Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Realeza britânica: Take That and Party



Coldplay? Muse? Paul McCartney? Que nada! Atualmente, não existe nenhum ato musical mais gigantesco na Grã-Bretanha do que o Take That.

Take That, para quem não sabe, foi uma boyband de gigantesco sucesso na Europa no inicio dos anos 90. Eles se diferenciavam das boybands rivais pelo fato de um de seus integrantes, Gary Barlow, na época com apenas 19 anos, ser responsável pelas letras e pelo arranjo de quase todas as músicas.


Sem medo de ser cafona nos anos 90

Em 1995, a imprensa europeia entrou em polvorosa quando Robbie Williams, um dos cinco integrantes da banda, anunciou que iria deixar o grupo. No ano seguinte, depois de uma turnê extremamente bem-sucedida, os quatro membros restantes anunciaram que iriam encerrar suas atividades, para o desespero de milhões de garotas adolescentes (para conter a histeria, linhas telefônicas foram colocadas no ar pelo governo para atender jovens inconsolaveis e que, pasmem, estavam considerando suicídio por causa do rompimento do grupo).

Gary Barlow, o garoto prodígio da banda, não conseguiu emplacar uma carreira solo. Robbie, porém, se transformou numa das maiores estrelas pop de todo o planeta e não perdia nenhuma oportunidade para jogar sal na ferida de seus ex companheiros de banda, com quem ele teve um tumultuoso rompimento. Robbie acreditava que, no Take That, ele nunca teve oportunidade de realmente brilhar e que o único que tinha liberdade artistica e direito de opinião era Barlow. Por isso, sua vitória solo acima do líder da sua ex-banda foi como uma vitória pessoal para o cantor.

Em 2005, quase 10 anos depois do fim do grupo, a ITV1, o principal canal privado da Grã-Bretanha, resolveu produzir um documentário sobre a banda e conseguiu convencer todos os integrantes -- inclusive Robbie -- a darem seus depoimentos. O especial registrou audiências altíssimas, provando que ainda tinha espaço para o Take That no coração do publico britânico.

Confiantes de que não tinham sido completamente esquecidos, os quatro membros do grupo -- dessa vez, sem o Robbie -- resolveram se reunir para uma turnê e uma coletânea de grandes sucessos. O sucesso de ambos excedeu as expectativas, com a procurar por ingressos da turnê sendo tão gigantescas que o grupo teve que abandonar arenas por estádios para satisfazer a inesgotável demanda.

Provado que ainda existia um enorme apetite pelo grupo, o Take That resolveu se reformar de vez. E o sucesso do quarteto excedeu as expectativas até do analista mais otimista: a banda foi abraçada pelo público de uma maneira sem prescedentes, superando -- por muito -- o sucesso da primeira fase, nos anos 90.

O Take That conseguiu não perder a essência pop que os fez populares mas, ao mesmo tempo, conseguiram amadurecer e produzir músicas de qualidade que soam como uma evolução natural do que eles produziam nos anos 90. Por isso, o quarteto foi abraçado com gigantesco entusiasmo não só pela população mas também pela crítica, que os esnobava em sua primeira encarnação.

Desde que se reformaram, esses foram alguns das conquistas do Take That:
  • Beautiful World, o primeiro CD da banda pós-reunião, lançado em 2006, vendeu 2.7 milhões de cópias no Reino Unido, superando a venda de todos os CDs do grupo nos anos 90 e se transformando num dos álbuns mais vendidos de todos os tempos no país.

  • O álbum deu origem a três gigantescos sucessos. Patience e Shine alcançaram a primeira posição nas paradas, com Shine sendo a segunda música mais tocada pelas rádios inglesas na primeira década do século 21 (a mais tocada foi Chasing Cars do Snow Patrol). Rule the World nunca alcançou o topo dos charts, tendo que se contentar com a segunda posição. Mas nem por isso a música foi menos bem sucedida: o single teve tanto staying power que se transformou na segunda música da banda a ultrapassar a barreira do milhão de unidades vendidas (junto com Back for Good de 1995).



  • Em 2008, o CD seguinte, The Circus, foi lançado sob enorme expectativa e não decepcionou: com 478 mil cópias vendidas em sua primeira semana, o álbum registrou uma das maiores vendas de primeira semana da história do país.

  • No final de sua trajetória, o CD tinha vendido 2.2 milhões de cópias.


    Com seus shows grandiosos, ingressos para shows do Take That são quase impossíveis de se obter

  • A turnê de 2009, Take That Presents The Circus Live, passou por sete dos maiores estádios da Grã-Bretanha, com 20 shows esgotados e mais de 1.2 milhões de ingressos vendidos. Com lucro de 50 milhões de libras, The Circus Live se transformou na mais bem-sucedida turnê da história do país.

  • O DVD do show vendeu 1 milhão de cópias, se transformando no DVD musical mais vendido da história da Grã-Bretanha.
Quando parecia que o Take That não podia crescer mais, o anuncio que todos esperavam fazia mais de uma decada foi feito: Robbie Williams iria retornar a banda.

Em outubro, com oito meses de antecedência, os ingressos para a primeira turnè da banda como um quinteto em mais de 15 anos foram postas a venda. A procura por ingressos foi tão gigantesca que os sistemas telefônicos britânicos e todos os sites de venda de ingresso colapsaram. O Ticketmaster anunciou em um comunicado que a procura excedeu todas as expectativas, com a demanda sendo pelo menos duas vezes maior do que o segundo evento que mais causou tráfico ao site: a série de shows de Michael Jackson em Londres em 2008 que marcaria o grande retorno do musico aos palcos (e que acabou não acontecendo).



Em 24 horas, 1.5 milhões de ingressos haviam sido vendidos, com todas as localidades esgotadas. Serão 31 shows nos oito maiores estádios da Grã-Bretanha, incluindo oito noites no City of Manchester Stadium (com capacidade de 60 mil pessoas por noite) e oito noites no Wembley Stadium de Londres (85 mil pessoas por noite). Os cinco também se apresentaram pela primeira vez em estádios fora do seu país natal, com shows na Alemanha, Italia, Holanda e Dinamarca.

No fim de novembro, Progress, o primeiro CD da banda como um quinteto desde 1994, chegou as lojas. O álbum provou que o grupo não tinha medo de ousar, com uma mudança extremamente drastica em estilo (indo do pop para um som brit rock) e nas composições. É claro que, levando em conta o fato de ser uma banda inquestionavelmente e unanimemente amada, isso não afetou as vendas: nos primeiros sete dias, o álbum quebrou todos os recordes ao vender 520 mil unidades. Ao longo de seis semanas, o CD tinha movido 1.8 milhões de cópias e se transformado no álbum mais vendido do ano na Grã-Bretanha.

Progress irá ser o quarto CD consecutivo do Take That a ultrapassar a barreira de 2 milhões de cópias vendidas (incluindo a coletânea Never Forget: The Ultimate Collection, lançada em 2005). Ironicamente, o outro unico ato a conseguir a alcançar tal número com tantas lançamentos consecutivos foi Robbie Williams que, entre 1997 e 2004, teve nada menos que seis lançamentos ultrapassando a casa dos 2 milhões no Reino Unido (Life Thru Lens, I've Been Expecting You, Sing When You're Winning, Swing When You're Winning, Escapology e Greatest Hits).

O Take That mostrou sua força não só nas paradas e em vendas de ingressos, mas também nos principais eventos televisivos do final do ano. Os grandes convidados da final de Strictly Come Dancing, o segundo programa de maior audiência da TV britânica? Take That. Os grandes convidados da final de The X Factor, o programa de maior audiência (que foi ao ar no mesmo dia que a final do Strictly)? Take That (o grande convidado da final do ano passado? Paul McCartney). Os grandes convidados do Royal Variety Show, o espetáculo grandioso em prol da caridade organizado pela realeza? Take That.



O love affair entre o público britânico e o Take That parece não ter limites. E, assim, uma boyband dos anos 90 entrou para a história da música do Reino Unido como uma das bandas de maior sucesso e de maior respeito da história do país. Quem diria?



Como gigantesco fã do Take That, eu fiquei com pé atrás quando o retorno de Robbie foi anunciado. Minhas impressões na época foram registradas aqui. Desde então, tenho que admitir que já aceitei -- e até me entusiasmei -- com o retorno de Robbie. E tenho que admitir que eu fui injusto com ele: Williams não voltou para o Take That porque ele precisava de promoção extra ou porque ele estava em decadência, afinal, ele é um dos cantores pop mais bem-sucedidos da história. Ele voltou porque ele quis, provavelmente para concluir direito um período inconcluso da vida dele e para curar as feridas que ficaram abertas.

Um comentário:

  1. e eu só fui ver que você voltou a postar 1 mês depois!!!

    adoro suas críticas!
    espero que tome um folego e volte!

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