Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Tamar Braxton no topo do iTunes: como isso aconteceu?


Por toda a paixão e sucesso que trashy reality television tem gerado nos EUA, o gênero não é exatamente conhecido por lançar estrelas em ramos de respeito -- atuação, canto, etc. (com a exceção, óbvio, dos de talento como Idol). Por isso, ao fazer meu check diário do iTunes estado-unidense, eu tomei um susto ao ver o primeiro lugar: Tamar Braxton.

De onde? Porque? Eu tento ser completamente antenado em tudo e nunca tinha notado absolutamente nenhum burburinho a respeito da música ou de Tamar.

Versão resumida (e injusta): a canção alcançou o topo graças a Lady Gaga.

Versão longa: Tamar é irmã de Toni Braxton, a superstar do R&B americano dos anos 90 que, depois de um período de prosperidade, caiu no esquecimento e não conseguiu emplacar nenhum hit. Toda cheia de débitos, ela fez o que qualquer former estrela em busca de dinheiro fácil faz: resolveu estrelar o seu próprio reality show.

Braxton Family Value estrelava Toni junto com suas irmãs -- Traci, Towanda e Tamar (esses nomes são muito bons gente) -- e mãe, Evelyn, e foi ao ar no WeTV, um canal direcionado a mulheres relativamente pequeno. Rapidamente, o programa das Braxton virou o maior sucesso do canal.

Mas o WEtv, como eu já disse, é um canal que, apesar de veterano (15 anos no ar) e alguns hits (Bridezillas, mais notavelmente), nunca virou uma household brand. Enquanto as Kardashians alcançam 3 milhões para o E!, as Housewives chegam aos 5 milhões no Bravo e, em seus dias dourados, Jersey Shore alcançava 7 milhões para a MTV, bastou 900 mil pessoas para as Braxton viraram o maior hit do WE.

Em todo o caso, Braxton Family Values foi um sucesso e a WE fez o que qualquer canal a cabo americano faz quando emplaca um reality hit: começou a desenvolver um spin-off. E assim nasceu Tamar & Vince, acompanhando o casamento da moça com o bem-sucedido produtor Vincent Herbert.

Bom, como vocês podem ver, a moça tem uma carreira televisiva bastante respeitável e relativamente bem-sucedida. Mas isso não garante uma posição no top 100 do iTunes, muito menos no Top 10. Alcançar o topo -- algo que muitos A-listers não conseguem -- é algo ainda mais raro.

Mas Tamar lançou sua primeira música, Love and War, e contra absolutamente todas as expectativas a canção alcançou o top 10 e depois o top 5 e rapidamente ela estava em segundo lugar.

E foi ai que Lady Gaga entrou na história: as duas são amississimas e Vince, o marido dela, foi um dos responsáveis por Gaga assinar com a Interscope. Por isso, a cantora não hesitou em promover o lançamento para seus 32 milhões de seguidores:

K I NEVER PROMOTE ARTISTS but if u want your mind blown check "Love & War" She's Toni Braxton sister + her voice is BEYOND

MYSELF AND have been the best of friends since her husband Vincent discovered + signed me when I was 20. SHE IS INCREDIBLE

Buy "Love And War" It would mean a lot to me monsters if u would support her. Its her turn to shine. #2 on iTunes!!

E assim, a música alcançou o topo.

Mas vamos colocar as coisas em perspectiva: sem nenhuma promoção além de um reality show razoavelmente bem-sucedido,  a música alcançou a segunda posição no iTunes estado-unidense, a maior loja digital do planeta.

Alias, vamos deixar uma coisa clara: o fato é ainda mais chocante quando se leva em conta que é um R&B. Muitos dos maiores vendedores do gênero -- Mary J Blige, Trey Songz e até Usher -- tem enorme dificuldade de emplacar singles no topo do iTunes (a não ser com músicas dance como OMG do Usher ou Bottoms Up de Trey).

E Gaga é famosa e popular mas, né? Ela não conseguiu emplacar muitas das suas próprias músicas (Marry the Night? You & I?), não é um tweet que fez com que Love & War atingisse o topo.

Minhas considerações sobre a música: completamente diferente de tudo que tá estourando no momento, uma balada R&B bem tradicional com vozeirão e gritaria. Eu gostei bastante. Agora, se ela vai conseguir manter o momentum é algo que teremos que julgar com o tempo.

Enquanto isso, a música também está escalando o iTunes do Reino Unido. Vamos ver o quão longe ela vai chegar ou se, assim como a carreira de Toni, vai empacar depois de alguns minutos.

E falando em músicas de sucesso, se vocês lêem o blog, vocês sabem que eu não gosto de me vangloriar (ha. Se vocês realmente lêem o blog, vcs sabem que o que eu acabei de escrever é uma mentira) mas ó: orgulho de 2012 foi escrever sobre Call Me Maybe e Somebody That I Used to Know antes delas explodirem globalmente.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Gangnam Style: 10 momentos do fenômeno


A música só invadiu as paradas globais em setembro mas no mês de agosto, a Coréia do Sul já estava mais do que entregue ao fenômeno Gangnam Style. PSY reuniu 40 mil pessoas no Estádio Olímpico de Seoul e colocou os locais -- conhecidos pela modéstia e tímidez -- numa festa frenética de dança.


Rapidamente, a música invadiu os EUA e até Britney Spears quis aprender a coreografia num momento que, assim como o vídeo musical original, também virou um sucesso viral.



Se você é parodiado no Saturday Night Live pode ter certeza que você entrou para os anais da cultura pop. E esse sketch foi o empurrãozinho para levar a música do PSY para o topo do iTunes estado-unidense.


Um sucesso viral não é um sucesso viral até o Latino fazer seu próprio cover. Depois de Dragonstea Din Tei/Festa no Apê e Danza Kuduro, o ex da Kelly Key fez sua própria versão do hit do PSY. Mas, enquanto os hits anteriores deles foram prontamente abraçados por nós brasileiros, o público se encarinhou tanto com a versão original coreana que a interpretação de Latino causou enorme revolta nas redes sociais e o moço teve que dar explicações via Twitter.


Não satisfeito com os EUA, PSY foi comemorar o sucesso de Gangnam Style na Austrália -- onde o single é a música mais vendida do ano até o momento -- cantando no X Factor local. A apresentação bateu recorde de audiência e o intérprete ainda ensinou a dança para a Scary Spice Mel B, que é jurada no programa.


Na Europa, a música alcançou o topo em mais de 15 países, inclusive os três maiores mercados -- Reino Unido, Alemanha e França. Em Paris, Cauet, uma personalidade de rádio da estação mais ouvida do país, NRJ, juntou 20 mil pessoas para dançar a música com PSY no Trocadero. Foi o maior flashmob já organizado na França.


No MTV Europe Music Awards, PSY foi considerado o ponto alto da noite. Ele ainda levou o prêmio de Melhor Vídeo do Ano, derrotando Rihanna, Katy Perry e Lady Gaga.


Ele também marcou presença no show de Madonna no Madison Square Garden, onde colocou a Rainha do Pop para fazer a já clássica dançinha do cavalo.


Em algo que já está virando tradição para PSY, ele foi novamente o ponto alto de mais uma premiação, dessa vez o American Music Awards. Ele fechou a noite com uma super apresentação que incluiu a aparição de MC Hammer e um mash-up com Too Legit To Quit. Depois da performance, a música voltou para o topo do iTunes estado-unidense pela 2897238ª vez.


Se tem alguém orgulhoso com o sucesso internacional de PSY são os seus conterrâneos sul-coreanos. Para comemorar o fenômeno, 100 mil pessoas (!!!) se juntaram no centro da cidade de Seoul para dançar o Gangnam Style.

Fun fact: Gangnam Style atingiu o topo de 90% dos mercados mais importantes do mundo. Com uma notável exceção: Japão, o segundo maior mercado fonográfico do mundo depois dos EUA, onde a música foi quase que completamente ignorado. O fato fica ainda mais curioso quando se leva em consideração que o Japão é o segundo maior mercado do mundo para o Kpop (depois da Coréia do Sul, óbvio) e quando se fala em lucro, o país -- com uma população muito maior que a Coréia do Sul -- é responsável por 80% de todo o rendimento internacional do gênero (inclusive, o mercado japonês dá mais lucro do que o mercado sul-coreano).

O porque dos japoneses terem ignorado PSY é questão de muito debate na internet (uma das teorias mais populares é que esse tipo de vídeo musical comédia já é algo saturado pelos comediantes locais, de modo que o Gangnam Style não se destacou no país) mas o fato é que o artista parece ter se dado por satisfeito com o resto do mundo se rendendo a ele e, num ato raro para um artista coreano, optou por não promover a música no Japão. Uma versão adaptada da música -- entitulada Roppongi Style (Roppongi sendo o equivalente japonês ao bairro Gangnam de Seoul) -- chegou a ser gravada mas o lançamento foi cancelado.

O resto da Ásia, contudo, não seguiu o lead do Japão e, assim como por aqui, a música é inescapavel em todo o resto da região. Quer dizer, tirando a Coréia do Norte, eu suponho...

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Opan Ganganam style: PSY e K-pop no Ocidente

Esse último mês foi bom para os que curtem uma boa meme. Tivemos Dona Cecília e seu Jesus restaurado e, claro, Nissin Ourfali. Mas, nas últimas semanas, é o rapper coreano PSY que tem monopolizado os feeds de Facebook e as timelines no Twitter.

Gangnam Style virou um sucesso viral, acumulando mais de 200 milhões de views no Youtube. Mais do que isso, a música virou a primeira canção em língua estrangeira a alcançar o topo do iTunes estado-unidense. Mas como ele conseguiu isso?


Simples: boca a boca. A música virou um enorme hit no Youtube e, rapidamente, a imprensa mundial começou a falar na música. Katy Perry, Vanessa Hudgens, Robbie Williams, Tom Cruise, LMFAO, Ryan Seacrest e Britney Spears foram alguns famosos que comentaram o vídeo nas redes sociais. Com todo o burburinho, a música alcançou o top 20 no iTunes estado-unidense e se tornou o vídeo mais assistido do Youtube.

Daí PSY teve uma ajudinha extra do timing: a música explodiu no começo de setembro, bem na época que todos os principais programas americanos estão voltando de um longo hiatus de férias. E não deu outra: PSY e seu hit pegajoso foi tema de todos eles.

Gangnam Style foi tocado durante a premiação da MTV, os VMAs, onde PSY fez a dança com Kevin Hart, o apresentador. Depois, no talkshow de Ellen DeGeneres, ele ensinou Britney Spears a famosa dançinha. E ainda teve uma aparição no programa matinal mais visto dos EUA, o Today Show, e num sketch na estréia de temporada do prestigioso Saturday Night Live além de uma apresentação surpresa durante um jogo de baseball no Dodgers Stadium. Com toda essa onda de promoção, o astro coreano desbancou Taylor Swift e seu mega hit Never Ever Getting Back Together, que passou duas semanas no topo das paradas, e se transformou na música mais vendida dos EUA.


Além disso, Scooter Braun -- empresário de Justin Bieber e Carly Rae-Jepsen -- assinou com o astro coreano e a música está no top 20 do iTunes do mundo inteiro. Ah, e Latino, que adora regravar esses sucessos virais (vide Dragonstea Din Tei e Danza Kuduro), também já fez sua versão.

Gangnam Style alias é uma referência ao distrito de Gangnam, que é o bairro mais luxuoso e badalado de Seoul, a capital da Coréia do Sul.  Alias, no país de origem dele a música também arrasou, né? Vejam o vídeo abaixo e vejam os coreanos -- timidos e recatados por natureza -- se acabarem no estilo Gangnam.


Ironicamente, PSY conseguiu, sem nenhum esforço, o que todos os principais artistas coreanos estão tentando fazer faz anos: conquistar o mundo.

Para quem não sabe, K-Pop, o pop sul-coreano, é o gênero mais badalado na Ásia e, com a explosão de novelas e músicas do país, o continente inteiro foi dominado pela chamada Hallyu wave (onda coreano). Nas Filipinas, em Taiwan, na Malásia, na Indonésia, em Singapura, na China e, mais importante, no Japão (de longe o mercado mais lucrativo da Ásia), a Coréia e suas estrelas são verdadeiros fenômenos. Em Tokyo e em Shanghai, os principais artistas coreanos fazem shows em estádios gigantescos e as novelas coreanas vendem milhões de DVDs e são exibidas em todos os principais canais abertos da região. E, mais do que vender CDs, DVDs e revistas, eles estimulam a economia sul-coreana como um todo e, por isso, até o governo local tem investido pesadamente na promoção desses artistas. Seoul tem recebido milhões de turistas asiáticos (principalmente mulheres japonesas) que gastam uma fortuna na cidade e multinacionais  coreanas, como a Samsung e a LG, tem se aproveitado ao máximo dos rostos famosos das celebridades locais.

Desde então, todas as principais agências de talento sul-coreana estão tentando conquistar o Ocidente.

Em 2006, Rain, na época, o maior fenômeno do K-pop, deu os primeiros passos na expansão ocidental quando ele se apresentou para 8 mil pessoas em Nova York e apareceu na lista das 100 Pessoas Mais Influentes do Mundo da revista Time. No mesmo ano, a agência YG Entertainment juntou seus principais artistas para shows em Washington, Los Angeles e NY e, no ano seguinte, tentou lançar seu maior astro, Se7en, no mercado americano.

Em 2008, a SM, principal agência da Coréia do Sul, entrou nos EUA. Como BoA foi a primeira artista coreana a explodir no Japão, foi decidido que ela seria a primeira a ser lançada nos EUA. Um álbum, com colaboração de vários dos mais badalados produtores, foi lançado porém totalmente ignorado pelo grande público.

Apesar de todas as tentativas high profile de lançar artistas coreanos nos EUA terem sido mal sucedida, as agências não pensam em desistir.

 
Um billboard em Times Square anuncia a chegada do SM Town em Nova York e a gigantesca multinacional sul-coreana LG

A SM Entertainment está colocando todas as fichas nas Girls Generation, o maior girlgroup da Ásia no momento. As meninas já lançaram seu primeiro single, The Boys, e apareceram em dois dos mais prestigiosos programas dos EUA, o Live! with Kelly e o Late Show with David Letterman, além do badalado programa francês Le Grand Journal. Além disso, o SM Town, concerto que reúne todos os principais nomes da agência (Girls Generation, BoA, as boybands Super Juniors, Shinee e TVXQ, entre outros) fez três shows em importantes arenas no país, encendo o Madison Square Garden de Nova York, o Staples Center, em Los Angeles e o Honda Center, em Anaheim, vendendo um total de 45 mil ingressos para as três apresentações. Na Europa, 8 mil ingressos foram vendidos para o show da agência em Paris.

Já a principal rival da SM, a YG (que, alias, são os "donos" do PSY) também não está perdendo tempo e está investindo tudo para explodir seus dois maiores nomes, a girlgroup 2ne1 e a boyband Big Bang, no mercado ocidental. Will.I.Am foi contratado para produzir o próximo álbum das meninas do 2ne1 e Jeremy Scott, badalado estilista, é responsável pelo look delas. As meninas ainda são uma das estrelas da nova campanha global da Adidas e encheram 8 mil pessoas no Nokia Theatre de Los Angeles e 11 mil no Prudential Center em New Jersey. Já o Big Bang irá tocar para 12 mil pessoas no Honda Center e 14 mil em New Jersey em novembro. Em Londres, 20 mil ingressos foram vendidos para dois shows na Wembley Arena.


Ah, e a YG também está de olho no Brasil: o Big Bang irá se apresentar em São Paulo no final do ano, após um show em um estádio em Lima, no Peru. O Peru é, alias, o primeiro mercado sulamericano conquistado pelos coreanos e é o unico país do ocidente onde novelas sul-coreanas são exibidas na TV aberta.

Mas, quando o Big Bang chegar ao Brasil, eles não terão a honra de ser as primeiras estrelas coreanas a fazer um show em território nacional. A agência Cube já trouxe a boyband Beast e o girlgroup 4 Minutes para um show para 4 mil pessoas em São Paulo no fim do ano passado. São Paulo e Londres (onde as estrelas coreanas se apresentaram para 5 mil pessoas) foram as unicas paradas das estrelas carro chefe da Cube fora da Ásia.

A emissora pública sul-coreana MBC é outra que está investindo pesadamente no Kpop, organizando um festival em Sydney, no ANZ Stadium, o maior estádio da Austrália, e um show para 3 mil pessoas na IndigO2 em Londres, durante as Olimpíadas. Outras companhias asiáticas também estão organizando outras apresentações em capitais européias.

Porém, apesar de todos os investimentos, o K-pop continua sendo um gênero de nicho no Ocidente. Alias, não deixa de ser irônico que, enquanto as companhias sul-coreanas desembolsam milhões na promoção das Girls Generation e do Big Bang, foi PSY, que não tinha nenhuma ambição de explodir no Ocidente, que conseguiu o primeiro hit mainstream mundial.

Alias, PSY podia servir de lição para as agências coreanas. O rapper estourou pois sua música, além de ser hilária e pegajosa, era diferente o suficiente para se destacar no meio das centenas de popstars americanos. Os superstars coreanos, apesar de serem ótimos cantores e dançarinos, são genéricos as they come: hits influenciados pela música urbana americana, produzida por suecos. E, quando o assunto são superstars genéricos, os coreanos não tem nada a acrescentar, uma vez que o Ocidente já tem os seus próprios.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Diva-a-thon

Faz alguns anos, American Idol reinava solo na TV estado-unidense. A tentativa da ABC de lançar um concorrente, The One (baseado em Operacion Triunfo, formato espanhol que deu origem ao Fama da Globo), foi um fracasso tão custoso que desencorajou qualquer tipo de concorrência com o titã da FOX, que é o programa mais lucrativo da TV local.

Tudo isso mudou em um piscar de olhos no fim de 2010. Primeiro, Simon Cowell, o juiz estrela de Idol, anunciou que iria sair do programa para lançar uma versão local de The X Factor, concurso de talento com formato similar a Idol que ele produz e estrela com gigantesco sucesso no Reino Unido. Daí, antes que Cowell tivesse a oportunidade de lançar seu programa, a NBC comprou os direitos de um outro concurso de canto que tinha se provado um fenômeno na Holanda e, pasmén, The Voice se provou um grande sucesso.

De repente, a situação de Idol estava caótica: de reinar solo como o programa número 1 nos EUA para, de repente, ter dois programas similares que tinham tudo para serem fortes rivais. E, pior, com a saída de Cowell, o programa tinha perdido sua grande estrela.

Porém, rapidamente Idol restabeleceu seu poder quando apontou Jennifer Lopez e Steven Tyler como novos juízes em sua décima temporada. Os dois nomes de peso foram bem recebidos e Idol continuou liderando as audiências da TV estado-unidense. Mais do que isso, o programa provou que um concurso de talento pode go a long way em ressuscitar carreiras.

Enquanto, no Reino Unido, The X Factor transformou todos os seus juízes (particularmente Cheryl Cole) em gigantescos A-listers, a situação era diferente nos EUA. Idol tinha transformado Randy Jackson e, particularmente, Simon Cowell em household names mas ambos eram anônimos antes do programa e, enquanto Paula Abdul lucrou bastante durante seu stint no programa, o sucesso de Idol não ajudou muito a dar novos ares a sua carreira e, tirando o seu papel como jurada de AI, todas as outras tentativas de Paula de voltar a mídia (reality shows; singles novos) fracassaram.

Então, J.Lo era basicamente a primeira artista que tinha um enorme apelo e household name a assinar para ser jurada num concurso de talento no país. E, apesar de ser uma celebridade de grande escalão, a carreira da moça estava bem pouco rentavel até ela finalmente assinar um contrato de modestos 12 milhões de dólares para julgar Idol.

Lopez: de volta a relevância e as capas de revistas
O resultado? A exposição fez Lopez voltar a capas de revistas; emplacar seu primeiro smash hit global em quase uma década (o catchy On the Floor); sair em sua primeira turnê de arenas mundial; filmar dois filmes e assinar dezenas de contratos milionários com diferentes marcas (linha de roupa na Kohl's, extensão do contrato com a L'Oreal, novos perfumes, etc).

Depois do sucesso de Lopez, ter desconhecidos no painel de jurados não era mais uma opção e ter nomes fortes virou ainda mais importante depois que The Voice, o concorrente da NBC, se transformou num grande sucesso e também ajudou a rerguer a carreira de seus jurados.

Com um salário de 10 milhões de dólares, a grande estrela do programa era Christina Aguileira. Com centenas de milhões de CDs vendidos, a moça ainda estava se recuperando do enorme fracasso que tinha sido seu último CD mas, evidentemente, ela ainda tinha name recognition o suficiente para atrair um salário milionário. E o sucesso do programa a ajudou a superar o enorme fracasso do seu CD e ser abraçada novamente como uma personalidade reconhecivel e com certo valor de mercado (apesar de que o nicho de Christina Aguileira ainda é meio incerto).

Porém, apesar de comandar o salário mais alto, não foi Christina a que melhor se saiu com o sucesso de The Voice. Os mais beneficiados foram Adam Levine e Blake Shelton. Levine se transformou num pinup desejado, atraindo diversos contratos e fazendo com que sua esquecida banda, Maroon 5, alcançasse um novo pico e emplacasse um dos maiores hits do ano passado, Moves Like Jagger (que continha vocais de Christina). Já Blake virou um dos nomes mais reconhecíveis do country emplacando diversos número 1 nas rádios do gênero e alcançando disco de platina com seu último lançamento.

Enquanto Idol e The Voice monopolizavam as manchetes e capas de revistas com suas grandes estrelas, Simon Cowell teve mais dificuldade para achar A-listers para ocupar os postos de jurados no X Factor. Depois de inúmeras especulações, que foram de Will Smith a Katy Perry, o painel se mostrou extremamente underwhelming quando finalmente revelado: Cowell, uma estrela in its own right, e L.A. Reid, um dos executivos da indústria musical mais respeitados dos EUA, deveriam ser acompanhados por moças A-listers para completar um dream team mas, no final das contas, eles acabaram com Paula Abdul (que Cowell resolveu dar uma segunda chance já que a química deles tinha sido bastante elogiada em Idol) e Nicole Scherzinger, a ex-Pussycat Doll. Não empolgou e, no final da temporada, as duas moças foram demitidas.

E daí começaram novamente as especulações. E Cowell precisava go hard or go home. E hard he went: Britney Spears, um dos maiores ícones da música pop, assinou para julgar a nova temporada por 15 milhões de dólares, ultrapassando os salários de Lopez e Aguileira. Contratar Britney foi um golpe esperto por dois motivos: primeiro que é um tapa na cara de The Voice, uma vez que ela sempre foi a concorrente mais bem sucedida de Aguileira e, segundo, ela é uma das celebridades que mais atraem interesse e audiência nos EUA, com suas aparições no MTV Video Music Awards; em Glee e em How I Met Your Mother sendo responsável por recordes de audiência em todos os três.

É claro que tem a questão de que Britney Spears está praticamente morta. Ela é um zumbi: seus olhos sem expressão, sua linguagem corporal retraída, sua voz robótica. Desde 2008, ninguém pode entrevista-la sem seguir um estrito roteiro fixado por seus empresários e ela própria parece estar sempre perdida e com medo. Não parece uma receita de sucesso como jurada mas, pelo menos de início, é sim uma receita de sucesso de audiência. E não tem como negar que, em questão de potenciais jurados, é difícil conseguir alguém que atraía mais interesse e tenha mais name recognition que Britney.

Nos trailers e entrevistas com a imprensa, Cowell tenta pintar Spears como uma jurada forte e opinativa. "Ela vai surpreender a todos!". "Ela é mais má do que nós esperavamos!". Mas é só ver a cantora posando numa coletiva de imprensa para promover a nova temporada que essa imagem se quebra: lá está Britney, com os olhos assustados, o sorriso forçado, suas cutículas mastigadas e sangrentas.

As unhas de Britney demonstram nervosismo durante coletiva de imprensa do X Factor
Acompanhando Britney temos Demi Lovato que, apesar de não ser nenhuma A-lister como Miley ou até mesmo Selena, tem bastante name recognition e status entre o público juvenil para atrair uma quantidade razoável de interesse. E, assim como Spears, Demi também teve seu breakdown público: enquanto em turnê com os Jonas Brothers para promover um novo filme da Disney, a cantora agrediu uma dançarina e, aos 17 anos, foi para rehab por stress, anorexia, bulimia e vício em drogas.

Paralelo ao grande momento do X Factor, que terá sua grande estréia em setembro, Idol passava por mais uma grande crise: as suas duas grandes estrelas, Jennifer Lopez e Steven Tyler, anunciaram que não voltariam para mais uma temporada. E, assim, o programa voltava a estaca zero.

Até que, no começo da semana passada, foi revelada a carta na manga dos produtores do programa. No eterno jogo de "supere a diva da concorrência", Mariah Carey, uma das vocalistas mais famosas do mundo, foi anunciada como a nova jurada. Aguilera recebeu 10 milhões, J.Lo recebeu 12 e Britney, 15. Carey fechou por 18 milhões de dólares.

Carey é um exemplo perfeito do jurado dos sonhos: name recognition altíssimo; prestígio enorme; personalidade imprevisivel e legendária (para o bem e para o mal) e carreira cheia de altos e baixos.

Assim como todas as outras divas nos programas rivais, Mariah também teve seu fair share de sucessos e fracassos. Em setembro de 2001, depois de uma década de hit atrás de hit, Carey estava pronta para lançar seu projeto mais ousado: um combo de um novo CD com um filme, a grande estréia cinematográfica da maior diva da música estado-unidense. Glitter acabou sendo um enorme fracasso de crítica e público e foi ofuscado por outro evento que aconteceu naquele mês, o 11/09. Tudo isso fez com que a cantora entrasse num public meltdown que incluiu uma aparição bizarra num programa da MTV onde ela apareceu, sem aviso prévio, intoxicada, vestindo uma camisola, oferecendo picolés para a platéia e ameaçando uma striptease (que não aconteceu pois ela foi arrastada do palco). Depois do episódio, ela teve a obrigatória internação na rehab e alguns anos de fracasso até renascer das cinzas com o CD The Emancipation of Mimi, o grande success story da indústria fonográfica americana em 2005. Desde então, ela teve dificuldade de recriar o sucesso e lançou mais três CDs que foram relativamente ignorados, teve filhos gêmeos, casou com um homem mais jovem e ganhou (e depois perdeu) uma quantidade absurda de peso. Ou seja, uma típica trajetória de uma diva do século 21, não é mesmo? Vulnerabilidade, alto name recognition, temperamento legendário e personalidade imprevisível. Uma receita que, tudo indica, sempre atraí altos números.

A New York Magazine dessa semana fez uma comparação interessante entre Mariah, Christina e Britney com as divas reinantes do Hot 100 da atualidade. Diferente das divas de 2012, as três moças, que reinaram durante os anos 90 e o começo dos 2000, não são mestres na arte da "transparência calculada" e é fácil ver isso via o Twitter delas.

Foto que Carey mandou para a imprensa junto com o anúncio que seria jurada em Idol: muita especulação acerca da sua (pouco natural) cintura fina

Lady Gaga anuncia que acordou com uma ressaca brava e está se recuperando "comendo chicken & waffles na cama". Depois, ela faz uma brincadeirinha com Carly Rae-Jepsen, que acaba de quebrar um recorde que ela detinha no Hot 100 da Billboard: "não fique confortavel, I'm coming for you!". Já o feed de Katy Perry é cheio de algodões doces, gatinhos e docinhos enquanto a vida pessoal dela, incluindo o divórcio, é o principal atrativo do seu novo filme 3D, Katy Perry Part of Me Live, que também é bem rosa, cheio de gatinhos, doces e algodões doces.

Já Rihanna é a mais selvagem. Ela é um livro aberto e ela alterna entre postar letras de música, vídeos dela chapada e informações sobre o seu horóscopo. Ela chora publicamente a morte de sua vó e deixa claro que não está interessado na opinião daqueles que pedem para que ela se afaste do seu problemático ex (e possível atual), Chris Brown. Em seu Instagram, temos fotos dela fazendo topless enquanto de férias com as amigas e fumando cigarrinhos suspeitos. A idéia aqui é que ela está tão exposta nas redes sociais que ela é basicamente a prova de escândalos. É tanta humanidade e vulnerabilidade que fica meio boring depois de um tempo.

Enquanto isso, o Twitter de Spears, Aguilera e Carey são muito mais distantes. Os feeds delas são impessoais e usados quase exclusivamente para promover seus diversos veículos -- perfumes, CDs, etc. De fato, parece que não são sequer elas que atualizam a página e sim alguém de suas equipes. Essas mulheres são protegidas por muros altíssimos e esses muros só caem quando é por algum fracasso, algum constrangimento público ou alguma gafe. Não existe "transparência calculada", existe o "profissional" e o muito confuso e caótico pessoal.

Como a NY Mag conclui, "mesmo com um salário total de 43 milhões de dólares, contrata-las é uma decisão de negócios bastante perspicaz. A promessa de conhecer essas performers legendárias através de suas aparições semanais é apenas um tease. É a chance de assistir um hot mess que vai realmente levar os ratings a altura".

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Euphoooooooria: Eurovision 2012


Nesse domingo, o concurso de talento pan-europeu, o Eurovision, aconteceu em Baku, no Azerbaijão. Um enorme e super produzido show kitshy, o programa -- produzido pela European Broadcasting Association -- é o evento não-esportivo mais visto no continente e, ao longo de mais de cinco décadas, revelou, entre outros, o Abba (ganhadores pela Suécia) e Celine Dion (que, apesar de ser franco-canadense, ganhou pela Suíça).

Como vencedor do ano passado, o Azerbaijão ganhou o direito de sediar o evento esse ano. Apesar de ser algo estabelecido nas regras oficias do concurso, a decisão foi extremamente polêmica, afinal o país tem um péssimo histórico quando o assunto são direitos humanos e liberdade de expressão (para os interessados, recomendo esse documentário da BBC). 

De qualquer maneira, o Azerbaijão recebeu a oportunidade de braços abertos. Assim como as Olimpíadas ou a Copa do Mundo, o Eurovision é uma ótima oportunidade de promover o país sede perante uma audiência gigantesca pan-europeia, algo que parece muito vantajoso para um lugar cheio de belezas naturais porém relativamente obscuro e ignorado pelo turismo. E, diferente da maior parte do território europeu, que está falido e submergido em crises, a nação é cheia de dinheiro graças a enorme quantidade de petróleo em suas terras.

Por isso, vendo essa oportunidade impar de promover o país, os líderes de Estado resolveram investir 100 milhões de dólares no evento, um número bastante alto para algo que, diferente de outros grandes acontecimentos que duram semanas, tem uma duração total de apenas 3 horas. Para não perder o hábito, foi tudo feito perante protestos (silenciados a força) de corrupção e violação de direitos humanos mas, no final das contas, um suntuoso estádio foi construído e o país organizou um show espetacular e bem produzido, mantendo a tradição de grandiosidade que a European Broadcast Association tem tentando sustentar nos últimos anos para combater a reputação de "cafona" que o concurso carrega (mas né? Já dizia Countess LuAnn, money can't buy you class. Espetacular, bem feito e suntuoso? Sim. Mas ainda cafona).

Em troca do investimento, eles ganharam uma oportunidade valiosa de promover o país através de bonitas e bem produzidas vinhetas exibidas ao longo do programa mostrando tudo que ele tem a oferecer de bonito e atraente para os potenciais turistas europeus: linda arquitetura, belíssimos museus, chá, paisagens fantásticas (a parte dark do país -- e o fato dele ser comandado por uma mafia -- foi obviamente ignorado durante a transmissão mas, né? Detalhes).

O slogan desse ano foi Light your fire, uma referência ao fato de Baku ser conhecida como "cidade do fogo". E, para quem estava acompanhando o burburinho, a Suécia parecia ser a aposta mais segura de quem sairia como vencedor.


O que aconteceu esse ano foi algo similar aos acontecimentos de 2010 na Alemanha. Meses antes do concurso, a música entry do país (no caso, Satelite da jovem Lena) tinha se transformado num enorme fenômeno social, vendido centenas de milhares de cópias, ocupado o topo da parada de singles por semanas e enchido a população local de otimismo. Na hora H, não deu outra: a Alemanha venceu a competição.

Uma seqüência  de eventos bem parecida se desenrolou na Suécia: assim como Lena em 2010, Loreen foi escolhida como a representante do país num reality show de talento que atinge enormes audiências (no caso, o Melodifestivalen, uma tradição no país faz décadas). Sua entry, Euphoria, se transformou num enorme fenômeno social imediatamente após a cantora ter sido nomeada a vencedora e, meses antes da competição, a música já tinha atingido o topo das paradas locais e se transformado, em pouco mais de um mês, no single mais vendido do ano, alcançando 5x Platina e uma onipresença na mídia que não era visto fazia anos para uma canção do Eurovision.

E, quando chegou o momento, não deu outra: Loreen, com Euphoria, foi coroada a grande vencedora do Eurovision, sendo a quinta vez que a Suécia ganhou o concurso.

 

E não foi uma simples vitória, foi uma vitória arrasadora. O vencedor é escolhido por uma combinação de votos do público (que não pode votar no seu próprio país mas pode escolher a música favorita de outras nações) e do jurado. Mais de 1/5 de todos os votos do público computados foram para Loreen (lembrando que a Suécia não podia votar nela) e a música ganhou com 372 pontos, a segunda pontuação mais alta da história do concurso (atrás do norueguês Alexander Rybak que, em 2009, venceu com 387 pontos pela Noruega). Horas após o evento ter sido exibido, a música tinha alcançado o topo do iTunes de 14 países.

Um dos países que a canção arrasou depois da vitória foi o Reino Unido onde a música alcançou o primeiro lugar no iTunes e o terceira lugar nas paradas oficiais fazendo com que Euphoria se transformasse na primeira canção do Eurovision a alcançar o top 3 em mais de duas décadas.

Na Suécia, como não poderia deixar de ser, a vitória foi recebida com enorme histeria. Milhares de pessoas foram receber Loreen no centro de Estocolmo e até a Guarda Real Sueca comemorou fazendo uma rendition da música.


No fim, o Eurovision desse ano foi um sucesso coroando uma música universalmente elogiada (em contraste com a vitória extremamente esquecível e duvidosa do Azerbaijão no ano passado) e dando a vitória para a Suécia, um dos países que mais se entusiasmam com o concurso.

Alias, é interessante destacar que, enquanto a popularidade do Eurovision oscila bastante nas diferentes nações européias, a Suécia é um país que, entra ano e sai ano, se mantém com um interesse bem alto no concurso. Além disso, é um dos países que mais têm vitórias e, assim como no panorama pop em geral, onde as paradas internacionais são monopolizados por produtores escandinavos, a maior parte dos países participantes do concurso (Reino Unido, Espanha, Chipre, Grécia, Malta e até o próprio Azerbaijão) escolhem produtores suecos para produzir as músicas que representaram o país.

No mais, além de Loreen, as outras estrelas da noite foram as vovózinhas russas que ficaram em segundo lugar com Party for Everybody. Por mais que as vovózinhas de Buranov tenham conquistado a Europa, a música delas não esta exatamente pegando fogo nos iTunes mundo afora (ainda bem).

Loreen é recebido por multidão no centro de Estocolmo
Já os grandes perdedores foram as outras nações escandinavas e o Reino Unido. Tanto a Dinamarca quanto a Noruega tiveram péssimos resultados mas o UK teve uma das derrotas mais dolorosas afinal eles tinham até feito um esforço e mandado Engelbert Humperdinick, um cantor com bastantes achievments e certo reconhecimento mundial.

Alias, dado curioso, por serem os maiores contribuintes financeiros da European Broadcasting Association, o Reino Unido, a Alemanha, a França, a Itália e a Espanha tem entrada automática no concurso enquanto o resto das nações européias tem que participar de uma semi-final e podem não ser escolhidos para serem representados na final.

sábado, 14 de abril de 2012

One Direction: boyband 2012-style


Se existia uma tendência que, a nível global, parecia ter ficado no fim dos anos 90 eram boybands. Desde os tempos dos Backstreet Boys e do NSync, nenhum grupo de garotos cantores capturou as paradas mundiais e despertou o caos entre garotas adolescentes mundo afora (os Jonas Brothers TALVEZ mas eles tocavam instrumentos, né?). O sucesso dos britânicos do One Direction, contudo, parece atestar que a moda voltou com bastante força. Porém, é claro, de uma maneira bem 2012.

O One Direction foi formado na nona temporada do The X Factor britânico. Cada um dos cinco meninos -- Harry, o mais popular; Zayn, o misterioso; Nial, o irlandês; Louis, o engraçado e Liam, o sensível -- fizeram audições separadamente e foram juntados como um grupo por Simon Cowell. Os garotos não ganharam o programa (ficaram em terceiro lugar). Mas, vendo tudo que eles alcançaram, não tem como negar que eles foram os vencedores morais.


Lançado em novembro, Up All Night, o primeiro álbum dos meninos, já vendeu 600 mil unidades no Reino Unido. O primeiro single, What Makes You Beautiful, também estreou no topo e ultrapassou 540 mil unidades ao longo do ano passado. E, em março, eles esgotaram -- em minutos -- os 400 mil ingressos da turnê por arenas britânicas que eles irão fazer entre fevereiro e abril do ano que vem (só em Londres foram vendidos 115 mil ingressos para dez apresentações na O2 Arena. Com isso, os meninos empatam com Rihanna como os artistas que mais se apresentaram consecutivamente no local, atrás apenas de Bon Jovi, Prince e das Spice Girls em sua turnê de reunião).

O segredo dos sucessos? Os cinco meninos são charmosos e bem humorados e eles sabem expressar bem esses trajeitos no Twitter (algo muito importante em 2012, né?) e em entrevistas. Eles são bonitos de uma maneira boy next door e são muito estilosos, no estilo "namorado dos sonhos" da típica jovem de hoje em dia.

Enquanto no Reino Unido o sucesso deles foi impulsionado pelo X Factor (que é, afinal de contas, o programa mais visto no país), no resto do mundo eles alcançaram popularidade de uma maneira muito 2012: através das redes sociais.

O Twitter dos meninos ficou cada vez mais popular e, no Tumblr as imagens daqueles garotos bonitos e bem vestidos começou a se popularizar, atraindo a atenção de meninas na América do Sul, do Norte e da Europa afora.

Rapidamente, os One Direction já eram mega estrelas no Brasil, no Mexico, na Itália, na Suécia, na Espanha, na Alemanha, na França, na Austrália...

E, finalmente, nos EUA.

O maior mercado do mundo nunca foi enormemente receptivo a bandas pops britânicas. Desde que os Beatles explodiram nos anos 60, as Spice Girls foram os outros únicos atos jovens pop a alcançar enorme sucesso no país. Nem os irlandeses do Westlife, nem os historicamente bem sucedidos Take That conseguiram penetrar o mercado apesar de centenas de milhões de cópias vendidas no Reino Unido.

Porém, depois de anos de seca, 2012 parecia finalmente ser o ano dos britânicos teenyboppers quando os meninos do The Wanted, outra boyband inglesa, foram impulsionados por uma apresentação no talkshow da Ellen e levaram seu single, Glad You Came, para o top 5 do Billboard.

Porém, o sucesso do The Wanted foi rapidamente ofuscado pelo One Direction. Sem nenhuma promoção e apenas com a força das mídias sociais, os meninos movimentaram mais de 130 mil unidades do primeiro single, What Makes You Beautiful, em apenas uma semana, penetrando o top 10 do iTunes e o top 30 do Billboard Hot 100. Desde então, a música já alcançou o top 5 do iTunes e o nono lugar no Hot 100 (e continua escalando as paradas).

Porém, o mais impressionante ainda estava por vir: o álbum deles, Up All Night, vendeu 175 mil unidades, estreando em primeiro lugar nas paradas americanas. Dessa maneira, eles conseguiram o que nenhum grupo britânico -- nem os Beatles -- conseguiu: estrear no topo com o primeiro álbum.


Desde então, os meninos estão sendo tratados como pop royalty. Suas sessões de autografo atraem milhões de meninas EUA afora (uma apresentação gratuita de 45 minutos -- com entradas limitadas a portadores de wristbands -- atraiu 25 mil fãs em Dallas, no Texas) e a aparição deles no Today Show, para um concerto ao ar livre na Rockfeller Plaza, atraiu multidões na mesma escala que Lady Gaga, Justin Bieber e Chris Brown. Eles também foram as grandes estrelas do Kids' Choice Awards e uma apresentação no Saturday Night Live catapultou What Makes You Beautiful para o topo do iTunes e fez com que o CD tivesse um aumento de 95% em vendas (mais de 500 mil unidades já foram comercializadas nos EUA).

Talvez por serem ingleses, os meninos devem "menos" do que as boybands anteriores. Apesar de serem todos bastante novos, entre 18 e 19 anos, eles bebem e um deles até -- hold the phone -- fuma (Zayn Malick). Dois deles (Harry e Zayn) tiveram relacionamentos com mulheres muito mais velhas. Em suas entrevistas, eles fazem piadas politicamente incorretas e até xingam. Eles não dançam. O fato deles serem europeus, e não americanos, dá a eles a permissão de serem populares entre um público bem jovem e, mesmo assim, não terem a obrigação de serem squeaky clean.

Tudo isso, é claro, só dá força ao fenômeno e faz deles mais approachable e reais para a multidão de garotas que os idolatram. Alias, elas parecem compartilhar do senso de humor britânico dos meninos. Em seus concertos EUA afora, não é incomum ver cartazes como "ONE DIRECTION GIVES ME ERECTION" e "LET ME MALICK YOU, ZAYN MALICK".

Enquanto isso, os meninos continuam imparaveis. O inicio da venda de ingressos da turnê australiana deles colapsou os sites de venda e um esquema de segurança de proporções épicas está sendo montado para controlar as fãs quando eles desembarcarem no país. Na França, um início de pisoteamento enlouqueceu policiais quando 3 mil fãs foram recebe-los na estação de trem durante uma breve parada promocional. Já nos EUA, a primeira turnê deles pelo país encontra-se esgotada. O sucesso foi tamanho que os meninos anunciaram um show extra na arena mais importante do país, o Madison Square Garden em NY. Em cinco minutos, os 16 mil ingressos tinham acabado. Com uma demanda excedendo as mais positivas expectativas, os garotos acabam de anunciar 25 shows adicionais nos EUA para daqui a mais de um ano (de junho a agosto de 2013) com cerca de 300 mil ingressos sendo disponibilizados para os fãs. Em breve, eles devem anunciar uma turnê pelo resto da Europa e, no fim do ano, eles lançam um segundo CD.

É, parece que as boybands voltaram de vez.


quarta-feira, 4 de abril de 2012

Modern Family: a hora da guerra




Nossa, parece que foi uma eternidade que um anúncio de Modern Family roubou o holofote do Oscar (e bom, meio que foi mesmo). Desde então, o programa virou a franquia mais poderosa da TV aberta americana, ultrapassando Two & a Half Man e The Big Bang Theory da CBS para se tornar a comédia mais vista do país. Mais do que isso, Modern Family virou o queridinho de todas as premiações (mais de 15 Emmys até agora) e atraí um número de jovens que não é visto desde os tempos de Friends. Além disso, a comédia não para de crescer, com um aumento de 13% na terceira temporada em relação a anterior.

E, claro, tudo isso significa uma coisa: MONEY. Em 2011, Modern Family lucrou 164 milhões de dólares só com anúncios para a ABC. A rede de TV a cabo USA comprou os direitos de retransmissão do programa por uma license fee que se aproxima a 1.5 milhão de dólares por episódio. E isso sem contar as vendas de DVDs; os milhões com os direitos internacionais e os mais centenas de milhões de dólares adicionais que o programa irá lucrar quando os direitos de syndication (retransmissão) forem negociados com redes de TV aberta no ano que vem.

Agora, a produção da terceira temporada se encerrará e começará o momento que fará a cabeça de executivos e agentes girarem: a renegociação de contratos.

Nos EUA, os atores quase sempre fecham contrato para 7 temporadas logo no momento que o programa é comissioned pela rede de TV (claro que é raríssimo um programa alcançar um run tão longo, só 1 em 20 conseguem, mas esse é o contrato padrão). Porém, depois de três anos de sucesso, os atores tem o direito de renegociar seus salários, incrementando os bônus, aumentos e até estendendo o contrato por mais alguns anos adicionais (quanto mais tempo no ar, mais dinheiro lucrado com a venda de retransmissão e esse é um dos principais meios de lucro das redes de TV americanas).

Porém, é óbvio que as coisas não são fáceis assim: NINGUÉM quer dar o braço torcer, nunca. Como já vimos com as centenas de renegociação de contrato dos dubladores dos Simpsons e com a super hiper mega divulgada renegociação do elenco de Friends no fim dos anos 90 (que acabaram fechando por um salário record breaking de 1 milhão de dólares por episódio + bônus), essas discussões rendem. É um enorme vai e vem entre advogados; agentes; atores; executivos e presidentes de empresa.

Os tempos de 1 milhão de dólares por episódio ficaram para trás. Enquanto no fim dos anos 90, isso era um salário normal para megaestrelas de sitcom, hoje em dia ninguém na televisão recebe metade disso. Porém, analistas estimam que o elenco consiga alcançar a faixa de 150 mil dólares por episódios.

Um exemplo recente foi The Big Bang Theory. A sitcom da CBS também lucra milhões e está bem próxima de Modern Family em valor total de mercado e as três estrelas do programa -- Kaley Cuoco; Jim Parsons e Johnny Galecki -- fecharam por 200 mil dólares por episódio (ou seja, cerca de 4.6 milhões por temporada) além de royalties e um aumento percentual anual. Porém, Big Bang só tem três estrelas e o elenco principal de Modern Family é composto pelo dobro disso (Ed O'Neil; Sofia Vergara; Ty Burrel; Julie Bowen; Jesse Tyler Fergunson; Eric Stonestreet).

No começo do programa, o elenco recebia entre 20 e 60 mil por episódio. Atualmente, todos recebem entre 60 e 100 mil. Espera-se que eles tentem renegociar para, no minimo, o dobro disso e que, seguindo o exemplo de Friends, a negociação seja feita em conjunto, com todos exigindo a mesma quantia.


Mas, deixando os detalhes minuciosos sobre salários de lado, alguém duvida que a breakout star do programa seja Sofia Vergara? A colombiana não é nada boba e tá lucrando milhões e capitalizando no fato dela ser uma das garotas propagandas mais cobiçadas por anunciantes.

No momento, ela estrela nada menos que três campanhas: a da Diet Pepsi; da marca de maquiagem CoverGirl e da loja de departamento KMart, que comercializa uma linha de roupas baseada na atriz. Ela também está na capa da Esquire e da InStyle e será a primeira integrante do elenco de Modern Family a conseguir um super prestigioso slot como apresentadora do Saturday Night Live, algo reservado para A-listers. Além disso tudo, ela ainda tem um papel de destaque no filme Os Três Patetas, dirigido pelos irmãos Farrely e baseado nos curtas cômicos do mesmo nome.


O sucesso de Sofia é de fácil compreensão: um personagem carismático numa comédia extremamente popular; corpo e personalidade extremamente sensuais e conexão tanto com o público feminino (que a acha aproximavel) quanto masculino (que a acha irresistível), além, é claro, com o público latino, uma das fatias mais lucrativas e importantes nos EUA atualmente.

Edit (08/2012): dito e feito. Na última semana de julho, depois de meses de negociação, todo o elenco protagonista do programa boicotou a primeira reunião de elenco da nova temporada e entrou com um processo contra a Warner. Uma semana depois, tudo já tinha se resolvido e os atores fecharam por 180 mil dólares por episódio, com um aumento percentual a cada nova temporada e uma parcela pequena dos lucros totais de syndication do programa. Em troca, eles aceitaram estender o contrato deles por mais uma temporada (ou seja, eles estão comprometidos por 8 temporadas).

terça-feira, 27 de março de 2012

Na telona: Hunger Games e outros sucessos


Hunger Games, conhecido no Brasil como "Jogos Vorazes", primeiro filme baseado na trilogia de best-sellers escrito por Suzanne Collins, estreou essa sexta-feira e, como previsto, quebrou recordes ao arrecadar centenas de milhões de dólares em seu primeiro final de semana. 

A nível mundial, o filme lucrou 250 milhões de dólares, mais da metade disso (155 milhões) apenas nos EUA e no Canadá. Com isso, ele se tornou a melhor estréia no mês de março da história e também o maior final de semana para uma não-seqüencia na história da América do Norte e terceiro no total (atrás apenas de Harry Potter & the Deathly Hollows part 2 e The Dark Knight), superando as aberturas de todos os filmes da saga Crepúsculo. O filme também foi um enorme sucesso de críticas, com 85% dos especialistas elogiando a produção de Gary Ross de acordo com o Rotten Tomatoes. O público também parece ter aprovado, dando um A no Cinemascore (um método de pesquisa que contabiliza a opinião do público, que pode dar de A+ a F-, e, por indicar como será o boca a boca nas semanas subsequentes, tem enorme importância para os estúdios), com o público alvo (garotas adolescentes) dando um A+.

Com mais de 15 milhões de cópias impressas nos EUA até o momento, a trilogia ocupa o topo da lista dos mais vendidos e, com 170 mil unidades, a trilha sonora do filme -- que conta com músicas inéditas de Taylor Swift; Maroon 5; The Civil Wars; Kid Cudi; Miranda Lambert e Arcade Fire, entre outros -- está prevista para estrear no topo da Billboard na semana que vem, sinalizando uma dominação multimídia total por parte da saga.

Jennifer Lawrence, que interpreta a protagonista Katniss, é a it girl do momento. Depois de ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz ano passado por Winter Bone, a garota conseguiu o papel mais cobiçado do ano e sua performance está sendo unânimamente elogiada. Jennifer estampa as capas da Glamour americana e britânica e da Seventeen, além da Parade magazine (suplemento distribuído para mais de 30 milhões de pessoas pelo USA Today, o jornal mais lido do país) e estima-se que a garota e os outros atores da saga estejam na capa de mais de 50 revistas mundo afora. Ela ainda tem mais uma franquia lucrativa em produção: a seqüencia de X Men First Class, onde interpreta o papel de Mystique.

Para promover o filme, Jennifer Lawrence, junto com Liam Hemworth e Josh Hutcherson, os galãs da trama, visitaram oito shoppings em diferentes cidades americanas e foram a pré-estréias em NY, Los Angeles, Londres, Paris e Berlim. O burburinho em torno do filme também ajudou o livro a alcançar o topo da lista dos mais vendidos em toda a Europa e também na América Latina (inclusive no Brasil onde "Jogos Vorazes" atrai cada vez mais fãs) e fez as ações da Lionsgate, a companhia por trás do filme, alcançarem números recordes na Bolsa de Valores depois de anos em queda.

Apesar do sucesso sem precedentes de Hunger Games estar ofuscando tudo e todos, o filme não é o unico que tem obtido resultados bastante sólidos. Vamos dar uma olhadinha em alguns outros sucessos:


21 Jump Street. No fim dos anos 80, 21 Jump Street (Anjos da Lei) era o seriado do momento. Responsável por lançar a carreira de Johnny Depp, o programa da Fox contava a história de policiais que resolviam casos se infiltrando em high schools. Duas semanas atrás, uma adaptação cômica, estrelando Seth Rogen e Channing Tattum, estreou nos cinemas americanos e, apesar dessa descrição parecer uma receita para o desastre, o filme foi um enorme sucesso arrecadando 87 milhões de dólares em duas semanas e atraindo criticas majoritariamente positivas. Bônus: o filme tem um cameo de Johnny Depp. O filme estréia no Brasil em maio.

 

The Vow. A Walk to Remember e The Notebook eternizaram o gênero e Dear John e The Last Song fizeram garotas adolescentes em todo o mundo chorarem de emoção. Isso tudo também ajudou Nicholas Sparks, o homem que escreveu todas os melosos livros que deram origem aos filmes citados, a se tornar um dos autores mais ricos do mundo. Porém, cansado de pagar royalties para Sparks, Hollywood resolveu pegar todos os elementos (clichês e overused) de suas histórias; juntar Rachel McAdams (The Notebook) e Channing Tatum (Dear John) e fazer uma história original, The Vow, sobre um casal recém-casado que tem a vida posta de cabeça para baixo quando a moça sofre um acidente de carro que a faz perder a memória, forçando o puro rapaz com quem ela se casou a ter que reconquista-la de novo. Estreando nos EUA no Dia dos Namorados (14 de fevereiro), o filme lucrou mais de 40 milhões de dólares em seu primeiro fim de semana e 166 milhões de dólares no total (em cima de um custo de apenas 30 milhões de produção), apesar das péssimas críticas. Ah, e apesar de Hollywood descobrir que dá para fazer filmes melosos, clichês e trágicos não baseados em livros de Sparks, o autor continua sendo um hot propriety: dia 20 de abril, estréia The Lucky Ones, outro drama romântico e trágico baseado em uma de suas obras com um hunky lead (Zac Efron, no caso).

 

The Lorax. Baseado na obra de Dr. Seuss, um dos autores infantis mais célebres dos EUA, o filme animado The Lorax lucrou 177 milhões de dólares nos EUA e deve ultrapassar os 250 milhões com sua estréia internacional. O filme conta com as vozes de Zac Efron; Taylor Swift (em sua estréia no cinema) e Danny DeVito nos papéis principais e teve uma campanha de marketing pesadíssima que incluiu um spot no Superbowl; integração com a NBC, rede que também pertence ao grupo Universal (distribuidor do filme), incluindo uma promoção com The Voice, atualmente o maior sucesso da emissora e mais de 70 promotional parters incluindo a HP; a rede de restaurantes iHop, a rede de supermercados de comida orgânica Whole Foods; sites infantis como Nick.com, Neopets e Poptronica; The Nature Conservancy; The National Education Association e a loja de departamento Target. O público latino, uma minoria extremamente numerosa nos EUA, também foi targeted com uma pesada campanha que incluiu promoções especiais em conjunto com a Univision e a Telemundo, as duas principais emissoras em espanhol dos EUA. Taylor e Zac ainda gravaram uma série de spots para a ABC Family, rede forte entre garotas adolescentes e Efron visitou Londres, Madrid e Roma para promover o filme.


Casa de mi Padre. Um filme extremamente bizarro, nenhuma surpresa que ele nunca tenha tido uma distribuição grande. Porém, apesar do seu limited release, Casa de Mi Padre foi um sucesso com quase 4 milhões de dólares arrecadados no seu primeiro final de semana e um per screen average bastante alto. A comédia, estrelado por Will Ferrel, deu o que falar por ser totalmente em espanhol (Will Ferrel não é latino); ter um elenco totalmente mexicano (além de Will Ferrel, é claro), liderado por Diego Luna e Gael Garcia Bernal, e ser uma paródia das novelas e filmes de ação mexicanos, com referências extremamente específicas (apesar de tanto o diretor quanto os roteiristas serem caucasianos). Toda essa bizarrice confundiu bastante os críticos mas atraiu um público maior que o esperado. Uma entrevista totalmente em espanhol entre Ferrel e o popular apresentador de talkshow Jimmy Kimmel também ajudou a causar burburinho.


 
October Baby. Com um per screen average de 6 mil dólares e 2 milhões de dólares arrecadados em um único final de semana, apesar de ser um lançamento extremamente limitado, October Baby foi outro sucesso de nicho nos EUA.  Porém, o nicho é bastante diferente da comédia de Will Ferrel: evangélicos conservadores. O filme anti-aborto, promovido pesadamente por grupos cristãos e pela reacionaria American Family Association, fez bonito nas regiões mais conservadoras dos EUA (Texas; Alabama; Mississipi; Carolina do Norte e Georgia) apesar de ter sido ignorado nas regiões menos, digamos, atrasadas (apenas 9 cinemas de Nova York exibiram o filme, em comparação com 32 no Texas e 28 na Carolina do Norte. Na Califórnia, o filme foi exibido em 26 cinemas, mas apenas dois em Los Angeles e em nenhum em São Francisco). De qualquer maneira, o drama cristão se mostrou extremamente rentavel.

Por outro lado, já tivemos um grande fracasso: John Carter. O filme de ação da Disney, estrelado por Taylor Kitsch, teve uma campanha milionária, incluindo spots no Super Bowl, e custou 250 milhões de dólares para produzir. Porém, o filme nem sequer cruzará a barreira dos 100 milhões domesticamente e, nem com a arrecadação internacional (230 milhões no total), conseguirá cobrir seus gastos. 

É óbvio que o ano mal começou e os maiores blockbusters do ano ainda estão para estrear. Entre os sucessos óbvios temos The Avengers, que juntará todas as propriedades fodonas da Marvel (Iron Man; Hulk; Capitain America; Thor, etc); The Dark Knight Rises, o terceiro filme do Batman; Brave, a nova animação da Pixar (a primeira com uma garota como protagonista) e Battleship, baseado no jogo Batalha Naval e que é a grande aposta para ser o sucessor de Transformers  e tem um elenco forte liderado por Taylor Kitcsh, Liam Neeson e Rihanna, na sua estréia cinematográfica. Espera-se que todos esses ultrapassem os 500 milhões de dólares internacionalmente.

quarta-feira, 21 de março de 2012

O Artista quem?


O filme francês do momento é, sem duvida nenhuma, "The Artist". Grande ganhador do Oscar esse ano, o filme, distribuído pelo onipresente e poderosíssimo Harvey Weinstein, chamou a atenção por não só não ser americano (quer dizer, em termos: apesar de diretor e elenco francês, ele foi gravado em Los Angeles com dinheiro americano) mas também por ser totalmente em P&B e mudo. O protagonista, Jean DuJardin, um household name na França graças a seu papel na popularíssima (e nada cult) comédia televisiva Un Gars, Une Fille, se transformou no primeiro ator do país a ganhar um Academy Award. Isso sem contar todas as outras toneladas de prêmio que o filme e seus atores receberam: Globos de Ouro, Cesar, SAG Awards, BAFTA....

Mas, enquanto o filme de Michel Hazanavicius monopoliza as manchetes e a atenção dos cinéfilos, é outro filme francês que está quebrando tudo quanto é tipo de recorde. Com 281 milhões de dólares arrecadados, Intouchables, uma comédia despretensiosa dirigida por Eric Toledano e Olivier Nakache, acaba de se tornar o filme de língua estrangeira (língua estrangeira = qualquer língua que não seja inglês) mais bem sucedido de todos os tempos.

A história da improvável amizade entre um aristocrata paraplégico e seu empregado negro, proveniente de um dos conjuntos habitacionais pobres de Paris, poderia ser um desastre ao cair em clichês e possíveis tabus raciais. Ao invés disso, a história se tornou um verdadeiro fenômeno social, atraindo críticas mais do que positivas e vendendo mais de 20 milhões de ingressos na França (cuja população é apenas três vezes isso: 62 milhões), onde passou 10 semanas consecutivas como o filme mais visto e terminou 2011 desbancando Harry Potter, Piratas do Caribe e afins como a maior bilheteria do ano (166 milhões de dólares). Mais do que isso, o filme foi creditado por revolucionar as visões de raça e preconceito na França, um país que sempre tratou o assunto com extrema cautela e medo. Alguns afirmam que Intouchables ajudou a quebrar estereótipos relacionados a conjuntos habitacionais e imigrantes que durante anos permearam a vida dos locais.


Intouchables se transformou no segundo filme com maior bilheteria na história da França. Na frente dele, só outro fenômeno de bilheteria, a comédia Bienvenue chez les Ch'tis que, em 2008, lucrou 195 milhões no país e também foi elogiada por quebrar estereótipos (no caso, sobre o norte da França, especificamente a região de Nord-Pas-Calais que, historicamente, é considerado o pior lugar do país para se morar devido a seu clima sempre chuvoso, desemprego acima da média nacional e o sotaque dos locais, considerado irritante por muitos. Depois do filme, isso mudou radicalmente e a região está na moda desde então). Porém, Intouchables tem uma vantagem em relação a Ch'tis: a comédia ultrapassou as fronteiras francesas e está, aos poucos, conquistando o resto da Europa e do mundo.

De fato, o filme quebrou o recorde de maior bilheteria de um filme não-anglofônico graças ao sucesso sem precedentes em apenas pouquíssimos territórios, já que ele ainda não estreou na maior parte da Europa, muito menos nos EUA e nas Américas.

Porém, onde já estreou, o filme quebra recordes: na Alemanha, com 70 milhões de dólares arrecadados até o momento, o filme ocupou o topo das bilheterias por 9 semanas consecutivas (e tudo indica que ele voltará ao topo na próxima semana) e deve passar da marca dos 100 milhões em breve. O filme já é o maior sucesso francês na história do país.

Agora, o sucesso se repete em mais dois territórios: a Itália e a Espanha onde o filme já lucrou 8 e 5 milhões de dólares respectivamente, mais do que a maior parte dos blockbusters americanos do ano até o momento. Em tempo, na Itália, a versão local de Bienvenue chez les Ch'tis, Bienvenuti al Sud, se provou um sucesso tão gigantesco em 2010 que uma seqüência original, Bienvenutti al Nord, foi produzida e é, até o momento, a maior bilheteria do ano no país (40 milhões de dólares; como referência: o último filme do Harry Potter lucrou 30 milhões no país). 

O filme estréia em maio nos EUA onde será distribuido por -- quem mais? -- Harvey Weinstein, o mesmo que colocou o dinheiro por trás de O Artista. Antes mesmo da estréia, o filme já se provou controverso no país quando a Variety, numa crítica extremamente mal recebida pela imprensa francesa, chamou o filme de "racista". Já Bienvenue chez les Ch'tis teve os direitos de adaptação comprados por ninguém menos que Will Smith.

Com o recorde de maior bilheteria não-anglofônica da história antes mesmo do filme ter estreado na maior parte do mundo (como os EUA, o maior mercado mundial; Reino Unido, o maior mercado para filmes estrangeiros e Japão, onde o filme já ganhou um prêmio no Tokyo International Film Festival) ou ter recebido qualquer prêmio internacional e com resultados estratosféricos nos pouquíssimos mercados em que foi lançado (França; Bélgica; Itália; Espanha; Alemanha; Áustria), não tenho duvidas que Intouchables ainda tem muito caminho a percorrer. No Brasil, a estréia está prevista para agosto.

Entre Intouchables e Le Artist, 2012 parece ser o ano do cinema francês, não é mesmo?

Em tempo, antes de Intouchables, o recorde pertencia ao filme animado japonês "A Viagem de Chihiro" (2002) com 276 milhões de dólares arrecadados (230 milhões só no Japão onde é a maior bilheteria da história). Outros filmes não anglofônicos que ultrapassaram a marca de 200 milhões de dólares arrecadados mundialmente incluem outros dois filmes animados do Studio Ghibli (Howl's Moving Castle e Ponyo) e o italiano "A Vida é Bela".

Edit: O trailer americano acaba de ser lançado. Para quem não entende francês mas entende inglês, dê uma olhadinha:


terça-feira, 6 de março de 2012

Hunger Games: o nascimento de um fenômeno


Em 2011, Harry Potter, a maior franquia literária da história, chegou ao fim com o lançamento do último filme, Harry Potter & the Deathly Hollows Pt. 2, encerrando uma fenomenal saga cinematográfica que lucrou mais de 8 bilhões de dólares ao longo de oito filmes e vendeu 500 milhões de livros. Em novembro, Breaking Dawn Part 2, o quinto filme da saga Crepúsculo, será o capítulo final da série de Stephanie Meyers que, no final do ano, deverá ter lucrado 3 bilhões de dólares e vendido 150 milhões de livros em todo o mundo.

Com essas duas enormes franquias chegando ao fim, todos os olhos estão em The Hunger Games (Jogos Vorazes), a aposta para ser o novo fenômeno que carregará nas costas tanto a indústria literária (30 milhões de unidades dos três livros que compõem a série foram vendidos até agora apenas nos EUA) quanto da indústria cinematográfica.

Ao longo de 2011, todo ator jovem de Hollywood sonhou em conseguir os três papéis principais no filme, indiscutivelmente os papeis mais cobiçados por agentes em anos. A jovem Jennifer Lawrence, que ficou conhecida ao ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz por Winter Bone no ano passado, conquistou o papel principal, a jovem Katniss. Josh Hutcherson e Liam Hemworth foram escolhidos para interpretar os outros dois protagonistas, Peeta e Gale. Gary Ross, indicado ao Oscar quatro vezes, ficou incumbido de dirigir o filme que foi todo gravado na Carolina do Norte com um orçamento relativamente modesto (para padrões de Hollywood) de 75 milhões de dólares.

Agora, analistas esperam que o filme lucre mais de 100 milhões de dólares apenas em seu primeiro final de semana nos EUA e centenas de sessões de meia-noite já estão esgotadas. Desde que o primeiro trailer foi disponibilizado, em novembro do ano passado, mais de 8 milhões de cópias do livro foram vendidos. Esmaltes  e até água da marca Hunger Games estão disponíveis no mercado e a trilha sonora terá 16 músicas inéditas interpretadas por artistas como Arcade Fire, Maroon 5, The Decembrists e Kid Cudi, além de um hypado primeiro single interpretado por Taylor Swift em colaboração com os Civil Wars.

Hunger Games está carregando a Lionsgate nas costas. Depois de anos de fracasso (incluindo dois extremamente custosos ao longo do ano passado, Conan the Barbarian e o starring vehicle do Taylor Lautner, Abduction), o filme baseado no livro de Suzanne Collins é a unica coisa que está impedindo o estúdio de falir (além de uma junção com a Summit Entertainment, a produtora que é, curiosamente, responsável por Crepúsculo).

Agora é esperar o dia 23 de março para ver se Hunger Games realmente conseguirá alcançar todas as altíssimas expectativas.



Alias, aproveitando o embalo, deixa eu falar sobre duas adaptações de cinema que foram por caminhos completamente opostos: The Help (Vidas Cruzadas) e One Day (Um Dia). Ambos foram livros extremamente elogiados e com vendas altíssimas.  

The Help, escrito por Kathryn Sockett, foi lançado em 2009 e foi um dos grandes sucessos de 2010 e, depois de vender mais de 1 milhão ao longo do ano retrasado, encerrou 2011 como o maior vendedor do ano nos EUA com 5 milhões de cópias vendidas. O livro, que fala sobre a situação das domésticas negras no sul dos EUA nos anos 60, é bizarramente contemporâneo para a sociedade brasileira.

One Day, escrito pelo britânico David Nicholls, também publicado em 2009, foi outra mega fenômeno. Com 1 milhão de unidades vendidas, o livro, um romance onde cada capítulo relata um ano da vida de um casal com um enfoque em um dia específico, foi a novela mais vendida no Reino Unido ao longo do ano passado. No total, mais de 2 milhões de unidades foram vendidas na terra da rainha e o livro também alcançou o topo da lista dos mais vendidos da New York Times.

Enquanto The Help (Vidas Cruzadas) foi um gigantesco sucesso de crítica e de público (207 milhões de dólares e  um A+ no Cinemascore, apenas um dos sete filmes na história a obter essa nota) e um dos mais premiados na award season (quatro cobiçadas indicações ao Oscar, incluindo uma vitória para Octavia Spencer como Atriz Coadjuvante); One Day foi um relativo fracasso (56 milhões de dólares, o suficiente para ser lucrativo pois foi feito por apenas 13 milhões mas disapointing para o tamanho do livro e dos atores envolvidos), sem nenhuma indicação a prêmios e desagradando tanto os críticos, quanto os leitores da novela. A maior crítica? O casting de Anne Hathaway, americana, no papel da protagonista, que é proveniente do norte da Inglaterra (apesar de que isso deu certo com Renee Zelwalger, do Texas, como Bridget Jones).

Basicamente, o que diferencia um do outro? The Help conseguiu trazer a mágica do livro para as telas, emocionando o público da mesma maneira que o livro. Já One Day transformou o romance que tocou milhões em uma história piegas. Podemos concluir então que, quando o assunto é adaptação para o cinema o importante é saber traduzir o que encantou os leitores para a tela grande e causar neles as mesmas emoções. Parece óbvio mas it's easier said then done.

E no quesito "alcançar as expectativas e trazer a mágico do livro para as telas", The Hunger Games tem muito que live up to.

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