Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

One to watch: Lana del Rey



Nas últimas semanas, o burburinho em torno da cantora nova-iorquina Lana del Rey tem atingido proporções cada vez maiores. Seu EP alcançou o top 5 do iTunes estado-unidense e o topo do iTunes britânico e, depois de meses de sucesso viral na internet, seu primeiro single, Video Game, estreou no top 10 do Reino Unido e atualmente ocupa o topo na França, Grécia, Holanda e Bélgica. Até manchete na Folha Ilustrada Lana já emplacou e isso tudo com pouquíssimas entrevistas e absolutamente nenhum show ao vivo. De fato, foi apenas no dia 11 desse mês que Del Rey apareceu pela primeira vez na televisão, cantando ao vivo no programa britânico Live... with Jooks Holland.

No dia 21 de setembro, Lana iria fazer sua primeira apresentação ao vivo, no The Box em Nova York. Com ingressos esgotados em minutos, o show foi cancelado em cima da hora para que a produção do show fosse elaborada e que fosse movido para um local maior. Um show em Londres, cidade onde a cantora reside, esgotou em 30 minutos e também teve que ter seu local reavaliado. Shows em dezenas de cidades e países estão sendo marcados as pressas tamanho a demanda.


Apesar de sua falta de experiência ao vivo, Lana foi abraçada pela crítica especializada, que depositou total confiança de que ela seria a próxima explosão musical. O respeitadissimo site de música indie Pitchfork escolheu Video Game como "Best New Track" e a revista Q, a publicação musical mais importante da Grã-Bretanha, deu a Lana o prêmio de The Next Big Thing na cerimônia anual dos prêmios Q.

 Na cena musical atual, bilhões de dólares são comandados por cantoras. Temos Adele, quebrando absolutamente todos os recordes imagináveis; Lady Gaga, que surgiu causando comoção que não era visto desde os anos de Madonna e Michael Jackson; Taylor Swift, o fenômeno country; Katy Perry e Rihanna, cada vez mais provando que estão aqui para ficar; Beyoncé, a top performer; Shakira, a rainha latina; Nicki Minaj, uma das maiores MC femininas já vistas; Ke$ha; Jessie J e zilhões de nomes mais. Nessa multidão de divas, todas com poderosíssimas equipes investindo milhões nelas, é interessante como Lana, uma diva indie, tem conseguido se destacar. Afinal, Lana parece ser as indie as you can be: ela escreve as próprias letras, tem uma voz indiscutivelmente boa, produz seu material em Londres (apesar de ser americana), tem um look que lembra Brigitte Bardot e outras sex symbols dos anos 60. Tudo nela parece gritar credibilidade.

E, é claro, aí que a polêmica nasce. Afinal, foi-se o tempo onde você ser indie era um pré-requisito para ser uma queridinha indie. Hoje em dia, tudo parece ser milimetricamente planejado, até os sucessos independentes e cheios de credibilidade.

Lana em seus tempos de Lizzie Grant: cabelos oxigenados e lábios mais finos

Lana nasceu em 1986, como Elizabeth Grant. Inicialmente, ela tentou emplacar sua carreira como Lizzie Grant e sua ambição era mesmo ser a vocalista de uma banda. Alguns elementos de seu look atual já estavam em evidência na época, mais notavelmente sua voz sultry, seu som retro e seus vídeos editados de maneira a parecer películas antigas. Mas, ao chamar atenção de uma gravadora e de poderosos agentes, empresários e advogados, a carreira de Lizzie tomou uma injeção de adrenalina. Primeiramente, foi decidido que ela seria mais marketable como cantora solo, acabando com o plano dela de ser parte de uma banda. Depois, o nome Lana Del Rey foi decidido (por empresários e advogados) pois era um nome que refletia o glamour cinemático retro do seu som. E, finalmente, o look de Lizzy foi remodelado: adeus cabelos loiros oxigenados e look de líder de torcida e olá para lábios carnudos recém-adquiridos (e talvez outras coistas mias) e cabelo e figurino de sex symbol francesa dos anos 60.

So there you go, Lana Del Rey, indie critical darling, tem o seu lado manufaturado. O que diz mais sobre a nossa sociedade e o mundo pop em geral do que sobre ela como pessoa.
Mas Lana é rápida em se afastar de qualquer acusação de que ela é um produto. "Não existe duas versões de mim. Lana e Lizzie são a mesma pessoa, são só nomes diferentes", afirmou em uma de suas raras entrevistas (para o Pitchfork, influente site musical que é um do seus maiores supporters). 

Porém, é claro que, desde a explosão de Video Game, a P.R. machine em torno da cantora está trabalhando em tempo integral e a moça já tem conta no Facebook, no Youtube, no Twitter, um site oficial super estilizado e reportagens em todos os veículos que importante, entre eles o The Guardian, a Vogue britânica, a já mencionada Folha de São Paulo, a GQ....

Possíveis cirurgias e manipulações a parte, Lana é de fato uma artista que merece ser ouvida. Sua voz e música falam por si só e, bem ou mal, a garota tem bastante talento, escreve e produz seus próprios vídeos e merece sim uma chance. Além disso tudo, o look pode ter sido comprado mas não tem como negar que ela é linda.





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