que o projeto tinha mudado de título. O novo álbum seria entitulado Recovery. "O material acabou ficando muito diferente do CD anterior e, por isso, resolvi que o novo projeto merecia um título próprio", afirmou.

De acordo com o próprio rapper, o novo álbum será bem mais pessoal que o anterior.

Buzz: O primeiro single, Not Afraid, foi lançado digitalmente dia 3 de maio. A música, com uma qualidade muito mais alta do que as músicas do álbum anterior, foi extremamente bem recebida: além de entrar no top 10 no iTunes de todos os países onde a música foi lançada (20 países. Ela só não foi lançada oficialmente na Grã-Bretanha, na França e na Alemanha), ela alcançou o topo nos EUA (onde deve estrear no topo do Billboard Hot 100 semana que vem), no Canadá, na Austrália, no Japão, na Suécia, na Itália e na Suíça.


Not Afraid - Eminen

No rap, Eminen fala sobre como superou seus demônios e promete nunca mais decepcionar os fãs, admitindo que o último CD, Relapse, era medíocre. O refrão é extremamente motivador: I'm not afraid to take a stand/Everybody come take my hand/We'll walk this road together, through the storm/Whatever weather, cold or warm/Just let you know that, you're not alone/Holla if you feel that you've been down the same road (Eu não tenho medo de tomar um partido/Todo mundo segure minha mão/Nós atravessaremos essa estrada juntos apesar da tempestade/Seja qual for a temperatura, esteja quente ou frio/Só quero que você saiba que você não está sozinho/Grite se você acha que já esteve na mesma situação).

Com a música de trabalho inicial sendo tão bem recebida, não há duvida que Recovery será mais um grande sucesso na carreira de Marshall Mathers.


Teenage Dream - Katy Perry


Capa do primeiro single (artwork do álbum ainda não foi revelada)

A artista: Katy Hudson cresceu no Sul da Califórnia. Filha de pastores, ela lançou, em 2001, um álbum homônimo de música gospel. Obviamente, sua carreira como cantora religiosa não deu muito certo e Katy mudou seu nome artístico (adotando o sobrenome de solteira de sua mãe, Perry, para se diferenciar da atriz, Kate Hudson) e foi atrás de novas oportunidades.

Depois de muitos contratos e projetos que não foram para frente, Katy finalmente assinou um contrato com a Capitol Records. Com seu primeiro single, Ur So Gay, a imagem da interprete foi estabelecida: despojada, irreverente e colorida. A música fez sucesso na internet mas foi com seu segundo single, I Kissed a Girl, que Perry explodiu em todo o mundo. Hot and Cold, a terceira música de trabalho do álbum, também foi um gigantesco fenômeno mundial.

Desde que apareceu em cena, no fim de 2007, Perry não teve descanso: promoção de seu CD (One of the Boys), singles extremamente bem sucedidos, colaborações de sucesso (Starstruck com o 3OH!3 e If We Ever Meet Again com Timbaland) e um romance high profile com o comediante Russel Brand.

Os selling points de Katy Perry: sua personalidade e estilo extremamente irreverentes, suas músicas pop chiclete (todas produzidas pelo atual Papa do pop, Dr Luke) e, claro, sua beleza.

Os lançamentos: O primeiro single, California Gurls, acaba de ser lançado. O álbum, Teenage Dream, chega as lojas em agosto.

O que esperar: Katy afirmou que com a grande quantidade de bem sucedidas cantoras em cena no momento -- Rihanna, Ke$ha, Lady Gaga -- existia a possibilidade dela acabar ficando para trás. Por isso, ela estava decidia a fazer um álbum unico, que a diferenciaria da concorrência.

Mais tarde, ela revelou: "é um CD completamente veranesco e super anos 90! Pense em patins, Ace of Base, anos 90, Cindy Lauper e muitas, muitas cores".

Buzz: Oi? Diferente? Katy, meu amor, ninguém que quer fazer um álbum que se diferencie de todas as outras artistas pop chama os dois produtores mais prominentes da história do pop, Dr. Luke e Max Martin (responsáveis não só pelos maiores hits de Katy como também de Britney, Miley, Ke$ha, Avril, Kelly Clarkson, Pink, Flo-Rida, Backstreet Boys e Nsync) para produzi-lo.


California Gurls - Katy Perry (ft. Snoop Dogg)

A capa de California Gurls é um arraso, mega anos 90 e muito bonita. E o single também é bem catchy e divertido. Só que não tem uma gota de "diferente" ou de "anos 90" nele. Muito pelo contrário. Lembra bastante, por exemplo, TiK ToK, um dos maiores hits desse ano (também produzido por Dr. Luke).

Katy diz que o primeiro single tem como objetivo "fazer, para a West Coast, o que Empire State of Mind (o gigantesco hit de Jay-Z e Alicia Keys) fez para Nova Iorque". Isso também é meio risível porque enquanto a música de Jay era realmente uma tocante homenagem a Grande Maçã, a música de Perry é só um bubblegum pop com letras divertidas mas insossas (e Soul Kid fez uma "tocante homenagem a Cali" primeiro. We Got More Bounce in California
anyone?).

Para prover meu ponto, vamos dar uma olhada na letra: California girls/We're unforgettable/Daisy Dukes, bikinis on top/Sun-kissed skin/So hot will melt your popsicle/Oooooh Oh Oooooh/California girls/We're undeniable/Fine, fresh, fierce/We got it on lock/West coast represent/Now put your hands up/Oooooh Oh Oooooh (Garotas californias/Nós somos inesquecíveis/Short curtinhos e bikinis/Pele bronzeada/Tão quentes que vamos derreter seu picolé/Oooooh Ooooh/Garotas californias/Não tem como negar/Lindas, frescas e ferozes/Nós somos demais/Representando a Costa Oeste/Agora bote suas mãos no ar). Divertido? Sim. Homenagem? Hmm... não. Sex on a beach/We get sand in our stilletos/We freak/In my Jeep/Snoop Doggy Dog on the stereo (Sexo na praia/Nós temos areia em nossos salto altos/Nós enlouquecemos no meu Jeep/Ao som de Snoopy Doggy Dog).

Enfim, parece que Katy Perry não tem muita noção do que fala. Mas a função de Perry é apenas uma: produzir
hits pops divertidos. E isso, a julgar pelo novo single, parece que ela continuará fazendo. Welcome back Katy!
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Quem também lança álbum esse verão é Enrique Iglesias. Iglesias continua relevante lá na Europa mas aqui no Brasil e nos EUA ele já tá meio
past it's peak (eu gosto dele though). O novo CD, Euphoria, será metade em inglês, metade em espanhol e eu tenho que dizer que eu super aprovei o primeiro single: Like It. A música, produzido por RedOne (o produtor de Gaga), tem uma vibe divertida anos 80 e tem samples do mega hit de Lionel Richie, All Night Long. A música será usada na nova temporada de Jersey Shore (que, caso você não lembre, foi um gigantesco fenômeno pop nos EUA no ano passado).

O primeiro
single em espanhol, Cuando Me Enamoro, também é bonitinho