Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

Mostrando postagens com marcador tinie tempah. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tinie tempah. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Cobertura: Grammy's e BRIT Awards


Rihanna: uma das performers que teve que suar para estar nas duas premiações em L.A. e Londres em menos de 24 horas

Esse ano, o Grammy e os BRIT Awards aconteceram na mesma semana: o primeiro no domingo, dia 13, e o segundo na terça, dia 15. A diferença de menos de 24 horas entre os dois prêmios (graças ao fuso horário gigantesco entre Grã-Bretanha e Califórnia) deve ter dado uma dor de cabeça entre os artistas marcados para se apresentar em ambos como Rihanna, Cee-Lo Green, Mumford & Sons e Arcade Fire.

O Grammy, como todo mundo sabe, é a principal premiação de musica dos EUA. Já os BRIT é o equivalente britânico. Embora ambos exerçam a mesma função (basicamente, aumentar as vendas de CD nos primeiros meses do ano, onde os números são bem baixos), existem alguma diferença entre eles.

Para começar, os Grammy's são MUITO mais pomposos. Com uma duração de três horas, ele é muito elegante e classudo e cheio de pompa. Os BRIT, por sua vez, é bem mais "pop" e jovem, com uma duração de apenas uma hora e meia, muito menos categorias técnicas e um clima mais descontraido (lembrando talvez mais os VMAs da MTV).

Além disso, ambas as premiações são meio duvidáveis no quésito qualidade, sempre dando prêmios não muito merecidos. Os critérios de premiação do Grammy são risíveis, com eles as vezes premiando artistas apenas pelas vendas (Taylor Swift por Melhor Performance Vocal e Álbum do Ano? Sério?) e as vezes optando por artistas ~underground que são totalmente esquecidos uma semana após a exibição da premiação (case in point: o irrelevante grupo de jazz Steely Dans ganhando Álbum do Ano em 2001 ao invés do icônico Marshall Matters LP de Eminem). Sem mencionar o fato deles ignorarem completamente muito dos artistas mais importantes da história, como David Bowie e, durante anos, Madonna.


Sempre discreta, Gaga chega nos Grammy's dentro de um ovo

Por outro lado, os BRIT não são muito melhores nesse aspecto, com eles não escondendo o fato de que o prêmio irá necessariamente para quem aceitou se apresentar no programa. Cee-Lo Green era o unico indicado a Best International Male que estava presente e, conseqüentemente, o prêmio foi para ele (apesar de que Eminem, com Recovery, tinha sido o ato com as melhores vendas, melhores críticas e tinha obtido o maior hit do ano anterior no país com Love the Way You Lie).

Mas enfim, apesar dos pesares, as premiações são divertidas de se assistir pelas performances e pelas celebridades e, na semana seguinte aos prêmios, os vencedores e performers se beneficiam de grandes aumentos nas vendas de seus álbuns.

Os Grammy's teve a audiência mais alta da última década com 26.55 milhões de telespectadores. Isso pode ser atribuido, em parte, a todo o hype envolvendo Lady Gaga que iria fazer a sua primeira apresentação de Born this Way na premiação.



Acostumada a causar, Gaga chegou no tapete vermelho dentro de um ovo, carregada pelos seus bailarinos e ela "nasceu" durante a performance, a segunda da noite. Apesar da grandiosidade da entrada, a apresentação foi muito mais contida do que se espera de Gaga o que fez com que ela fosse elogiada por alguns (a voz dela estava perfeita) e criticada por muitos outros (que esperavam que depois de todo o hype seguido de decepção com o primeiro single, Gaga fizesse algo inquestionavelmente incrível durante a premiação).

A premiação foi aberta por um tributo a Aretha Franklin. Participaram dele Florence (& the Machine), Yolanda Brown, Jennifer Hudson, Martina McBride e Christina Aguilera. Christina, apesar do fracasso de seu último CD, foi inquestionavelmente a estrela da performance, posicionada no centro (com um TRIPÉ VERMELHO.
Sindrome de atention whore?) e cantando os versos principais.

Todos os olhos estavam em Aguilera pois, menos de uma semana antes, ela tinha sido responsável por cantar o hino dos EUA no Superbowl, o maior evento esportivo dos EUA e a maior audiência televisiva do ano, e, nervosa, errou a letra. Nos Grammy's, Christina calou os críticos com uma performance vocal arriscada mas, pasmem, ela caiu no palco no fim da performance (por sorte, foi quase imperceptível).

Apesar de Christina ter sido a grande estrela, Florence foi a mais beneficiada, com as vendas de seu CD, Lungs, crescendo 42% na semana seguinte a premiação.

Mais quais foram consideradas, unanimamente, as melhores performances?

Sem a menor duvida, Cee-Lo Green e os britânicos do Mumford & Sons.



Com uma performance coloridíssima e irreverente, incluindo Cee Lo vestindo penas de pavão, um pug dançante, Muppets e participação de Gwyneth Paltrow, Fuck You (em sua versão censurada Forget You, é claro) foi um dos pontos altos da noite.

A apresentação foi tão bem recebida que Fuck You foi, depois de 26 semanas na parada, catapultado a segunda posição do Hot 100 da Billboard graças as vendas de 426 mil unidades da música no iTunes. Em qualquer semana, isso seria o suficiente para a primeira posição porém Cee-Lo teve o azar de ter como concorrente Lady Gaga que também foi beneficiada pela apresentação nos Grammys. Com 520 mil cópias, Gaga se transformou num dos casos raríssimos onde uma música que quebrou recordes em sua semana de estréia aumenta as vendas na semana seguinte.

Porém, Cee-Lo continua na corrida para o topo nas próximas semanas. Desde que a performance foi ao ar, airplay nas rádios estado-unidenses continuam crescendo dia após dia em velocidade assustadora.



A outra grande performance da noite foi a dos britânicos do Mumford & Sons. O grupo tinha vendas bastante satisfatórias nos EUA, com mais de 600 mil cópias de Sigh No More comercializadas, mas, apesar do sucesso do álbum, eles não eram conhecidos pelo grande público.

Isso mudou após a apresentação (em conjunto com os Avery Brothers e Bob Dylan que, alias, foi a pior apresentação da noite) de The Cave no Grammy.

Minutos após a performance, os Mumford estavam em primeiro nos Trending Topics do Twitter e também entre os mais buscados no Google. A música The Cave penetrou o top 10 do iTunes e o CD vôou para o primeiro lugar nos mais vendidos do aplicativo da Apple e também no Amazon.com, principal site de vendas.

Com apenas 24 horas dos efeitos do Grammy contabilizado, as vendas de Sigh No More já tinham aumentado 99% para 49 mil cópias, o suficiente para a segunda posição na parada de CDs. Na semana seguinte, com seis dias extras pós-Grammy, o álbum vendeu mais 144 mil unidades e está cada vez mais próximo de ultrapassar a barreira do milhão nos EUA.




A apresentação de Eminem, que contou com participações de Adam Levine, Dr. Dre e Rihanna, também foi bastante elogiado. O CD, o álbum que mais vendeu no ano passado nos EUA, viu suas vendas crescerem 61%, com 60 mil unidades de Recovery vendidas, o suficiente para aparecer em sexto lugar entre os mais vendidos da semana. A nova música de Dr. Dre, I Need a Doctor, cantada durante a apresentação de Eminem, foi a mais beneficiada, vendendo 238 mil cópias e voltando para o top 10.

E quanto aos grandes vencedores da noite, Lady Antebellum e Arcade Fire.

O grupo country ganhou, com a música Need You Now, os prêmios de Record of the Year e Song of the Year (qual a diferença entre essas categorias segue sendo um grande mistério). Já os canadenses do Arcade Fire desbancaram Eminem e Gaga para ganhar o principal prêmio da noite: Album of the Year.

Sinceramente, acho que o prêmio deveria ter ido para Gaga por The Fame Monster. O álbum era realmente muito bom e o impacto que ele causou ao longo do último ano foi muito maior que o do Arcade. Mas, enfim, é óbvio que o prêmio ia para a opção mais ~indie.


Alias, foi tudo meio falso, né? Ou foi só coincidência o fato do Arcade ter sido os performers a cantarem logo antes do anúncio final e, logo depois de aceitarem, cantarem outra música encerrando o show? Ridiculo.

Tanto Lady Antebellum (numa performance fraquinha que não fez jus a música) e Arcade Fire se apresentaram ao longo da noite.

Esperanza Spalding, artista jazz que chocou todo mundo ao ganhar Best New Act ao invés de Justin Bieber (particularmente, achava que o prêmio ia para Florence & the Machine que, alias, merecia bem mais que Esperanza), viu suas vendas crescerem 476% em relação a semana anterior com 18 mil unidades.

Bruno Mars, ganhador de Best Male Pop Vocal Performance por Just the Way You Are, se apresentou junto com o B.o.B. e a hypada Janelle Monae. Ele também viu as vendas de seu CD, Doo-Woop & Hooligans, crescerem 55%, o suficiente para a quinta posição nas paradas de CDs.


Além de cantar o hit Love the Way You Lie (part II) com Eminem, Rihanna ainda teve uma apresentação solo que contou com a participação de Drake. Os dois cantaram, pela primeira vez juntos, o giga hit de Rihanna, What's My Name?, numa das performances mais hot da noite.

Outra popstar do momento, Katy Perry, também teve seu momento. Ela cantou Just Like the Movie, com projeção de imagens do casamento da cantora com o comediante britânico Russel Brand (primeira vez que o público viu qualquer imagem da cerimônia, que tinha sido muito bem protegida), e seu mega hit Teenage Dream.

Miranda Lambert, cantora country que abocanhou grande parte dos prêmios do gênero, cantou The House That Built Me; Muse, o maior ato rock do último ano, cantou Uprising; Norah Jones, John Mayer e Keith Urban homenagearam Dolly Parton com uma rendition de Jolene; Justin Bieber se juntou com Jayden Smith e Usher para uma performance que incluiu Baby, Never Say Never e OMG. A noite também contou com uma apresentação de Barbara Streisend, uma das homenageadas da noite.

Menos de 24 horas depois, no BRIT Awards, os Mumford & Sons, grandes beneficiados do Grammy nos EUA, ganharam o British Album of the Year, o principal prêmio da noite no BRIT Awards. Os Mumford também cantaram Timshel na cerimônia.



Adele e Tinie: as grandes estrelas da noite


Nas paradas britânicas, Sigh no More, o CD da banda, subiu 13 posições em relação a última semana, chegando a segunda posição. Essa é a posição mais alta que o álbum alcançou, ultrapassando a terceira posição obtida faz 19 semanas. O CD vendeu 45 mil cópías.

Felizmente para Justin Bieber, nenhuma concorrente "surpresa" roubou dele o prêmio de Best International Breakthrough (Revelação Internacional). A surpresa mesmo foi na categoria British Female Act, onde a grande vencedora foi a desconhecida Laura Marling (num prêmio que, sinceramente, deveria ter ido para a Ellie Goulding).

Como já disse lá em cima, o BRIT Awards decide os performers com base em para quem eles vão dar o prêmio e vice-versa. Então, de todos os vencedores, só Laura Marling e Justin Bieber não se apresentaram durante a noite. Biebs, porém, mostrou o quanto queria vencer ao voar dos EUA para Londres só para aceitar o prêmio (e OK, promover seu filme Never Say Never).

No ano passado, a performance ao vivo de Florence (& the Machine) com o rapper Dizzee Rascal foi lançada no iTunes e a versão fez tanto sucesso -- alcançando a segunda posição e ficando quase dois meses no top 5 -- que, esse ano, todas as performances ao vivo (com exceção do medley de Rihanna) foram disponibilizados no aplicativo da Apple.

E, surpresa, o número 1 da semana nas paradas oficiais foi Someone Like You de Adele, cuja versão ao vivo foi direto para o topo do iTunes, ultrapassando com facilidade o lançamento mais hyped do ano, Born this Way da Lady Gaga.

Adele foi a unica performer da noite a não ser indicada a nenhum prêmio (pois não lançou nenhum álbum em 2010) mas ela foi, sem duvida, a grande estrela da noite, com sua apresentação emocionando o público e fazendo com que a música, que não é nem sequer um single oficial, subisse nada menos do que 46 posições nas paradas, ocupando o topo do single charts britânico e dando a jovem de 22 anos seu primeiro single número 1 nas paradas (tanto Chasing Pavement, do seu álbum anterior, quanto Rolling in the Deep, o primeiro single do seu atual CD, tinham empacado na 2ª posição).



A noite foi aberta pelo Take That que cantou Kidz, o segundo single do último álbum deles. A banda, que é inquestionavelmente o grupo de maior sucesso no país desde os Oasis nos anos 90, levou para casa o prêmio de Best British Band.

Tinie Tempah, um dos maiores vencedores da noite (British Single of the Year, por Pass Out, e British Breakthrough), fez um medley de três dos seus maiores hits de 2010: Pass Out, Writen in the Stars e Miami 2 Ibiza. Com as vitórias do rapper, o álbum dele, Disc-Overy, sobe 19 posições em relação a semana anterior e ocupa a sexta posição na parada de CDs britânicas, com vendas de 29 mil unidades.




Alias, quase todo mundo fez medley ao longo da noite. Plan B, ganhador de Best Male Artist, cantou She Said/Prayin'
enquanto Rihanna, Best International Female, cantou Only Girl, S&M e What's My Name.

Loud de Rihanna é presença fixa no top 10 de álbuns mais vendidos do UK desde que o CD foi lançado, em novembro, mas Plan B viu seu Defamation of Strickland Banks subir 18 lugares (7ª posição) e finalmente ultrapassar a barreira de 1 milhão de unidades vendidas graças a premiação.

Os canadenses do Arcade Fire também mal tiveram tempo para comemorar a grande vitória no Grammy uma vez que eles tiveram que voar para Londres quase que imediatamente após a premiação. A banda também foi premiada nos BRIT, Best International Band e Best International Album, onde cantaram Ready to Start.

E a noite foi fechada por Cee-Lo Green com uma performance bem inferior a dos Grammy's. Os produtores obviamente estavam tentando recriar o sucesso de Dizzee e Florence colocando Paloma Faith para cantar em dueto com Cee Lo mas o resultado foi decepcionante, principalmente comparado com a apresentação showstealer do cantor menos de 24 horas antes em Los Angeles.




Enfim, eu gostei das duas premiações esse ano. Mas os BRIT foram mais satisfatórias uma vez que eles tiveram metade do tempo e, conseqüentemente, foram muito menos entediantes.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Retrospectiva 2010: UK Music Scene (parte 1)

Eu sei que já estamos em 2011 faz um tempinho já mas eu ainda tenho muita retrospectiva de 2010 para postar.

O Reino Unido é o terceiro maior mercado fonográfico do mundo, atrás dos EUA e do Japão. Apesar da Alemanha e da França serem países com população maior e economias mais forte, o consumo de música na Grã-Bretanha é mais que o dobro desses dois países (que são, respectivamente, o quarto e o quinto maiores mercados). E, quando se leva em consideração o número de habitantes, o Reino Unido é o país que, proporcionalmente, mais consome música no planeta, com semanas em que o primeiro lugar de vendas supera até mesmo os números dos EUA e do Japão.

Mas deixando números de lado, o Reino Unido pode ser considerado o pólo musical do planeta. Foi lá que surgiram quase todos os atos que mais marcaram a história da música recente: Beatles, Rolling Stones, Queen, David Bowie, The Who.

Por tudo isso, estou sempre de olho no mercado musical britânico.
Então, sem mais delongas, vamos dar uma olhada no que aconteceu de interessante no último ano no Reino Unido:

Newcomers

2010 foi um ano EXTREMAMENTE próspero para novos talentos na cena musical britânica. Teve para todos os gostos: soul, rap, pop adolescente, synthpop, folk e até jazz.



Plan B não é exatamente um newcomer. De fato, o rapper lançou seu primeiro CD, Who Needs Action When You Got Words, em 2006.

O álbum foi muito elogiado pela crítica, com muitos apostando que o cantor, com suas músicas sobre violência juvenil, drogas, estupro e a vida na periferia, era o equivalente britânico para o Eminem. Naquele ano, Plan B ficou em quarto lugar no BBC Sound of the Year, uma enquete anual onde profisionais do ramo da música votam em quem acreditam que irá brilhar ao longo do ano. Porém, apesar do burburinho, o álbum não causou muito impacto com o público e o londrino só alcançou o estrelato ano passado, com o gigantesco sucesso do seu segundo CD, The Defamation of Strickland Banks.

Diferente do seu álbum anterior, com um som bastante urbano e hip-hop, The Defamation é um CD conceitual cuja música é predominantemente soul. O álbum conta a história de Strickland Banks, o alter ego do intérprete, um cantor que vai para prisão por um crime que não cometeu. Cada música é um capítulo na trajetória do injustiçado rapaz.




The Defamation of Strickland Banks foi elogiadíssimo pela crítica (até por Elton John, que afirmou considerar o álbum "o melhor do ano"), ganhou vários prêmios e foi um gigantesco sucesso comercial, vendendo mais de 800 mil cópias ao longo de 2010. Com as vendas fortes continuando nas primeiras semanas de 2011, não deve demorar muito para o álbum ultrapassar a barreira do milhão.

O primeiro single do álbum, Stay too Long, alcançou a nona posição, dando a Plan B (née Benjamin Paul Ballance-Drew, mais conhecido como Ben Drew) seu primeiro top 10 hit. Mas foi a segunda música de trabalho, She Said, lançado em março, que catapultou o musico ao estrelato. A canção alcançou a terceira posição e vendeu mais de 500 mil unidades ao longo do ano passado.

Em 2011, Plan B, que já mostrou com The Defamation of Strickland Banks se
u potencial para contar histórias e atuou em diversos filmes, irá estrear como diretor do filme Ill Manors. Bem ao seu estilo, a pelicula será cheia de rap e contará a história de um grupo de personagens vivendo num bairro barra pesada da grande Londres. Também nesse ano, ele lançará o álbum The Ballad of Belmarsh, com "cenas deletadas" da vida de Strickland Banks. O CD, com um som muito mais pesado e hip-hop que seu antecessor, será lançado independentemente, uma vez que Plan B, apesar do enorme sucesso de seu álbum, não conseguiu a aprovação do material por parte da gravadora.

Plan B ainda planeja transformar a história de Strickland Banks num filme e, claro, continuar a história inconclusa do rapaz em mais CDs.

Se todas essas apostas ousadas darão certo? Ao longo do ano, saberemos a resposta.

Escute mais: Love Goes Down; Stay Too Long; Prayin'; Writing on the Walls.



Mumford & Sons é uma banda de folk rock composta por quatro integrantes: Marcus Mumford (vocais, violão, bateria, mandolin), Ben Lovett (vocais, teclado, acordeão, bateria), "Country" Winston Marshall (vocal, banjo, dobro) e Ted Dwane (vocais, contrabaixo, bateria). Apesar de que eles lançaram seu primeiro CD, Sigh No More, em outubro de 2009, foi em 2010, quando a rádio britânico abraçou a música Little Lion Men, que eles explodiram nas paradas, com o álbum vendendo mais de 800 mil cópias ao longo do último ano e tendo alcançado a certificação de platina tripla (por mais de 900 mil cópias comercializadas).



Mas mais do que a Grã-Bretanha, o Mumford & Sons conquistou o mundo. Na Austrália, o CD alcançou dupla platina e o single de Little Lion Men alcançou a terceira posição. Nos EUA, eles venderam mais de 500 mil cópias do CD (disco de ouro), 1 milhão de unidades de Little Lion Men e foram indicados a dois Grammy's.

Escute mais: The Cave; Winter Winds; Timshel.




O ano de 2010 foi provavelmente o ápice da música urbana britânica. Dizzee Rascal, N-Dubz, Chipmunk, Professor Green e muitos outros rappers britânicos conseguiram emplacar grandes hits e tocaram sem parar nas rádios. Porém, sem a menor duvida, a grande revelação e a estrela urbana que mais brilhou em 2010 foi Tinie Tempah (pronuncia-se Taini Tempah).

Desde 2006, quando sua música Wifey Riddim ganhou repercussão em algumas rádio, Tinie tem criado burburinho e atraido fãs. Mas só em 2009 que o rapaz de 21 anos conseguiu seu record deal, assinando com a gravadora Parlaphone.

Em fevereiro, Pass Out, seu primeiro single, estreou na primeira posição. Num ano cujas paradas de single britânicas foram tomadas por artistas estado-unidenses, Pass Out foi a música de um artista britânica que obteve as maiores vendas, com mais de 600 mil unidades vendidas.



O seu primeiro CD, Disc-overy, lançado em outubro, foi direto para o topo com mais de 85 mil cópias vendidas na primeira semana, um número extremamente alto para um artista novato. Em três meses, o CD já tinha sido certificado disco de platina e, com vendas fortes nas primeiras semanas de 2011, o álbum deve alcançar dupla platina por 600 mil cópias vendidas nos próximos meses.

Diferente dos rappers americanos, Tinie não tem uma atitude thug. Em entrevistas, ele é sempre sorridente e modesto e, diferente dos baggy jeans e camisetas gigantescas usadas por Jay-Z e Lil Wayne, Tempah se veste de maneira bastante estilosa, com um look mega atual e extremamente londrino.

Eu sou um grande fã de Tinie e de suas músicas e adoro o fato de suas faixas serem melódicas e ecléticas. Pass Out, o primeiro single que arrasou nas paradas britânicas, dá um twist londrino ao rap, tem uma batida fantástica e é feita para ser tocado no volume máximo e arrasar nas pistas de dança. O single seguinte, Frisky, que alcançou a segunda posição nos charts, segue a mesma linha do antecessor enquanto o rapper muda para uma batida house em sua terceira música de trabalho, Miami 2 Ibiza
, uma colaboração fantástica com Swedish House Mafia que alcançou o quarto lugar. Na maravilhosa Written in the Stars, quarto single do álbum e segunda música do cantor a alcançar a primeira posição, Tinie combina seu rap e suas batidas incríveis com um refrão extremamente catchy e pop cantado por Eric Turner. No seu single atual, Wonderman, a combinação de seu rap com a voz única de Ellie Goulding produz mais uma faixa incrível e extremamente pegajosa.

Em resumo: o álbum de Tinie é cheio de batidas fantásticas e as músicas são melhores apreciadas no volume máximo e feitas sob medida para todos se acabarem na pista de dança. Com essa combinação, nenhuma surpresa que o CD e o rapper estejam arrasando.



Ellie Goulding já começou o ano causando ao ser votada The Sound of 2010 na enquete da BBC, onde profissionais do ramo da música votam em quem eles acham que será o grande sucesso do ano. Algumas semanas mais tarde, ela ganhou o BRIT Critics Choice no BRIT Awards, consolidando a crença que a indústria tinha nela.



A quantidade de apoio por parte da indústria meio que deu a entender que eles esperavam que a garota de 24 anos, sozinha, sustentasse o mercado inteiro em suas costas. Não foi exatamente o caso mas isso não quer dizer que Ellie fez feio. Muito pelo contrário: Starry Eyed, seu segundo single, alcançou a quarta posição e foi um gigantesco sucesso de airplay e de vendas. Seu CD, Lights, estreou na primeira posição e foi certificado disco de platina.

Com sua voz única e suas melodias que misturavam synthopop, instrumentos acústicos e uma pitada folk, o álbum de Ellie foi abraçado pela crítica e pelo público, principalmente por garotas jovens que se encantaram com o estilo da intérprete e com suas letras de amor que, apesar de identificáveis, não caiam em clichês. O CD de Ellie, Lights, foi, sem duvida, um dos meus lançamentos favoritos de 2010. Uma coisa que me chamou atenção foi que todas as faixas eram bastante boas e não tinha uma música que me dava vontade de pular (minhas favoritas incluem This Love (Will Be Your Downfall), Everytime You Go, Your Biggest Mistake e I'll Hold My Breath).




No final do ano, Ellie foi chamada pela loja de departamento John Lewis para cantar uma versão de Your Song para seu anuncio de natal. A versão foi um gigantesco sucesso, ganhando repercussão na rádio e alcançando o topo das paradas do iTunes (nos charts oficiais, a música alcançou a segunda posição).

Em 2011, Ellie se prepara para lançar seu álbum nos EUA.



E o grande sucesso indie pop do ano foi sem a menor duvida o The xx, formado por três londrinos: a vocalista Romy Madley Croft, o baixista Oliver Sin e Jamie Smith, responsável pelas batidas e produção (a quarta integrante, Baria Querashi, saiu logo depois do lançamento do álbum).

O CD homônimo deles foi lançado no fim de 2009 e foi incluído na lista de melhores do ano de todas as revistas especializadas. Os críticos amaram o álbum. O resultado foi uma avaliação de "Universal acclaim" do site Metacritic, que compila a opinião de diversos críticos.



Em 2010, com a participação em diversos festivais e o apoio de algumas rádios, a popularidade deles aumentou substancialmente, com o CD alcançando a 3ª posição das paradas e obtendo certificado de platina por mais de 300 mil cópias vendidas, apesar do grupo não ter feito nenhuma aparição na televisão (a música deles, porém, foi utilizada em diversos seriados e comerciais). Eles também ganharam o prestigiosissímo Mercury Prize.

Particularmente, não sou um grande fã da banda mas tenho que admitir que eles tem um estilo bastante único e que, por isso, eles são um breath of fresh air nas listas do mais vendidos.

Escute mais: Crystalized; VCR; Basic Space.



Take That, Westlife e Boyzone são algumas das "boybands" que aguentam firme no cenário músical britânico. Mas, com seus integrantes todos acima dos 30 anos e sua fanbase formada por donas de casa, eles estão mais para "grupos vocais" do que a definição clássica do termo: jovens bonitos que enlouquecem adolescentes.

Porém, desde que o JLS surgiu no The X Factor em 2008 e teve seu primeiro álbum ultrapassando a barreira do milhão no ano seguinte, as boybands em sua definição clássica estão reaparecendo no cenário britânico. E a que mais causou impacto em 2010 foi o The Wanted.

Como toda boyband que se preze, os Wanted surgiram através de um gigantesco casting orquestrado por uma empresária. No caso, Jayne Collins que já tinha certa experiência para coisa ao ter também montada The Saturdays, o girl group teen número 1 do país (que, alias, a demitiu recentemente).

Os escolhidos foram Max, Tom e Siva, todos de 22 anos; Jay, de 20 e Nathan de 17. Os cinco lançaram All Time Low, o primeiro single, no fim de julho e a música foi direto para o primeiro lugar nas paradas. Heart Vacancy, a segunda música de trabalho, estreou em segundo e o CD, lançado em outubro, na quarta posição.



O The Wanted ainda vai ter que suar para alcançar o sucesso do JLS que tem, entre suas conquistas, quatro singles número 1, seis top 5 hits, uma turnê pelas maiores arenas do país e um CD com mais de 1 milhão de cópias vendidas (e outro certificado dupla platina). Porém, para um grupo que não teve o poderosíssimo The X Factor
como plataforma, eles não estão fazendo nem um pouco feio, com seu álbum de estréia tendo alcançado disco de plátina e seus shows se esgotando com facilidade.

O grupo agora prepara o segundo CD. O primeiro single,
Gold Forever, será a música oficial do Comic Relief. Ser responsável pelo single de um dos programas caritativos da BBC é um rito de passagem para todo ato teen pop que se preze (Spice Girls em 1997, Boyzone em 1998, S Club 7 em 2000 e 2001, Westlife também em 2001, Girls Aloud em 2004, McFly em 2005, The Saturdays em 2009, JLS em 2010 etc) e também é uma boa forma de garantir um número 1.

Como a maior parte das boybands adolescentes, o The Wanted é mais um "flavor of the month" do que um ato que realmente deverá se manter no topo por muito tempo. Os meninos não tem o talento e o impacto cultural necessário para se transformar numa força como Take That mas, como Westlife e Boyzone provaram, uma boa equipe por detrás pode estender seu sucesso por mais de uma década. Por outro lado, o The Wanted ainda não alcançou o nível de sucesso que nenhuma dessas bandas causou no passado então por quanto tempo eles vão se manter relevantes
is yet to be seen.

Escute mais: Heart Vacancy.




Aos 33 anos, Rumer é uma década mais velha que a maior parte das cantoras pop que brilham no cenário britânico. Nascida no Paquistão de pais britânicos, Sarah Joyce, seu nome verdadeiro, foi, na verdade, resultado de um affair que sua mãe teve com o cozinheiro enquanto eles moravam em Islamabad. Ela cresceu sem saber disso e, quando o fato foi descoberto, o casamento dos seus pais veio ao fim. O trauma fez com que ela sofresse de depressão e de ansiedade.



Depois de anos tentando emplacar uma carreira de sucesso, Rumer foi cuidar de sua mãe que estava sofrende de câncer. A morte dela fez com que a interprete fosse viver numa comunidade hippie e lá ele conheceu Steve Brown, um compositor cujas únicas experiências high profile eram musicas incidentais para programas televisivos de comédia.

A dupla deu certo, as músicas de Rumer repercutiram e ela finalmente conseguiu um record deal. A Radio 2, a principal rádio adulto contemporânea da Grã-Bretanha, se entusiasmou com o primeiro single da cantora, Slow, e colocou a música em alta rotação, criando enorme interesse nela. Lançado em novembro, o primeiro álbum de Rummer, Seasons Of My Soul, com aquele estilo bem relaxada para ser usada no fundo de dinner parties (a la Norah Jones) com bastante influências de jazz e soul, estreou em terceiro lugar em novembro e já vendeu quase 400 mil cópias, sendo certificado disco de platina.

Entre os fãs de Rumer estão Elton John, Jools Holland e Burt Bacharach.

Escute mais: Aretha, Long, Long Day.

Capítulos anteriores: Retrospectiva 2009 (parte 1) (parte 2).
Próximos capítulos:
as consolidações, os fracassos, os sucessos.