Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Chart watch US: Estréia decepcionante para Weezy em semana influenciada pelo Grammy



O maior rapper atualmente nos EUA é Lil Wayne. Em 2008, seu álbum, The Carter III, estreou no topo das paradas do Billboard com mais de 1 milhão de cópias vendidas em uma semana. Três música do CD alcançaram o top 10, com o primeiro single, Lollipop, alcançando o topo por 5 semanas e vendendo mais de 4 milhões de unidades.

Na edição desse ano dos Grammy's, ele foi encarregado de fechar a cerimônia cantando com um dos maiores rappers da história, Eminen.

Apesar disso tudo, Weezy estreou em segundo lugar com apenas 176 mil cópias vendidas de seu novo CD, Rebirth. O motivo para as vendas fracas: era um CD de rock, não de rap. Além disso, o álbum tinha vazado na internet em dezembro, dois meses antes de seu lançamento. E, finalmente, as críticas foram péssimas e o primeiro single não conseguiu penetrar o top 10.

Mesmo com o fracasso (para o tamanho da popularidade dele), Lil Wayne continua sendo extremamente popular dentro dos EUA. Essa semana, ele começa a sentença de 1 ano de cadeia por porte ilegal de armas e muitos apostam que ele saíra da prisão mais forte do que nunca (o público tem ficado do lado dele, com quase 500 mil pessoas pedindo pela diminuição da pena no Facebook) e que The Carter IV, continuação do seu álbum multi-platinado, deverá elevar de novo as vendas de Wayne. É esperar para ver...

Quem continua em primeiro lugar pela segunda semana consecutiva é o trio country Lady Antebellum que, semana passada, obteve vendas altíssimas com o lançamento do segundo álbum. O álbum vendeu 209 mil cópias essa semana (ou seja, Need You Now já conseguiu disco de ouro por 500 mil cópias comercializadas após apenas 2 semanas).

Como eu já tinha comentado na cobertura dos Grammy's, o Lady Antebellum foi um dos atos mais beneficiados pela cerimônia. Após a exibição da premiação, o single deles Need You Now voltou para o primeiro lugar no iTunes e, graças as vendas altíssimas, a música alcançou sua posição mais alta no Hot 100: terceiro lugar (é díficilimo uma música country que não seja da Taylor Swift alcançar o top 5 do Hot 100).


Nick Jonas & the Admnistration: projeto solo do Jonas brother mais novo

O projeto solo de Nick Jonas, o mais novo membro dos Jonas Brothers, Nick Jonas & the Admnistration, estréia em terceiro lugar. O álbum Who I Am vendeu 81 mil cópias ao longo da semana.

Além de Nick e Lil Wayne, o outro único novo lançamento que alcançou o top 10 essa semana foi Rob Zombie cujo álbum Hibilly Delux 2 estréia em oitavo lugar com 49 mil cópias.

Graças aos Grammy's, muitos artistas foram beneficiados: The Fame de Lady Gaga teve um aumento de 17% com 49 mil cópias vendidas (quarto lugar). Já os Black Eyed Peas cresceram 55% com The E.N.D. alcançando a sexta posição e comercializando 70 mil copias. Taylor Swift tem um aumento de 58% com Fearless (sétima posição, 53 mil cópias vendidas) e Zac Brown Band cresce 82% com 42 mil cópias (décimo lugar).

Os Grammy's também aumentaram as vendas de I Am... da Beyoncé em 101% (32 mil, 14º lugar), de Funhouse da Pink em 234% (31 mil, 15
º lugar), de Only by the Night dos King of Leons em 66% (24 mil, 24º lugar) e de Big Whiskey and the GrooGrux King em 114% (13 mil, 47º lugar).

É importante destacar que, apesar da cerimônia desse ano ter batido recordes de audiência, o aumento de vendas pós-Grammy's não foi tão alto como no ano passado, quando alguns álbums chegaram a registrar 700% de aumento de vendas.


Apesar de não ter ganho nenhum prêmio, a performance de P!nk fez com que ela registrasse aumentos homéricos de venda

No Hot 100, TiK ToK de Ke$ha continua no topo pela décima semana. O segundo e o terceiro lugar são ocupados por músicas que foram cantadas no Grammy: a péssima Imma Be dos Black Eyed Peas e Need You Now do Lady Antebellum. Também no top 5: Bedrock, o single colaborativo de todos os artistas da gravadora Young Money e Bad Romance de Lady Gaga.

O top 10 é completo por Sexy Bitch do David Guetta com Akon, Hey, Soul Sister do Train, How Low do Ludacris, I Gotta Feeling dos Black Eyed Peas (de volta ao top 10 graças a performance nos Grammy's) e Replay do Iyaz.

Além dos Black Eyed Peas e do Lady Antebellum, P!nk foi a mais beneficiada pela sua performance nos Grammy's. A música Glitter in the Air estréia no top 20 na 18ª posição graças a performance (detalhe: a música não é nem sequer um single oficial).

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Bizarrices que alcançaram o topo

John & Edward, os gêmeos que foram a grande sensação da edição passada do The X Factor, não conseguiram chegar ao topo das paradas britânicas essa semana. Porém, esses atos igualmente bizarros tiveram mais sorte:

Crazy Frog



Crazy Frog apareceu pela primeira vez nos anúncios da companhia de ringtones Jamster! como mascote da empresa. Na Grã-Bretanha, as propagandas iam ao ar 2,378 mil vezes por dia, muitas vezes mais de uma vez dentro de um mesmo intervalo. A freqüência era tamanha que um dos principais jornais do país, o The Guardian, encomendou uma pesquisa que concluiu que 86% da população já tinha visto o comercial mais de 26 vezes.

No resto da Europa e na Austrália, os comerciais iam ao ar com freqüência igualmente alta, transformando o bizarro bicho azul num personagem enormemente famoso (e odiado).

Finalmente, a Jamster! anunciou que Crazy Frog iria se lançar como cantor. E, quando o primeiro single, Axel F, foi lançado, ele voou para o topo das paradas britânicas.

Além do número 1 no Reino Unido, o single também alcançou o primeiro lugar na Austrália, na Bélgica, na Dinamarca, na França (onde mais de 1 milhão de singles foram comercializados), na Espanha, na Suécia e na Suíça.

O segundo single do Crazy Frog, Popcorn, não obteve o mesmo sucesso e não conseguiu sequer penetrar o top 10 inglês (os frances porém tomaram gosto pelo personagem: Popcorn atingiu o topo por lá e vendeu mais de 500 mil cópias) mas a empreitada musical do personagem até que deu bastante certo: o primeiro CD, Crazy Hits alcançou o quinto lugar nas paradas e obteve até disco de ouro.

Chico



Antes de Jedward, Chico conquistou o coração do Reino Unido com suas bizarras performances na segunda temporada do The X Factor. Na época, o programa não tinha tomado proporções tão absurdamente gigantescas e, por isso, Chico não causou tanta repercussão quanto os gêmeos irlandeses.

Apesar disso, o primeiro single dele, o bizarro It's Chico Time, alcançou o topo das paradas britânicas. Felizmente (ou não), foi o único hit do cantor.

Mr Blobby


Mr. Blobby foi introduzido ao público no programa de variedade Noel's House Party de Noel Edmonds. O personagem era um trambolho com um formato similar a um João Bobo cujo unico talento era, vejam só, cair.

Mr. Blobby aparecia em um quadro de pegadinhas onde ele era apresentado à vítima da vez (sempre uma celebridade) como um personagem de um novo programa infantil que iria gravar uma matéria sobre a profissão do famoso. Porém, tudo que ele fazia era cair em cima das coisas e falar a palavra Blobby repetidamente em diferentes tons e freqüências (porém sempre com a voz robótica).

O personagem virou uma grande sensação e, em 1993, gravou o seu próprio single que, contra todas as expectativas, ultrapassou a balada Babe da boyband Take That (a sensação pop do momento) e conquistou o primeiro lugar na semana de Natal, a semana mais cobiçada de todas por registrar as vendas mais altas.

Teletubbies



Quem não lembra dos Teletubbies? Os programa pré-escolar causou sensação no fim dos anos 90, vendendo quantidades absurdas de brinquedos e fazendo a repetitiva música de abertura ("Tinky Winky, Dispy, Lala, Po. Teletubbies, teletubbies...") ficar presa na cabeça de milhões de pessoas mundo afora.

No fim de 1997, a canção foi lançada como single no Reino Unido. A música foi direto para o topo (onde se manteve por 3 semanas) e ficou nas paradas por 29 semanas. Todos apostavam que o single conseguiria o primeiro lugar na semana de Natal (as casas de aposta davam como certo a vitória) mas, no fim das contas, o topo foi para a balada Too Much das Spice Girls que conseguiram seu segundo Christmas Number One (no fim, elas conseguiram três Christmas number ones consecutivos: 2 Become 1 em 1996, Too Much em 1997 e Goodbye em 1998).

Apesar de ter perdido o topo na semana mais importante do ano, Teletubbies Say Eh-Oh vendeu 1.3 milhões de cópias e é um dos singles mais vendidos de todos os tempos no país.

Bob the Builder



Assim como os Teletubbies, Bob o Construtor é um programa pré-escolar de enorme sucesso. Em 2000, a pegajosa música de abertura do programa, Can We Fix It? (Podemos Construir?), foi lançada como single. O objetivo: conseguir o primeiro lugar na semana de Natal. A batalha da vez foi com a boyband Westlife (que iria lançar a balada What Makes a Men).

Diferente dos Teletubbies, Bob o Construtor foi bem sucedido em sua missão e saiu vitorioso na batalha pelo Christmas Number 1 de 2000.

Com 1.4 milhões de cópias vendidas, o single foi o maior vendedor do ano e é um dos singles mais vendidos de todos os tempos na Grã-Bretanha. A música também alcançou o topo na Austrália.



Em 2001, Bob conseguiu um segundo primeiro lugar com sua versão de Mambo Number 5.

The Stonk



Uma boa maneira de fazer sua música virar uma gigantesca sensação: acompanhe-a com uma coreografia. Funcionou para o Créu, para a Dança do Quadrado, o Ragatanga, a Macarena e o Crank That do SouljaBoy.

Em 1991, a dance craze que tomou conta da Grã-Bretanha foi a cômica The Stonk criado pelo guitarrista do Queen, Brian May, em associação com a dupla de comediantes Hale and Pace.

A música foi para o primeiro lugar e vendeu milhares de cópias mas foi tudo por uma boa causa: arrecadar dinheiro para o projeto beneficente da BBC, Comic Relief.

Chart watch: Na Australia, Replay is stuck on replay



No Reino Unido, Replay foi desbancado do topo por Fireflies. Agora, o inverso acontece na Austrália: a música do Owl City perde a primeira colocação (depois de 5 semanas) para o single do caribenho Iyaz.


Replay - Iyaz

Também na Australia, Mumford & Son continua obtendo grande sucesso com Little Lion Man que, essa semana, alcança a terceira posição. É um grande feito para a banda britânica pois eles cantam folk e os charts do país oceânico são completamente dominados por pop made in USA.


Na Australias, os britânicos do Mumford & Son conseguem um gigantesco hit folk numa parada dominada por bubble gum pop

Little Lion Man - Mumford & Sons

Duas novas músicas entram no top 10 essa semana: Memories do David Guetta com Kid Cudi e Do You Remember? do Jay Sean (na nona e na décima posição respectivamente). Bad Romance, Whatcha Say e Empire State of Mind continuam firmes e fortes entre as dez mais vendidos.

A parada de CDs australiana continua um gigantesco tédio com Susan Boyle ainda no topo pela 11ª semana. Também no top 5: Mumford & Son, Lady Gaga, Michael Bublé e Ke$ha.

Com o início de sua turnê australiana, Taylor Swift volta para o top 10 com o seu CD Fearless atingindo a sétima posição. Já a banda de rock Muse sobe para o sexto lugar graças ao novo single Undisclosed Desire (atualmente na 11ª colocação nas paradas de single).

Atos britânicos estão com força na Austrália: além de Susan Boyle (primeiro), Mumford & Son (segundo) e Muse (sexto), Lily Allen continua no top 15 com
It's Not Me It's You (11º lugar) mais de 1 ano depois do lançamento do álbum. Florence & the Machine, que foi o grande fenômeno no Reino Unido ao longo do ano passado, está começando a conquistar o resto do mundo e o país oceânico é um dos primeiros a morder a isca. Essa semana, o álbum Lungs alcança sua posição mais alta até o momento, 12º lugar, e obtém um disco de ouro.

No Reino Unido, Fireflies segue na primeira posição nas paradas de single com 78 mil cópias comercializadas ao longo da semana.


Jedward, a dupla formado pelos gêmeos John & Edward, que causou enorme sensação na última edição do The X Factor, estréia em segundo lugar com o single Under Pressure que, além de usar pedaços da música de mesmo nome do Queen, conta com a participação do rapper Vanilla Ice e samples de Ice, Ice Baby.

Na minha opinião, o fato de singles físicos não serem mais popular foi o que manteve os gêmeos fora da primeira posição. Na época que as pessoas compravam singles em lojas de departamento, era comum músicas "piadas" alcançarem o topo. Porém, agora 90% das vendas de singles vem de lojas virtuais como iTunes e isso fez com que as pessoas meio que perdessem o hábito de comprar músicas "engraçadas" e se concentrassem em comprar apenas aquilo que elas realmente tem interesse em ouvir (afinal, as músicas baixadas via iTunes vão direto para o iPod).

Mesmo assim, alcançar o top 2 é um grande feito para os gêmeos. No começo da semana, Under Pressure quase ultrapassou a música do Owl City (na quarta-feira, apenas 24 cópias separavam os dois singles) mas, nos últimos dias, a música perdeu muitíssima força. No fim, os gêmeos ficaram a 20 mil cópias de distância de Owl City, com 50 mil cópias comercializadas.

Quatro anos atrás, Timbaland era inescápavel: Sexyback, What Comes Around Goes Around, 4 Minutes (to Save the World), Promiscuous Girl, Maneater, Say It Right, Apologize e Give It to Me foram todos enormes sucessos que tocaram sem parar nas rádios e alcançaram o topo em inúmeros países. O sucesso do produtor foi tão avassalador que sua música acabou ficando datada: o estilo dele nos remete imediatamente a 2005 ou 2006.

Por isso, o seu CD Shock Values II, continuação do álbum de mesmo nome lançado em 2005, não obteve grande repercussão nos EUA e em quase nenhum lugar do mundo apesar de ter participação de muitos dos artistas mais populares do mundo (Miley Cyrus, Katy Perry, Shakira, Drake, Justin Timberlake).

If We Ever Meet Again (ft. Katy Perry) - Timbaland

No Reino Unido porém (onde o primeiro
Shock Values ultrapassou 1 milhão de cópias vendidas) o produtor continua em alta: If We Ever Meet Again, que tem a participação de Katy Perry, alcança a terceira colocação no país. É o segundo top 10 hit do CD na Grã-Bretanha (Morning After Dark, o primeiro single, alcançou o sexto lugar).


Katy Perry e Timbaland: mistura que deu certo no Reino Unido

A julgar pelas paradas das últimas semanas, colaborações com Katy Perry são uma boa maneira de causar barulho na Grã Bretanha: além de Timbaland, a banda 3OH!3 também conseguiu um gigantesco sucesso no país com Starstrukk que só essa semana saiu do top 5, onde ficou por quase 2 meses (atualmente está sétimo lugar). Outra música que no Reino Unido saiu da lista dos 5 mais vendidos foi Replay (sexto).


Empire State of Mind (part 2) - Alicia Keys

Empire State of Mind Part 2
da Alicia Keys continua subindo nas paradas. Apesar de não ser um single oficial, a música alcança o quinto lugar. A versão original, dueto com Jay-Z, alcançou a segunda posição no país no fim do ano passado.


A música Don't Stop Believin', sucesso de 1984 da banda americana Journey continua seu impressionante revival no país europeu: desde novembro do ano passado, quando Joe McElderry cantou o sucesso dos anos 80 no The X Factor, a canção está entre as dez mais vendidas (essa semana, ela está em nono). Agora, com a estréia de Glee na TV local, a versão do elenco do programa também tem obtido vendas altas, se mantendo dentro do top 5 pela terceira semana consecutiva (essa semana, em quarto lugar).

Também entre os dez mais vendidos: One Shot do JLS (em oitavo) e Won't Go Quietly do Example (em décimo).


Apesar de não ter conseguido penetrar o top 10 com seu primeiro single,
Hollywood, Marina and the Diamonds (que, alias, é uma interprete solo. A última moda são cantores solos com nome de banda: Marina and the Diamond, Owl City, Bat for Lashes, Florence + the Machine) é a grande aposta para ser a revelação de 2010 (assim como Florence and the Machine foi a grande revelação de 2009) e seu álbum, que será lançado dia 22, deverá ter vendas bastante sólidas e estáveis ao longo do ano (quando Florence conseguiu seu primeiro top 10 hit, no comecinho desse ano, seu álbum já tinha vendido mais de 500 mil cópias).



Na parada de CDs, Alicia Keys alcança o primeiro lugar com The Element of Freedom. É a primeira vez que a cantora e compositora americana alcança o topo no Reino Unido. Enquanto a atual era da cantora de R&B bate recordes na Grã-Bretanha, nos EUA ela tem tido uma resposta mais morna: as vendas do seu álbum atual são altas mas não fenomenalmente altas como os seus 3 lançamentos anteriores e os críticos não receberam o CD com tanto animo, afirmando que o material tem qualidade inferior quando comparado aos trabalhos anteriores da interprete. Enquanto isso, no Reino Unidos, muitos apostam que Element irá ultrapassar as vendas de quase todos os CDs da cantora (só vai ser difícil ultrapassar o primeiro, Songs in a Minion, que vendeu mais de 1 milhão de cópias no UK).

Porque o CD, que quase todos concordam ser o mais inferior da carreira de Alicia e que não tem obtido grande sucesso nos EUA, se tornou um sucesso tão grande na Grã-Bretanha? Para começar, ela começou a promoção do álbum no The X Factor que tem o poder de impulsionar gigantescamente a popularidade de seus convidados. A aparição dela no reality fez com que Doesn't Mean Anything (que fracassou nos EUA) alcançasse o top 10 (um dos poucos singles dela que conseguiu isso na Grã-Bretanha) e, com isso, fez com que as rádios também botassem a música em alta rotação. Depois do sucesso do single inicial, Alicia conseguiu outro gigantesco hit com Empire State of Mind (Part II), continuação do mega sucesso dela com Jay-Z, que também contou com enorme apoio das rádios.

O violinista austriaco Andre Rieu passa na frente de Paolo Nutini e Florence & the Machine e alcança o segundo lugar com Live from Vienna. Pela primeira vez desde que o ano começou, o músico escocês e a cantora indie pop não aparecem no top 2 (estando em terceiro e quarto respectivamente).

Corinne Bailey-Rae, que obteve um enorme hit com Girl Put You Records On e cujo primeiro CD obteve vendas altíssimas em todo o mundo, estréia em quinto lugar com o seu aguardado segundo álbum, The Sea.

Diferente do que aconteceu na Austrália e nos EUA, Ke$ha, maior aposta para ser o fenômeno pop de 2010, não conseguiu penetrar o top 5 na Grã-Bretanha com seu primeiro CD, Animal. O álbum estréia em oitavo lugar no país europeu.

Também no top 10: Lady Gaga (em sexto), a trilha sonora de Alvin e os Esquilos 2 (em sétimo), Peter Andre (em nono) e Mumford & Sons em décimo.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Looking like a fool with your pants on the ground



A audição de "General" Larry Platt no American Idol é o mais recente fenômeno viral nos EUA.

Na sua audição para o programa mais visto do país, Larry cantou uma música de sua própria autoria, Pants on the Ground ("Calças no chão, calças no chão. Você tá parecendo um idiota com suas calças no chão", um protesto contra a moda das calças largas expondo cuecas).

Desde que a performance foi ao ar, no começo de janeiro, ela se transformou numa sensação pop, gerando milhões de acessos no Youtube, ganhando inúmeras paródias na televisão e dando origem a centenas de páginas no Facebook (I Want You to Stop Looking Like a Fool with Your Pants on the Ground tem mais de 3 milhões de fãs no site de relacionamento).

É importante ressaltar que o momento não virou um enorme fenômeno tão espontaneamente: a idade limite para participar das audições de American Idol é 28 anos (Larry tem 62) e em geral não é permitido que os concursantes cantem músicas de autoria própria. Por tanto, quando os executivos de Idol colocaram "General" Larry Platt em frente as câmeras, apesar dele não estar dentro dos requisitos, eles tinham um objetivo claro: transforma-lo num sucesso viral e tentar fazer com que o programa voltasse a causar grande repercussão. Tarefa cumprida.


Conselho anotado

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Dear John: o novo fenômeno teen que promete desbancar Avatar



Nicholas Sparks é um dos autores mais ricos do mundo. Ele é responsável por escrever um monte de livros sobre belas e inocentes histórias de amor que, em geral, acabam em tragédia. Todos eles são gigantescos best-sellers e são consumidos por milhões de pessoas mundo afora.


Vários de seus livros (Noites de Tormenta com Richard Gere e Diane Lane, Uma Carta de Amor com Kevin Costner) ganharam bem-sucedidas adaptações cinematográficas mas dois filmes especificos se tornaram gigantescos fenômenos entre garotas jovens mundo afora: A Walk to Remember (Um Amor para Recordar) e, principalmente, The Notebook (Diário de uma Paixão).

Em 2010, seus livros continuaram dando origem a filmes que farão adolescentes melarem suas calcinhas. Um deles, The Last Song, será o primeiro grande papel de Miley Cyrus fora do franchise Hannah Montana (o livro inclusive foi escrito especificamente para dar origem a um filme estrelado por ela).

Porém, apesar de Miley ser uma das maiores celebridades do mundo atual, é outro filme da marca Sparks, Dear John, que promete se transformar no mais recente fenômeno teen.

Dear John, que estréia hoje nos EUA, é a história de um garoto jovem alistado no exército (Channing Tatum de Step Up, G.I. Joe e Ela é o Cara) que se apaixona por uma conservadora universitária (Amanda Seyfried de Mamma Mia! e Meninas Malvadas).

Semanas antes do lançamento, o filme já tinha mais de 850 mil fãs no Facebook. O grupo Estou morrendo de vontade de assistir Dear John tinha 271 mil membros e Meu coração derrete cada vez que eu vejo um comercial de Dear John, 145 mil pessoas.

The Notebook foi um grande sucesso nos cinemas (arrecadando 115 milhões de dólares) e foi responsável por consolidar a carreira de Rachel McAdams (que já tinha um grande sucesso no currículo: Meninas Malvadas) e Ryan Gosling. Porém o filme só se transformou num fenômeno depois do seu lançamento em DVD, que mantém vendas extremamente altas até os dias de hoje. Dear John, acredita-se, deverá se beneficiar pelo duradouro sucesso do drama romântico de 2004 (que, ao longo dos anos, conquistou milhões de fãs) e lucrar ainda mais que seu antecessor.

Apesar do filme ter sido alvo de péssimas críticas (quase todas concordando que a história é clichê e igualzinha aos outros filmes baseados nas obras de Spark), Dear John não deverá ter problemas para se transformar em um gigantesco sucesso, sendo um forte candidato para tirar Avatar do topo da lista de filmes mais vistos dos EUA depois de quase 2 meses ininterruptos.

Abaixo, o trailer do filme (para vê-lo legendado, clique aqui). Não tenho curiosidade para assisti-lo pois não tenho paciência para histórias de amor melosas e clichês porém aprovei o uso de Set the Fire to the Third Bar, minha música favorita.



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Chart watch US: Lady Antebellum, o novo fenômeno country



Country é o tipo de música mais rentavel dos EUA. Ter sucesso entre o público que curte esse gênero já é o suficiente para qualquer artista registrar vendas incrivelmente altas. Porém, quando um ato country consegue crossover e fazer sucesso no mundo pop, o artista deixa de ser extremamente bem sucedido e se transforma num fenômeno imparavel.


Nos anos 90, a canadense Shania Twain conseguiu o feito e o seu CD, Come on Over, se transformou num dos álbuns mais vendidos da história. Mais recentemente, Taylor Swift também fez a transição e alcançou níveis assombrosos de fama e venda.

O novo ato crossover, tudo indica, é o trio Lady Antebellum.



O álbum homônimo dos músicos, primeiro lançamento da carreira deles, já tinha obtido bastante sucesso, tendo ultrapassado 1 milhão de cópias vendidas nos EUA. Porém, quando o single I Need You Now estourou não só nas rádios country mas também nas estações pop, Hilary Scott, Charles Kelley e Dave Haywood multplicaram por muito seu poder e o segundo CD, que tem o mesmo título da bem-sucedida música de trabalho, estreou na parada com vendas excepcionalmente altas: 481 mil cópias (mais de 10 vezes o que o primeiro CD deles vendeu na primeira semana). Nenhum álbum registrava vendas tão altas no mês de janeiro (um mês tradicionalmente baixo em vendas) faz 5 anos, desde The Documentary do rapper The Game em 2005.

Diferente do que eu havia previsto, o impacto dos Grammy's só será sentido nas paradas da próxima semana, não nessa.

Além de Lady Antebellum, a coletânea Hope for Haiti Now, The Fame de Lady Gaga, I Dreamed a Dream de Susan Boyle e The Greatest Love Songs of All Time de Barry Manilow também aparecem no top 5.

Impulsionado pelo lançamento do DVD do documentário, o CD This Is It de Michael Jackson volta ao top 10, em sexto. O esperado segundo CD de Corinne Bailey-Rae estréia em sétimo. A coletânea de indicados aos Grammy's, Songs from the Heart de Celtic Women e The E.N.D. dos Black Eyed Peas encerram a lista dos dez mais vendidos.



Nas paradas de singles, TiK ToK de Ke$ha continua imbativel no primeiro lugar seguido por Lady Gaga e seu Bad Romance. A trupe da gravadora Young Money (de Lil' Wayne) alcança a terceira posição com Bedrock. Os Black Eyed Peas continuam lançando sucesso após sucesso: Imma Be, quarto single para o mercado estado-unidense, chega a quarta posição e, tudo indica, continuara subindo. Finalmente, Sexy Bitch, de David Guetta e Akon, encerra o top 5.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Chart watch UK+OZ: Fireflies continua imbativel


Owl City, projeto de synthpop do artista Adam Young, continua no topo


Disclaimer: Esse post iria entrar no ar apenas quinta-feira junto com os charts dos EUA mas decidi fazer dois posts separados. De agora em diante, o post sobre a parada britânica e australiana, divulgadas oficialmente no domingo, entrara no ar segunda-feira e sobre os charts americanos, divulgado na quarta, na quinta-feira.

O synthpop Fireflies continua imbativel na Austrália e no Reino Unido. A música do Owl City segue no topo em ambos os países. Já Replay de Iyaz cai do segundo para o terceiro lugar no país europeu e, na Oceania, faz o movimento contrário (alcançando o top 2).

Na Grã-Bretanha, o elenco de Glee sobe para o segundo lugar com a música Don't Stop Believin'. A versão original do Journey também continua no top 10, em oitavo lugar. O top 5 é completo por Starstrukk do 3OH!3 com Katy Perry (que apesar de nunca ter chegado a primeira colocação é um sucesso fenomenal no país, estando no top 5 desde dezembro) e por Riverside de Sidney Samson com Wizard Sleeve.

Depois de dois singles na primeira colocação, o JLS não consegue penetrar o top 5 com a terceira música de trabalho, One Shot, mas alcança um satisfatório sexto lugar.



A música Empire State of Mind part II da Alicia Keys (que serve como continuação para o dueto dela e do Jay-Z que alcançou a segunda posição no país) consegue um feito impressionante ao alcançar o sétimo lugar nas paradas apesar de não ser um single.

A divertida música dance Won't Go Quietly do Example ocupa a nona posição e Jay-Z continua com uma era bem sucedida no UK: Young Forever consegue penetrar o top 10, se tornando o terceiro single de seu CD, The Blueprint 3, a conseguir esse feito.

Na Austrália, a banda folk inglesa Mumford & Sons tem obtido enorme sucesso. Essa semana, a música Little Lion Man alcança o quinto lugar na parada de singles e o CD, Sight No More, consegue a segunda posição.



Também na Austrália, Ke$ha finalmente é desbancada do top 2 por Iyaz depois de 8 semanas mas continua sua jornada de sucessos, ocupando duas posições no top 5: TiK ToK terceiro e Blah Blah Blah em quarto.

Nas paradas de CDs, ninguém desbanca Susan Boyle que continua em primeiro lugar depois de mais de 2 meses. Além de Susan e Mumford, o top 5 também conta com Michael Buble, Lady Gaga e Ke$ha.

Já no Reino Unido, Sunny Side Up de Paolo Nutini volta ao topo. Com The Element of Freedom, Alicia Keys consegue sua posição mais alta no Reino Unido ao alcançar o segundo lugar. Já Florences & the Machine (que ocupou a primeira colocação nas últimas duas semanas) cai para terceiro. O top 5 também conta com o violinista austríaco Andre Rieu (Forever Vienna) e Lady Gaga (The Fame).

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

E o backlash começou


Taylor Swift descobrindo que não é fácil equilibrar um sucesso tão avassalador

Na cobertura dos Grammys eu comentei que Taylor Swift finalmente tinha atingido o teto. A carreira dela tomou proporções tão gigantescas (ganhando ainda mais força graças ao incidente nos VMAs envolvendo Kanye) que não havia mais para onde crescer. E, com a interprete ganhando o prêmio musical mais aclamado de todos, ela teria que, pela primeira vez, enfrentar uma quantidade considerável de críticas de pessoas que não concordavam com o nível absurdo de aclame e prestígio ao qual ela chegou.

Em outras palavras: a imprensa e uma parcela do público iriam começar a se virar contra ela. E, claro, não deu outra.


O New York Times, o jornal mais importante dos EUA, que sempre elogiou a cantora, publicou pela primeira vez um artigo com um tom mais crítico.

Numa matéria intitulada Para Taylor Swift, Grande Vitória no Grammy Significa Inocência Perdida, o jornalista Jon Carmanica criticou a performance da interprete na premiação (repetindo o que eu disse no post abaixo: a música Today Was a Fairytale é fraca e mais parece uma paródia das outras canções de Swift e a voz dela é limitadissima e não combinava nem um pouco com a de Stevie Nicks) e também seu hábito de mostrar enorme choque e surpresa toda vez que ela é anunciada como ganhadora de algo (querida, a essa altura, você já tem quase 50 prêmios, você leva mais de 60% dos prêmios ao qual você é indicada para casa).

No geral, o artigo não foi negativo em relação a ela, chamando-a de "a popstar revelação mais importante dos últimos anos" (na minha opinião, esse posto pertence a Gaga), observando que ela é "extremamente talentosa" e elogiando seu dom como compositora. Mesmo assim, a matéria mostra uma importante mudança de tom.

No site do mesmo New York Times, um pequeno artigo contendo uma foto dela tentando equilibrar seus quatro Grammys nos braços e deixando um deles cair no chão foi intitulado "Como Taylor Swift reage quando ela está genuinamente chocada". David Ritzkoff, responsável pelo post, foi curto e grosso, rotulando-a de falsa.

As caras de choque de Taylor também renderam matérias divertidas na revista New York e no influente site Jezebel.

O USA Today, jornal mais lido do país, noticiou que o plano dos empresários da cantora é mantê-la longe dos holofotes nos próximos meses e assim evitar que ela sofra com a super-exposição. O texto também inclui citações de pessoas influentes no mundo da música que não a poupam de duras críticas: "Agora todo mundo descobriu que ela não sabe cantar", disse Bob Lefsetz. "Eles tem que dar um jeito de fazer essa garota cantar direito na TV" comentou Alan Light, ex-editor da revista Spin.

Light opina que "ela deu sorte em não levar todos os Grammys ao qual foi indicada. O backlash da mídia seria considerável se esse fosse o caso" (provavelmente, mas ganhar o principal prêmio tem um peso gigantesco também).

Não existe a menor duvida que o próximo single da cantora, que será lançado no fim do verão no hemisfério norte, e seu terceiro CD, programado para o final do ano, serão gigantescos sucessos. Porém, a vitória de Taylor Swift na premiação musical mais importante de todas veio com um preço: ela não é mais intocável.

Em tempo, a audiência dos Grammys (25.8 milhões de telespectadores) não só foi a mais alta dos últimos anos como também superou os números de outras premiações como os Globos de Ouro (17 milhões) e os Emmys (13 milhoes);

Ah, e esse post do Jezebel mostra o quão pouco crível os Grammys são: Diana Ross, Queen, Lynyrd Skynrd, Tupac e The Who nunca saíram vitoriosos. O primeiro prêmio de Bob Marley, um Lifetime Achievment Awards, foi em 2001, 20 anos após sua morte. David Bowie só foi premiado uma vez (e foi um prêmio completamente insignificante: melhor vídeo). Quando, em 1968, os Beatles ganharam Álbum do Ano por Sgt. Pepper's Lonely Heart Club, foi a primeira vez que um ato rock levou o reconhecimento para casa.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Cobertura Grammy 2010

ATUALIZADO



Existem três tipos de prêmios na TV americana: o primeiro é representado pelos VMAs. O Video Music Awards da MTV tem grande importância para a cultura pop e foi palco de momentos inesquecíveis. Porém, o programa não tem nenhum tipo de comprometimento em "premiar os melhores" e só tem dois objetivos: manter o público alvo (jovem, com um nível de atenção baixissimo) entretido por duas horas e dar o que falar no dia seguinte. Para isso, eles tem que escolher bem os convidados (tem que ser de grande interesse e tem que causar polêmica) e suar para conseguir momentos que fiquem na memória do público (performances grandiosas, momentos Kanye West, beijos inesperados, tá tudo valendo).


Daí tem o segundo tipo que é melhor representado pelos American Music Awards. Essa classe de prêmio é uma grande piada, não tem nenhum objetivo e ninguém leva muito a sério mas, para atrair o público, os produtores chamam TODOS os artistas que tem qualquer tipo de relevância no mundo pop atual (que aceitam o convite pois a premiação é exibida na TV aberta para um público grande). E a quantidade de performers é tão gigantesca que todos eles tem que se esforçar para se destacar naquele mar de pop stars cantando o último single de seus respectivos CDs.

E, finalmente, temos o tipo de prêmio que os Grammys se encaixam. Um tipo de prêmio que é levado extremamente a sério, que tem que provar que não está ali apenas pela audiência mas sim para coroar a melhor musica da atualidade, cheio de pompa e de tradição. Mas que, no fim das contas, acaba dando prêmio para o Baha Men (interpretes do clássico Who Let the Dogs Out? que, no Brasil, foi sampled pelo Bonde do Tigrão que a transformou na igualmente sublime Só As Cachorras).

Mas, por mais que os Grammys também sejam uma grande piada, indicando apenas os artistas que mais venderam (qualidade é o de menos) e esnobando muito dos músicos mais influentes da história, o fato é que ele é levado muito a sério por uma parte da população. Levar uma das estatuetas para casa dá prestígio e os CDs que ganham os prêmios principais registram grande aumento de vendas nos EUA nos dias que sucedem a premiação.



Os 52º Prêmios Grammy tiveram três protagonistas: Beyonce (indicada a 10 prêmios), Taylor Swift (oito) e Lady Gaga (seis). Todas as três tiveram repercussão gigantesca ao longo do ano que passou mas mesmo eu, que não sou nenhum esnobe musical (MUITO pelo contrário), sei que I Am Sasha Fierce (que bateu recorde de indicações) está LONGE de ser o melhor álbum do ano (não é sequer o melhor álbum POP). Estava claríssimo a intenção da academia de atrair o público colocando as três artistas pop mais comentadas da atualidade uma contra as outras, o que seria até aceitável se eles não enchessem a boca para dizer que são "o prêmio de música mais respeitado do mundo".



Lady Gaga foi encarregada de abrir o show. Ela é bastante conhecida por suas performances gigantescas e chamativas mas sua apresentação nos Grammys foi até discreta (em comparação com o que ela já fez antes).

Primeiro, Gaga cantou Poker Face (a música pela qual ela estava indicada) na frente de sua fabrica pop. Depois, foi incinerado e ressurgiu com Elton John, fazendo uma mash-up entre Your Song e Speechless.

Achei legal mas teve algumas coisas que me incomodarem: em primeiro lugar, TODA apresentação dela tem o mesmo tema: "a fama mata, enlouquece, destrói bla bla bla Whiskas sache" e, tipo, eu sei que esse é o tema do CD (intitulado, vejam só, The Fame) e tal mas, mesmo assim, meio repetitivo para uma artista tão conhecida por sua "inovação" e "criatividade", né?. Outra coisa: Gaga, A GENTE JÁ SABE QUE VOCÊ É UMA EXÍMIA PIANISTA, não tem necessidade de você tirar um piano da sua bunda em TODA SANTA APRESENTAÇÃO. OK, eu sei que nessa ela cantava com o Elton e piano era essencial e blá mas alguém viu uma apresentação dessa mulher onde ela não parava tudo, sentava no pianinho e começava a tocar? Porque eu nunca vi. Tá na hora de mudar o script, gata. Ah sim, e que roupinha cavada, hein? Parece mais desconfortável que o comum..

Gaga ganhou dois dos 5 prêmios ao qual foi indicada: melhor música dance (com Poker Face) e melhor CD dance. Sinceramente, acho que ela merecia mais. Eu não sou exatamente um fã mas eu tenho grande admiração por ela. Nunca vi um artista conquistar TANTO em tão pouco tempo (ela surgiu faz pouco mais de 1 ano). E, digo mais, nos meus 19 anos de vida (awn, eu sou um bebê) eu NUNCA vi uma artista pop causar tanta repercussão. Nem Britney (a qual eu vi no ápice) nem Beyoncé nem ninguém.

That said, não acho o The Fame grandes coisas. Já o The Fame Monster, que tem apenas 8 faixas e foi lançado em dezembro (por tanto, não elegível ao Grammy desse ano) é fantástico e eu super recomendo.



A próxima a se apresentar foi Beyoncé que cantou If I Were A Boy e You Oughta Know, um cover da Alanis Morisette.

Em primeiro lugar, eu também tenho extrema admiração pela Beyoncé: ela tem uma voz poderosissima, dança maravilhosamente bem e tem muita presença. Poucas (nenhuma?) artistas pop são tão "completas".

Porém, não acho que ela merecia bater recorde de indicações (DEZ) e de maior número de prêmios levados em uma só noite por uma cantora solo (SEIS). I Am... é um CD bastante medíocre. Halo pode até ser catchy e tal mas não passa de uma balada pop bastante genérica. If I Were a Boy (que ela cantou num remix bastante legal) é uma música completamente vazia e desinteressante. O álbum no geral é bem fraco.

Mas, obviamente, a galera que organiza o Grammy não concorda comigo. A texana de 28 anos ganhou um dos principais prêmios da noite, Song of the Year, por Single Ladies. Também ganhou Best Female Pop Vocal por Halo (o que eu achei um CRIME. Inadmissível o prêmio não ter ido para Hometown Glory), Best Female R&B Vocal Performance (Single Ladies), Best Traditional R&B Vocal Performance (At Last), Best R&B Song (Single Ladies) e Best Contemporary R&B Album (I Am... Sasha Fierce).

Em relação ao look, Beyoncé estava extremamente cafona. Além de um vestido estranho, a maquiagem e a peruca escolhidas para a ocasião foram
desastrosas.

Bey apareceu consideravelmente menos brega para sua apresentação. A performance foi boa mas com ressalvas: If I Were A Boy, o primeiro single do seu CD, foi uma escolha estranha, afinal a música não tinha sido indicada a nenhum Grammy e foi lançada faz mais de 1 ano. Porém, a versão ao vivo (com uma pegada mais rock) me pareceu muito melhor do que a original. Além disso, qual a utilidade do batalhão de dançarinos se eles mal se mexeram? Iria ter sido o máximo se eles fizessem a dança de Single Ladies mas nem aconteceu. E, finalmente, porque diabos ela fez um cover de You Oughta Know da Alanis Morisette? Tipo, ela tem centenas de músicas nas rádios fazendo sucesso no momento, porque cantar a música de outra artista?

Mas enfim, apesar dos pesares, eu gostei da performance.



Finalmente, Taylor Swift.

A cantora country de 20 anos se tornou um fenômeno gigantesco nos EUA. Modesta, bem humorada, de boa família, aparência de girl next door e extremamente bem comportada, Swift é uma role model perfeita. Além disso, suas letras sobre amores e desilusões estilo high school são facilmente identificáveis por garotas adolescentes. Não o suficiente, o estilo de música que ela canta, country, é o gênero mais rentavel de todos.

Fearless, o álbum de Taylor, vendeu 5 milhões de cópias nos EUA, se tornando o CD mais vendido do ano. Ela sempre foi a maior aposta para receber o principal prêmio da noite afinal ela tem varrido absolutamente TODAS as premiações ao longo do último ano. E não deu outra: Swift levou para casa a estatueta de melhor álbum do ano por Fearless, o maior reconhecimento da noite (passando por cima de Beyonce, Gaga, Black Eyed Peas e Dave Matthews Band).

Eu amava Taylor Swift, recomendei para todos os meus amigos e ouvia Love Story e You Belong with Me nonstop faz alguns meses (não disse que eu não era esnobe musical?). Mas apesar disso tudo eu acho que TUDO TEM UM LIMITE. OK, a música dela é divertida e catchy mas SÓ. Não merece TODOS OS PRÊMIOS AO QUAL ELA É INDICADA. As letras são boazinhas mas completamente adolescentes (estilo poema de garota de 15 anos), a voz de Taylor é extremamente fraca (funciona para as músicas que ela canta mas é limitadíssima) e as músicas são uma mistura de pop e country, bastante pegajoso e agradável mas nada incomum.

Eu não consigo digerir que os Grammys são levados a sério ao mesmo tempo que premiam esse CD como o MELHOR do ano. Gente, a qualidade musical de Taylor Swift é comparavel ao do primeiro CD da Avril Lavigne (a diferença entre as duas é que Avril é uma porta e Taylor é realmente inteligente). Imaginem o primeiro CD da Avril Lavigne (que foi a melhor da carreira da canadense, alias) levando um Grammy. Não dá, né? Mas o álbum vende como água, sustenta a indústria fonográfica nas costas e pronto, isso é o suficiente para todo mundo se sentir na obrigação de dar todos os prêmios que existem para ela. Acho irritante, acho exagerado e faz eu ficar com um pé atrás na hora de apoiá-la (e eu sei que não é culpa dela se todo mundo decide premia-la mas não consigo controlar, perdi o carinho).

Mas olha, podem ter certeza de uma coisa: Taylor Swift alcançou o teto, ela não tem mais para onde crescer. Ela era artista que mais vendia nos EUA, sua turnê tinha esgotado em segundos, era um fenômeno e daí os VMAs (e Kanye) aconteceram e o que parecia impossível se tornou realidade: o sucesso dela foi potencializado. As vendas do CD aumentaram ainda mais (como? Já era o CD mais vendido de longe), ela ganhou todos os prêmios ao qual foi indicada (o irônico é que o último CD de Kanye, que foi um gigantesco sucesso de crítica, vendeu milhões e tinha um som completamente inédito não foi indicado a NADA. Estranho, né?) e se tornou conhecida por absolutamente todos. E, finalmente, ganhou o maior reconhecimento: um Grammy por melhor álbum.

E agora? E agora ela terá que enfrentar uma tonelada de críticas de gente que, assim como eu, acha que o nível de aclame que ela chegou é injustificado. E não são poucas pessoas.

Taylor já chegou ao lugar mais alto a qual podia chegar. Agora, ela só pode ir pra baixo. Ela vai começar a fracassar? Não, não existe a menor chance. Porém, ela perdera um pouco da força.

Minha opinião sobre a performance: péssima. Extremamente boring. Em primeiro lugar, ela teve a terrível idéia de cantar Today was a Fairytale. Essa música é um desastre. A letra é tipicamente Taylor Swift, com menções a contos de fadas etc, porém falta uma coisa essencial que faz dos singles dela memoráveis e catchy: emoção. A canção é robótica e foi claramente feita as pressas (provavelmente enquanto Taylor tinha outras 13848 coisas na cabeça) para ser colocada na trilha sonora de Valentine's Day.

Além disso, o dueto com Stevie Nicks, da mítica banda de rock Fleetwood Mac, foi vergonhoso. A voz de ambas não se misturam bem e o tom de Taylor não combina nem um pouco com as músicas de Nicks portanto foi doloroso ver Swift tentando cantar Rhiannon. Ainda pior, porém, foi ver a roqueira de 61 anos cantando a música mais high school já feita: You Belong with Me (imaginem uma mulher da terceira idade cantando She wears short-skirts, I wear T-shirts, she's cheer capitain and I'm on the bleachers. Pois é).

Além do principal prêmio da noite, Taylor também faturou Best Country Vocal Performance por White Horses (gente, ela tem a voz mais fraca de TODAS. Como é possível ela levar qualquer prêmio VOCAL?), Best Country Song (White Horses) e Best Country Album.

Os outros grandes vencedores da noite foram Kings of Leon que levaram o prêmio de Record of the Year por Use Somebody (não consigo processar a diferença entre Record of the Year e Song of the Year já que ambos dão prêmios a músicas individuais, mas enfim) e a agrupação country Zac Brown Band que levou Best New Act.

Como a maior parte das premiações atuais, os Grammys tiveram uma quantidade estupidamente grande de performances (e muitos poucos prêmios foram televisionados). E, como é uma premiação tradicional, pomposa, etc., todas as apresentações foram bem chatas, discretas e com todo mundo se esguelando para mostrar os dotes vocais.

Green Day (que ganhou Melhor Album de Rock por
21st Century Breakdown) fez uma apresesentação de 21 Guns
junto com o elenco de American Idiot, um musical da Broadway baseado no álbum homônimo da banda. Foi bem chatinho.



Depois, Pink fez a única coisa que ela sabe fazer em premiações: se pendurou no teto. Achei meio repetitivo. A gente já tinha visto os dotes acrobáticos dela nos VMAs (onde ela apresentou
Sober). Além disso (assim como nos VMAs), a apresentação de Glitter in the Air foi IDÊNTICA ao que ela apresenta em sua turnê. Por isso, a performance não me impressionou nem um pouco. Mas, independente da minha opinião, foi uma apresentação extremamente bem sucedida: foi aplaudida de pé e Glitter in the Air subiu centenas de posições no iTunes americano.

Alias, faz QUANTOS ANOS que a Pink tá promovendo esse CD, hein? Eu lembro PERFEITAMENTE dela cantando
So What? nos VMAs de 2008 (!!). Depois, ela teve OUTRA performance em 2009. E agora, em pleno 2010, ela continua indo a todas as premiações para cantar músicas do MESMO CD. E mais: ela passou 2008 e 2009 fazendo uma turnê extremamente bem sucedida por arenas da Oceania, Europa e EUA. E agora ela vai começar uma SEGUNDA turnê (dessa vez para estádios), totalmente nova, MAS TAMBÉM USANDO FUNHOUSE COMO BASE! Nunca vi alguém ser tão insistente com um mesmo álbum. Alias, fun fact sobre a Pink: nos EUA e no Brasil nem tanto, mas na Europa e na Austrália, ela é uma das cantoras pop mais bem suceidda de todos os tempos, vendendo muito mais e esgotando shows bem mais rápido que Britney, Beyoncé, etc.

Emplacando hit após hit, Black Eyed Peas também estavam entre os grandes vencedores da noite: eles levaram para casa Best Pop Performance by a Group (
I Gotta Feeling), Best Pop Vocal Album (The E.N.D.) e Best Short Form Music Video (Boom Boom Pow). Em sua performance, eles cantaram o novo single para os EUA Imma Be (o quarto single pro resto do mundo é Rock Your Body) e I Gotta Feeling (daí eu me pergunto PORQUE? Não existia NENHUMA necessidade. Todo mundo já ouviu essa música VEZES O SUFICIENTE!!). Seguindo o tema da noite, a apresentação foi bem chata, sem absolutamente nada de especial.

Houve performances dos veteranos Dave Matthew Band, Jeff Beck e Imelda May (num tributo para o gênio musical Les Paul) e Bon Jovi (uma das músicas que eles cantaram, Living on a Prayer, foi escolhida pelo público em uma votação na internet). Representando o country, Zac Brown Band (com Leon Russel) e Lady Antebellum (que é a aposta para ser a grande revelação do ano). Representando o R&B, Jamie Foxx (Blame It on the Alcohol com participação do mítico guitarrista Slash) e Maxwell (com Roberta Flack). E, encerrando o show, os dois maiores rappers do mundo, Lil' Wayne e Eminen, junto com a grande aposta para o futuro, o novato Drake (Kanye West também participa da versão original da música mas ele não foi convidado para os Grammys. Porque será?).

Além de variedade nas performances, também houve enorme diversidade nos apresentadores: lendas da musica (Ringo Starr, Plácido Domingo, Alice Cooper), celebridades que não são relevantes faz anos (Jennifer Lopez, Ricky Martin), ídolos teen (Justin Bieber, Miley Cyrus, Jonas Brothers), artistas multi-premiados porém meio esquecidos (Seal, Norah Jones, Sheryl Crow), estrelas do momento (Ke$ha, Katy Perry), grandes nomes não relacionados ao mundo da música (Adam Sandler, Quentin Tarantino) e atores promovendo seus filmes (Roberto Downey Jr com Iron Man 2, Kirsten Bell e Josh Duhamel com When in Rome) e seriados (LL Cool J por NCIS: Los Angeles, Kaley Cuoco por The Big Bang Theory e Si
mon Baker por The Mentalist. Todos os três são seriados da CBS, canal que exibiu a premiação. Puxa, que grande coincidência!).



Obviamente, não podia faltar uma grande homenagem ao Rei do Pop, Michael Jackson. Celine Dion, Jennifer Hudson, Usher, Carrie Underwood e Smokey Robinson se uniram para uma rendition de Earth Song. No fundo, um vídeo em 3D que havia sido preparado para a série de apresentações do cantor em Londres (para ver tridemensionalmente, era necessário óculos especiais que estavam disponiveis nas lojas de departamento Target, patrocinadora da premiação).



Depois da performance, os filhos mais velhos do cantor, Prince e Paris, aceitaram o Lifetime Achievement Award em nome do pai.

Além disso, Mary J. Blige e o tenor Andrea Bocelli cantaram Bridge Over Troubled Water
em tributo ao Haiti.



Performances e divas pop aside, meu momento favorito da noite foi o comediante Stephen Colbert (que, mais tarde, ganhou o prêmio de melhor CD de comédia) fazendo seu monólogo e apresentando o prêmio de melhor música com seu iPad. Genial.

Efeito Grammy


Lady Antebellum: os grandes beneficiados

Graças a homenagem a Michael Jackson e a "batalha" entre as três maiores cantoras pop do momento (Taylor, Gaga e Beyoncé), os Grammys, que estavam em queda livre, bateram recorde de audiência: 28 milhões de telespectadores, melhor resultado dos últimos 4 anos.

Como sempre, os vencedores dos maiores prêmios registrarão grande aumento de vendas nos próximos dias. Nos mais vendidos do Amazon, Zac Brown Band alcançou a terceira posição e Taylor Swift voltou para a quinta posição. Black Eyed Peas, Lady Gaga, P!nk, Beyoncé e Green Day também retornaram ao top 25. A coletânea de indicados aos Grammys se encontra na quarta posição.

Já no iTunes, principal vendedor de singles, I Gotta Feeling ganhou gás e voltou para a quarta posição (e eu me pergunto: COMO? Como é possível que, a essa altura ainda exista pessoas com interesse em adquirir essa música e que ainda não o fizeram? Como é possível que tem TANTA gente que ainda não cansou dela?). Glitter in the Air da P!nk também entrou no top 15 pela primeira vez graças a performance. Outras músicas que ganharam força: Bridge Over Troubled Waters (na versão da Mary J Blige com o Andrea Bocceli), You and Me do Dave Matthews Band, Use Somebody do Kings of Leon, Forever do Drake, Eminen, Lil Wayne e Kanye West, Poker Face da Lady Gaga, 21 Guns do Green Day, Fried Chicken do Zac Brown Band e Drop the World do Lil Wayne.

Mas ninguém foi mais beneficiado pela premiação do que o trio country Lady Antebellum. Os músicos de Nashville acabaram de lançar seu segundo CD, Need You Now, essa semana. Impulsionado pelo enorme sucesso da música homônima (que eu adoro), o álbum já estava cotado para vender muitíssimas cópias nos primeiros 7 dias. Porém, a performance deles (que eu achei fraca e ainda teve um momento mico quando a cortina caiu em cima da vocalista) no Grammy fez com que o primeiro single, que estava no top 20, voltasse voando para o primeiro lugar nas paradas do iTunes e deu ainda mais força para as vendas do álbum.

Enfim, para quem se interessar, quinta-feira tem um postzinho básico com mais informações sobre vendas e números na semana pós-Grammys.

E, para encerrar, se eu tivesse que descrever o Grammy em uma palavra eu diria: arrastado. Em duas: muito arrastado. Em três: chato para caralho. Oops, baixei o nível. Buhbye.