Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

2011: Música (e video game) no Reino Unido


A Official Charts Company revelou em janeiro a lista dos 40 maiores produtos de entretenimento do ano por volume de venda. A lista inclui CDs, DVDs e video-games mas eu vou focar apenas em música. Vou falar brevemente sobre os video-games e vou usar o resto das informações como base para outros posts.

A lista, que pode ser vista aqui, inclui 20 DVDs, 13 CDs e sete video games. Nenhuma surpresa que o topo da lista foi ocupada por Adele, que vendeu quase 4 milhões de unidades de 21 no Reino Unido em menos de 1 ano. Ela aparece novamente em 10º, com 19, lançado originalmente em 2009. De cada 25 CDs comprados no Reino Unido ao longo do ano, 1 era da londrina de 23 anos.

Mas o lançamento mais rentavel de 2011 no Reino Unido (e no mundo) foi o videogame Call of Duty: Modern Warfare que vendeu 2.815 milhões de cópias no país (a 30 libras, o triplo do valor cobrado por um CD). O jogo inclusive quebrou o recorde de Avatar, filme de James Cameron, como o produto de entretenimento que atingiu 1 bilhão de dólares em arrecadação em menos tempo. O jogo alcançou a marca em 16 dias, Avatar demorou 17.

Outros video games tiveram ótimos resultados no Reino Unido ao longo do ano: Fifa 12 (2.2 milhões de unidades); Battlefield 3 (1.2 milhão) e, mostrando o poder crescente das mulheres no mundo de gaming, Zumba Fitness (1.1 milhão) e Just Dance 3 (820 mil). Se você é fã de video game e quer uma lista detalhada do que vendeu em 2011 por plataforma na terra da rainha, clique aqui. O XBox foi, de longe, a plataforma mais vendida, seguida pelo Nintendo Wii.

Mas bom, video game não é assunto desse blog e eu não sei muito sobre isso então vamos move on para coisas que eu realmente entendo.

Música: albuns
Na música (e em qualquer coisa, lets be real), o ano pertenceu a Adele. O distante segundo lugar ficou entre a popstar caribenha Rihanna e o crooner canadense Michael Bublé.

Rihanna vendeu 1.6 milhão de CDs no UK ao longo de 2011; 910 mil de Loud (cujas vendas totais no Reino Unido, incluindo os números de 2010, ultrapassam 1.8 milhão) e 685 mil de Talk That Talk, o novo álbum lançado em novembro. Isso foi o suficiente para colocá-la duas vezes na lista dos 10 CDs mais vendidos de 2011, em sexto e em décimo (detalhe, a lista feita pela British Phonographic Association exclui compilações).


Já Michael Bublé teve o segundo álbum mais vendido do ano. Seu CD natalino Christmas, com reinterpretações de clássicos festivos, vendeu 1.35 milhão de unidades em pouco mais de um mês. Bublé é um fenômeno no Reino Unido e seu álbum anterior, Crazy Love, lançado em 2009, já vendeu 2.9 milhões de unidades no país (411 mil no ano passado). Para ajudar a promover o álbum festivo, Bublé participou da grande final do X Factor, um dos eventos televisivos mais assistidos do país e teve um especial na ITV1, que contou com a participação de muitos A-listers locais como Gary Barlow e Dawn French. Ele também visitou estações de rádio, o talkshow de Jonathan Ross e cantou no Children in Need Rocks, evento beneficente retransmitido pela BBC One.

Rihanna é outra que goza de enorme popularidade no Reino Unido. De fato, seu sucesso no país rivaliza (e até ultrapassa) o sucesso dela nos EUA, o seu mercado natal. A cantora sempre teve vendas bastante satisfatórias no UK, onde explodiu de vez com Umbrella que passou 10 semanas consecutivas no topo da parada de singles em 2007. O CD que continha a música vendeu 1.8 milhão de unidades (com ajuda de um relançamento) e, até o lançamento de Loud em 2010, era o álbum mais vendido da caribenha no país.

 
Rihanna sensualiza na final do X Factor 2010 e go british em We Found Love

Porém, Loud quebrou todos os recordes ao vender 800 mil unidades em pouco mais de um mês em 2010 e mais 910 mil ao longo do ano passado (for the record, isso é mais do que o CD vendeu nos EUA, um mercado muito maior). O single Only Girl já ultrapassou 1 milhão de unidades comercializadas no país, enquanto What's My Name está muitíssimo próximos a passar da marca. A cantora promoveu o álbum com duas aparições high profile no X Factor em 2010 (inclusive uma na grande final), além de apresentação no BRIT Awards e outra no talkshow de Graham Norton.

A turnê do CD vendeu mais de 800 mil ingressos só no Reino Unido. A demanda em Londres foi tão gigantesca que a cantora se apresentou por dez noites na O2 Arena (com 200 mil ingressos vendidos e 13 milhões de dólares arrecadados), a mais prestigiosa arena da Europa, onde se apresentam todos os maiores nome da música. Só três artistas -- Prince (21 shows); Spice Girls (17 na turnê de reunião em 2006) e Bon Jovi (12) -- fizeram mais apresentações consecutivas no local.


Rihanna e sua equipe não foram bobos e souberam capitalizar com o groundbreaking success da cantora no UK. We Found Love, o primeiro single do novo álbum dela, foi produzido pelo megastar local Calvin Harris e o clipe foi todo gravado em Belfast, com um setting tipicamente britânico (apesar de tecnicamente Belfast ficar na Irlanda do Norte). Não a toa, a música passou seis semanas no topo e vendeu 906 mil cópias em três meses no Reino Unido (e, na segunda semana de fevereiro, ultrapassou a marca do milhão).

Além de Adele, Bublé e Rihanna, o top 10 de álbuns mais vendidos incluiu Bruno Mars; Coldplay; Lady Gaga; Jessie J e Ed Sheeran.

Bruno Mars foi a grande revelação do ano. O americano e suas baladas soulful românticas obtiveram enorme sucesso no Reino Unido, onde seu álbum de estréia, Do-Woop & Hooligans, vendeu 1.25 milhão de unidades ao longo de 2011, o suficiente para ser o terceiro mais vendido do ano. As vendas foram, sem duvidas, impulsionadas pelo enorme sucesso dos três number one singles, Just the Way You Are, um dos maiores sucessos no país em 2010 (e com mais de 1 milhão de unidades vendidas no total); Grenade, que vendeu 852 mil unidades em 2011 e Lazy Song. Marry You, que não teve vídeo lançado e nunca sequer alcançou o top 10, foi um vendedor estável ao longo do ano e chegou a 400 mil unidades, ultrapassando as vendas de várias músicas que alcançaram o topo.
Coldplay manteve a tradição de vendas altas, apesar do novo álbum, Mylo Xyloto, não ter voado das prateleiras tão rapidamente quanto os lançamentos anteriores. O CD vendeu 950 mil unidades e ganhou fôlego depois que o segundo single, Paradise foi interpretado ao vivo pela banda no talkshow Graham Norton e na grande final do X Factor, dando ao grupo seu segundo número 1 nas paradas de single britânicas. O quinto álbum do grupo liderado por Chris Martin não terá problemas em passar da marca do milhão no mercado natal deles mas, se juntará ao álbum anterior, Viva la Vida or Death and All His Friends, como os dois unicos lançamentos do grupo de Chris Martin a não chegar as 2 milhões de unidades vendidas.


Mylo Xyloto
foi o CD de rock que mais vendeu no Reino Unido em 2011. Paradise foi o single do gênero de maior sucesso, com 410 mil unidades enquanto Every Teardrop is a Waterfall vendeu 247 mil cópias.

Já Lady Gaga deveria aprender a não overhype seus projetos. Apesar de promessas de ser o "álbum da década" e uma promoção mais que intensa (aparições no X Factor; no Children in Need Rocks; MTV Europe Music Awards; um especial; entrevistas de rádio; capa da NME, Elle UK e i-D e apresentações em quatro talkshows, Jonathan Ross, Graham Norton, Alan Carr Chatty Man e Paul O'Grady), Born this Way não ultrapassou a barreira de 1 milhão de unidades (The Fame/The Fame Monster alcançou 2 milhões, com a ajuda de um relançamento) e não originou nem sequer um número 1 na parada de singles (comparado com quatro de The Fame/The Fame Monster; é verdade que o single homônimo teria facilmente conseguido a distinção se ele não tivesse sido lançado no final da semana).

Mesmo assim, não é justo chamar o segundo álbum de Gaga de "fracasso". O projeto vendeu respeitáveis 855 mil unidades (sétimo maior vendedor do ano) e o primeiro single alcançou 625 mil unidades vendidas.

Ed Sheeran (conheça-o: Lego House; The A-Team; Drunk) e Jessie J
O top 10 de álbuns conclui com as duas maiores revelações locais do ano: Jessie J e Ed Sheeran.

Jessie foi overhyped to death como the next big thing (inclusive aqui no blog) e, pelo menos no Reino Unido, ela não desapontou. O seu CD, Who You Are, vendeu 838 mil unidades (com a ajuda de um relançamento) e originou vários grandes hits incluindo Price Tag (quarto maior single do ano, com 980 mil unidades comercializadas). A cantora foi promovida nonstop no Reino Unido com enorme hype da mídia e da indústria (que deu a ela o primeiro lugar na prestigiosa poll da BBC, Sound of 2011, e também o Critics Choice no BRIT Awards); aparição em todos os principais festivais (do Glastonbury ao Capital FM Summerball); capas de revista e slots em todos os programas de TV, do X Factor e Britain's Got Talent ao matinal Daybreak, passando por So You Think You Can Dance?; Graham Norton; Alan Carr Chatty Man e Children in Need Rocks.

Já o sucesso de Ed Sheeran foi bem mais orgânico. O jovem músico e compositor, de apenas 20 anos, já tinha um following considerável graças ao sucesso de seus EPs e, em 2011, finalmente assinou com uma grande gravadora. Seu primeiro single, The A Team, foi um gigantesco sucesso e seu álbum vendeu 822 mil unidades até o momento. A julgar pelo sucesso do single atual, Lego House, cujo vídeo tem a participação de Rupert Grint, o CD continuará vendendo ao longo de 2012. Ele também conseguiu 4 indicações ao BRIT Awards, mais até do que Adele.

Coldplay no X Factor e Gaga em um O'Grady Live especial: apresentações high profile

Os álbuns mais vendidos: 1. 21 - Adele (3.925 milhões); 2. Christmas - Michael Bublé (1.35 milhão); 3. Doo-Woop & Hooligans - Bruno Mars (1.265 milhão); 4. 19 - Adele (1.265 milhão; total: 2 milhões); 5. Mylo Xyloto - Coldplay (943 mil); 6. Loud - Rihanna (910 mil; total: 1.8 milhão); 7. Born this Way - Lady Gaga (855 mil); 8. Who You Are* - Jessie J (838 mil); 9. + - Ed Sheeran (820 mil); 10. Talk that Talk - Rihanna (684 mil)

*inclui relançamento

Em 2011, 119 CDs ultrapassaram a marca de 100 mil unidades vendidas (disco de ouro) mas apenas 39 cruzaram 300 mil, o suficiente para uma certificação de platina. Além de Talk That Talk de Rihanna, mais sete CDs lançados entre novembro e dezembro (onde as vendas vão as alturas graças ao natal) conseguiram o certificado. Desses sete, só um deles não estava envolvido com Simon Cowell e seus talent shows. Lioness Hidden Treasures, o álbum póstumo de Amy Winehouse, vendeu 640 mil unidades em menos de um mês (e Back to Black, seu álbum mais famoso, vendeu 342 mil, elevando o total de vendas para 3.25 milhões).

Todos os outros big sellers lançados no período natalino (One Direction, Olly Murs, Westlife, Rebecca Fergunson, Susan Boyle, JLS) estavam envolvidos com Simon Cowell one way or another. Westlife, a legendária boyband irlandesa que FINALMENTE anunciou o fim (uns 7 anos too late), vendeu 425 mil unidades do seu segundo greatest hits (o primeiro, lançado em 2002, vendeu 1.3 milhão). Detalhe: eles são empresariados por Simon (e Louis Walsh, outro jurado do X Factor) e cantaram na grande final do programa.

 
One Direction e Olly Murs: do X Factor ao topo dos charts em 2011

Falando em X Factor, os segundo colocados do programa se mostraram bem mais bem-sucedidos que seus vencedores. Olly Murs, que ficou em segundo lugar em 2009, vendeu 600 mil unidades de seu segundo álbum In Case You Didn't Know, impulsionado pelo sucesso de My Heart Skips a Beat, ultrapassando inclusive as vendas de seu debut (algo quase inédito no mundo de reality show contestants).  Já a soulful Rebecca Fergunson, segundo lugar em 2010, vendeu 380 mil cópias de Heaven, seu elogiado CD de estréia, em menos de 1 mês. Em compensação, Joe McElderry, primeiro lugar em 2009, vendeu apenas 110 mil cópias do seu CD de música clássica (o que já foi um improvement dos 90 mil comercializados pelo seu CD de estréia pós-vitória. O primeiro lugar dele no concurso de talentro From Popstar to Operastar, que tem 1/10 da audiência do X Factor, se provou bem mais efetiva) e 100 mil do seu álbum de músicas natalinas; enquanto Matt Cardle, ganhador de 2010, vendeu 225 mil unidades de seu CD de estréia, Letters.

Mas nem Rebecca nem Matt foram os verdadeiros vencedores do X Factor 2010. O charttopper da temporada foi a boyband One Direction, terceira colocada, que vendeu 480 mil unidades de seu CD de estréia em três semanas.

Enquanto 1D começa sua carreira no topo, o JLS, a outra boyband de sucesso lançada pelo X Factor, mostra sinais de desgaste. As 360 mil unidades de Jukebox, vendidas em pouco mais de 1 mês, são um número satisfatório, mas decepcionantes quando comparado com as 600 mil do álbum anterior ou 1.5 milhão do álbum de estréia.

Outro ato made by Simon Cowell que está perdendo a força é Susan Boyle. Mas não tem como negar que ela durou BEM mais do que eu esperava. Já faz quase quatro anos desde aquele vídeo viral e essa mulher, que não tem nada de interessante e só canta covers, ainda vende mais de 300 mil unidades em 1 mês (315 mil com Someone to Watch Over Me). É verdade que é um número bem mais modestos que 1.8 milhão alcançados por I Dreamed a Dream em 2010 mas continua sendo uma quantidade bem chocante para alguém cujo hype já morreu faz bastante tempo.

Will Young, o maior vencedor de reality, e Rebecca Ferguson, a queridinha dos críticos.

Will Young, o primeiro grande vencedor de reality show de talento (ele venceu Pop Idol back in 2002), prova que ele outgrow o programa que o originou e continua sendo um dos unicos vencedores que conseguiu emplacar uma carreira realmente respeitável: seu quinto álbum, Echoes, vendeu 390 mil. Todos os CDs de Will, incluindo seu greatest hit, alcançaram platina.
 
Tirando Amy, outro non-reality show success story do ano foi a nova banda de Noel Gallagher. Depois de centenas de brigas, os irmãos Liam e Noel finalmente anunciaram o fim do Oasis, o top-selling act do UK das últimas décadas e ambos lançaram suas novas bandas. Liam seguiu com os ex-músicos do Oasis na Beady Eye enquanto Noel lançou um projeto novo que se provou mais bem sucedido. O álbum homônimo do Noel Gallagher's High Flying Birds vendeu 500 mil unidades enquanto o CD do Beady Eye vendeu 200 mil.

Noel Gallagher's High Flying Birds vs. Liam Gallagher's Beady Eye

Chase & Status, uma dupla de produtores de dubstep, também não fizeram feio, com mais de 400 mil unidades de seu segundo álbum, No More Idols. O CD contou com o vocal de vários atos up and coming e promissores como Plan B; Tinie Tempah; Dizzee Rascal; White Lies e Mavercik Sabre

Outros artistas que alcançaram platina incluíram Florence & the Machine, com seu segundo CD; a holandesa Caro Emerald que, depois de bater recordes de venda em seu país de origem, obteve respeitável sucesso com seu álbum de estréia, Deleted Scenes from the Cutting Room no Reino Unido (graças ao apoio da Radio 2 ao single On a Night Like This) e o grupo a capella The Overtones, impulsionados por uma aparição na final de Dancing on Ice, bem sucedido reality show que é basicamente uma versão com patinação no gelo de "Dança dos Famosos".

Quando se contabiliza compilações, 2011 foi mais um ano fortíssimo para o franchise Now! That's What I Call Music. Desde os anos 80, a coletânea é lançada três vezes por ano, tendo uma tracklist composta pelos maiores sucessos do período. Mesmo com a crise da indústria fonográfica, a coleção ainda se prova um gigantesco sucesso, com seus três lançamentos ultrapassando a marca de 600 mil unidades vendidas cada (Now! 80, lançado no período natalino, alcançou 1.2 milhão).

Chase & Status


No mais, 2011 foi o ano que pop virou o gênero favorito do Reino Unido, ultrapassando o rock. 33.6% dos álbuns vendidos (incluindo 6 dos 10 mais vendidos do ano) pertencia ao gênero, comparado com apenas 29.4% do rock. Pop teve seu melhor ano desde 1999 (quando Britney Spears, Westlife, Boyzone e Robbie Willaims estavam no ápice) enquanto o rock teve seu pior ano desde 2003 (o ápice do século foi 2004, quando o gênero teve uma fatia de 41.5% do mercado). Apenas dois dos vinte álbuns mais vendidos foram de rock: Coldplay e Noel Gallagher's High Flying Birds (detalhe: a associação fonográfica britânica conta Rihanna como hip-hop. Se ela fosse contada como pop, o que seria o mais correto, a porcentagem seria ainda maior. Outros lançamentos injustamente contados como urbano inclui o smash hit dance da J.Lo On the Floor).

Além de Coldplay e Gallagher, três álbuns de rock ultrapassaram as 300 mil unidades vendidas: o segundo lançamento de Florence & the Machine; o novo álbum dos Foo Fighters; Mumford & Sons (que ultrapassaram 1 milhão de unidades somadas com as vendas do ano passado) e Elbow. CDs  que ultrapassaram os 100 mil incluíram Velociraptor do Kasabian; Fallen Empires do Snow Patrol; Last Night on Earth do Noah & the Whale; What Did You Expect from the Vaccines dos The Vaccines; I'm with You dos Red Hot Chilli Peppers; Different Gear Still Speeding do Beady Eyes; Tourist History do Two Doors Cinema Club; Helplessness Blue dos Fleet Foxes e Let England Shake da P.J. Harvey. O primeiro álbum do Florence & the Machine vendeu 180 mil cópias, elevando o total de Lungs para 1.7 milhão enquanto Only by the Night, dos Kings of Leons, vendeu 120 mil, se aproximando dos 3 milhões de unidades totais e Come Around Sundown, da mesma banda, ultrapassou o 1 milhão com 166 mil.


2011 foi um ano bom para o folk, que registrou o maior share de vendas do século com 1.6% do mercado graças ao sucesso de Laura Marling. Michael Bublé, sozinho, foi o responsável pelo recorde de vendas do gênero easy listening que dominou 8% do mercado.


Os que alcançaram certificação de platina: 11. Lioness: Hidden Treasures - Amy Winehouse (670 mil); 12. In Case You Didn't Know - Olly Murs (600 mil); 13. Lady Killer - CeeLo Green (590 mil; total: 700 mil); 14. Noel Gallagher's High Flying Birds - Noel Gallagher's High Flying Birds (500 mil); 15. Progress* - Take That (483 mil; total: 2.5 milhões); 16. Up All Night - One Direction (470 mil); 17. No More Idols - Chase & Status (465 mil); 18. 4 - Beyoncé (455 mil); 19. Greatest Hits - Westlife (425 mil); 20. Crazy Love* - Michael Bublé (411 mil; total: 2.9 milhões); 21. Defamation of Strickland Banks - Plan B (405 mil; total: 1.5 milhão); 22. Ceremonials - Florence & the Machine (385 mil); 23. Echoes - Will Young (381 mil); 24. Wasting Lights - Foo Fighters (380 mil); 25. Teenage Dream - Katy Perry (380 mil; total: 1 milhão); 26. Heaven - Rebecca Fergunson (377 mil); 27. Sigh No More - Mumford & Sons (370 mil; total: 1.3 milhão); 28. Disc-Overy - Tinie Tempah (360 mil; total: 750 mil); 29. Jukebox - JLS (355 mil); 30. The Fame* - Lady Gaga (336 mil; total: 2.8 milhões); 31. Build A Rocket Boys - Elbow (327 mil); 32. Back to Black - Amy Winehouse (325 mil; total: 3.5 milhões); 33. Someone to Watch Over Me - Susan Boyle (315 mil); 34. Good Ol' Fashioned Love - The Overtones (308 mil; total: 400 mil); 35. Deleted Scenes from the Cutting Room - Caro Emerald (308 mil)


Música: singles

Impulsionado pelo iTunes e afins, o mercado digital salvou o mercado de singles. Prova disso é o fato de, pela primeira vez em anos, os dois singles mais vendidos de 2011, Someone Like You de Adele e Moves Like Jagger de Maroon 5, ultrapassarem a marca de 1 milhão de unidades comercializadas. Curiosamente, Moves Like Jagger nunca alcançou o primeiro lugar, tendo peaked na 2ª posição, num caso similar a Love the Way You Lie, o dueto entre Eminem e Rihanna que foi a música mais vendida de 2010, também ultrapassou o milhão e também nunca alcançou o topo. 

De fato, um primeiro lugar parece significar cada vez menos. É verdade que entre os dez mais vendidos, oito alcançaram o topo mas existem charttoppers como Don't Wanna Go Home de Jason DeRulo que venderam menos que músicas que nunca nem sequer alcançaram o top 10 (DeRulo, com um número 1, vendeu 349 mil unidades, menos que Marry You, de Bruno Mars, e Set Fire to the Rain de Adele, ambos peaking em 11º. Outros número 1 com vendas bem baixas incluem She Makes Me Wanna do JLS; Swagger Jagger da Cher Lloyd; All About Tonight da Pixie Lott; Loca People de Sak Noel; Stay Awake de Example e Don't Go do Wretch 32, todos vendendo menos de 340 mil unidades no total).


Outros hits onipresentes globalmente em 2011 aparecem no top 10 anual britânicos como Party Rock Anthem (sério gente, essa foi A música do ano) do LMFAO; Give Me Everything Tonight do Pitbull e On the Floor, o grande comeback da J.Lo.

Graças ao fato de serem cantadas por finalistas do X Factor e do Britain's Got Talent, Iris, sucesso dos anos 90 do Goo Goo Dolls, e Fast Car, charttopper de Tracy Chapman em 89, voltaram ao top 10 britânico. As músicas venderam 262 e 269 mil unidades respectivamente ao longo do ano.

No mais, pela primeira vez desde 2009, os vencedores do X Factor não alcançaram o número 1 na semana natalina. Quem conseguiu a honra foi o Military Wives' Choir que, como o nome indica, é um coro formado por esposas de militares. A gravação de um cover de Wherever You Are foi tema de um documentário da BBC, que promoveu o single pesadamente leading up ao lançamento, incluindo aparição das mulheres no talkshow do Graham Norton e no muitíssimo assistido Strictly Come Dancing. As moças venderam mais de 500 mil unidades em apenas uma semana.

Mesmo assim, Little Mix, as vencedoras do X Factor, tiveram uma semana em primeiro lugar. As vendas, contudo, foram médias: 390 mil unidades, primeira vez que um vencedor não ultrapassa os 400 mil. De todo modo, as meninas merecem crédito: nenhuma girlband conseguiu ultrapassar da segunda semana do programa e não só elas chegaram na final, elas ganharam a edição. Depois do programa lançar boybands de sucesso, tá na hora de uma girlband lead the charts (e, como as Girls Aloud provaram, girlbands ganhadoras de reality show em geral tem uma carreira bem mais longa e impactante que boybands).

Wherever You Are do Military Wives' Choir teve a melhor semana de vendas para um single e as Little Mix tiveram a segunda melhor semana de vendas.


Entre former reality show contestants, Olly Murs e One Direction foram os mais bem sucedidos tanto na parada de CDs quanto na de singles. Tanto My Heart Skips a Beat como What Makes You Beautiful ultrapassaram as 500 mil unidades vendidas totais.

Além de Moves Like Jagger, The A-List de Ed Sheeran e Rollin' in the Deep de Adele foram os singles que não alcançaram o topo das paradas mais bem-sucedidos do ano. Já The Edge of Glory de Lady Gaga; Yeah x 3 de Chris Brown e Super Bass de Nicki Minaj foram os três singles que não alcançaram o top 5 que mais venderam enquanto Set Fire to the Rain de Adele; Marry You de Bruno Mars; Hello de Martin Soreveign e o cover de Skinny Love feito por Birdy são os singles que não alcançaram o top 10 com as vendas mais altas.

Entre os 100 singles mais vendidos, Rihanna aparece 6 vezes (We Found Love; Who's That Chick; Only Girl; What's My Name; California King Bed) e Adele e Bruno Mars apareceram 4 (Someone Like You; Rollin' in the Deep; Set Fire to the Rain; Make You Feel My Love/Grenade; The Lazy Song; Marry You; Just the Way You Are). 115 músicas ultrapassaram 200 mil unidades comercializadas; 187 ultrapassaram 100 mil.

Assim como nas vendas de CD, não foi um bom ano para o rock: nenhuma música do gênero apareceu entre os 35 maiores singles. Paradise, do Coldplay, foi a unica representante do gênero a ultrapassar 300 mil unidades vendidas (410 mil). Alias, Coldplay foi, de longe, a banda de maior sucesso do ano, responsáveis por quatro das 19 músicas do gênero que conseguiram ultrapassar 90 mil unidades (além de Paradise e Every Tear is a Waterfall; Fix You, com 124 mil e Viva la Vida, com 96 mil).

Iris do Goo Goo Doll foi a segunda música rock mais popular (264 mil), impulsionada pelo fato de ser usada no X Factor. Skinny Love, cover da Birdy do sucesso do Bon Iver (259 mil); Fix You do Coldplay e Cannonball do Damien Rice (99 mil) também foram outras músicas  impulsionadas por apresentações no reality do Simon Cowell enquanto Wherever You Will Go do The Calling (125 mil) ganhou nova vida graças a um comercial de chá. L.I.F.E.G.O.E.S.O.N. de Noah & the Whale (242 mil) e o sucesso global do Foster the People, Pumped Up Kicks (225 mil) foram alguns dos poucos relativos sucessos do gênero. Os primeiros singles dos novos CDs de James Morrison (I Won't Let You Go; 228 mil); Florence & the Machine (Shake It Out; 127 mil); Noel Gallagher's High Flying Band (A.K.A. What a Life; 115 mil); Snow Patrol (Called Out in the Dark; 103 mil) e Artic Monkeys (Don't Sit Down Cause I've Moved Your Chair; 81 mil) tiveram vendas dignas assim como alguns clássicos recentes como Chasing Cars do Snow Patrol (128 mil; um total acima de 1 milhão); Sex on Fire do Kings of Leon (90 mil; total acima de 1 milhão) e Bring Me To Life do Evanescence (98 mil).

Os singles mais vendidos: 1. Adele - Someone Like You (1.25 milhão; peak: 1º); 2. Maroon 5 (ft. Christina Aguilera) - Moves Like Jagger (1.05 milhão; 2º); 3. LMFAO - Party Rock Anthemm (995 mil; 1º); 4. Jessie J (ft. BoB) - Price Tag (982 mil; 1º); 5. Rihanna (ft. Calvin Harris) - We Found Love (905 mil; 1º); 6. Pitbull (ft. Ne-Yo) - Give Me Everything (870 mil; 1º); 7. Bruno Mars - Grenade (853 mil; 1º); 8. Ed Sheeran - The A Team (800 mil; 3º); 9. Adele - Rollin' in the Deep (799 mil; 2º); 10. Jennifer Lopez (ft. Pitbull) - On the Floor (785 mil; 1º); 11. Christina Perri - Jar of Hearts (670 mil; 4º); 12. Rihanna - S&M (650 mil; 3º); 13. Military Wives Choir - Wherever You Are (632 mil; 1º); 14. Lady Gaga - Born this Way (626 mil; 3º); 15. Bruno Mars - Lazy Song (618 mil; 1º); 16. Chris Brown (ft. Benny Benassi) - Beautiful People (589 mil; 4º); 17. Example - Changed the Way You Kiss Me (582 mil; 1º); 18. Aloe Blacc - I Need A Dollar (584 mil; 2º); 19. Snoop Dogg & David Guetta - Sweat (559 mil; 4º); 20. One Direction - What Makes You Beautiful (545 mil; 1º); 21. Olly Murs - My Heart Skips a Beat (505 mil; 1º); 22. Alexandra Stan - Mr. Saxobeat (502 mil; 3º); 23. Labrinth (ft. Tinie Tempah) - Earthquake (501 mil; 2º); 24. The Wanted - Glad You Came (496 mil; 1º); 25. DJ Fresh - Louder (489 mil; 1º); 26. Jessie J - Do It Like A Dude (480 mil; 2º; total: 575 mil); 27. Lady Gaga - The Edge of Glory (479 mil, 6º); 28. Chris Brown - Yeah 3x (473 mil, 6º); 29. Adele - Set Fire to the Rain (472 mil, 12º); 30. Nicki Minaj - Superbass (456 mil; 8º); 31. LMFAO - Sexy & I Know It (455 mil; 5º); 32. David Guetta (ft. Nicki Minaj & Flo-Rida) - Where Dem Girls At (439 mil; 3º); 33. Nicole Scherzinger - Don't Hold Your Breath (438 mil; 1º); 34. Beyoncé - Best Thing I Never Had (429 mil; 3º); 35. Calvin Harris (ft. Kelis) - Bounce (421 mil; 2º)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Hit do momento: Gotye "Somebody That I Used to Know" (+ top 2011 da Austrália)

Dizer que Somebody That I Used to Know é o sucesso do momento talvez seja meio injusto afinal, foi em julho de 2011 que a música de Gotye, com vocais adicionais de Kimbra, foi lançado na Austrália, país de origem do artista. E foi em agosto que a canção atingiu o topo das paradas de single e, desde então, já alcançou oito vezes platina e vendeu 600 mil unidades (ou seja, um em cada 26 australianos comprou a música legalmente até o momento e a música ainda tá no top 20). Foi no ano passado também que, via Twitter, vários artistas (entre eles, Ashton Kutcher, Lily Allen, Cheryl Cole e Katy Perry) recomendaram a canção e seu vídeo.


Mas finalmente o resto do mundo tá catching up com a Austrália. Semana passada, a música de Gotye alcançou o topo nas paradas britânicas. E, nos EUA, a canção está cada vez mais próxima do top 10 (faz menos de 15 dias o cantor fez sua primeira aparição na TV estado-unidense, no talkshow de Jimmy Kimmel). Além disso tudo, a música alcançou o primeiro lugar em vários outros mercados europeus, entre eles Holanda, Bélgica (o país de origem do cantor, ele se mudou para a Oceania com 2 anos), Dinamarca e a Alemanha, um super mercado em termos de lucro.

O sucesso da canção é impressionante pois a Austrália raramente produz canções de sucesso tão gigantesco. Para se ter uma idéia, além de Somebody That I Used To Know, apenas uma outra canção de um cantor australiano alcançou o topo no país em 2011. E essa canção, pasmem, era do vencedor do X Factor local (que, tecnicamente, é britânico mas, assim como Gotye, se mudou para a Austrália ainda novo).

Mesmo assim, as paradas australianas são interessantes de se observar pois, muitas vezes, o país está na frente do resto do mundo na hora de spot grandes hits. Foi na Austrália que Lady Gaga explodiu primeiro (Just Dance e Poker Face tinham alcançado o topo por lá meses antes dos EUA e da Europa) e também foi o primeiro mercado onde TiK ToK de Ke$ha chegou ao primeiro lugar. O país também foi responsável por ressuscitar a carreira de P!ink, hoje em dia uma das cantoras pop com vendas mais estáveis a nível global.

Gotye começou a ganhar popularidade na Austrália com seu lançamento independente Like Drawing Blood que foi enormemente elogiado pela mídia alternativa local e ganhou bastante airplay na rádio pública jovem Triple J. Porém, ele explodiu para o mainstrem com o sucesso de seu single no mês de agosto e, quando seu álbum Making Mirrors alcançou o topo ao mesmo tempo que sua música liderava as paradas de single, ele se tornou o primeiro artista australiano a liderar ambas as paradas simultaneamente desde Silverchair em 2007.


Porém, apesar de todo o sucesso, Somebody That I Used To Know teve que se contentar em ser o segundo single mais vendido de 2011 na Austrália. O primeiro lugar foi para Party Rock Anthem que, podemos concluir, foi mesmo o anthem do ano. A música vendeu 800 mil unidades no país.

Já nas paradas de CD, Gotye foi responsável pelo quarto maior vendedor do ano, com 250 mil cópias. O top 3 foi idêntico ao ranking anual britânico: Adele com 21; Michael Bublé com Christmas e Bruno Mars com Doo-Woops & Hooligans.

Alias, preparem-se para ficar em choque: a maior vendedora do ano na Austrália foi, surprise surprise, Adele. Como em todo resto do planeta, a britânica arrasou vendendo mais de 720 mil unidades de seu 21, mais que o dobro do que o segundo lugar. Ela ainda alcançou o topo da parada de singles com Rolling in the Deep e Someone Like You (ambos certificados 5x Platina) e teve o DVD musical mais vendido (Live at the Royal Albert Hall; 70 mil unidades em menos de 2 meses).

Top 20 álbuns:  1. Adele - 21 (720 mil); 2. Christmas - Michael Bublé (365 mil); 3. Doo-Woops & Hooligans - Bruno Mars (300 mil); 4. Making Mirrors - Gotye (250 mil); 5. Sorry for Party Rocking - LMFAO (250 mil); 6. Born this Way - Lady Gaga (210 mil); 7. Someone to Watch Over Me - Susan Boyle (180 mil); 8. Wasting Lights - Foo Fighters (150 mil); 9. Duets II - Tony Bennet (140 mil); 10. Mylo Xyloto - Coldplay (140 mil).

Top 20 singles: 1. Party Rock Anthem - LMFAO (800 mil); 2. Somebody That I Used to Know (ft. Kimbra) - Gotye (600 mil); 3. Moves Like Jagger - Maroon 5 ft. Christina Aguilera (540 mil); 4. Someone Like You - Adele (400 mil); 5. Rolling in the Deep - Adele (370 mil); 6. Sexy and I Know It - LMFAO (350 mil); 7. Give Me Everything (ft. Ne-Yo & Afrojack) - Pitbull (350 mil); 8. Born this Way - Lady Gaga (320 mil); 9. Price Tag - Jessie J (320 mil); 10. On the Floor (ft. Pitbull) - J.Lo (300 mil)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

NRJ Music Awards 2012 + ranking anual francês



Shakira; Mylene Farmer e Justin Bieber: os grandes homenageados da noite

Em geral, os posts nesse blog são a relacionados a cultura pop dos EUA e do Reino Unido mas a verdade é que me interesso por tudo, da Argentina ao Japão. Eu comento mais os assuntos anglo-saxônicos porque acho que tem maior alcance e falo pouco do Brasil não porque esnobo a ~~cultura nacional mas porque, né? A essa altura, quem já não sabe que "Ai Se Eu Te Pego" é um mega sucesso na Europa, etc? Não quero ser repetitivo ou dar notícias super atrasadas (o que acaba acontecendo pois sou super lerdo para atualizar).

Mas enfim, o fato é, vou tentar diversificar o leque de países vez ou outra porque acho curioso e é interessante ver o que tá rolando fora dos lugares mais óbvios, não é mesmo? Então, hoje vou comentar o NRJ Music Awards, a principal premiação musical francesa que aconteceu no dia 30 de janeiro, segunda-feira.

O NRJ Music Awards é um evento anual que acontece faz 12 anos, em Cannes, e é uma colaboração entre a NRJ, a principal emissora de rádio francesa, com a TF1, a emissora mais assistida. Os fãs votam online para seus favoritos, os principais artistas vão lá para cantar, etc. etc. Sinceramente, não é a melhor premiação nem a mais bem produzida mas é bem feitinha e dá para ter uma visão geral da música francesa ao longo do ano anterior.

A França não é um mercado para se esnobar, afinal é um país super rico e tem o quinto maior mercado fonográfico do mundo, depois dos EUA, do Japão, do Reino Unido e da Alemanha. Então, o programa consegue uma line-up bastante boazinha, com um bom equilíbrio entre artistas internacionais e nacionais. Britney, Beyoncé, Rihanna... todo mundo já fez uma apresentaçãozinha na premiação ao longo da última década.

E ainda tem o fato da NRJ ter uma puta importância na França, afinal é a emissora de rádio top 40 mais ouvida do país. Por tanto, estar na playlist da emissora é importantissimo para qualquer artista que queira se estabelecer no país. Uma visitinha a estração para uma entrevista é uma parada mais que obrigatória para qualquer artista que vá promover por Paris.

Por outro lado, o NRJ Music Awards tem uma desvantagem: ele acontece no final de janeiro, pouquíssimas semanas antes do Grammy. Ou seja, muitos dos artistas de primeiro escalão esnobam a premiação por ter exclusividade com a premiação americana. Adele, por exemplo, fará seu grande retorno aos palcos no evento estado-unidense (e logo depois no BRIT Awards em Londres) e, por isso, sua aparição na premiação francesa não seria possível apesar dela ter sido, de longe, a artista que mais vendeu no país ao longo de 2011.

Além disso, o NRJ Music Awards não é o retrato mais fiel da música francesa, obviamente. Afinal, é votado por fãs então é óbvio que, na maior parte dos casos, artistas cheios de fãs pré-adolescentes xiitas vão ter vantagem. Shy'M e M. Pokora não são os cantores mais populares do país, muito menos os com maior prestígio mas tem uma fanbase dedicada o suficiente para votar neles nonstop.

Ah, também tem o fato do NRJ não representar muito bem um dos gêneros mais populares da França: o rap/hip-hop. O principal motivo para isso é o fato da principal concorrente deles ser a Skyrock, uma rádio exclusivamente de música urbana que, na região metropolitana de Paris, ultrapassa eles em ouvintes. Por isso, os rappers mais populares da França não dão muita bola para NRJ e, além disso, o grupo urban mais popular do país em 2011, Sexion D'Assaut, foi banido da emissora depois de alguns comentários homofóbicos, o que vetou qualquer aparição deles em eventos relacionados a marca.

Mas enfim, vamos a premiação. Assim como em 2011, quem mais brilhou foi Shakira que agora é praticamente uma francesa. Ela abriu a apresentação com Je L'Aime A Mourir, sua versão do clássico de Francis Cabrel (uma espécie de Roberto Carlos francês) que está a sete semanas em primeiro lugar no país. Depois, recebeu das mãos de Johnny Hallyday, o maior nome da história da indústria fonográfica francesa, um prêmio especial pelo seus anos excepcionais de sucesso.

 


Pois é, Shakira está mesmo com TUDO na França.Os franceses sempre amaram essa coisa meio latina exótica (J.Lo; Pitbull; Ricky Martin; Enrique Iglesias... toda essa galera é/foi super popular por lá) mas a longevidade da colombiana é impressionante. Não só seu álbum, Sale El Sol, vendeu 500 mil unidades (apesar de ser inteiramente em espanhol), ela ainda fez uma bem sucedida turnê pela França e Waka Waka, sua música para a Copa, vendeu 500 mil unidades, se tornando o single mais bem sucedido no país desde 2005.

Não a toa, durante o seu discurso de agradecimento (em francês! Ela é fluente nisso também!) ela agradeceu ao país por abraça-la "como uma nativa". Para vocês terem noção, ela também abriu a premiação no ano passado cantando nada mais nada menos que o HINO NACIONAL FRANCÊS, La Marseillaise.

Alias, eu ADORO como a Shakira muda de nacionalidade de acordo com o que mais beneficia. Ela era colombiana, daí ela virou representante da América Latina; depois loira, gostosa e latina American style; africana ("quem a gente chama para cantar o tema da Copa da África? Ah, a Shakira! Ela é do terceiro mundo, terceiro mundo é tudo igual", hence "we're all Africa! We're all Africa!"); espanhola (ela mudou para Barcelona, fez um mega tour pelo país, praticamente se casou com Gerard Piquet e comemorou a vitória da Espanha como se fosse a do próprio país) e agora, aparentemente, ela tá num momento "sou francesa". E, claro, não se esqueçam dela abraçadinha com Ivete cantando "Eu nasci num país tropical" em seu momento brasileira no Rock in Rio

 Enfim, Shakira é uma das artistas pop mais talentosas e essa capacidade de mudar de etnia/nacionalidade de acordo com as necessidades do mercado não deixa de ser mais um talento bem impressionante da (ex?) colombiana no mundo massacrantemente capitalista dos dias de hoje, não é mesmo?

A maior ausência do programa foi, sem duvida nenhuma Adele. 21 foi o único álbum a ultrapassar 1 milhão de unidades vendidas na França ao longo de 2011 e Rollin' in the Deep vendeu 271 mil unidades, sendo o segundo single que mais vendeu no país ao longo do ano passado (e Someone Like You foi o quarto). A londrina ganhou Revelação Internacional do Ano e Melhor Canção Internacional (por Someone Like You) mas ela está ensaiando para seu triunfal retorno nos Grammys e no BRIT e não deu as caras na cerimônia em Cannes para pegar seus premiozinhos. Rihanna, que também teve um ótimo ano na França em 2011 (foi a cantora internacional mais bem sucedida depois de Adele, vendendo quase 400 mil unidades de Loud), também não estava presente apesar de ter ganho Cantora Internacional. Assim como Adele, a caribenha está se preparando para se apresentar nas principais premiações dos EUA (onde cantará em dueto com Coldplay) e do Reino Unido.

Alias, o único ato que furou o bloqueio dos Grammys e dos BRIT foi o Coldplay. Apesar deles estarem booked tanto para a premiação americana quanto para a britânica, a banda ainda arranjou tempo de fazer uma participaçãozinha na cerimônia francesa onde cantou Paradise. Alias, levando em conta o tamanho do grupo no mundo inteiro e o status gigantescos que eles têm, foi meio estranho como eles foram meio esnobados no programa: cantaram no meio da premiação, sem nenhum fanfare e não levaram nenhum premiozinho para casa. Achei humilde porque eles bem podiam ter feito umas demanadas de diva em troca da aparição, como Justin Bieber e seu management fizeram.

Biebs não tinha single ou álbum para promover e não estava concorrendo a nada mas a presença dele claramente era importante o suficiente para a TF1 e a NRJ inventarem um prêmio aleatório para dar para ele (NRJ Music Awards de honra depois de longuíssimos três anos de sucesso) e usar a chegada dele no tapete vermelho como a abertura do programa.

Além de Adele, os grandes vencedores internacionais da noite foram os garotos do LMFAO. E, diferente da britânica, eles foram até Cannes. Ou melhor, SkyBlu foi, já que seu parceiro, RedFoo, estava doente. Mesmo desfalcado, LMFAO foi responsável pela melhor apresentação na noite, um divertido medley de Party Rock Anthem com Sexy and I Know It. E eles ainda levaram o premio de melhor banda ou duo internacional e de melhor clipe.



Alias, Party Rock Anthem foi a música oficial da premiação, o que faz todo sentido uma vez que foi o single que mais vendeu na França ao longo de 2011 (265 mil unidades). By the way, é interessante como o mercado de singles franceses está fraquissimo quando comparado com o Reino Unido (um país de população similar): apenas 27 singles ultrapassaram 100 mil unidades comercializadas, um enorme contraste com os 187 que chegaram a marca nas terras da rainha. Resultados péssimos quando comparados com as vendas super estáveis de singles no país nos anos 90 mas, é verdade, um número melhor do que 99% do planeta (a França é apenas um dos 5 países onde uma quantidade razoável de música ultrapassa 100 mil unidades). Diferente do Reino Unido, a França tem se mostrado lenta para abraçar o mercado digital e, desde que os singles físicos pararam de ser distribuídos, o país teve uma queda imensa em vendas de músicas.

Além de Coldplay, Shakira, Biebes e LMFAO, os outros artistas internacionais que participaram da premiação foram Pitbull, Seal e Mika.

Alias, é discutível o quão "internacional" Mika é, não é mesmo? Ele é outro que soube se adaptar as necessidades do mercado. O seu primeiro álbum foi um giga sucesso global e foi particularmente grande no Reino Unido, seu país de origem, e na França, onde foi um verdadeiro fenômeno de vendas com mais de 1.5 milhão de cópias. Por outro lado, seu segundo CD foi um relativo fracasso no UK e daí, aproveitando que amavam muito ele na França e ele era fluente em francês (Mika nasceu no Libano, passou a infância em Paris e estudou em colégio francês em Londres), ele se relançou como um artista local com o single (bastante bom, é verdade) Elle Me Dit. E parece ter dado certo, levando em conta que a música alcançou o topo das paradas no país e ele recebeu o trofeu de Melhor Cantor Internacional (sendo que a UNICA coisa que ele fez em 2011 foi lançar esse single).

Os concorrentes de "Melhor Cantor Internacional" alias eram hilariamente franceses. Além de Mika, tinhamos Enrique Iglesias; Sean Paul (sim, Sean Paul ainda é popular por lá) e Pitbull. Ilustrando bastante bem esse amor que eles tem por "exoticidade/"latinocidade", né?.


Seal é outro que o mundo mais ou menos esqueceu (menos quando ele se casa/tem filhos/se divorcia da Heidi Klum) mas a França ainda ama. Ele estava lá promovendo Soul II, follow-up do seu bem-sucedido álbum de cover de grandes sucessos soul que teve mais de 1 milhão de unidades comercializadas na França entre 2008 e 2009. Ele cantou em dueto com Nolween Leroy, uma artista local de grande sucesso.

David Guetta, o maior export francês dos últimos anos, também estava presente para apresentar Titanium, o seu single atual (que, alias, está arrasando na Europa e já atingiu o topo no Reino Unido). Ao invés da australiana Sia, que curiosamente se recusa em aparecer na TV, ele contou com os vocais da britânica Emeli Sander, a grande esperança da indústria fonográfica britânica para 2012.

Entre os nomes locais, as grandes participações foram o já mencionado Johnny Hallyday que, além de entregar o prêmio da Shakira, cantou um medley de seus grandes sucessos (e é bizarro como ele parece um boneco Ken velho derretido mas os franceses o amam anyway); Christophe Mae, um cantor local que gozou de enorme popularidade nos últimos anos e Mylene Farmer, a Madonna francesa.

Mylene é a cantora de maior sucesso da história da França, com mais de 10 milhões de CDs vendidos. Seus clipes são sempre espetaculares e seus shows batem recordes de vendas (ela vendeu 200 mil ingressos para seus dois shows no Stade de France em Paris em menos de 1 hora em 2009) mas ela tem uma imagem envolta em mistério e quase nunca aparece na televisão. De fato, o NRJ Music Awards foi a terceira aparição dela na TV nos últimos três anos (uma das outras três foi no NRJ Music Awards de 2011).

Porém, apesar de todo o renome, a apresentação de Mylene foi bem morninha. Ela cantou em playback descarado e dançou bem desempolgada ao som de Du Temps, seu atual single. Depois, ela recebeu, das mãos do renomado estilista Jean Paul Gaultier (seu amigo intimo), o prêmio NRJ de Diamante, como a artista que mais recebeu prêmios na história da cerimônia e maior vendedora das últimas duas décadas.

Alias, parênteses, mas na minha singela opinião a música pop francesa atual é BEM ruim. Eu até curto Mylene mas, em sua maioria, os franceses curtem músicas bem morninhas e sem graça. E, por isso, fiquei meio entediado durante a maior parte das apresentações dos atos locais.

Os dois maiores ganhadores foram Shy'M, que levou Melhor Cantora, e M. Pokora, ganhador de Música do Ano (A Nos Acte a Manque) e Melhor Cantor. Shy'M é uma Rihanna wannabe que, na minha opinião, está mais para Nicole Scherzinger enquanto M. Pokora tenta copiar o estilo do Justin Timberlake (mas o single dele de grande sucesso do ano passado foi uma tentativa, bem sucedida até, de ir no sucesso da Shakira e dessas músicas com vibe latina. Alias, a apresentação dele foi toda uma sintêse do cenário pop francês - tirem suas próprias conclusões abaixo).


Os dois se apresentaram diversas vezes ao longo do programa. Primeiro com seus sucessos solos e depois como  parte do supergrupo ParisAfrica (formado por vários artistas locais) que lançou o single Des ricochet em prol a UNICEF . M. Pokora ainda cantou em dueto com Pitbull (fazendo a parte de Chris Brown em International Love).

Nolwenn Leroy, artista local que vendeu horrores em 2011, não levou nenhum dos prêmios que concorria para casa mas a NRJ acobertou a injustiça dando a ela um trofeu especial por ser a francesa que mais vendeu no ano anterior. Ela também cantou duas vezes: seu sucesso solo Tris Martolod e o já mencionado dueto com Seal.

Nolwenn ficou famosa na França ao vencer a segunda edição do Star Academy (o "Fama" francês) faz 10 anos. Depois de um começo super bem sucedido, a carreira dela desinflou um pouco e tudo indicava que ela ia cair na decadência destinada a ganhadores de reality de talento mas ela deu a volta por cima ao lançar Bretonne, um álbum com músicas inspiradas na região de Bretanha (onde ela nasceu). O CD vendeu mais de 700 mil unidades desde seu lançamento.

Musicais teatros são um grande business na França. Em meados dos anos 90, uma versão de O Corcunda de Notre Dame (Notre-Dame de Paris) atraiu milhões de espectadores; vendeu quase 2 milhões de CD e deu origem a um single, Belle, que ultrapassou 1.5 milhão de unidades vendidas e foi o maior sucesso da década. Além disso, muitos dos integrantes do elenco emplacaram bem sucedidas carreiras pop. Esse é só um exemplo de um dos muitos musicais que lançaram estrelas, venderam discos e singles e atraíram milhões para teatros e arenas (o caso mais recente foi Mozart L'Opera Rock e, em 2006, o CD mais vendido foi a trilha de Le Roi Soleil que, alias, revelou o já mencionado Christophe Mae, hoje um dos cantores solos mais amados no país).

Não a toa, a emissora NRJ sempre promove pesadamente algum musical e sempre dedica um espaço na premiação para alguma aposta. O grande investimento deles para 2012 é 1789, Les amants de la Bastille e o elenco apresentou o primeiro single do espetáculo, Ça ira mon amour.

Vários atos locais ainda fizeram uma homenagem a Michel Berger marcando dez anos desde sua morte cantando Quelques Mots D'Amour. Além disso, a personalidade televisiva, cantora e imitadora Véronice Dicaro fez um medley com sucessos de Adele, Rihanna e Lady Gaga, as três artistas que a NRJ provavelmente tentou conseguir a qualquer custo trazer mas não teve sucesso.


O grande prêmio da noite é "Canção do Ano" e todos os concorrentes se apresentaram ao vivo. Além dos já mencionados Matt Pokora (o vencedor); Nelwenn Leroy e Mika, também cantaram Mickael Miro com seu sucesso L'Horloge Tourné e Elisa Tovati e Tom Dice com Il Nous Faut.

Tirando Nolwenn (que foi indicado pelo sucesso de seu álbum, não de seu single), todas as músicas tiveram sucesso bastante grande na França ao longo do ano anterior e venderam acima de 90 mil unidades. Porém, é interessante notar que os três dos quatro singles francofônos que mais venderam ao longo de 2011 (Celui de Colonel Reyel; Chéri Coco do Magic System com Soprano e J'Aimerais Trop de Keen'V) não foram indicados (apesar de Keen'V ter levado Revelação Masculina e Magic System terem sido indicados a Melhor Grupo). Dentre os indicados, Mika foi o que mais vendeu o single e Nolwenn a que mais vendeu CDs mas foi M. Pokora, com sua trupe de fãs jovens com tempo livre para votar, que levou o prêmio.


A produção do programa é bastante boa mas não espetacular. Eles mantém os mesmos gráficos e um cenário similar faz anos (apesar de que o telão gigantesco de alta definição é uma boa tática) mas o que realmente me incomoda são os efeitos gráficos horrorosos que eles usaram para os apresentadores (só gente estilo ex-Big Brother; a Miss França e um monte de comediante promovendo suas obras teatrais/shows de stand-up) que é de uma cafoníce estilo RedeTV!. O programa durou mais de 2 horas mas atraiu quase 7 milhões de espectadores e um share de mais de 30% (e mais de 45% entre menores de 50 anos), provando que a premiação ainda é um evento televisivo ainda bastante importante. Apesar de ser longo, ele é mais dinâmico do que os Grammys, por exemplo, que parece se estender por toda eternidade com sua infinidade de prêmios e homenagens.

E o que vendeu na França ao longo de 2011?

Para variar um pouco, Adele foi a grande vendedora no país. Seu álbum, 21, ultrapassou 1 milhão de unidades e ela foi responsável por duas das cinco músicas mais vendidas do ano. Adele foi a unica a alcançar o milhão e apenas três outros discos ultrapassaram 300 mil unidades mas, no total, 48 artistas venderam mais de 100 mil unidades de seus lançamentos, um resultado decente. 68 chegaram a 70 mil e 89 CDs ultrapassaram 50 mil unidades.

Como já mencionado, Nolwenn Leroy com Bretonne, seu álbum inspirado na região em que ela nasceu, foi o segundo maior vendedor, com 570 mil unidades vendidas ao longo de 2011 e um total de 715 mil. Depois dela, com 430 mil cópias, está Les Enfoires, um CD anual em prol a caridade onde um enorme grupo de personalidade francesas faz covers de canções famosas seguida por Les Prêtres, um trio de padres que cantam música clássica (zzzzzzzzzzzzzzzz) e que venderam 370 mil unidades de seu segundo álbum, Gloria (se você acha que isso é deprimente, keep in mind que o CD anterior deles, Spiritus Dei, vendeu 1 milhão e que o Padre Marcelo Rossi é o maior vendedor do Brasil).

Adele e Nolwenn: as grandes vendedoras de 2011

Encerrando o top 5, temos os Black Eyed Peas que venderam 300 mil unidades de seu álbum The Beginning para um total cumulativo de 450 mil cópias. Depois da onipresença dos BEP durante 2009 com I Gotta Feeling e The E.N.D., o CD seguinte deles foi um relativo fracasso a nível mundial mas manteve o sucesso do antecessor na França, mercado mais lucrativo para o grupo. Para promover o CD, eles se apresentaram em diversos programas da TV local e visitaram as principais estações de rádio além de terem feito três enormes concertos no Stade de France em Paris com quase 300 mil ingressos vendidos.

A grande revelação de 2010, Zaz continuou com boas vendas em 2011 movendo 285 mil unidades de seu álbum homônimo elevando o total para 660 mil cópias. Depois, a banda britânica Coldplay vendeu 253 mil de Mylo Xyloto em pouco mais de um mês  seguido de perto pelas 246 mil unidades de Nothing But the Beat de David Guetta, o produtor superstar do momento e principal export francês da área musical dos últimos anos. Com 216 mil unidades, Rihanna ocupa a oitava posição com Loud, seguido pelo top DJ e superstar local David Guetta (Nothing But the Beat, 245 mil) e o artista local Gérard Lenormam encerra o top 10 com Duos de mes chansons (215 mil).

Dentre os 15 CDs internacionais que ultrapassaram 100 mil unidades, dois eram álbuns póstumos: Alone in IZ World de Israel Kamakawiwo 'olé (170 mil de um total de 211 mil impulsionado pelo enorme sucesso de Over the Rainbow) e Lioness Hidden Treasure de Amy Winehouse (162 mil).

Outros artistas internacionais que ultrapassaram as 100 mil unidades com seus CDs incluíram Shakira (200 mil de Sale el Sol; total: 500 mil); Lady Gaga (165 mil de Born this Way + 75 mil (de um total de 615 mil) de The Fame); Hugh Laurie (o protagonista de House vendeu 130 mil do seu CD de blues Let Them Talk); LMFAO (118 mil do álbum de lançamento deles, Sorry for Party Rocking); Seal (116 mil de Soul II); Bruno Mars (115 mil de Doo-wops & Hooligans); Rihanna (115 mil de Talk That Talk além dos 216 mil de Loud) e Katy Perry (104 mil para um total de 180 mil de Teenage Dream). Entre compilações, NRJ Music Awards 2011 (com os grandes sucessos dos indicados a premiação do ano passado); NRJ Summer Hit Only (com sucessos dance do verão) e NRJ Extravadance foram os maiores vendedores com 200 mil; 150 mil e 141 mil respectivamente, comprovado o poder da marca de rádio.

Já entre singles, as vendas continuam lenta com a França ainda sendo resistente para abraçar o mercado digital. Apenas 28 músicas ultrapassaram 100 mil unidades e 38 chegaram a 90 mil. Dessas 38, apenas 10 eram em francês.

Adele, os Black Eyed Peas, Pitbull, Rihanna e David Guetta foram os maiores vendedores de single enquanto Colonel Reyel foi o que mais vendeu entre os artistas que cantam em francês.

Top 10 singles: 1. Party Rock Anthem - LMFAO (265 mil); 2. Rollin' in the Deep - Adele (240 mil); 3. Over the Rainbow - Israel Kamakawiwo'ole (225 mil/total: 300 mil); 4. Someone Like You - Adele (201 mil); 5. Give Me Everything (ft. Ne-Yo) - Pitbull (170 mil); 6. Elle Me Dit - Mika (166 mil); 7. On the Floor - Jennifer Lopez (166 mil); 8. Man Down - Rihanna (159 mil); 9. Just Can't Get Enough - Black Eyed Peas (158 mil); 10. Sweat  - David Guetta x Snoop Dogg (157 mil) 
Top 10 singles francofônos:  1. Elle Me Dit - Mika (166 mil); 2. Celui - Colonel Reyel (152 mil); 3. Coco Cheri - Magic System & Soprano (144 mil); 5. J'Aimerais Trop - Keen'V (126 mil); 6. Il Nous Faut - Elisa Tovati & Tom Dice (105 mil) ; 7. Logobitombo - Monssieur Tombola (101 mil); 8. A Nos Act Manqué - Matt Pokora (95 mil); 9. L'Horloge Tourne - Mickael Miro (94 mil); 10. Toutes les Nuits - Colonel Reyel (88 mil).

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Lana Del Rey e os perigos do overhype


Lana Del Rey é A aposta para ser o grande breakthrought de 2012. Todo mundo está falando nonstop da cantora (inclusive esse humilde blog que, como de costume, comentou ela logo no comecinho do fenômeno #modéstia) e a crítica tá doidinha por ela. A mulher nem álbum lançou e já apareceu na capa das duas revistas musicais mais influentes da Europa, a britânica Q e a francesa InRockuptibles; apareceu na Billboard como a grande aposta para 2012 e foi manchete da Folha Ilustrada, o encarte cultural mais lido do Brasil, e da Interview russa. Isso sem falar as aparições super hyped dela no Jonathan Ross no Reino Unido e no Le Grand Journal da França, programas que, em geral, são limitados a A-listers.



No sábado passado, algumas semanas antes do lançamento do CD, Lana fez sua primeira aparição na TV americana. Como de costume, a moça começou com o pé direito, aparecendo no Saturday Night Live, um dos programas mais prestigiosos (e efetivos, promocionalmente falando) dos EUA. E a super esperada aparição foi um total e completo desastre, provando, mais uma vez, os perigos do overhypeness. Lana está  sendo tratada como uma super estrela de primeiro escalão mas, como a apresentação dela deixou mais que claro, ela não está pronta para isso.




De qualquer maneira, Lana vai follow-up sua desastrosa aparição no Saturday Night Live com outros bookings A-list como os talk shows de David Letterman e de Ellen DeGeneres. A americana de 25 anos lança seu primeiro CD, Born to Die, no dia 25. O single homônimo será lançado mundialmente na mesma semana e o vídeo já está disponível.

2011: o ano das competições de canto

Apesar de nunca ter pego fogo no Brasil, as competições de canto continuam sendo uma potência sem tamanho no mundo, principalmente em dois dos maiores mercados ocidentais, os EUA e o Reino Unido. Mas 2011 foi um ano de mudanças, crises e sucessos para o gênero. Nesse post, vamos analisar o que ocorreu nesse mundinho.

O ano começou com a estréia da décima temporada de American Idol. O programa, exibido pela FOX, é líder indiscutível da TV americana desde 2002, responsável por lucros milionários e pelo lançamento de um número considerável de atos bem-sucedidos (Kelly Clarkson, Jennifer Hudson, Daughtry, Carrie Underwood) e um número ainda maior de atos fracassados. 2011 foi  um ano de extrema importância para o programa pois, depois de quase dez anos, Simon Cowell, o juiz estrela, iria deixar o painel para lançar o X Factor, seu próprio show de talento, em solos americanos. E ele iria fazer isso em um momento crítico para o programa: quando sua audiência estava em queda e diversas mudanças high-profile (como a contratação da gigantescamente bem-sucedida comediante e personalidade televisiva Ellen DeGeneres) tinham sido mal recebidas.

American Idol: bem sucedida reinveção
Depois de muita especulação, o novo painel de jurados foi anunciado. Randy Jackson, o jurado menos comentado, manteria sua posição e, no lugar de Simon et all, entrariam dois gigantescos A-listers (cujo selling power estava substancialmente afetado  nos últimos tempos), Jennifer Lopez e o líder do Aerosmith, Steve Tyler.

A mudança foi bem sucedida para todos. Depois de anos de pequenas quedas de audiência, American Idol finalmente registrou um aumento em relação a temporada anterior. O novo painel foi bem recebido pelo público e Tyler e J.Lo ganharam uma adrenalina de popularidade. Lopez foi a mais beneficiada: depois de anos tentando voltar ao topo, a sua presença em Idol aumentou seu cachê substancialmente, ajudando-a a emplacar um smash hit global (On the Floor, que contém samples de 'Chorando se Foi' do grupo de lambada Kaoma, gigantesco hit do início dos 90); papeis no cinema; contratos publicitários lucrativos e muitos outros benefícios.

O sucesso da nova temporada de Idol com certeza deixou Simon Cowell, que provavelmente contava com o downfall do programa para lançar sua nova aposta, nervoso. Mas também deixou as outras redes louquinhas para conseguirem uma fatia do sucesso do gênero.

Desde que Idol estourou em 2002, nenhuma emissora conseguiu emplacar um show de talento nos EUA, garantindo ao programa total monopólio no gênero. Uma tentativa foi feita em 2006, quando a ABC investiu centenas de milhões de dólares em The One (versão estado-unidense de Operacion Triunfo, o reality espanhol que também originou Fama da Rede Globo), mas o programa se provou um caríssimo erro e ficou no ar por apenas uma semana.

Mas, em 2011, a NBC resolveu arriscar e apostou todas as suas fichas em The Voice, baseado no formato The Voice of Holland.

Um formato da Talpa, produtora de John de Mol (criador do Big Brother), o formato estreou na Holanda em 2010 e rapidamente se transformou num fenômeno de audiência no país. O programa se destacava pelas blind auditions (audições cegas): os juízes ficavam de costas para os participantes, escolhendo-os baseados apenas em suas vozes. Isso era um contraste ao X Factor e ao Idol, que sempre deram enorme importância tanto a aparência dos seus finalistas quanto, no período das audições, a atos cômicos e deluded que não tinham nenhuma habilidade para o canto.

The Voice: aposta certeira
Outra diferença é que, assim como no X Factor, cada juiz também atua como mentor dos participantes. Mas, diferente do programa de Simon Cowell, onde cada membro do painel fica responsável por uma categoria, em The Voice os participantes é que decidem quem irá ficar responsável por eles e os juízes tem que ser bons de argumento para convencê-los a entrar em seus times.

Então, depois do enorme sucesso na Holanda, a NBC não economizou na hora de conseguir os direitos e foi atrás de quatro nomes chamativos para fazer parte de seu painel. Os contratados foram Cee-Lo Green, premiado cantor que tinha obtido enorme aclame mundial graças ao sucesso de Fuck You (Forget You); Blake Shelton, um cantor country que, apesar de sucesso dentre os fãs do gênero, não era um household name ainda (apesar de ser casado com uma, a megastar country Miranda Lambert) e duas estrelas que, apesar de milhões de unidades vendidas, já tinham visto dias melhores: Adam Levine, líder do Maroon 5, e Christina Aguilera.

Com pouquíssimos sucessos emplacados na última década, a NBC não poupou na hora de promover o programa e os executivos respiraram aliviados quando receberam os dados consolidados de audiência: média de 11 milhões de espectadores, longe dos 22 milhões de Idol mas números extremamente positivos, com uma quantidade grande de telespectadores de 18 a 49 anos (os únicos que interessam aos anunciantes).

Com The Voice se tornando um dos pouquíssimos sucessos de audiência da NBC nos últimos 10 anos (o unico hit notável desde o fim de Friends foi The Office), não é surpreendente que o canal não esteja poupando medidas para que o programa cresça ainda mais na sua segunda temporada. Milhões estão sendo investidos em publicidade e a nova temporada estreará no slot mais auspicioso da TV americana: logo depois do Superbowl, a grande campeonato do futebol americano que é, historicamente, a maior audiência anual da TV estado-unidense.


Como é comum nesse mundo de competições de cantos, o ganhador da primeira temporada, Javier Colon, despontou para o anonimato. Por outro lado, assim como aconteceu com J.Lo e Steve Tyler, os juízes viram seu apelo popular dispararem depois do sucesso do programa: depois de anos sem emplacar nenhum sucesso considerável, Maroon 5 conseguiu um dos maiores sucessos do ano com Moves Like Jagger e Adam Levine virou um pin-up cobiçado entre mulheres novamente. O enorme fracasso do último CD de Christina foi apagado graças ao sucesso de Jagger, no qual ela participa como vocalista convidada. E Blake Shelton, antes um cantor country relativamente desconhecido, virou um household name.

Com o sucesso de The Voice nos EUA, o formato se valorizou enormemente e todas as redes televisivas do mundo enlouqueceram para adquirir os direitos do programa (no Brasil, a Globo já garantiu a versão nacional). Por outro lado, fez com que a versão americana de X Factor, que era a grande aposta para ser uma brisa de ar fresco no mundo dos concursos de canto dos EUA, perdesse muito do seu buzz uma vez que ela agora teria que suceder não um, mais DOIS concursos de canto de enorme sucessos exibidos ao longo do ano.

E enquanto Idol e The Voice brilharam em 2011, não foi o melhor dos anos para o X Factor.

O aguardado retorno de Simon Cowell perdeu muita força com o sucesso de Idol e The Voice. De fato, quando X Factor finalmente estreou na FOX, em setembro, o gênero parecia saturado.

Mesmo assim, não foram poupados esforços para promover o programa de Cowell. Nove meses antes de sua estréia, o programa já era incessantemente anunciado e muitos especulavam sobre quem Simon escolheria para acompanha-lo no painel de jurados. A Pepsi anunciou um patrocinio milionário para o programa (fazendo frente a Coca, que com seu patrocínio de Idol tinha o maior sponsership deal da TV estado-unidense), prometendo ao ganhador do programa um starring spot em seu comercial no Superbowl (como já disse antes, o programa mais visto da TV estado-unidense, com seus intervalos comerciais vendidos a valor recorde: esse ano, 3 milhões de dólares por 30 segundos), seguindo os passos de outros celebrados spokepersons como Michael Jackson e Britney Spears.

Em todo o caso, a primeira decepção veio quando o painel de jurados foi anunciado. Acompanhariam Cowell, Paula Abdul, ex-jurada de American Idol cujo último hit foi nos anos 80; Cheryl Cole que, apesar de sua popularidade gigantesca no Reino Unido e seu stint muitíssim bem-sucedido como jurada na versão original britânica do programa, era uma total desconhecida nos EUA e L.A. Reid, um dos mais bem-sucedidos executivos musicais do país mas que estava longe de ser uma celebridade. Nenhum nome, além de Simon, era tão instântaneamente reconhecido ou valorizado quanto J.Lo ou Steven Tyler, ou mesmo Christina Aguilera e Adam Levine.

X Factor US: começo cambaleante
Depois, veio o primeiro escândalo: após duas audições, Cheryl Cole foi demitida e substituída por Nicole Scherzinger, ex-lead singer das Pussycat Dolls. A demissão enlouqueceu a imprensa e o público britânico, onde Cheryl é querídissima, fazendo com que, pela primeira vez, Simon fosse hostilizado pelos tablóides de seu país natal.

Em todo o caso, em setembro, The X Factor finalmente estreou nos EUA. E, analisando friamente, o programa não fez feio: cerca de 10 milhões de espectadores, líder geral no público 18-49. Dados satisfatórios o suficiente para a FOX prontamente renovar o programa para a segunda temporada.

Por outro lado, dado o seu budget milionário e as expectativas de que o programa iria superar Idol, o programa teve uma audiência levemente frustrante. Simon, que afirmou para o Hollywood Reporter que esperava bater Idol e que ele não ficaria feliz com "qualquer coisa abaixo de 20 milhões de espectadores", teve que morder a língua quando o programa conseguiu metade disso e não chegou nem perto de incomodar a hegemonia do seu principal concorrente.

Além disso, diferente dos outros programas, o X Factor americano não conseguiu reerguer a carreira de nenhum de seus juízes falidos (i.e.: Nicole Scherzinger e Paula Abdul). Pelo contrário, Nicole foi enormemente criticada (com quase todas as críticas, do New York Times a revista People, afirmando que Cheryl, que foi mostrada por 15 minutos ao longo do primeiro episódio, era uma opção muito mais carismática e interessante) e não conseguiu tirar sua carreira musical solo do chão no país.

Em todo o caso, Cowell é um gênio da reinvenção, tendo bem-sucedidademente recriado a versão original do X Factor diversas vezes. De fato, o programa demorou 8 anos para alcançar seu ápice no Reino Unido. Então eu diria que o programa ainda tem chance de dar certo nos EUA.

Quanto a The Voice e American Idol, tanto a NBC quanto a FOX estão apostando todas as suas fichas no sucesso de suas novas temporadas. Como já disse, Voice estreará logo após o Superbowl, o evento televisivo mais assistido dos EUA. Já Idol, que consegue audiências fantásticas mesmo sem nenhum lead-in, estreará sua 11ª temporada logo após o NFC Championship, outro evento esportivo com audiências gigantescas.

Aviso para aqueles que não suportam esses concursos de canto repetitivos (eu): é melhor não alimentar as expectativas que 2012 será o ano que eles desaparecerão da TV.

Quem sou eu

Minha foto
21, Rio de Janeiro.