Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Segredo de prosperidade: seja o primeiro

Reality shows de talento como The Voice, X Factor e American Idol prometem carreiras prósperas, contratos milionários e garantia de vendas altas mas todo mundo está cansado de saber que não existe nenhuma promessa mais furada que essa. Dá para contar nos dedos de uma mão a quantidade de ganhadores que realmente obtiveram uma carreira de sucesso que durou mais do que cinco minutos.

Em todo o caso, existe um fenômeno curioso por de trás desses ganhadores que conseguiram outgrown o programa que os deu origem: eles foram os primeiros ganhadores em seus respectivos países.



O caso mais conhecido é Kelly Clarkson, a texana que foi a grande vencedora da primeira edição do American Idol faz exatamente uma década. Depois de um começo morno, a jovem emplacou um álbum blockbuster global que a transformou numa das maiores estrelas do mundo: Breakaway vendeu mais de 12 milhões de unidades e deu origem a vários smash hits como Because of You; Since U Been Gone e a canção título. Depois, o momentum dela diminuiu um pouco mas ela continua um ato consistente em vendas e prestigio: todos os seus álbuns ultrapassaram 1 milhão de unidades vendidas nos EUA e, em 2011, ela obteve mais um número 1 nas paradas de venda como Stronger (What Doesn't Kill You)

A prova maior de que ela outgrown o American Idol foi o fato de, nesse mês, ela ter sido convidada de honra na final dos seus dois maiores rivais: no Reino Unido, ela cantou na final do X Factor e, nos EUA, na final do The Voice.



Enquanto Kelly é o caso mais conhecido mundo afora, ela não é a única. Apesar de no Reino Unido The X Factor continuar sendo uma força gigantesca, o vencedor de reality show com a carreira mais próspera é o primeiro vencedor de Pop Idol, a versão original do formato Idol que deu ponta-pé a febre de realitys de canto mundo afora. Desde 2001, Will Young continua sendo um dos maiores cantores pop do país e todos os seus cinco CDs -- incluindo Echoes lançado em 2011 -- obtiveram disco de platina. Ele também teve onze top ten hits, o mais recente deles também em 2011, com Jealously, o lead single de seu último álbum.

Durante algum tempo, parecia que Leona Lewis, ganhadora do X Factor em 2006, iria superá-lo quando seu primeiro CD, Spirit, virou um sucesso mundial. Impulsionado por Bleeding Love, a maior canção do ano, o álbum de estréia da moça alcançou o topo em todo o mundo e, no Reino Unido, vendeu mais de 3 milhões de unidades, um dos lançamentos mais bem sucedidos de todos os tempos por lá.

Contudo, isso não durou muito: Leona rapidamente foi esquecida a nível mundial e, no Reino Unido, seu novo CD, Glassheart, não chegou nem perto das 100 mil cópias vendidas requeridas para a certificação de disco de ouro.

Leona ilustra bastante bem aquele ditado: "quanto mais alto a subida, maior a queda".


Guy Sebastien venceu a primeira edição do Australian Idol em 2003. Rapidamente, ele se transformou num fenômeno e seu primeiro álbum obteve 6x Platina (mais de 500 mil unidades vendidas). As coisas pareciam estar feia para ele quando o CD seguinte não vendeu 1/5 disso mas, ao invés de despontar para o anonimato, ele rebounded e continuou com uma carreira forte. Hoje em dia, ele é o cantor solo australiano de maior sucesso do mercado local e, assim como seus equivalentes britânicos e americanos, todos os seus cinco álbuns ultrapassaram disco de platina. De fato, em 2012, ele parece ter atingido um segundo ápice: Battle Scars, uma colaboração com o rapper americano Lupe Fiasco, virou seu primeiro hit global e encerrou o ano como o terceiro single mais vendido de 2012 na Austrália e seu single mais vendido até o momento (500 mil unidades, em contraste com as 400 mil unidades de Angels Brought Me Here, seu winning single de Idol lançado em 2003). A música também atingiu o top 10 em vários países europeus e o top 20 no iTunes americano.

Na Espanha, outro exemplo: David Bisbal. O ganhador da primeira edição de Operacion Triunfo -- o programa local que deu origem ao Fama no Brasil e que, em sua run espanhola, bateu recordes históricos de audiência -- é, hoje em dia, o segundo maior ato local no país, atrás apenas de Alejandro Sanz. Mês passado, ele se transformou no terceiro artista espanhol a se apresentar no mítico Royal Albert Hall em Londres (antes dele, só Julio Iglesias em 1982 e Enrique Iglesias em 2002).


Finalmente, temos o caso de Jenifer, a primeira vencedora do Star Academy em 2002, o concurso de canto mais bem sucedido da França. A moça também emplacou uma carreira bastante duradoura mas, depois de uma década, ela já está mostrando sinais de desgaste: L'amour et moi, seu quinto CD, lançado esse ano, foi o primeiro a não ultrapassar as 100 mil unidades vendias (também, pudera, a música dela é muito ruim). Mesmo assim, a cantora é um enorme household name na França e uma das juradas do The Voice local.

É óbvio que os primeiros ganhadores não são necessariamente os únicos bem sucedidos on the long run. Nos EUA, apenas com as vendas locais, a maior vendedora é Carrie Underwood, cantora country vencedora da quarta edição e que já acumulou mais de 13 milhões de unidades comercializadas (e segue sendo uma das maiores vendedoras. Seu último CD já ultrapassou a casa de 1.5 milhão). Na França, Nolwenn Leroy, vencedora da segunda edição do Star Academy em 2002, teve o segundo álbum mais vendido no ano passado. Além disso, muitos dos maiores success stories não são nem sequer os que obtiveram a vitória: One Direction ficou em terceiro lugar no X Factor britânico de 2010 enquanto Olly Murs, o maior vendedor do programa no país, com três CDs ultrapassando 600 mil unidades vendidas, ficou em segundo em 2011. Jennifer Hudson, que ganhou um Oscar por Dreamgirls e é um household name nos EUA, ficou em sétimo na primeira edição do American Idol.

Em todo o caso, uma coisa não tem como negar: os fracassos outweight em MUITO os sucessos. Mas a consistência do sucesso dos primeiros ganhadores é impressionante.

UK Xmas Number 1: He Ain't Heavy, He's My Brother


 Em 1989, em Hilsborough, Sheffield, uma partida de futebol entre o Liverpool e o Nottingham acabou em desastre quando, devido a falta de organização, um pisoteamento acabou em 96 mortes e 700 feridos, se transformando numa das maiores tragédias do Reino Unido.

A tragédia continuou repercutindo durante anos quando os torcedores do Liverpool -- uma cidade de classe trabalhadora -- foram acusados de começar a confusão por causa do excesso de bebedeira. Quatro dias depois do desastre, a manchete do The Sun -- o tabloide de maior circulação no Reino Unido -- usou como manchete THE TRUTH, ajudando a perpeturar a teoria de que os fãs do time do norte estavam bêbeados, urinando nos corpos das vítimas e se aproveitando da confusão para furtar dinheiro. O presidente da UEFA, acreditando que a tragédia foi culpa dos hooligans, chamou os torcedores de "bestas".

O aftermath foi tempestuoso: pelo menos oito sobreviventes cometeram suicídio e vários mais tiveram problemas psicológicos como descoberto por uma investigação feita pelo jornal The Guardian. As feridas continuaram abertas, principalmente em Liverpool onde, em 2009, vinte anos após a tragédia, o memorial service das vitimas atraiu 29 mil pessoas. O The Sun, por causa de sua controversa manchete, foi boicotado na região e, ate hoje, 23 anos depois, tem os piores resultados de venda por lá, muito abaixo da média nacional. O assunto desperta tantas emoções que um vídeo de 15 segundos, mostrando o jogador francês Charles Itjande dando uma risada durante os dois minutos de silêncio no memorial de 20 anos da tragédia foi apontado como a causa principal para ele ter sido demitido do time.

Esse ano, mais de duas décadas mais tardes, as investigações das causas da tragédia foram concluídas e foi provado que a culpa do desastre foi totalmente da polícia e da organização e que as afirmações do The Sun eram completamente falsas. Também foi descoberto um enorme cover-up da polícia local, que escondeu evidências e alterou depoimentos das testemunhas. Todos -- do presidente da UEFA ao editor do The Sun na época -- pediram desculpas públicas e até o homem que foi a fonte do tabloide para as alegações provadas faltas, o ministro conservador Irvine Patnick, foi identificado e forçado a se desculpar.

Em todo o caso, apesar de alguma justiça ter finalmente sido feita (com bastante atraso), a tragédia continuará sendo uma fonte de enorme trauma para fãs de futebol e moradores de Liverpool.

 

Para relembrar as vítimas, o produtor Guy Chambers versionou a música He Ain't Heavy, He's My Brother em prol a várias caridades associadas as vítimas da tragédia. Participaram do cover celebres Liverpudlians como a Sporty Spice Mel C, o comediante John Bishop e a maior estrela da região, Sir Paul McCartney além de outros grandes nomes da música britânica como Robbie Williams, Paloma Faith e Mick Jones do The Clash.

O single foi o Christmas Number 1 desse ano, uma posição de enorme prestigio e bastante disputada (quem já viu Love, Actually ou leu os posts sobre o X Factor por aqui vão entender). Foi o segundo ano consecutivo que o Christmas Number 1 foi uma música em prol a uma causa: ano passado, o topo foi ocupado pelo coro The Military Wives (as esposas de militares britânicos), com a música Wherever You Are.

He Ain't Heavy He's My Brother vendeu 270 mil unidades ao longo da semana, a segunda maior semana de vendas de um single esse ano. A melhor semana de vendas continua sendo o vencedor do X Factor, James Arthur, que na semana passada teve 490 mil unidades comercializadas do seu winner single, Impossible.

Mais informações sobre as vendas no Reino Unido no meu post de retrospectiva da UK music scene em 2012 em algumas semanas.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012: o ano na cultura pop

A voz



No dia 12 de fevereiro, depois de meses e meses sumida devido a uma delicada cirurgia nas cordas vocais, Adele fez seu triunfal retorno aos palco durante a cerimônia dos Grammy's em Los Angeles. Uma semana mais tarde, em Londres, ela agraciou os BRIT Awards. Em ambas as premiações, ela seguiu exatamente o mesmo roteiro: uma apresentação de Rolling in the Deep, o primeiro single de seu histórico segundo CD, 21, e a vitória em absolutamente todas as categorias.

Enquanto as apresentações foram fortemente promovidas como a grande volta da cantora, elas serviram, na verdade, como uma despedida. A aparição dela no BRIT Awards, no dia 21 de fevereiro, foi sua última aparição pública ao longo do ano.

Em junho, no mesmo dia que Tom Cruise e Kate Holmes anunciaram seu divórcio, um porta-voz da artista anunciou que ela esperava seu primeiro filho. Não foi coincidência: o anúncio foi feito horas depois do divórcio mais high profile do ano exatamente para que a notícia, que seria manchete global em qualquer outro dia, passasse relativamente despercebida. No fim de outubro, Adele deu a luz. Nada se sabe sobre a criança, a não ser que é um menino.

Algumas semanas antes de ter seu filho, Adele lançou Skyfall, a música tema do novo filme de James Bond. O dia do lançamento -- uma sexta-feira -- prejudicou o posicionamento da música nas paradas de single global. Contudo, o single rapidamente se transformou no tema do 007 mais vendido de todos os tempos.

O fato dela ter passado o ano quase que reclusa não impediu que 21 fosse, pelo segundo ano consecutivo, o álbum mais vendido de ano em todo o mundo e continuasse quebrando todos os recordes possíveis e imagináveis.

As músicas

No fim de 2009, eu achei que seria impossível uma música ser mais onipresente do que I Gotta Feeling foi naquele ano. Demorou três anos mas, no final das contas, eu fui proved wrong.

Assim que eu ouvi Call Me Maybe pela primeira vez, em fevereiro, eu vim correndo fazer um post. Foi só ouvi uma vez que eu reconheci ali um enorme hit em potêncial. Em abril, a música alcançou o top 10 nos EUA. No mesmo mês, ela alcançou o topo no Reino Unido e na Austrália. No fim de junho, Call Me Maybe alcançou o primeiro lugar nos EUA, onde ficou por intermináveis nove semanas.



Trifecta EUA-AU-UK alcançada, não demorou muito para a música explodir em todo o resto do planeta e virar um sucesso viral covered não só pelos pioneiros Selena e Justin mas também pelo Time Olímpico de Natação dos EUA; por Katy Perry; por Cookie Monster; pelo Neymar; pelos vendedores da Abercrombie & Fitch; pela marinha dos EUA; pelo exército dos EUA; pelo elenco de Glee; por Barack Obama e por quem mais você conseguir imaginar.

Não sei vocês mas eu fui de achar a música uma fofura (em fevereiro) para querer me matar toda vez que eu escuto ela tocando (hoje em dia).

Porém, Call Me Maybe não foi a única múisca onipresente de 2012. Gotye, o cantor belgo-australiano, foi, na verdade, o primeiro smash hit do ano com seu absolutamente inescápavel Somebody That I Used To Know, colaboração com a neo-zelandesa Kimbra.

A música estourou em 2011 na Austrália (como já contei aqui), onde foi o segundo single mais vendido. Em fevereiro desse ano, a música alcançou o topo no Reino Unido. Em junho, impulsionado pelo uso da música no American Idol e uma performance de Gotye no Saturday Night Live, a canção atingiu o topo nos EUA.

Not surprisingly, Somebody That I Used to Know e Call Me Maybe foram, respectivamente, o primeiro e o segundo single que mais venderam em 2012. Nos EUA, as músicas foram as unicas ao longo do ano a ultrapassar 6 milhões de unidades vendidas (e ambas figuram entre as dez músicas mais vendidas de todos os tempos no país, com Gotye ocupando a sexta posição) enquanto, no Reino Unido, foram as únicas duas canções a ultrapassar 1 milhão de unidades em 2012. Elas ocuparam o topo em outros milhares de mercado mundo afora, incluindo a França e a Alemanha (o quarto e o quinto maiores mercados mundiais).



A outra música inescapavel do ano? Duh. Op-op-op-oppan Gangnam Style. A sensação coreana PSY atingiu o topo em todo o mundo e, com quase 1 bilhão de views, se transformou no vídeos mais assistido do YouTube de todos os tempos. O hit e a sua dançinha foram totalmente inescapaveis e, na Coréia do Sul, o sucesso da música foi tratado como um orgulho nacional (para comemorar, 100 mil pessoas se reuniram para uma grande festa no centro da cidade). Alguns dos grandes momentos da música -- como, por exemplo, o flash mob que atraiu 20 mil pessoas em Paris e a apresentação com Madonna -- foram tratados aqui e, esse mês, PSY cantou o sucesso para Barack Obama na Casa Branca.

A quarta música inescapavel do ano foi ignorada pelo mercado anglo-saxão mas abraçada por todo o resto do planeta e Brasil, pode comemorar (ou não), porque esse sucesso é nosso: Ai, Se Eu Te Pego de Michel Teló foi o sucesso do primeiro semestre do ano.

Na Alemanha, o quarto maior mercado do mundo, a música foi o maior sucesso digital da história, com quase 700 mil unidades vendidas. Na França, a música também superou Gotye e Carly Rae (que tiveram que se contentar com o segundo e o terceiro lugar) e acabará 2012 como o single de maior sucesso do ano, com 300 mil unidades comercializadas.



A lista de países que a canção atingiu o topo é interminável: Áustria, Alemanha, França, Suécia, Dinamarca, Finlândia, Holanda, Itália, Espanha, México, Argentina, Chile, Grécia, Colômbia, Israel, Polônia e vários outros. Além disso, ela impulsionou músicas similares -- mais notavelmente Balada Boa de Gusttavo Lima (primeiro lugar na Itália, França e Holanda; terceiro lugar na Alemanha) -- a status de smash hit global.

Um dado depressivo: na França, o apetite por canções similares foi tanta que, além de Balada Boa, Bara Bará Bere Beré de Alex Ferrari também alcançou o topo por duas semanas. E se você está pensando "poxa, eu nunca ouvi essa música" é porque, apesar dela ser brasileira, ela é TÃO ruim que ela foi completamente ignorada por aqui (surra na cara do metido que acha que o Brasil tem o pior gosto do mundo).

[GENTE, PARA TUDO!!!!!! ACABEI DE DESCOBRIR Q MICHEL TELÓ TEM SUA PRÓPRIA VERSÃO DE BARA BARÁ BERE BERÉ! A que chegou ao topo na França não foi dele though]

O livro


Olha, achei que pior que "Crepúsculo" não dava para ficar (sorry, not a fan) mas, como diz o ditado, "nada está tão ruim que não possa piorar". Prova disso: o fenômeno literário do ano , 50 Shades of Grey (50 Tons de Cinza), nasceu vejam só vocês, como uma fanfic de Crepúsculo.

Apesar disso, os dois livros tem suas diferenças. A história de vampiros de Stephanie Meyers reflete os valores castos~ de sua autora mormon, com sexo só depois do casamento, uma heroína modesta etc. e tal. Já a trilogia da britânica E.L. James é um conto erótico cheio de sexo sadomaso.

Eu sou super a favor da libertação sexual feminina (anos 50 ligou e pediu seus tópicos de discussão de volta) e acho ótimo um livro soft porn direcionados a mulheres virar algo tão mainstream, discutindo na grande imprensa e lido sem vergonha por vovós, tias e adolescentes. Mas bom, acho que existem maneiras com mais qualidade das mulheres liberarem esse fogo interno~~ e suas inner godesses mas, né? Quem sou eu. Até porque não dá para ser mais clichê que heroína timida e desinteressante conhece homem controlador, milionário e obcecado por S&M e bondage (tá, tudo bem, essa última parte não é tão clichê mas só porque, até alguns meses atrás, ninguém se atrevia de deixar isso claro. Se vocês viram Amanhecer Parte I, vocês viram q a Bella e o Edwart curtem um S&M também).

Mas bom, independentemente da minha opinião pessoal, 50 Shades foi o fenômeno do ano com centenas de milhões de cópias comercializadas. Em agosto, foi anunciado que o primeiro livro da série de E.L. James tinha ultrapassado 5 milhões de unidades vendidas em seu país de origem e, por tanto, desbancado Harry Potter como o livro mais vendido de todos os tempos no Reino Unido desde que o Nielsen BookScan começou a acompanhar as vendas (em 1998). Levando em conta que o livro continua no topo dos mais vendidos até agora, o número total com certeza é considerável maior. Nos EUA, os três livros já tinham vendido mais de 20 milhões de unidades até julho (provavelmente deve ser o dobro disso agora).

Como de costume, uma franquia tão bem sucedida faz Hollywood salivar. Em março, quando o livro já estava a caminho de se transformar num fenômeno mas ainda não tinha se confirmado como o sucesso astronômico que acabou sendo, os direitos foram vendidos por 5 milhões de dólares para Universal, um valor bem alto ("O Código Da Vinci" foi vendido por 3.5 milhões). Mas a parte mais chocante é que o estúdio aceitou uma cláusula que especificava que a autora teria a palavra final em todas as grandes decisões (algo comum em filmes baseados em séries enormes -- J.K. Rowling, Stephanie Meyer e Suzanne Collins, todas estiveram super envolvidas na produção -- mas nunca especificado de maneira tão explícita no contrato).

Por outro lado, a dificuldade de adaptar um filme que é basicamente cena de sexo S&M atrás de cena de sexo S&M (incluindo uma cena que envolve um absorvente interno) é algo bem complicado, principalmente em Hollywood, que não gosta de espantar o dinheiro de ninguém. Talvez por isso, o desenvolvimento do filme não está indo tão de pressa quanto esperado (até o momento, nada -- a não ser quem serão os produtores e a roteirista -- foi oficialmente decidido).

De qualquer maneira, não restam duvidas: 50 Shades of Grey foi o livro de 2012.

Os programas de TV

Todo mundo ama zumbis: Walking Dead é o sucesso da temporada
Pela primeira vez na história, um programa de TV a cabo ocupou o topo da lista de programas de ficção mais vistos entre pessoas de 18 a 49 anos (for reference: o único demográfico que interessa aos anunciantes e, por tanto, o único que importa) nos EUA: Walking Dead, o elogiado seriados sobre zumbis da AMC, ultrapassou Modern Family, a comédia da ABC, para se transformar no maior sucesso do demo essa temporada.

Alias, todas as ficções mais comentadas do ano foram programas de TV a cabo: Breaking Bad (AMC); Walking Dead (AMC); Dexter (Showtime); Homeland (Showtime); True Blood (HBO); Game of Thrones (HBO); Girls (HBO). O público e a crítica parecem estar cansado dos seriados "seguros" da TV aberta e estão indo atrás de programas mais elaborados e com conteúdos mais complexos e criativos na TV fechada.

Enquanto isso, na TV aberta, o que mais próspera atualmente são as comédias. Além de Modern Family, as sitcoms da CBS são o grande sucesso de público: enquanto Two and a Half Men meio que perdeu o momentum, Big Bang Theory; How I Met You Mother e 2 Broke Girls têm obtido resultados fantásticos para o canal. Alias, os syndication deals -- direitos de retransmissão/reprise -- desses programas estão sendo vendidos por quantias absurdas (Big Bang Theory custa 2 milhões de dólares por episódios; 2 Broke Girls, 1.7 milhão), deixando todos os atores e produtores dessas comédias milionários pela eternidae.

 
Os reality shows, os grandes protagonistas nos anos anteriores, parecem ter perdido um pouquinho (bem pouquinho) de sua força nos EUA. Em 2012, nenhuma emissora lançou um grande sucesso mas os sucessos dos anos anteriores -- as Kardashians no E!; as Real Housewives na Bravo -- seguem firmes e fortes e novos programas (estrelando todo mundo, da Toni Braxton aos Jonas Brothers a esposa do Clint Eastwood) continuam pipocando.

Já os reality de canto continuam na linha tenue entre a saturação e o sucesso. American Idol teve seu ano mais baixo até o momento mas continua facilmente como líder de audiência. Para 2013, o programa terá um novo painel de jurados estrelando Mariah Carey, Nicki Minaj e o cantor country Keith Urban.

The X Factor continua tentando emplacar nos EUA. Esse ano, Britney Spears e Demi Lovato foram adicionadas ao juri e, enquanto o programa tem mantido audiências bem dignas, ele está longe de reproduzir o fenômeno social que é no Reino Unido.

O programa mais estável é The Voice da NBC. O formato holandês, que tem duas temporadas por ano, teve uma estréia espetacular pós-Super Bowl no começo do ano e, desde então, já desinflou bastante mas continua na frente do X Factor entre o público de 18-49 e tem uma das tarifas publicitárias mais caras da TV aberta americana. Enquanto ele não produziu nenhum vencedor bem sucedido, ele tem ajudado bastante seus jurados, revitalizando a carreira do Maroon 5 e ajudando a transformar Blake Shelton, o seu jurado country, numa estrela de grande porte nos EUA. Ano que vem, Xtina e Cee-Lo Green darão um break doo programa e serão substituídos por Shakira e Usher.

The Voice também é o formato de canto de maior sucesso mundo afora, graças a uma combinação das cadeiras giratórias (eu não sei porque mas elas fascinam muito o público) com um jurado cheio de nomes de grande porte. O programa tem obtido sucesso em atrair nomes respeitáveis em todos os principais mercados e isso, com certeza, ajuda no status do concurso como uma competição séria (não que eu concorde, né). O sucesso internacional dele pode ser comprovado aqui no Brasil e também no México, na Argentina, na Alemanha, na França e na Espanha, onde as respectivas versões têm conseguido audiências bem altas e tem ofuscado os concorrentes.

A exceção foi o Reino Unido. O país tem uma enorme importância por ser -- junto com a Alemanha e a França -- o maior mercado fora dos EUA. A BBC investiu milhões de dólares no formato, com a intenção de bater de frente com os colossais programas de Simon Cowell na ITV (X Factor e Britain's Got Talent). E o concurso não poderia chegar em momento melhor: o público estava se saturando dos programas de Cowell, com X Factor tendo registrado uma acentuada queda de audiência no ano anterior.

Inicialmente, o programa -- que tinha Jessie J, Will.I.Am, Tom Jones e Donnie O'Donaghue (vocalista do The Script) como jurados -- foi um gigantesco sucesso, batendo a audiência do Britain's Got Talent, que estava sendo exibido no mesmo horário na ITV1. Depois de alguns meses contudo, o público perdeu o interesse e a audiência começou a desinflar, até chegar a níveis preocupantes, O single da ganhadora sequer atingiu o top 40. Uma turnê com os finalistas, que passaria por arenas de todo o país, foi cancelada devido a falta de interesse.

A tendência do programa obter altas audiências com a fase de audições e das batalhas entre os jurados e perder força com o começo dos live shows (como já disse, o público gosta mesmo é da cadeira giratória) é normal em todas as edições, a ponto dos produtores estarem implementando pequenas mudanças para deixar a parte final do concurso mais dinâmica. Contudo, o alarmante não foi só a queda de audiência (o programa começou sua trajetória como o mais visto todas as semanas; na sua semi-final, oito programas tinham superado-o em audiência e Britain's Got Talent liderava com facilidade) mas a falta de interesse total do público e da imprensa nos acontecimentos do programa. A repercussão, depois das primeiras semanas, foi zero.

De qualquer maneira, a BBC e a Talpa, produtora do programa, estão mantendo a cabeça em pé: o programa volta, levemente remodelado, no ano que vem e com o mesmíssimo painel de jurados.

Enquanto, nos EUA, os reality perdem um pouquinho da sua força, na Europa, os programas de realidade -- claramente influenciados por sucessos americanos -- estão mais forte do que nunca.

Entre 2006 e 2009, The Hills foi um sucesso de audiência nos EUA, onde foi exibido pela MTV, e um enorme fenômeno social entre o público jovem no país. O programa focava em Lauren Conrad, uma moça jovem, bela e muito bem vestida, já apresentada ao público em outro sucesso da emissora (Laguna Beach), e sua busca por sucesso no mundo da moda em Los Angeles (o que, in hindsight, nem faz muito sentido pois a indústria da moda americana fica concentrada em NYC). Contudo, o que chamava a atenção era a falta de clareza entre o que era real e o que era falso: apesar do título "reality" ser meramente decorativo em absolutamente TODOS os reality americanos, The Hills levava isso a outro nível, mostrando a vida de Lauren e seu cotidiano de maneira tão novelesca que era impossível acreditar que não era roteirizado. O programa chegou ao absurdo de -- no ápice de sua popularidade, quando The Hills estava em tudo quanto é canto, inclusive na capa da Teen Vogue e da Rolling Stone -- mostrar Lauren, naquela altura uma super celebridade, como uma desconhecida, tendo que se apresentar para pessoas como se todo mundo já não soubesse seu nome, passando por entrevistas de emprego e indo numa cartomante que, surpresa, sabia tudo da vida dela (assim como todo o resto da população). Depois de anos negando ser roteirizado, o programa admitiu que tudo não passava de uma farsa na cena final do episódio final.

De qualquer maneira, o formato causou um impacto enorme e sua legacy lives on na Europa.

O caso mais notável é no Reino Unido onde The Only Way Is Essex é um dos programas mais visto da TV fechada, atraindo 1 milhão de espectadores todas as semanas e mantendo-se como um sucesso faz 2 anos, ao longo de 84 episódios (até o momento) e muitas trocas de elenco.


TOWIE, como o programa é apelidado pelos fãs e imprensa, é uma mistura de The Hills com outro sucesso da MTV, Jersey Shore. O formato é igualzinho a The Hills: dramas acerca de rompimentos, riqueza, gente bela e jovem e estilosa (dependendo do seu ponto de vista). Tudo -- das seqüencias musicais aos title cards toda vez que algum "personagem" aparece na tela -- é inspirado por The Hills. Contudo alguns elementos de choque a la Jersey Shore foram implementados: assim como Jersey Shore se foca nos guidos de Nova Jersey, com seus estilos peculiar, TOWIE foca nos playbas e nas pattys de Essex, uma zona afluente meio rural meio urbana na grande Londres onde todo mundo (pelo menos de acordo com a TV) parece ser obcecado com bronzeamento artificial, cilhos postiços gigantescos, maquiagem carregada, injeções de colágeno e  muita círurgia plástica.



Como contraponto de TOWIE, exibido no canal jovem da ITV, o ITV2, o canal rival, E4, o outpost a cabo do Channel 4, lançou o Made in Chelsea, outro programa seguindo a risca o manual The Hills de como fazer TV mas focando na galera aristocrática e rica do centro de Londres, especificamente em Chelsea, o distrito mais caro da capital inglesa. Uma versão bem mais classy de TOWIE que, obviamente, de classy não tem muita coisa.

Ambos os programas se mantém no topo dos mais vistos da TV fechada local e são enormes sucessos entre os jovens locais. O curioso é que, diferente dos EUA, o Reino Unido tem um orgão regulamentador de mídia muito forte, o OFCOM, e, para evitar problemas, tanto The Only Way Is Essex quanto Made in Chelsea começam com um aviso de que "as pessoas nesse programa são reais mas algumas histórias e enredos podem ter sido fabricadas para seu entretenimento".



Na França, a emissora jovem NRJ12 estreou, em março desse ano, Hollywood Girls, sobre duas garotas francesas em busca da fama em L.A. As similaridades entre HG e The Hills são gritantes a ponto de que, cedo ou tarde, eu suspeito que deve rolar uma ação judicial: TUDO -- dos locais a fotografia e mesmo alguns enredos -- é igualzinho ao programa da MTV, ao ponto de parecer um reamke com atores franceses.

Mesmo assim, Hollywood Girls é um sucesso e, apesar do visual sleak & chic & luxuoso, deve sair bem barato para a emissora pois é produzido em velocidade indústrial: foram 92 episódios desde março, comparado com 102 de The Hills ao longo de cinco anos.

Alias, Hollywood Girls é tão absurdamente novelesco que faz com que The Hills pareça um documentário sério. Saquem só a descrição da primeira temporada, traduzida da Wikipedia francesa:

A procura de Josh, seu irmão que ela nunca conheceu, Ayem migra para Hollywood junto com sua amiga Caroline, onde irão morar com a amiga de infância delas, Chloe Jones. Mas Sandra, a roommate de Chloe, não vê com bons olhos a chegada das duas francesas e fará de tudo para colocá-las para fora. Rapidamente, Ayem e Caroline se integram a vida em West Hollywood e conhecem Nicolas, Kevin e Kamel. Juntos, eles irão confrontar a maléfica Geny G, agente das estrelas mas também chefe de uma rede de prostituição. A temporada termina com a queda do avião de Ayem.
Pois é, chupem essa manga. E Hollywood Girls não é o único reality show a la Americaine. Outro sucesso é a série de programas que leva um grupo de jovens Ch'tis a regiões exóticas do mundo.

Em 2008, o filme Bienvenue chez les Ch'tis, que satiriza a região nordeste de Paris, foi um fenômeno de bilheteria e se transformou no maior sucesso do cinema francês. Daí, os Frenchies aplicaram o pensamento americano: faturar em cima do fenômeno do momento com um reality.

A região nordeste da França -- Nord-pas-Calain -- é uma região beeeem pouco sofisticada, com um dialeto próprio pouco charmoso (ao invés de "toi", por exemplo, eles falam "ti", hence a classificação dos locais como ch'tis) e com péssimo clima, sempre frio, cinza e chuvoso. Então, é claro, o conceito do programa é levar os locais da região para lugares que são o exato oposto: Ibiza; Mykono; Miami; Las Vegas.

Reino Unido e França já conquistado, ainda falta um potencial mercado. Worry not, a Alemanha também já mergulhou na onda do scripted reality (reality show lá é conhecido como doku soap, então os roteirizados são classificados como pseudo doku soap. Muto chique).

O maior sucesso do gênero é Berlin - Tag und Nacth (Berlin - Dia & Noite) que acompanha os dramas roteirizados de um monte de jovens reais em Berlin, a cidade mais cosmopolita e cool da Alemanha. O programa é um sucesso de repercussão e o programa alemão mais curtido no Facebook. Ah, uma versão para França, Paris Jour et Nuit, já está em produção, com estréia prevista para 2013.

Enquanto muitos parecem diretamente "chupados" de The Hills, outros adicionam seus próprios twist e, quase todos, parecem ser um mix entre o mundo fashionable cool de The Hills com o mundo outrageously drunk de baixaria de outro fenômeno da MTV, Jersey Shore.

O melhor exemplo de um mix dos dois, contudo, é a produção da MTV britânica, The Valleys. O nome indica uma homenagem ao icônico Hills. O elenco, contudo, é bem na linha de Jersey Shore como vocês podem ver pelo trailer abaixo.


A MTV britânica, alias, tem, desde 2011, sua própria versão de Jersey Shore entitulada Geordie Shore. "Geordie" é como são apelidados os habitantes de Newcastle, uma região conhecida por ser uma das mais pobres do país porém, também, a mais festeira. O lugar está na moda graças a celebridades provenientes da cidade como Cheryl Cole.


A versão britânica é bem parecida com a americana mas, com as regulamentações envolvendo nudez e xingamento muito mais relaxadas que nos EUA, ela é bem mais caliente. Rapidamente, o programa, que já está na quarta temporada, bateu recordes históricos de audiência para o canal.

O sucesso da versão inglesa só não é maior que a da versão espanhola. Gandía Shore atraiu 1 milhão de espectadores em seu primeiro episódio na MTV espanhola. Uma versão francesa está em produção.

Enquanto isso, a versão americana começa sua última temporada na próxima semana. Jersey Shore continua sendo o programa mais visto da MTV mas com 1/4 das audiências de seu ápice, as mudanças nas circunstâncias na vida do elenco (Snooki é mãe!!), a perda de momentum, sem falar no que aconteceu com o famoso Shore (destruído pelo furacão Sandy), é uma boa hora mesmo para o programa ser cancelado. Veremos se 2013 será um ano melhor para a criação de realities americanos. A MTV está apostando todas as fichas em caipiras. Será essa a tendência do próximo ano? 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Retrospectiva 2012: Cinema (Parte 1)

Não costumo falar sobre cinema aqui porque, vejam só vocês, não tenho muita paciência para filmes. Mas, como um blog de cultura pop, acho que esse é um assunto importante de ser tratado então bora lá para uma retrospectiva do que aconteceu no cinema ao longo dos últimos 12 meses?

The Avengers: o ano foi deles
Para  variar, as maiores bilheterias do ano foram blockbusters de ação e filmes animados da Dreamworks e da Pixar. Três filmes ultrapassaram a nada modesta barreira do bilhão: The Avengers (Os Vingadores); o último filme do Batman, Dark Knight Rises e o novo filme do James Bond, Skyfall.

The Avengers, como todo mundo sabe, é o filme que reúne todos os superheróis da Marvel -- com a exceção do Homem Aranha -- e foi o começo triunfal da nova era da gigante dos quadrinhos, agora propriedade da Disney. Alias, o Homem Aranha não participa do filme -- apesar de ser, de longe, o maior nome da companhia de HQ -- pois seus direitos de imagem no cinema são exclusivos da Sony. O filme, ajudado por críticas super positivas, lucrou 1.511 bilhão de dólares em todo o mundo, dos quais 41% (632 milhões) nos EUA.

Agora, vocês querem saber um dado curioso? O quarto maior mercado de Os Vingadores no mundo foi o Brasil. Alias, o filme desbancou "Tropa de Elite 2" por aqui para se transformar na maior bilheteria da história. Foram 120 milhões de reais arrecadados. Porém, é claro, temos que fazer ressalvas: ao contrário dos EUA, no Brasil calcula-se o sucesso de um filme pela quantidade de bilhetes vendidos e não pelo lucro total. Nesse caso, Tropa de Elite 2 -- que não teve auxílio de ingressos 3D e de Imax mais caros -- continua sendo um sucesso maior com 11,2 milhões de pagantes contra os 10 milhões do filme da Marvel. Alias, o filme com mais pagantes na história do Brasil continua sendo Titanic de 1998: 16 milhões de bilhetes vendidos.

O Brasil e o México foram o quarto e o quinto maiores mercados para o filme a nível global (apesar de, no panorama geral de lucratibilidade cinematográfica, serem respectivamente o 13º e o 12º mercados). Alias, o resultado do filme foi fantástico em toda a América Latina, onde arrecadou mais de 200 milhões de dólares e se transformou na maior bilheteria da região na história (e mais de 15% do arrecadamento total, em comparação com 43% para Ásia e a Europa juntas, apesar de ambas serem regiões, em geral, MUITO mais lucrativas). O Brasil e o México foram, alias, dois dos cinco países cuja bilheteria ultrapassou 60 milhões de dólares -- além dos EUA, o filme só lucrou mais na China ($84 milhões) e no Reino Unido ($80.5 milhões). Isso mostra a força da Marvel por aqui, principalmente comparado a Europa. Na França e na Alemanha, o terceiro e quinto maiores mercados em termos de lucro, Os Vingadores lucrou menos que 50% do que por aqui. No Japão, o segundo maior mercado, o rendimento foi 10 milhões de dólares a menos.

Depois de Os Vingadores, mais outro herói (porém da companhia rival, a DC): The Dark Knight Rises (O Cavaleiro das Trevas Ressurge) lucrou 1.08 bilhão de dólares a nível global e só podemos imaginar o quão mais o filme lucraria se não tivesse sido prejudicado pelo trágico tiroteio no cinema de Colorado.

Da série blockbusters bilionários não saem barato: Batman toma conta do exterior e do interior da estação de metrô mais movimentada de NYC, a de Times Square.
Alias, o tiroteio desencadeou uma queda enorme em bilheteria total nos EUA: o trauma no público foi tanto que a freqüência em cinemas no país despencou depois do acontecido. Por isso, o filme lucrou 85 milhões de dólares a menos que seu antecessor (448 milhões versus 533 milhões). Porém, no resto do mundo, o filme arrecadou mais e, por isso, Dark Knight Rises acabou com 1.08 bilhão, 40 milhões a mais que Tje Dark Knight.

Enquanto, no Brasil, o super herói da D.C. se provou bem menos popular que o coletivo da Marvel, lucrando menos da metade que Vingadores, na Europa, Batman se provou igualmente popular, com arrecadações similares na maior parte da região e números ainda mais satisfatórios no Reino Unido (90 milhões, 10mi a mais).

Finalmente, o outro filme a cruzar a barreira do bilhão foi Skyfall, o vigésimo-terceiro filme da franquia de James Bond e o terceiro estrelando Daniel Craig como o icônico espião. Foi o primeiro filme 007 a ultrapassar a marca.

E, alias, Batman, Homem de Ferro, Thor e afins podem ser os heróis de ação mais populares do mundo mas, na Europa, ninguém desbanca Bond. Na Alemanha e na França, Skyfall lucrou mais que o dobro do que Avengers e Dark Knight Rises. No Reino Unido, o país natal de 007, o filme tem quebrado todos os recordes.


E, alias, não é de se espantar: na Grã-Bretanha, Bond é um dos maiores icones nacionais. E é fácil notar isso: o Royal Albert Hall, a casa de espetáculos mais tradicional do país, sediou a pré-estréia que teve a presença de toda família real, incluindo Vovó Elizabeth. A vitrine da Harrod's, a loja de departamento mais importante do país, homenageia a película. Adele, o maior fenômeno musical do século, é responsável pela música tema. E até a BBC, a rede pública sinônimo de qualidade britânica, dedicou vários especiais ao filme em seus canais de TV e de rádio. Com toda essa promoção, não é de se espantar que o filme tenha lucrado 150 milhões de dólares e se transformado na maior bilheteria da história no país, desbancando Toy Story 3 em bilhetes vendidos e Avatar em total arrecadado.

A maior animação do ano foi A Era do Gelo 4 que lucrou 875 milhões de dólares a nível global. Alias, é interessante notar que essa franquia é muito mais bem quista a nível global que domesticamente. Nos EUA, o filme lucrou 160 milhões de dólares, um resultado bastante digno e que o coloca como a 16ª maior bilheteria do ano no país. Porém, no resto do mundo, o filme lucrou colossais 715 milhões de dólares, transformando-o na quarta maior arrecadação de 2012, atrás de Skyfall. A diferença entre o sucesso no mundo (principalmente na Europa e na América Latina, onde o filme obteve seus melhores resultados) e nos EUA é ainda mais gritante quando comparado com outros filmes animados: nos EUA, ele lucrou menos que Brave, Madagascar 3, Dr. Seuss' The Lorax e Wreck-It Ralph. Entre esses, alias, The Lorax, que lucrou 215 milhões de dólares nos EUA (61% de seu rendimento total), foi o que obteve menos sucesso mundo afora, provavelmente porque as histórias de Dr. Seuss são enormemente famosas nos EUA porém desconhecidas em outras bandas.

Da série blockbusters bilionários não saem barato: anúncio gigantesco de Skyfall em Westminster, Londres
Outro filme que teve enorme popularidade nos EUA porém ainda precisa crescer mundo afora é The Hunger Games (Jogos Vorazes), o filme baseado na trilogia de Suzanne Collins e que é considerado o grande sucessor de Harry Potter e Crepúsculo, sagas que causaram histeria tanto em suas versões impressas quanto cinematográficas. Nos EUA, o primeiro filme da saga lucrou 408 milhões de dólares. Colocando esses números em perspectiva: isso é 100 milhões de dólares a mais que a maior bilheteria da saga Crepúsculo (Eclipse de 2010). Porém, internacionalmente, por ser uma franquia recente e que ainda não alcançou seu potencial máximo, o filme lucrou bem menos: 278 milhões de dólares. Sendo assim, Hunger Games lucrou 686.5 milhões, um resultado bem inferior aos 800 milhões (65% internacionalmente) do filme final da consolidada saga Crepúsculo, Breaking Dawn Part II (Amanhecer Parte 2). Enquanto, nos EUA, Jogos Vorazes encerra o ano como a terceira maior bilheteria, a nível global o filme acabou em oitavo.

Três posições acima, encerrando o top 5 das maiores bilheterias, temos The Amazing Spider Man. Cinco anos depois de Spider Man 3, o filme final da saga dirigida por Sam Raimi e estrelando Tobey Maguire e Kirsten Dunst (e dois anos depois que eu dei a notícia), a Marvel e a Sony reiniciam a franquia com Marc Webb (500 Dias com Ela) na direção e o badalado Andrew Garfield (A Rede Social) no papel título com a igualmente badalada Emma Stone como seu par romântico (convenientemente, os dois também estão namorando na vida real). Com 752 milhões de dólares arrecadados, o filme não foi nenhum fracasso mas o resultado foi bastante aquém ao da saga anterior, cuja menor bilheteria -- em tempos pré-3D e ajuste de preços de ingresso -- foi o segundo com 784 milhões (o 1 e o 3 ultrapassaram 800 milhões).

Novamente, a Marvel conseguiu resultados especialmente bons na América Latina. Os rendimentos no Brasil e no México ultrapassam os dos países europeus (com a exceção, novamente, do Reino Unido), provando a popularidade da Marvel entre nós, latinos. Porém, enquanto o Homem Aranha é popular por aqui, seu maior território é a Ásia.

Enquanto individualmente, o Homem Aranha é, de longe, a maior franquia da Marvel, ele não pode lutar contra a união do Homem de Ferro, Capitão América, Hulk, Viuva Negra e Thor. Juntos, eles massacraram o superheroi solitário com mais do dobro do faturamento total e resultados superiores em todas as regiões (inclusive na Ásia). É claro que -- além de serem vários -- Os Vingadores ainda tiveram a vantagem de já terem sido introduzidos em filmes bem-sucedidos nos anos anteriores enquanto este novo Homem Aranha reapareceu em novo formato depois de um longo período de sumiço.

Alias, nove dos 10 filmes de maior sucesso do ano são parte de alguma franquia estabelecida. A única exceção é o animado Brave que atraiu o público com o selo Pixar de qualidade. Dentre esses nove, oito são seqüencias (incluindo Os Vingadores que, afinal, continua as histórias dos filmes individuas), com a exceção de The Hunger Games que, apesar da forte dependência do mercado americano, começou com o pé direito e com lucro total (incluindo internacional) duas vezes maior do que o primeiro Crepúsculo em 2008.

Porém, enquanto o top 10 não nos trás muitas novidades, logo em 12º temos uma enorme surpresa: o filme francês Intouchables (Os Intocáveis) passou na frente de centenas de blockbusters americanos e lucrou absurdos 417 milhões de dólares para se transformar no filme não falado em inglês de maior sucesso da história. 

A inclusão de Intouchables é meio controversa afinal uma parcela considerável do seu lucro veio de 2011, quando o filme estreou na França levando 166 milhões de dólares (segunda maior bilheteria na história do país, o primeiro lugar ainda é a comédia Bienvenue chez les Ch'tis de 2009 que satiriza o nordeste do país). Porém, foi em 2012 que a comédia estreou mundo afora, inclusive no resto da Europa onde lucrou mais de 200 milhões de dólares e acabou o ano como uma das maiores bilheterias em diversos países da região com a Alemanha (80 milhões de dólares, filme mais visto de 2012); Holanda (2º filme mais visto, atrás apenas de Skyfall); Espanha (4º mais visto) e Itália (6º mais visto). Além disso, a lista que eu uso como base, a do BoxOfficeMojo, considera a data de lançamento dos EUA como a data oficial de lançamento de qualquer filme (êta quanto egocentrismo) então Intouchables é classificado como um filme de 2012.

Alias, eu, que não dou ponta sem nó, já fiz um post aqui tratando do sucesso sem precedentes e inesperado dessa comédia francófona. Alias, com Harvey Weinstein por trás da distribuição do filme nos EUA -- o homem responsável por 9 em cada 10 filmes vencedores do Oscar nos últimos anos -- eu diria que a chance da França sair com a estatueta de Melhor Filme de Língua Estrangeira por dois anos consecutivos é alta (The Artist, o vencedor desse ano, também foi distribuído por Weinstein alias, assim como "O Discurso do Rei", o ganhador geral).

Logo acima dos Intocáveis, em 11º, temos Ted, a estréia na direção de Seth McFarlane, criador (e dublador de TODOS os personagens homens) de Family Guy (Uma Família da Pesada) e American Dad. Seth prova que seu humor escrachado porém hilariante é um sucesso garantido em várias mídias: Ted lucrou 502 milhões de dólares e é uma das comédias mais bem sucedidas de todos os tempos, lucrando mais até do que o primeiro The Hangover (Se Beber Não Case). Além de Seth na voz do personagem título (gente, sério, eu fico em choque com a quantidade de vozes que esse cara é capaz de produzir), o filme estrela Mark Whalberg e Mila Kunis. Mila, alias, faz a voz da filha adolescente Meg em Family Guy.

Seth MacFarlene: sucesso na TV e no cinema. Aqui, ao lado de seus co-stars Mila Kunis e Mark Whalberg
Com o sucesso de Ted, Seth MacFarlene vai ser o apresentador do Oscar 2013. Em geral, eu acho a cerimônia um saquinho mas achei a escolha dele como apresentador bastante inspirada e acho que vai ser bem sucedida em atrair um público jovem (then again, o James Franco e a Anne Hathaway em 2010 também pareciam inspirados e ~jovens e look how well that turned out...).

Enquanto o top 10 é dominado por seqüencias de franquias já existentes, o top 15 nos dá pistas de quais serão as seqüencias que poderam dominar a bilheteria em 2013 e 2014. Prometheus e Snow White & the Huntsman lucraram 400 milhões de dólares, resultados satisfatórios e que mais que justificam continuações.

É claro que Snow White tem um GIGANTESCO impedimento: o filme, que estrela Kristen Stewart, teve um resultado digno nas bilheterias. Contudo, o filme é mais lembrado pelo grande escândalo que ele originou: Kristen Stewart, que namora com o seu co-star de Crepúsculo Robert Pattinson, e o diretor, casado e pai de dois filhos, Rupert Sanders foram flagrados por um paparazzo em alta pegação adúltera dentro de um carro e as fotos estamparam a edição mais vendida do ano da US Weekly. Com isso, imagino que a Universal deve estar quebrando a cabeça para figure out como produzir a planejada continuação.

Charlize Theron, a co-estrela de Stewart no filme da Branca Neve, pode descansar tranqüilamente. Se a seqüencia de Snow White não sair, ela também é -- ao lado de Michael Fassbender, Idris Elba e a sueca Noomi Rapacci -- uma das estrelas de Prometheus. Já "o Caçador" do título, Chris Hemworth -- que especulou-se que seria o foco do filme 2 (que não contaria com a participação de Stewart) -- já tem suas bases cobertas graças a Thor.

Fechando o top 15, temos Taken 2 (Busca Implacável 2) estrelando Liam Neeson que, depois de anos como um ator respeitado, virou, aos 60 anos, uma digna estrela de ação numa transformação hollywoodiana bem curiosa. Alias, essa franquia é um ótimo exemplo de algo que se consolidou mundo afora com o tempo.

Lançado em 2009, e filmado com um orçamento bem baixo de 29 milhões de dólares, Taken era um filme que ninguém apostava muito. Ele acabou lucrando 145 milhões de dólares nos EUA. No resto do mundo, contudo, ele foi relativamente ignorado. Ao longo dos anos, com exibições em TV, o filme foi ganhando popularidade e as vendas do DVD mundo afora foram estratosféricas. Com isso, a seqüencia lucrou quase o triplo internacionalmente: 220 milhões de dólares (lucro total, contando com os EUA, de 362 milhões).

É claro que ao olhar a lista das maiores bilheterias do ano é preciso levar em conta vários fatores e acho que isso pode ser bem ilustrado com a trajetória de Channing Tatum e Taylor Kitsch ao longo de 2012.

Channing Tatum: o all-american boy foi a estrela do ano
Channing Tatum foi considerado O homem de 2012 por ser um dos unicos nomes que, hoje em dia, é sinônimo de sucesso e de salas de cinema cheias. Seus três filmes esse ano foram considerados enormes sucessos, apesar de nenhum ser parte de uma franquia. Diferente, por exemplo, de Chris Hemworth em Os Vingadores ou Anne Hathaway em Batman, o nome Channing Tatum no pôster foi considerado um dos fatores vitais para o sucesso dos três filmes nos quais ele estrelou.

The Vow, um drama estilo Nicholas Sparks (que, veja só, não é de Nicholas Sparks), lucrou 196 milhões de dólares. Magic Mike, o filme sobre homens strippers que, além de estrelar, ele também produziu, arrecadou 166 milhões. E 21 Jump Street, uma comédia baseada na série policial de sucesso dos anos 80 (conhecida por ter lançado Johnny Depp ao estrelato), fez 201 milhão de dólares.

Os resultados desses filmes foram tão enormemente satisfatórios e a resposta do público tão positiva que Hollywood o viu como algo raríssimo hoje em dia: um nome que atraí pessoas (principalmente mulheres) para o cinema.

Um exemplo do poder dele é o caso da seqüencia do filme G.I. Joe, baseado nos bonecos de ação dos anos 80. Channing era um dos muitos atores do primeiro filme da saga, G.I. Joe Rise of the Cobra, lançado em 2009. O filme teve um lucro digno: 300 milhões de dólares em cima de um orçamento de 175 milhões. Não é um resultado espetacular porém é satisfatório o suficiente para o desenvolvimento de uma seqüencia.

A seqüencia, G.I. Joe Retaliation, foi filmada em 2011 com lançamento previsto para o verão americano desse ano. Contudo, o personagem de Channing morria logo no começo e, ao ver o enorme sucesso junto ao público dele ao longo de 2012, o lançamento foi adiado para 2013 e, ao custo de milhões de dólares, o roteiro foi reescrito e as gravações já finalizadas foram retomadas para aumentar -- e muito -- o papel do ator no filme. Isso ilustra bem o tamanho da crença dos chefões de Hollywood em Channing Tatum que o vêem como uma verdadeira galinha dos ovos de ouro.

Apesar disso tudo, o filme de maior bilheteria de Channing, 21 Jump Street, foi apenas o 30º filme mais visto do ano e o desempenho de seus sucessos parecem modestos comparado com os filmes estrelados por Taylor Kitsch: Battleship (Batalha Naval) lucrou 302 milhões de dólares enquanto John Carter fez 282 milhões. Ambos os filmes de Kitsch aparecem entre as 25 maiores bilheterias do ano.

Mesmo assim, Channing foi considerado a maior estrela do ano e vai colher os frutos e encher os bolsos ao longo de 2013 enquanto Taylor terá que carregar a estigma de ter estrelado duas das maiores bombas do ano.  Porque, apesar dos lucros maiores, as expectativas para os filmes de Kitsch eram MUITO maiores.

Os filmes de Channing custaram de 7 (Magic Mike) a 42 milhões de dólares para produzir. Nenhum deles foi vendido como um blockbuster ou com uma campanha na casa das centenas de milhões de dólares. Já os filmes de Taylor custaram 209 milhões de dólares (Battleship) e 250 milhões de dólares (John Carter). Os números dobram quando se leva em conta os gastos em promoção (por exemplo, ambos os filmes de Taylor foram anunciados durante o SuperBowl. Cada uma dessas inserções de 1 minuto custaram 6 milhões de dólares). E, enquanto os resultados foram bastante medíocres mundo afora, eles foram simplesmente PAVOROSOS (nível suicidio de CEO de estúdio) nos EUA, onde ambos empacaram na faixa dos 70 milhões de dólares (100 milhões de dólares sendo o MÍNIMO esperado para um blockbuster). A parada foi tão feia que o chairman da Disney, estúdio por de trás de John Carter, foi forçado a renunciar do seu posto um mês depois da estréia, tamanha foi a repercussão do fracasso (e o impacto nas ações da Disney).

John Carter: Billboards do filme tomam conta de Los Angeles mas não previnem um enorme fracasso
Então, é óbvio, existem vários fatores que classificam um filme como "sucesso" e "fracasso" além do lucro total. E o mais importante é a expectativa por de trás. Think Like A Man -- uma comédia produzida por 12 milhões de dólares, estrelando um elenco todo negro, baseado em um livro de auto-ajuda com o mesmo nome e que não foi distribuída internacionalmente -- lucrou 92 milhões de dólares nos EUA e foi considerado um gigantesco sucesso. The Best Exotic Martigold Hotel, comédia inglesa modesta gravada na India com Dev Patel (Slumdog Millionaire) e estrelando grandes atores veteranos britânicos como Judi Dench e Maggie Smith, lucrou 160 milhões e também foi considerado um sucesso espetacular. The Lucky One, drama baseado em um livro de Nicholas Sparks e estrelando Zac Efron, lucrou 92 milhões de dólares (74 milhões nos EUA) e foi considerado um resultado digno que, enquanto não enalteceu o poder de Zac (principalmente comparado com o resultado de The Vow com Channing), também não o prejudicou e provou o poder da marca Sparks. Por outro lado, The Dark Shadows (Sombras da Noite) lucrou 239 milhões de dólares e foi considerado um fracasso, não só pelo seu alto custo (150 milhões sem os custos de promoção) mas também pelos nomes envolvidos (direção de Tim Burton estrelando Johnny Depp).

Ainda na comparação com Tatum: Magic Mike lucrou 165 milhões de dólares e foi considerado um enorme sucesso, enaltecendo o poder de Channing. Mirror Mirror (Espelho Espelho Meu) lucrou 166 milhões e foi considerado um fracasso e uma prova de que o poder de Julia Roberts, estrela do filme, já não é mais o mesmo. A diferença, novamente,  está nas expectativas: Mike custou 7 milhões de dólares para produzir (isso é equivalente a 10 centavos em dinheiro de Hollywood), Mirror custou 85 milhões. E mais: com o poder internacional de Roberts, o filme teve uma distribuição internacional maciça que ajudou o filme a lucrar 101 milhões de dólares e mascarar os resultados medíocres no mercado mais importante, os EUA (65 milhões). Por outro lado, com Channing sendo relativamente desconhecido mundo afora e o tema relativamente tabu do filme (nudez masculina), Magic Mike teve uma distribuição internacional bem fraca mas teve um total bem alto graças ao enorme faturamento nos EUA (114 milhões).

Alias, ver a lista de maiores bilheterias nos mostra duas realidades contraditórias: o primeiro, é o poder do mercado mundial. Sucesso nos EUA é importante, mas sucesso mundo afora é cada vez mais, principalmente com o crescimento de mercados emergentes como a China, a Rússia e o Brasil. Temos diversos casos de filmes cujo desempenho foram decentes nos EUA mas magníficos no resto do mundo e isso fez toda a diferença (Intouchables; A Era do Gelo 4).

Por outro lado, como a sede da cultura pop global, o mercado americano ainda é vital para make it or break it o sucesso dos filmes e dos atores. Julia Roberts ainda consegue resultados satisfatórios mundo afora porém, nos EUA, ela é considerada coisa do passado. Resultado: Roberts é coisa do passado. Ao mesmo tempo, Channing Tatum é uma estrela em ascensão nos EUA e amado pelo público local enquanto, no resto do mundo, ele ainda é relativamente desconhecido. Resultado: Channing é o futuro.

Mesmo antes de John Carter ter sua estréia internacional, o filme já tinha sido considerado um fracasso astronômico com seu resultado nos EUA. Exatamente para evitar isso, Battleship estreou com meses de antecedência mundo afora e, apesar de resultados bastante dignos e mais de 210 milhões de dólares arrecadados, o resultado horroroso nos EUA ofuscou isso e colocou a estigma de FRACASSO no filme.

E, bom, enquanto a ciência por de trás disso é discutível, não tem como negar que o comportamento do público americano é, muitas vezes, um sintoma de que, logo logo, o mundo vai seguir na mesma onda.

2012: Os ganhadores
O filme de 2012: o francês Intouchables; seguido de Os Vingadores.
A franquia que vai carregar Hollywood nas costas: Jogos Vorazes.
A franquia que vai deixar saudades: Crepúsculo.
O ator: Channing Tatum. Em um distante segundo lugar, Ben Affleck que agora é um diretor que estrela seus próprios filmes e todos até o momento foram sucessos de público e crítica (Argo; 160 milhões de dólares).
A atriz: Anne Hathaway. Ela provavelmente vai ganhar o Oscar 2013 com o seu papel no Les Miserables e abocanhou o papel de Mulher Gato no último filme do Batman, personagem bem disputado. Anne não estrelou nenhum filme que foi gigantesco por causa dela e teve seu fair share de fracasso de crítica nos últimos anos (a apresentação no Oscar; Love and Other Drugs) mas ela sempre se saí bem. Em segundo lugar, Jennifer Lawrence, que mal começou e já foi indicada a um Oscar e estrela a maior franquia do momento (Jogos Vorazes). E, em terceiro, Emma Stone, a queridinha do momento.
Melhor transição: Emma Watson. Este ano, ela estrelou o elogiado The Perks of Being a Wallflower, baseado no livro cult sobre amizade e high school. Acaba de filmar o próximo filme de Sofia Coppola e será uma das estrelas nos próximos projetos de Darren Aronofsky (Black Swan; Requiem for a Dream) e Guillermo del Toro (O Labirinto de Fauno).
O insider vencedor: Harvey Weinstein. Dominou o Oscar e os filmes queridinhos dos críticos em 2012 e provavelmente continuará dominando em 2013.
Queridos dos críticos e do público: Argo, estrelando e dirigido por Ben Affleck, com 95% de aprovação crítica e 150 milhões de dólares arrecadados até o momento; Moonrise Kingdom, dirigido por Wes Anderson e estrelando grande elenco com Edward Norton, Tilda Swinton e Bruce Willis, com 94% de aprovação crítica e 65 milhões de dólares arrecadados.

2012: os perdedores
O fracasso de 2012: John Carter.
Outros fracassos: Cloud Atlas com Tom Hanks e Halle Berry; Battleship com Taylor Kitsch, Liam Neeson, Rihanna e Brookylin Decker; Abraham Lincoln Vampire Killer; Rock of Ages com Tom Cruise, Alec Baldwin, Mary J Blige, Russel Brand, Diego Boneta e Julianne Hough.
Tentativa de franquia fracassada: John Carter; Battleship.
O pepino: O romance de Kristen Stewart e Rupert Sanders atrapalhando a pré-produção da sequencia de Snow White & the Huntsman
A tragédia:
Literalmente: o tiroteio em Colorado na sessão de meia-noite de The Dark Knight Rises
O loser: Taylor Kitsch, estrela das duas maiores bombas do ano. Além disso, Tim Burton também teve um péssimo ano. Além do fracasso de Sombras da Noite e do animado Frankieweenie, ele ainda foi um dos produtores de Lincoln Vampire Killer.
A loser: Nenhuma na mesma magnitude de Taylor Kitsch, vamos ser sinceros. (Pobre Taylor)
Pior transição: Taylor Lautner. Com o sucesso de Crepúsculo, ele era o ator jovem mais disputado do mundo e tudo parecia estar conspirando para ele se transformar na próxima grande estrela de ação, com franchises como Max Steel e Stretch Armstrong. Ambos os filmes não foram para a frente. Com um salário altíssimo, ele fez seu grande debut solo com Abduction que foi um fracasso de público e de crítica. Tentativa de estrela de ação fracassado, it's back to the drawing board para Taylor. Por sorte, ele ainda teve o último Crepúsculo esse ano que manteve sua popularidade em alta enquanto busca outros filmes.
O insider perdedor: Tim Burton. O pobre teve um péssimo ano. Além de Dark Shadows, mostrando que suas parcerias com Johnny Depp já estão mostrando sinais de desgaste, ele também foi ignorado com seu filme animado Frankieweenie e ele ainda foi um dos idealizadores e produtores do fracasso que foi Lincoln Vampire Killer.
Odiado pela crítica e pelo público: The Watch, com apenas 16% de críticas posítivas no Rotten Tomatoes e 68 milhões de dólares arrecadados a nível global (com um custo de produção -- sem a promoção -- de 69 milhões). O filme -- estrelado pelos pesos pesados da comédia Ben Stiller, Vince Vaughn e Jonah Hill -- já dava sinais de que seria um desastre quando, no começo do ano, quando sua promoção já tinha sido iniciado, ele teve que mudar o nome as pressas (era originalmente Neighborhood Watch) pelo caso Trayvon Martin.

Na próxima parte: Os fenômenos de bilheteria que você nunca ouviu falar

Notas: Obviamente, o ano ainda não acabou e com o período de fim de ano chegando -- um dos mais lucrativos -- ainda temos alguns enormes lançamentos que irão modificar um pouco a lista.

O primeiro deles, é claro, é O Hobbit. A prequel de O Senhor dos Anéis -- que, em sua época, quebrou tudo quanto é recorde de bilheteria -- estréia essa sexta-feira e com certeza irá rapidamente figurar entre as dez maiores bilheterias.

Depois, temos Les Miserables e Django Unchained

O primeiro é baseado no gigantesco musical da West-End e dirigido por Tom Hoopper, responsável pelo grande vencedor do Oscar desse ano, The King Speech (O Discurso do Rei).  O filme conta com um grande elenco encabeçado por Russel Crowe, Hugh Jackman, Anne Hathaway e Amanda Seyfried e também conta com participações de Sascha Baron Cohen e Helena Bonham-Carter.

Já o segundo é um filme Tarantino e todo mundo sabe que todo mundo ama filmes do Tarantino. O elenco é encabeçado por Kerry Washington; Jamie Foxx; Leonardo DiCaprio; Samuel L Jackson e Christopher Waltz.

Ah, ambos são produzidos por Harvey Weinstein e, como já mencionei lá em cima, todo mundo sabe o que isso significa: Oscar-ahoy. O mais óbvio de todos é Melhor Atriz para Anne Hathaway.

Além desses três,  ainda temos Wreck It Ralph (Destrói Ralph), o novo filme da Pixar que já estreou nos EUA porém ainda não estreou internacionalmente e Jack Reacher, o novo starring vehicle de Tom Cruise que, sinceramente, acho que não vai incomodar o top 20 mas nunca se sabe, né...

De qualquer maneira, planejo editar esse post depois para refletir essas mudanças.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Ta Causando no Reino Unido: The Power of Love


Todo fim de ano no Reino Unido, o comercial da loja de departamento John Lewis gera enorme repercussão. Todos esperam ansiosamente pelo anuncio e a subseqüente discussão sobre o mesmo: alguns choram, outros acham o do ano passado melhor, outros não entendem o hype e assim por diante.

Esse ano não foi diferente: o comercial que mostra a jornada de amor de dois bonecos de neve é o comercial mais comentado do período festivo. E, mostrando o poder multimídia do anuncio, a musica que embala a história de amor, The Power of Love, um cover da canção do Frankie Goes to Hollywood feito pela novata Gabriella Alpin, alcançou o primeiro lugar das paradas no Reino Unido graças somente a exposição no filme publicitário. A música já vendeu 220 mil unidades no país e barrou Locked Out of Heaven de Bruno Mars de ocupar o topo dos charts de single na semana passada.

A John Lewis tem todo um histórico de emplacar as músicas usadas em seus comerciais -- tanto as cantadas por nomes de peso quanto por novatos -- nas paradas de single britânicas. O maior hit de todos foi a versão de Ellie Goulding, super em voga na época, de Your Song do Elton John que embalou o anuncio festivo de 2010 e vendeu 700 mil unidades. A versão, alias, era a favorita de Kate Middleton, que chamou Ellie para cantá-la na festa de casamento dela com o Principe William. 

Ellie não foi a unica cantora famosa a emprestar sua voz para os anúncios. Esse ano, a bem sucedida musica local Paloma Faith versionou o sucesso do INXS Never Tear Us Apart para um anúncio exibido durante o outono. A versão vendeu 115 mil e ajudou com que o CD recente da cantora, Fall to Grace, ultrapassasse as 300 mil unidades e recebesse Disco de Platina.

Apesar de ocasionalmente usar nome famosos, a rede de varejo opta geralmente por nomes desconhecidos.

Em 2009, a John Lewis obteve o primeiro hit com a versão de Sweet Child O' Mine feita pelo grupo Taken by Trees e usada no comercial natalino daquele ano. A música vendeu 70 mil unidades. Em 2010, Fyfe Dangerfield alcançou o top 10 e vendeu 230 mil unidades de seu cover do sucesso de Billy Joel, Always A Woman, graças ao comercial outonal da marca que, alias, virou post aqui na época. Já  a faixa original do grupo Slow Moving Millie, Let's Get What I Want, vendeu 100 mil unidades, pegando carona com o elogiado anuncio natalino do ano passado.

Mas a John Lewis não é a unica marca a obter grandes hits graças a seus comerciais. Charlene Soraia obteve um top 10 hit com seu cover de Wherever You Will Go do The Calling graças a um comercial de chá Twinnings no ano passado.

Já com seu divertido divertido rap -- exibidos milhares de vezes durante o X Factor em 2010 -- a marca de iogurte orgânica Yeo Valley, antes pouco conhecida, virou líder em market share no país.

Ah, uma coisa, em referência a esses comerciais natalinos da John Lewis: eles podem ser fofos. Mas eles podem ser ridículos. Para uma visão divertida de quão bobo o hype que os anúncios de fim de ano causam eu recomendo esse divertidissimo artigo do Guardian.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Tamar Braxton no topo do iTunes: como isso aconteceu?


Por toda a paixão e sucesso que trashy reality television tem gerado nos EUA, o gênero não é exatamente conhecido por lançar estrelas em ramos de respeito -- atuação, canto, etc. (com a exceção, óbvio, dos de talento como Idol). Por isso, ao fazer meu check diário do iTunes estado-unidense, eu tomei um susto ao ver o primeiro lugar: Tamar Braxton.

De onde? Porque? Eu tento ser completamente antenado em tudo e nunca tinha notado absolutamente nenhum burburinho a respeito da música ou de Tamar.

Versão resumida (e injusta): a canção alcançou o topo graças a Lady Gaga.

Versão longa: Tamar é irmã de Toni Braxton, a superstar do R&B americano dos anos 90 que, depois de um período de prosperidade, caiu no esquecimento e não conseguiu emplacar nenhum hit. Toda cheia de débitos, ela fez o que qualquer former estrela em busca de dinheiro fácil faz: resolveu estrelar o seu próprio reality show.

Braxton Family Value estrelava Toni junto com suas irmãs -- Traci, Towanda e Tamar (esses nomes são muito bons gente) -- e mãe, Evelyn, e foi ao ar no WeTV, um canal direcionado a mulheres relativamente pequeno. Rapidamente, o programa das Braxton virou o maior sucesso do canal.

Mas o WEtv, como eu já disse, é um canal que, apesar de veterano (15 anos no ar) e alguns hits (Bridezillas, mais notavelmente), nunca virou uma household brand. Enquanto as Kardashians alcançam 3 milhões para o E!, as Housewives chegam aos 5 milhões no Bravo e, em seus dias dourados, Jersey Shore alcançava 7 milhões para a MTV, bastou 900 mil pessoas para as Braxton viraram o maior hit do WE.

Em todo o caso, Braxton Family Values foi um sucesso e a WE fez o que qualquer canal a cabo americano faz quando emplaca um reality hit: começou a desenvolver um spin-off. E assim nasceu Tamar & Vince, acompanhando o casamento da moça com o bem-sucedido produtor Vincent Herbert.

Bom, como vocês podem ver, a moça tem uma carreira televisiva bastante respeitável e relativamente bem-sucedida. Mas isso não garante uma posição no top 100 do iTunes, muito menos no Top 10. Alcançar o topo -- algo que muitos A-listers não conseguem -- é algo ainda mais raro.

Mas Tamar lançou sua primeira música, Love and War, e contra absolutamente todas as expectativas a canção alcançou o top 10 e depois o top 5 e rapidamente ela estava em segundo lugar.

E foi ai que Lady Gaga entrou na história: as duas são amississimas e Vince, o marido dela, foi um dos responsáveis por Gaga assinar com a Interscope. Por isso, a cantora não hesitou em promover o lançamento para seus 32 milhões de seguidores:

K I NEVER PROMOTE ARTISTS but if u want your mind blown check "Love & War" She's Toni Braxton sister + her voice is BEYOND

MYSELF AND have been the best of friends since her husband Vincent discovered + signed me when I was 20. SHE IS INCREDIBLE

Buy "Love And War" It would mean a lot to me monsters if u would support her. Its her turn to shine. #2 on iTunes!!

E assim, a música alcançou o topo.

Mas vamos colocar as coisas em perspectiva: sem nenhuma promoção além de um reality show razoavelmente bem-sucedido,  a música alcançou a segunda posição no iTunes estado-unidense, a maior loja digital do planeta.

Alias, vamos deixar uma coisa clara: o fato é ainda mais chocante quando se leva em conta que é um R&B. Muitos dos maiores vendedores do gênero -- Mary J Blige, Trey Songz e até Usher -- tem enorme dificuldade de emplacar singles no topo do iTunes (a não ser com músicas dance como OMG do Usher ou Bottoms Up de Trey).

E Gaga é famosa e popular mas, né? Ela não conseguiu emplacar muitas das suas próprias músicas (Marry the Night? You & I?), não é um tweet que fez com que Love & War atingisse o topo.

Minhas considerações sobre a música: completamente diferente de tudo que tá estourando no momento, uma balada R&B bem tradicional com vozeirão e gritaria. Eu gostei bastante. Agora, se ela vai conseguir manter o momentum é algo que teremos que julgar com o tempo.

Enquanto isso, a música também está escalando o iTunes do Reino Unido. Vamos ver o quão longe ela vai chegar ou se, assim como a carreira de Toni, vai empacar depois de alguns minutos.

E falando em músicas de sucesso, se vocês lêem o blog, vocês sabem que eu não gosto de me vangloriar (ha. Se vocês realmente lêem o blog, vcs sabem que o que eu acabei de escrever é uma mentira) mas ó: orgulho de 2012 foi escrever sobre Call Me Maybe e Somebody That I Used to Know antes delas explodirem globalmente.

Quem sou eu