Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Summer releases: Eminem passa com louvor no teste do tempo. Christina, por sua vez...

Faz dois meses, eu fiz um post mapeando todos os grandes lançamentos da temporada de verão. E, agora, com muitos desses lançamentos já nas lojas faz algum tempo, está na hora de fazer um follow-up.



Eminem é um dos maiores ícones da história do rap. Mas, apesar de seu track record impressionante, as vendas de seu novo CD tem surpreendido até os analistas mais otimistas.

Ano passado, o rapper lançou seu primeiro álbum após um hiato de cinco anos. Crack a Bottle, o primeiro single depois de todo esse tempo, estreou com vendas recordes (mais de 418 mil cópias em uma semana nos EUA), provando que o público realmente sentiu falta de Marshall e que a expectativa para seu retorno era gigantesca. Porém, apesar da música ter ficado longe de ser um fracasso, suas vendas foram extremamente frontloaded. Ou seja, altíssima na semana inícial seguido de uma rápida queda.

O álbum, Relapse, seguiu a mesma linha: vendas altíssimas na primeira semana, 608 mil cópias, e um total extremamente digno mas não tão absurdamente alto: 1.8 milhões (vendas referentes apenas aos EUA). É importante destacar que esse número foi o suficiente para fazer do CD -- que alcançou o topo das paradas em 11 países -- o lançamento de rap mais vendido do ano, algo extremamente impressionante para Eminem, no mercado faz mais de 10 anos.

Mesmo assim, a recepção foi morna. As vendas, é claro, foram satisfatórias mas as críticas não tanto: muitos acusaram o rapper de estar preso em 2002. Sim, raps blases zombando as celebridades da moda eram divertidos naquela época. Hoje em dia, porém, eles soam antiquados. O próprio intérprete não se mostrou muito satisfeito com o material, afirmando que poderia fazer muito melhor. Por mais que as vendas tenham sido bastante dignas, a repercussão passou bem longe de ser o que o rapper estava acostumado com seus lançamentos anteriores, com o CD passando despercebido por aqueles que não eram grandes fãs (Eminem tem a "sorte" de ter uma fanbase extremamente dedicada, na casa dos milhões).

Porém, se com um CD que todos concordam ser medíocre, Em conseguiu vendas altas, imagine o que ele conquistaria com um álbum verdadeiramente bom.

O próprio rapper foi o primeiro em se dar conta disso. Ele descartou todas as músicas que ele tinha preparado para o seu novo CD -- que originalmente seria um volume 2 de Relapse -- e começou tudo do zero.

Em menos de um ano, Recovery estava pronto.

O primeiro single, Not Afraid, lançado em abril, seguiu o padrão do CD anterior: vendas altíssimas na primeira semana (o suficiente para que ele alcançasse seu terceiro número 1 no Hot 100 estado-unidense) e uma rápida queda. Mas a música já dava um gostinho do que estava por vir: Em tinha deixado seu estilo escrachado de lado e parecia estar seguindo novos rumos.




Recovery vazou na internet duas semanas antes de chegar as lojas. E, embora isso provavelmente tenha deixado os executivos da gravadora desesperados, eles puderam se tranquilizar um pouco ao ver que a recepção foi extremamente calorosa: todos concordaram que o novo material do rapper de Detroit era extremamente sólido.

Provando que a fanbase de Eminem é extremamente dedicada, o vazamento do CD não afetou as vendas. Em sua primeira semana nas lojas estado-unidenses, Recovery vendeu 741 mil cópias, 133 mil a mais do que o CD anterior. Em sua terceira semana, o álbum já tinha ultrapassado 1.4 milhões de unidades vendidas na Terra do Tio Sam (como comparação, Relapse ultrapassou 1.3 milhões em sua oitava semana).

O CD também estreou no topo em outros 12 países e, em três semanas, ele não só obteve certificação de platina nos EUA como também na Grã-Bretanha, na Austrália, na Nova Zelândia e no Canadá.

O álbum foi impulsiando pelo sucesso da música Love the Way You Lie, uma colaboração com a cantora pop Rihanna. Apesar de não ter sido oficialmente anunciada como um single e ter tido pouco airplay nas rádios, o público se apaixonou pela canção e ela foi direto o topo do iTunes nos EUA, na Grã-Bretanha e na Austrália na semana de lançamento do CD.

Tendo alcançado o topo das paradas com enorme facilidade (três semanas no topo nos EUA até o momento, 1 mês na Austrália), um clipe foi gravado as pressas. O vídeo musical, que além de Eminem e Rihanna, tem a participação da mega estrela Megan Fox e de Dominic Monoghan (de Lost), acaba de estrear (eu achei excelente, assim como a música).



Recovery é um fortíssimo candidato ao posto de CD mais vendido do ano nos EUA (e, provavelmente, em todo o mundo). Em apenas três semanas, ele já está na terceira posição na lista, atrás apenas de Justin Bieber (em segundo, com My World vol. 2) e o trio country Lady Antebellum. Semana após semana, as vendas do CD continuam extremamente fortes, indicando que Eminem não precisará suar muito para passar Biebs e os interpretes de Need You Now. Caso ele consiga isso, será a quarta vez que ele ocupa o primeiro lugar na lista anual (algo bem impressionante para alguém que só tem sete CDs). Na Grã-Bretanha, o álbum dele também é um forte candidato para ocupar o pódio anual.



Em outro lado do spectrum, outra grande estrela da década passada, Christina Aguilera, está amargurando um gigantesco fracasso com seu quarto álbum.

Christina e Eminem fazem parte da mesma "geração": ambos explodiram em 1999, tiveram vários hits ao longo da década e um caminho extremamente entrelaçado: ela, junto com Britney Spears, sempre foi uma das vítimas dos raps escrachados de Eminem e nunca escondeu o desdém que ela sentia pelo rapper.

O quarto álbum de Aguilera, Bionic, era um dos grandes lançamentos do verão. Sua gravadora não economizou na hora de promovê-la: outdoors por Nova York, aparições em todos os programas mais high profiles da televisão (Oprah, final de American Idol, premiações da MTV), etc.

Mas o alarme começou a soar depois do gigantesco fracasso que foi o lead single, Not Myself Tonight.

Isso é um problema muito grande porque um single em constante rotação na rádio é a maneira mais efetiva de promover o CD. E a música de Christina estava recebendo quase nenhum airplay.

Para tentar contornar isso, foi lançado Woohoo, uma música que continha vocais da artista do momento, Nicki Minaj. A canção também não empolgou e planos de gravar um vídeo foram cancelados.

A terceira tentativa foi uma balada, uma boa saída para uma artista conhecida por seus dotes vocais. Aguilera cantou You Lost Me na final de American Idol (um dos programas com as audiências mais altas dos EUA). A resposta foi novamente morna e, sem nenhum hit para promover, só restou a ela fazer um medley de várias canções no MTV Movie Awards (Bionic, Not Myself Tonight, Woohoo).



Ninguém ficou surpreso quando o álbum estreou com vendas bastante fracas: 120 mil cópias. Mas o pior ainda estava para acontecer: em sua segunda semana, o álbum caíu para o nono lugar e, na terceira, ele já estava fora do top 20.

A gravadora de Aguilera não parece ter desistido do CD -- um vídeo para You Lost Me já está no ar -- mas o público parece ter moved on da artista que, diferente de Britney Spears e Eminem, parece ter perdido completamente a relevancia para a geração atual.

Christina ainda tem outro projeto para promover esse ano: Burlesque, seu primeiro longa metragem. O filme conta com pesos pesados como Cher e Stanley Tucci mas se a cantora não consegue mais vender CD, eu acho díficil ela conseguir levar o público para as salas de cinema.

Enquanto Eminem continua no topo e Aguilera amarga um fracasso, outro artista que foi um grande sucesso no começo da década passada, Enrique Iglesias, está tendo mixed results.



Iglesias emplacou muitos sucessos nas Américas e na Europa. Bailamos e a balada Hero alcançaram o topo de paradas em todo o universo. Mas, depois de um CD em 2003, Iglesias passou um tempo fora do holofote e só voltou quatro anos depois com Insomniac.

Enrique não é nenhum Eminem. O tempo fora do holofote fez com que ele perdesse um pouco do brilho e que grande parte do público esquecesse de sua existência. Mas o filho de Julio provou que, sim, ele tinha um público considerável, mesmo depois de todos esses anos, principalmente na Europa, onde seus singles novos venderam excepcionalmente bem (Do You Know? alcançou o top 10 em todos os principais mercados europeus e Tired of Being Sorry foi um gigantesco sucesso na França).



Depois de testar as águas, Enrique volta com força com Euphoria, seu primeiro CD bilíngue. I Like It, o primeiro single em inglês, foi produzido por Red One (que, graças a sua colaboração com Gaga, é um dos produtores do momento), e continha samples de Lionel Richel e participação do rapper hispano Pitbull. Ironicamente, a maior parte do mercado europeu -- que apoiou o CD anterior do cantor -- ignorou solenemente a nova música (com exceção da Grã-Bretanha, onde a música alcançou o quarto lugar) mas o single foi um gigantesco sucesso na Austrália (segundo lugar) e nos EUA (sexto lugar. Primeiro single do cantor a penetrar o top 10 estado-unidense em nove anos, desde Hero).

Algo que definitivamente ajudou Iglesias nos EUA foi o uso da música na promoção da segunda temporada de Jersey Shore, o grande fenômeno pop dos EUA no momento.

O sucesso de I Like It foi grande mas não tanto quanto o de Cuando Me Enamoro, um dueto com Juan Luis Guerra que serviu como o primeiro single para os mercados de língua hispana. A música foi direto para o primeiro lugar em todos os países que falam espanhol e está em rotação constante do México a Argentina (e na Espanha também, claro).



Enquanto os singles tem gozado de gigantesca popularidade, o CD tem tido vendas mornas.

Mas Enrique, quem diria, parece ter passado na prova do tempo com mais louvor do que Christina Aguilera.

Next: Katy Perry, Drake, Taylor Swift, Miley e Selena.

sábado, 17 de julho de 2010

Robbie Williams volta ao Take That: minha opinião


Eu sou um gigantesco fã de cultura pop. Mas se tem uma coisa que eu não curto é boybands. Don’t get me wrong, eu posso até gostar de uma música ou outra dos N Sync ou do JLS mas boybands em geral me repugnam. Eu odeio a idéia, odeio a imagem, odeio os empresários sketchy e pedófilos por detrás.

Então, foi uma surpresa — pra mim mesmo — acabar como o maior stan do planeta terra do Take That. Como isso aconteceu?

Eu já tinha ouvido falar deles, é claro. Afinal, todo mundo sabe que o Robbie Williams, o maior cantor pop da decada passada, tinha feito parte do grupo.

Eu lembro quando eles anunciaram o retorno. Eu lembro da reação eufórica na Grã-Bretanha. Eu lembro que eu fiquei meio irritado: urgh, porque diabos esse bando de has-been do inicio dos anos 90 estão quebrando recordes? E porque eles estão ofuscando o retorno da única pop band que importa, as Spice Girls? Eu lembro de ir no Youtube ouvir Patience e Shine e não ficar nem um pouco impressionado.

Daí, depois de uns 3 anos com eles no topo, inclusive superando as vendas deles nos anos 90 e sendo elogiados nonstop por todos, eu resolvi set the record straight e ir conferir qual era da hype. Ao invés de tentar de novo ouvir as músicas, eu resolvi ir ver o DVD da turnê Beautiful World. Quando as 2 horas de show acabaram, eu estava completamente impressionado.

Chamar eles de boyband é injusto. Eles totalmente transcederam esse rótulo. Eles são pop royalty e todo mundo, do Chris Martin até o Paul McCartney, os admira. Eles escrevem e compõe as próprias canções, eles cantam e dançam muito bem, eles se mantiveram em super forma ao longo dos anos, as músicas deles são pop da maior qualidade, as vozes são muito boas, etc. etc. etc.

Então a grande notícia da semana para mim foi o fato do Robbie Williams ter voltado para a banda.

E eu não gostei nem um pouco.

Primeiro que parece oportunista. Para quem não sabe, Robbie saíu da banda em 1994, dois anos antes da banda encerrar as atividades oficialmente (ainda no topo, alias) e, depois, se transformou no maior cantor pop do planeta. Ele quebrou recordes de venda na Europa e conquistou mercados que o Take That nunca conseguiu penetrar: Argentina, Mexico, Africa do Sul. O único lugar que Robbie não explodiu — e ele diz que foi por decisão própria (e, por mais que eu o odeie, eu acredito) — foi os EUA.

Durante todo esse tempo, ele nunca parou de jogar sal na ferida dos outros quatro membros do Take That, que nunca conseguiram emplacar carreira solo. Ele riu da cara deles, ele repetiu inumeraveis vezes que sair da banda foi a melhor decisão da vida dele, etc.

Depois de uma decada falando mal da banda, o primeiro passo de reaproximação foi dado em 2005 quando Robbie aceitou aparecer num especial de televisão que anunciaria o retorno, depois de quase 10 anos, do Take That. Apesar de, no especial, os quatro membros se reunirem pela primeira vez desde a separação, Robbie não foi ao encontro de seus bandmates. Ele apareceu, porém, via gravação pedindo desculpas.

Após o especial, a briga entre a banda e ele pareceu se acalmar. O Take That voltou mais fortes do que nunca, quebrando todos os recordes (inclusive os de Robbie). Já Williams foi para rehab e passou anos fora do holofote.

Finalmente, em 2009, Robbie voltou a ativa com um novo CD, Reality Killed the Video Star. E, apesar de vendas altas (afinal, o nome dele já é o suficiente para vender MUITO), ele não conseguiu superar o sucesso do Take That que, no mesmo ano, tinha vendido 2 milhões de cópias de seu álbum e embarcado na turnê mais bem sucedida da história da Grã-Bretanha.

O star power de Robbie Williams estava diminuindo. No Reino Unido, Robbie — antes uma das celebridades mais amadas e discutidas — estava se tornando cada vez mais irrelevante. Aparições em todos os programas mais vistos do país (inclusive na final do The X Factor, que catapulta as vendas de QUALQUER pessoa), homenagem no BRIT Awards, promoções em tudo quanto é canto não foram o suficiente para fazer com que o CD dele ultrapassasse 1 milhão de cópias na Grã-Bretanha. Sim, ele continuava um dos artistas de maior sucesso. Mas ele não estava mais no topo.

Então me pareceu completamente oportunista a volta de Robbie para o Take That. Agora, de novo, a imprensa está enlouquecida com ele. Mas os outros quatro membros NÃO PRECISAVAM DISSO. Sim, eles vão ganhar MUITO dinheiro. Mas ele JÁ TINHAM muito dinheiro. Eles JÁ TINHAM a turnê mais bem sucedida de todos os tempos da Grã-Bretanha. Eles, como um quarteto no século 21, tinham ultrapassado a popularidade avassaladora deles no começo dos anos 90, como um five-piece.

É claro que todo mundo sabia que essa reunião estava por vir: Robbie já tinha sido fotografado saindo de um estudio em NY onde os outros quatro estavam gravando. No fim do ano passado, os cinco apareceram juntos pela primeira vez cantando Hey Jude com o Paul McCartney num programa de caridade da BBC. Faz um mês, Robbie anunciou que lançaria um dueto, Shame, com Gary Barlow, o líder do Take That, com quem ele havía tido uma briga ferrenha.

Mas enfim, mesmo sabendo que ela estava por vir, a notícia não me empolgou nem um pouco.

O que me empolgou — e muito — foi o fato deles estarem lançando novo material. Então eu vou relevar a presença do Robbie e vou torcer para que tudo de certo.

O que me preocupa, francamente, é a dinâmica deles — perfeita — ser abalada pela presença de Williams. Além disso, conseguir ingresso para a nova turnê deles vai ser impossível. Quer dizer, impossível sempre foi. Agora, com a presença de Robbie, vai ser MUITO mais que impossível. Oh well, I’ll do what I have to do.

LANÇEM LOGO O NOVO SINGLE E AS DATAS DA TURNÊ SEUS ESCROTOS.

Quem sou eu