Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

A Queda de Jennifer Lopez



Em 1997, Selena, um filme sobre a legendária cantora hispano americana assassinada dois anos antes, estreou nas salas de cinema e rapidamente se transformou num enorme sucesso. Jennifer Lopez, uma nova-iorquina descendente de porto-riquenhos, foi escolhida para retratar a personagem título e ganhou enorme aclamação por sua atuação, recebendo inclusive uma indicação ao Globo de Ouro.

O filme transformou Lopez em uma grande estrela e ofertas para novos filmes vieram em massa. Nos meses seguintes, ela estrelou no filme de terror Anaconda; ao lado de Sean Penn na produção noir U-Turn e com George Clooney no filme indicado ao Oscar, Out of Sight.

O poderoso empresário musical Tommy Motola viu na voluptuosa e atraente jovem uma pop star em potencial e, apesar da pouca habilidade vocal da morena, ofereceu a ela a oportunidade de gravar seu próprio CD. Lopez aceitou e, em 1999, seu primeiro single, If You Had My Love, foi lançado. A música foi extremamente bem sucedida, ocupando o topo das paradas mundo afora. Alguns meses depois, o CD On the 6, cujo título era uma referência a linha de metrô que ela costumava pegar antes da fama, foi lançado e se transformou num enorme sucesso comercial, com vendas superiores a 7.5 milhões de cópias.

Enquanto sua carreira musical estava em ascendência, Lopez continuava se dedicando a filmes. Em 2000, ela estrelou no thriller The Cell e, com isso, adicionou mais um sucesso ao seu currículo, conseguindo um feito extremamente raro: uma carreira bem sucedida tanto como atriz quanto como cantora.

O ano de 2001 deu o tom de como seria a carreira de Jennifer Lopez dali para frente: com The Wedding Planner (O Casamento dos meus Sonhos), Jennifer deu o ponta-pé inicial em uma extremamente bem sucedida carreira como protagonista de comédias românticas. Os filmes, baratos de produzir e com lucros milionários, a transformariam numa das atrizes mais bem pagas de Hollywood.

Seu corpo voluptuoso, com curvas muito mais acentuadas do que a típica estrela caucasiana, se transformou em uma gigantesca sensação. Homens a desejavam, mulheres queriam sua silhueta.

A indústria de fofoca também descobriu que Lopez era uma estrela que causava gigantesco interesse no público e as páginas dos tablóides começaram a ser inundadas com notícias sobre suas demandas de diva e seu namoro com o rapper P. Diddy.

Também em 2001, seu segundo álbum, J.Lo, que colocou o icônico apelido na boca do povo, a consolidou como uma das maiores pop stars do planeta. O álbum vendeu 8 milhões de cópias e deu origem a quatro bem sucedidos singles, incluindo o número 1 global Love Don't Cost a Thing.

Foi gravando o clipe da bem sucedida música de trabalho que Lopez conheceu o dançarino Chris Judd que substituiu Diddy no coração da morena. Apenas alguns meses após o começo do namoro, eles se casaram, colocando a indústria de fofoca em polvorosa. O relacionamento durou menos de 1 ano.




Antes de Lopez, nenhuma popstar tinha conseguido uma carreira cinematográfica bem sucedida. O fato de tanto seus CDs como seus filmes lucrarem milhões fez com que muitos acreditassem que ela tinha o toque de Midas.

E, se tudo que Midas toca vira ouro, porque não expandir a carreira para além da área das artes? Em 2002, Jennifer lançou seu perfume, Glow by J.Lo. Na época, fragrâncias de celebridade era algo extremamente raro mas o eau de toilette de J.Lo virou um dos maiores sucessos do ramo, vendendo milhões de unidades e abrindo as portas para que milhares de outros famosos (Britney, Usher, Diddy, Celine Dion, Shania Twain, Hilary Duff, Paris Hilton, Kim Kardashian, Sarah Jessica Parker, Christina Aguilera, Mariah Carey, Beyonce, Gwen Stefani, Kylie Minogue, Avril Lavigne, Cher, Leona Lewis, Carlos Santana, Jessica Simpson, Alejandro Sanz, Ivete Sangalo entre muitíssimos outros) também lançassem seus cheiros no mercado.

A linha de cosméticos se expandiu, chegando a abranger mais de 15 itens, e J.Lo resolveu aumentar seu império lançando sua própria linha de produtos que incluía roupas, acessórios, relógios, óculos de sol, sapatos e bolsas.

Além de cantora e atriz, Jennifer Lopez tinha se transformado numa muitíssima bem-sucedida mulher de negócios.

Em 2002, J.Lo continuou imparavel: além do lançamento da sua bem sucedida linha de produtos, ela gravou dois CDs: J to tha L-O que se transformou no terceiro álbum remix mais bem sucedido de todos os tempos (na frente dela, só Michael Jackson com Blood on the Dance Floor e Madonna com You Can Dance), dando origem a dois números 1 (Ain't It Funny e I'm Real) e seu terceiro álbum de estúdio, This Is Me... Then, outro gigantesco sucesso, com 6 milhões de cópias vendidas no mundo (que também deu origem a dois grandes sucessos: Jenny from the Block e All I Have).

Além disso, o sucesso de Maid in Manhattan (no Brasil, Encontro do Amor), outra comédia romântica. comprovou o poder que ela tinha de atrair o público para o cinema.

No fim do ano, Jennifer Lopez e Ben Affleck começaram a namorar. O relacionamento dos dois coincidiu com a explosão da indústria de fofocas nos EUA e marcou o começo de uma nova era para os tablóides: a imprensa e o público estavam desesperados por qualquer detalhe sobre os dois, paparazzi os seguiam até dentro do banheiro, qualquer espirro aparecia na capa de absolutamente todos os tabloides. Jennifer e Ben foram o primeiro power couple da atual era da imprensa de celebridades. Hoje em dia, é comum que casais que causam enorme interesse no público ganhem apelidos a la Brangelina. Quem deu início a isso tudo foi Lopez e Affleck, ou melhor, Bennifer.

Os empresários de J.Lo não eram bobos e souberam capitalizar o enorme interesse do público: no vídeo de Jenny from the Block, o primeiro single de This Is Me... Then, que contava a trajetória de vida da interprete, ambos apareciam em momentos hot enquanto paparazzos os fotografavam. Na press junket de promoção do álbum, Ben também apareceu brevemente para dar um beijinho na amada, colocando os jornalistas presentes em polvorosa.



O interesse do público era tão gigantesco que, às pressas, um filme foi produzidos para que eles estrelassem juntos. Não tinha como dar errado. O resultado foi Gigli, um dos maiores fiascos da história de Hollywood e motivo de piada até os dias de hoje.


Bennifer: o primeiro power couple da atual era da indústria de fofocas

O mega esperado casamento dos dois foi cancelado com horas de antecedência. Alguns meses depois, a separação foi confirmada pelos porta-vozes de ambos. A fila andou rapidamente: Ben Affleck começou um namoro com Jennifer Garner enquanto Lopez engatou um romance com Marc Anthony.

Pela primeira vez em muito tempo, J.Lo sumiu das páginas dos tabloides. Marc, uma estrela latina já um pouco desgastada, não atraía tanta atenção do grande público estado-unidense mas, mais que isso, o namoro dos dois parecia ser sólido e sem muito drama.

Em 2004, Lopez apareceu em Shall We Dance? ao lado de Richard Gere e Susan Sarandon. O filme foi um sucesso e seu salário continuou em ascensão. No ano seguinte, para estrelar ao lado de Jane Fonda no filme Monster in Law, J.Lo recebeu a bagatela de 15 milhões de dólares, o que o colocou no topo das atrizes mais bem pagas de Hollywood.


Lopez deixou sua carreira musical de lado depois do fim da promoção de This Is Me... Then. Até que, em 2005, voltou com o single Get Right. A música alcançou o topo em diversos países, incluindo o Reino Unido, e penetrou o top 15 nos EUA mas o CD em questão, Rebirth, não causou tanto impacto quanto os três anteriores. As vendas, inferiores a 2 milhões de cópias, foram baixas para uma estrela de primeiro escalão.

O ano de 2006 foi um ano sabático para Lopez. E a desaparição dela da mídia fez com que o público começasse a esquecer de sua existência. O tempo tinha passado e outros famosos preencheram o espaço de J.Lo. Além disso, aos 35 anos, Jennifer já estava ficando velha para o mundo pop, sempre sedento por juventude.

Em 2007, Lopez resolveu abraçar suas raízes latinas e lançar um CD em espanhol, Como Ama Una Mujer?. O álbum, ajudado por uma mini-série no canal latino Univision, foi razoavelmente bem sucedido, mas não teve o alcance mainstream de seus lançamentos anteriores. No mesmo ano, o álbum em inglês, Brave, foi um fiasco, com vendas bastantes fracas.

Na atuação, Jennifer optou por filmes sérios. Tanto Bordertown quanto El Cantante tinham equipes respeitadíssimas por detrás e Lopez tinha a esperança de ser indicada a prêmios com sua performance nos filmes. Porém, ambos passaram despercebidos, foram ignorados nas premiações e não obtiveram sucesso comercial. J.Lo continuava invisível.

No começo de 2008, Lopez deu a luz a gêmeos. Numa demonstração de que ela ainda era uma grande estrela, os direitos exclusivos das fotos foram vendidas para a revista People por mais de 6 milhões de dólares. A edição contendo a sessão de fotos foi a terceira mais vendida da revista ao longo do ano (com vendas em banca superiores a 2 milhões de cópias).

2010 seria o ano do retorno triunfal de Jennifer Lopez. A nova fase começaria no final do ano passado com uma grandiosa performance de Louboutins, o primeiro single do novo álbum, no American Music Awards (que foi um fiasco. Jennifer levou um tombo durante a performance, o unico motivo pelo qual a apresentação teve grande repercussão). Depois, ela apareceria em diversos programas high profile e o álbum seria lançado em janeiro, junto com sua nova comédia romântica, a primeira em três anos, The Back-Up Plan.



As performances todas aconteceram como planejado mas, apesar de toda a promoção, Louboutins foi um grande fracasso, não conseguido penetrar o Hot 100.

Com o single inicial fracassando, o álbum, Love?, planejado originalmente para janeiro, teve sua data de lançamento adiada para abril. O mesmo aconteceu com The Back-Up Plan cuja data de estréia original era num final de semana lotado de grandes estréias.

Porém, semana passada, com pouco mais de 1 mês para o álbum ser lançado, foi anunciado que Lopez tinha terminado seu contrato com a gravadora Epic. O fato é que a Epic relutou em ir atrás de Jennifer pois o empresário dela, o poderoso Benny Medina, exigia um financiamento de promoção exorbitantemente alto apesar do fracasso do primeiro single. Já a interprete também não lamentou muito pois preferia ir para uma gravadora que realmente apoiasse o seu retorno.

Com o fim do contrato entre a cantora e a gravadora, o álbum teve sua estréia adiada até o verão no hemisfério norte.

Jennifer Lopez foi uma estrela de gigantesco escalão mas ela nunca teve nada que fazia dela particularmente indispensável ou interessante. Seus álbuns tinham ótimas músicas porém genéricas e sem muita evolução de um para o outro (de modo que eles simplesmente perderam o apelo com o tempo). Seus dotes físicos são impressionantes mas desde que ela estourou na cena, a quantidade de estrelas voluptuosas aumentou consideravelmente (Beyonce, Shakira). Seu perfume foi ofuscado por outras centenas de lançamentos endossados por celebridades mais populares. Suas comédias românticas não causaram nenhum grande impacto e seus filmes sérios nunca foram devidamente reconhecidos. Além disso, ela já tem 40 anos e muitos consideram essa idade "muito velha" para o mundo pop (a não ser que seu nome seja Madonna). Como se isso tudo não fosse o suficiente, desde a época que J.Lo brilhava no topo, o mundo pop foi invadido por centenas de estrelas com mais frescor: Beyonce, Rihanna, Lady Gaga, Ke$ha...

Numa demonstração de que ela ainda é uma grande celebridade, Jennifer Lopez foi, no domingo passado, uma das poucas estrelas que participou do Saturday Night Live tanto como apresentadora quanto como convidada musical. Originalmente, ela estaria promovendo seu álbum (cujo lançamento foi adiado para o verão) e seu filme (adiado para abril). Porém, no final das contas, a aparição dela só serviu para uma coisa: lembrar ao público que ela ainda existe e continua lutando por seu espaço no holofote.



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