Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Summer releases: Drake e Katy Perry bombam
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Summer releases: Eminem passa com louvor no teste do tempo. Christina, por sua vez...
Ano passado, o rapper lançou seu primeiro álbum após um hiato de cinco anos. Crack a Bottle, o primeiro single depois de todo esse tempo, estreou com vendas recordes (mais de 418 mil cópias em uma semana nos EUA), provando que o público realmente sentiu falta de Marshall e que a expectativa para seu retorno era gigantesca. Porém, apesar da música ter ficado longe de ser um fracasso, suas vendas foram extremamente frontloaded. Ou seja, altíssima na semana inícial seguido de uma rápida queda.
O álbum, Relapse, seguiu a mesma linha: vendas altíssimas na primeira semana, 608 mil cópias, e um total extremamente digno mas não tão absurdamente alto: 1.8 milhões (vendas referentes apenas aos EUA). É importante destacar que esse número foi o suficiente para fazer do CD -- que alcançou o topo das paradas em 11 países -- o lançamento de rap mais vendido do ano, algo extremamente impressionante para Eminem, no mercado faz mais de 10 anos.
Mesmo assim, a recepção foi morna. As vendas, é claro, foram satisfatórias mas as críticas não tanto: muitos acusaram o rapper de estar preso em 2002. Sim, raps blases zombando as celebridades da moda eram divertidos naquela época. Hoje em dia, porém, eles soam antiquados. O próprio intérprete não se mostrou muito satisfeito com o material, afirmando que poderia fazer muito melhor. Por mais que as vendas tenham sido bastante dignas, a repercussão passou bem longe de ser o que o rapper estava acostumado com seus lançamentos anteriores, com o CD passando despercebido por aqueles que não eram grandes fãs (Eminem tem a "sorte" de ter uma fanbase extremamente dedicada, na casa dos milhões).
Porém, se com um CD que todos concordam ser medíocre, Em conseguiu vendas altas, imagine o que ele conquistaria com um álbum verdadeiramente bom.
O próprio rapper foi o primeiro em se dar conta disso. Ele descartou todas as músicas que ele tinha preparado para o seu novo CD -- que originalmente seria um volume 2 de Relapse -- e começou tudo do zero.
Em menos de um ano, Recovery estava pronto.
O primeiro single, Not Afraid, lançado em abril, seguiu o padrão do CD anterior: vendas altíssimas na primeira semana (o suficiente para que ele alcançasse seu terceiro número 1 no Hot 100 estado-unidense) e uma rápida queda. Mas a música já dava um gostinho do que estava por vir: Em tinha deixado seu estilo escrachado de lado e parecia estar seguindo novos rumos.
Recovery vazou na internet duas semanas antes de chegar as lojas. E, embora isso provavelmente tenha deixado os executivos da gravadora desesperados, eles puderam se tranquilizar um pouco ao ver que a recepção foi extremamente calorosa: todos concordaram que o novo material do rapper de Detroit era extremamente sólido.
Provando que a fanbase de Eminem é extremamente dedicada, o vazamento do CD não afetou as vendas. Em sua primeira semana nas lojas estado-unidenses, Recovery vendeu 741 mil cópias, 133 mil a mais do que o CD anterior. Em sua terceira semana, o álbum já tinha ultrapassado 1.4 milhões de unidades vendidas na Terra do Tio Sam (como comparação, Relapse ultrapassou 1.3 milhões em sua oitava semana).
O CD também estreou no topo em outros 12 países e, em três semanas, ele não só obteve certificação de platina nos EUA como também na Grã-Bretanha, na Austrália, na Nova Zelândia e no Canadá.
O álbum foi impulsiando pelo sucesso da música Love the Way You Lie, uma colaboração com a cantora pop Rihanna. Apesar de não ter sido oficialmente anunciada como um single e ter tido pouco airplay nas rádios, o público se apaixonou pela canção e ela foi direto o topo do iTunes nos EUA, na Grã-Bretanha e na Austrália na semana de lançamento do CD.
Tendo alcançado o topo das paradas com enorme facilidade (três semanas no topo nos EUA até o momento, 1 mês na Austrália), um clipe foi gravado as pressas. O vídeo musical, que além de Eminem e Rihanna, tem a participação da mega estrela Megan Fox e de Dominic Monoghan (de Lost), acaba de estrear (eu achei excelente, assim como a música).
Recovery é um fortíssimo candidato ao posto de CD mais vendido do ano nos EUA (e, provavelmente, em todo o mundo). Em apenas três semanas, ele já está na terceira posição na lista, atrás apenas de Justin Bieber (em segundo, com My World vol. 2) e o trio country Lady Antebellum. Semana após semana, as vendas do CD continuam extremamente fortes, indicando que Eminem não precisará suar muito para passar Biebs e os interpretes de Need You Now. Caso ele consiga isso, será a quarta vez que ele ocupa o primeiro lugar na lista anual (algo bem impressionante para alguém que só tem sete CDs). Na Grã-Bretanha, o álbum dele também é um forte candidato para ocupar o pódio anual.
Em outro lado do spectrum, outra grande estrela da década passada, Christina Aguilera, está amargurando um gigantesco fracasso com seu quarto álbum.
O quarto álbum de Aguilera, Bionic, era um dos grandes lançamentos do verão. Sua gravadora não economizou na hora de promovê-la: outdoors por Nova York, aparições em todos os programas mais high profiles da televisão (Oprah, final de American Idol, premiações da MTV), etc.
Mas o alarme começou a soar depois do gigantesco fracasso que foi o lead single, Not Myself Tonight.
Isso é um problema muito grande porque um single em constante rotação na rádio é a maneira mais efetiva de promover o CD. E a música de Christina estava recebendo quase nenhum airplay.
Para tentar contornar isso, foi lançado Woohoo, uma música que continha vocais da artista do momento, Nicki Minaj. A canção também não empolgou e planos de gravar um vídeo foram cancelados.
A terceira tentativa foi uma balada, uma boa saída para uma artista conhecida por seus dotes vocais. Aguilera cantou You Lost Me na final de American Idol (um dos programas com as audiências mais altas dos EUA). A resposta foi novamente morna e, sem nenhum hit para promover, só restou a ela fazer um medley de várias canções no MTV Movie Awards (Bionic, Not Myself Tonight, Woohoo).
Ninguém ficou surpreso quando o álbum estreou com vendas bastante fracas: 120 mil cópias. Mas o pior ainda estava para acontecer: em sua segunda semana, o álbum caíu para o nono lugar e, na terceira, ele já estava fora do top 20.
A gravadora de Aguilera não parece ter desistido do CD -- um vídeo para You Lost Me já está no ar -- mas o público parece ter moved on da artista que, diferente de Britney Spears e Eminem, parece ter perdido completamente a relevancia para a geração atual.
Christina ainda tem outro projeto para promover esse ano: Burlesque, seu primeiro longa metragem. O filme conta com pesos pesados como Cher e Stanley Tucci mas se a cantora não consegue mais vender CD, eu acho díficil ela conseguir levar o público para as salas de cinema.
Enquanto Eminem continua no topo e Aguilera amarga um fracasso, outro artista que foi um grande sucesso no começo da década passada, Enrique Iglesias, está tendo mixed results.
Iglesias emplacou muitos sucessos nas Américas e na Europa. Bailamos e a balada Hero alcançaram o topo de paradas em todo o universo. Mas, depois de um CD em 2003, Iglesias passou um tempo fora do holofote e só voltou quatro anos depois com Insomniac.
Enrique não é nenhum Eminem. O tempo fora do holofote fez com que ele perdesse um pouco do brilho e que grande parte do público esquecesse de sua existência. Mas o filho de Julio provou que, sim, ele tinha um público considerável, mesmo depois de todos esses anos, principalmente na Europa, onde seus singles novos venderam excepcionalmente bem (Do You Know? alcançou o top 10 em todos os principais mercados europeus e Tired of Being Sorry foi um gigantesco sucesso na França).
Depois de testar as águas, Enrique volta com força com Euphoria, seu primeiro CD bilíngue. I Like It, o primeiro single em inglês, foi produzido por Red One (que, graças a sua colaboração com Gaga, é um dos produtores do momento), e continha samples de Lionel Richel e participação do rapper hispano Pitbull. Ironicamente, a maior parte do mercado europeu -- que apoiou o CD anterior do cantor -- ignorou solenemente a nova música (com exceção da Grã-Bretanha, onde a música alcançou o quarto lugar) mas o single foi um gigantesco sucesso na Austrália (segundo lugar) e nos EUA (sexto lugar. Primeiro single do cantor a penetrar o top 10 estado-unidense em nove anos, desde Hero).
Algo que definitivamente ajudou Iglesias nos EUA foi o uso da música na promoção da segunda temporada de Jersey Shore, o grande fenômeno pop dos EUA no momento.
O sucesso de I Like It foi grande mas não tanto quanto o de Cuando Me Enamoro, um dueto com Juan Luis Guerra que serviu como o primeiro single para os mercados de língua hispana. A música foi direto para o primeiro lugar em todos os países que falam espanhol e está em rotação constante do México a Argentina (e na Espanha também, claro).
Enquanto os singles tem gozado de gigantesca popularidade, o CD tem tido vendas mornas.
Mas Enrique, quem diria, parece ter passado na prova do tempo com mais louvor do que Christina Aguilera.
Next: Katy Perry, Drake, Taylor Swift, Miley e Selena.
sábado, 17 de julho de 2010
Robbie Williams volta ao Take That: minha opinião
Eu sou um gigantesco fã de cultura pop. Mas se tem uma coisa que eu não curto é boybands. Don’t get me wrong, eu posso até gostar de uma música ou outra dos N Sync ou do JLS mas boybands em geral me repugnam. Eu odeio a idéia, odeio a imagem, odeio os empresários sketchy e pedófilos por detrás.
Então, foi uma surpresa — pra mim mesmo — acabar como o maior stan do planeta terra do Take That. Como isso aconteceu?
Eu já tinha ouvido falar deles, é claro. Afinal, todo mundo sabe que o Robbie Williams, o maior cantor pop da decada passada, tinha feito parte do grupo.
Eu lembro quando eles anunciaram o retorno. Eu lembro da reação eufórica na Grã-Bretanha. Eu lembro que eu fiquei meio irritado: urgh, porque diabos esse bando de has-been do inicio dos anos 90 estão quebrando recordes? E porque eles estão ofuscando o retorno da única pop band que importa, as Spice Girls? Eu lembro de ir no Youtube ouvir Patience e Shine e não ficar nem um pouco impressionado.
Daí, depois de uns 3 anos com eles no topo, inclusive superando as vendas deles nos anos 90 e sendo elogiados nonstop por todos, eu resolvi set the record straight e ir conferir qual era da hype. Ao invés de tentar de novo ouvir as músicas, eu resolvi ir ver o DVD da turnê Beautiful World. Quando as 2 horas de show acabaram, eu estava completamente impressionado.
Chamar eles de boyband é injusto. Eles totalmente transcederam esse rótulo. Eles são pop royalty e todo mundo, do Chris Martin até o Paul McCartney, os admira. Eles escrevem e compõe as próprias canções, eles cantam e dançam muito bem, eles se mantiveram em super forma ao longo dos anos, as músicas deles são pop da maior qualidade, as vozes são muito boas, etc. etc. etc.
Então a grande notícia da semana para mim foi o fato do Robbie Williams ter voltado para a banda.
E eu não gostei nem um pouco.
Primeiro que parece oportunista. Para quem não sabe, Robbie saíu da banda em 1994, dois anos antes da banda encerrar as atividades oficialmente (ainda no topo, alias) e, depois, se transformou no maior cantor pop do planeta. Ele quebrou recordes de venda na Europa e conquistou mercados que o Take That nunca conseguiu penetrar: Argentina, Mexico, Africa do Sul. O único lugar que Robbie não explodiu — e ele diz que foi por decisão própria (e, por mais que eu o odeie, eu acredito) — foi os EUA.
Durante todo esse tempo, ele nunca parou de jogar sal na ferida dos outros quatro membros do Take That, que nunca conseguiram emplacar carreira solo. Ele riu da cara deles, ele repetiu inumeraveis vezes que sair da banda foi a melhor decisão da vida dele, etc.
Depois de uma decada falando mal da banda, o primeiro passo de reaproximação foi dado em 2005 quando Robbie aceitou aparecer num especial de televisão que anunciaria o retorno, depois de quase 10 anos, do Take That. Apesar de, no especial, os quatro membros se reunirem pela primeira vez desde a separação, Robbie não foi ao encontro de seus bandmates. Ele apareceu, porém, via gravação pedindo desculpas.
Após o especial, a briga entre a banda e ele pareceu se acalmar. O Take That voltou mais fortes do que nunca, quebrando todos os recordes (inclusive os de Robbie). Já Williams foi para rehab e passou anos fora do holofote.
Finalmente, em 2009, Robbie voltou a ativa com um novo CD, Reality Killed the Video Star. E, apesar de vendas altas (afinal, o nome dele já é o suficiente para vender MUITO), ele não conseguiu superar o sucesso do Take That que, no mesmo ano, tinha vendido 2 milhões de cópias de seu álbum e embarcado na turnê mais bem sucedida da história da Grã-Bretanha.
O star power de Robbie Williams estava diminuindo. No Reino Unido, Robbie — antes uma das celebridades mais amadas e discutidas — estava se tornando cada vez mais irrelevante. Aparições em todos os programas mais vistos do país (inclusive na final do The X Factor, que catapulta as vendas de QUALQUER pessoa), homenagem no BRIT Awards, promoções em tudo quanto é canto não foram o suficiente para fazer com que o CD dele ultrapassasse 1 milhão de cópias na Grã-Bretanha. Sim, ele continuava um dos artistas de maior sucesso. Mas ele não estava mais no topo.
Então me pareceu completamente oportunista a volta de Robbie para o Take That. Agora, de novo, a imprensa está enlouquecida com ele. Mas os outros quatro membros NÃO PRECISAVAM DISSO. Sim, eles vão ganhar MUITO dinheiro. Mas ele JÁ TINHAM muito dinheiro. Eles JÁ TINHAM a turnê mais bem sucedida de todos os tempos da Grã-Bretanha. Eles, como um quarteto no século 21, tinham ultrapassado a popularidade avassaladora deles no começo dos anos 90, como um five-piece.
É claro que todo mundo sabia que essa reunião estava por vir: Robbie já tinha sido fotografado saindo de um estudio em NY onde os outros quatro estavam gravando. No fim do ano passado, os cinco apareceram juntos pela primeira vez cantando Hey Jude com o Paul McCartney num programa de caridade da BBC. Faz um mês, Robbie anunciou que lançaria um dueto, Shame, com Gary Barlow, o líder do Take That, com quem ele havía tido uma briga ferrenha.
Mas enfim, mesmo sabendo que ela estava por vir, a notícia não me empolgou nem um pouco.
O que me empolgou — e muito — foi o fato deles estarem lançando novo material. Então eu vou relevar a presença do Robbie e vou torcer para que tudo de certo.
O que me preocupa, francamente, é a dinâmica deles — perfeita — ser abalada pela presença de Williams. Além disso, conseguir ingresso para a nova turnê deles vai ser impossível. Quer dizer, impossível sempre foi. Agora, com a presença de Robbie, vai ser MUITO mais que impossível. Oh well, I’ll do what I have to do.
LANÇEM LOGO O NOVO SINGLE E AS DATAS DA TURNÊ SEUS ESCROTOS.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Causando na Alemanha: Lena Meyer-Landrut
A Alemanha gosta bastante de reality shows de talento. A versão de American Idol deles, Deutschland sucth den Superstar, goza de grande popularidade faz quase uma decada. Até Popstars, aquele reality que nos trouxe o Rouge e o Br'oz, continua no ar por lá (só lá. Ele já foi aposentado em todo o resto do mundo).
Apesar de todo esse apetite por shows de talento, o maior deles, o Eurovision -- um gigantesco sucesso em todo continente -- não vinha causando nenhum interesse no país nos últimos anos.
O Eurovision é um tradicionalissimo concurso de talento anual. O conceito é bem simples: cada nação européia manda um representante. Cada um deles canta uma música especialmente feita para o evento (em geral, um pop bem kitshy) e, no fim, algum país é escolhido vencedor.
O Abba, por exemplo, ficou famoso depois de representar a Suécia no Eurovision de 1974. E eles são, alias, o ato que melhor representa o concurso: extremamente colorido, kitshy, pop e bem gay.
Todo mundo finge não levar o Eurovision a sério mas, todo ano, o país que ganha fica mega eufórico e a população fica toda histérica. Além disso, os números de audiência também mostram que o público se interessa bastante pelo programa: a emissão é o evento não-esportivo mais visto no continente, sempre atraindo audiências altíssimas.
Na Alemanha, porém, o interesse no evento era baixíssimo faz anos. Afinal, a única vez que eles ganharam foi a quase três décadas, em 1982. Porém, os executivos da ARD -- o canal estatal que detém os direitos de exibição do concurso -- estavam decididos a fazer o programa voltar a ser relevante.
Para isso, eles se juntaram com a ProSieben -- um dos principais canais privados -- e Stefan Raab -- uma das maiores personalidades televisivas do país -- e criaram o reality de talento Unser Star fur Oslo (ou, em português, Nossa Estrela para Oslo)
Como o título do programa indica, o vencedor ganharia a chance de representar o país em Oslo, que sediaria a edição desse ano do Eurovision (como a Noruega tinha ganho em 2009, eles abrigaram a edição desse ano).
De cara, Lena Mayer-Landrut se destacou. Ela tinha uma voz peculiar, era bastante jovem (ainda estava no último ano do ensino médio), tinha uma aparência de girl next door combinada com uma personalidade peculiar e, apesar de nenhuma preparação profíssional, bastante presença. Não surpreendentemente, ela acabou sendo coroada a grande vencedora do programa.
Sua interpretação de Satelite, a música escolhida para representar o país na competição, foi direto para o topo das paradas de singles alemãos. Com mais de 100 mil cópias vendidas em uma semana, a música quebrou recordes de venda e se transformou num dos singles digitais mais bem sucedidos de todos os tempos (mais de 600 mil cópias foram vendidas até o momento) na Alemanha.
Na semana que procedeu a final do programa, além de ocupar o topo com Satelite, a garota de 19 anos ocupou o segundo e o terceiro lugar com Bee e Love Me, outras duas músicas inéditas que ela cantou durante o reality. Foi a primeira vez na história das paradas alemãs que um artista dominou o top 3 dos singles mais vendidos.
Apesar de pouquíssimas aparições entre a final do reality e o Eurovision (ela precisava estudar para sua prova de conclusão de Ensino Médio), Lena virou um gigantesco sucesso: seu álbum, lançado as pressas, foi direto para o primeiro lugar. Sua personalidade peculiar -- ela simplesmente se recusa a falar sobre qualquer assunto particular (família, crenças, etc) -- só aumentou a fama da jovem. Como todo grande sucesso, ela também atraíu uma grande quantidade de haters.
Para a insatisfação deles, porém, a garota agradou os juízes do Eurovision e acabou sendo coroada a grande vencedora da edição desse ano do programa, provando que a febre Lena ainda mal tinha começado.
Depois da vitória, a música de Lena -- que já tinha ocupado o topo por cinco semanas consecutivas -- voltou para o primeiro lugar no país. Além disso, Satelite também alcançou o topo em outros seis países (Dinamarca, Noruega, Suécia, Suíça, Finlandia e Irlanda). Mais que isso, a missão da ARD foi extremamente bem sucedida: o Eurovision desse ano bateu recordes de audiência na Alemanha e se transformou na edição mais vista dos últimos 30 anos no país.
A vitória de Lena foi extremamente comemorada pela nação. A garota foi manchete em absolutamente todos os jornais: desde o Handelsblatt -- especializado em comércio e econômia -- até o Bild, um tablóide no estilo The Sun com uma circulação astronômica, que dedicou toda sua primeira pagina a garota, incluindo a manchete "LENA, NÓS TE AMAMOS".
"Graças a Lena, finalmente, o resto da Európa gosta da gente", observou o tablóide.
O papel do país na Primeira e na Segunda Guerra Mundial não criou exatamente uma imagem muita positiva deles para o mundo e, por isso, o povo de lá é extremamente inseguro em relação a imagem que o país projeta para o resto do planeta. Mais do que isso, eles não tem muito comforto para se mostrarem patriotas (afinal, para muita gente, patritotismo alemão = nazismo). Por isso, quando o país se destaca na Copa ou num evento internacional como o Eurovision, a população inteirva vibra, já que finalmente eles tem um motivo legítimo para ficar orgulhosos de seu país.
Além disso, a vitória no Eurovision ressoou tanto no país pois deu a Alemanha -- no meio de sua maior recessão desde a Segunda Guerra Mundial -- um motivo para comemorar.
"Lena impressionou a Alemanha e conquistou corações por toda Europa", disse a chanceler Angela Merkel. "Ela é uma embaixadora para o nosso país. Em apenas uma noite, ela provou, com muito charme, que alguns velhos estereótipos que são atribuídos a Alemanha são equivocados", afirmou Guido Westerwelle, Ministro de Relações Internacionais.
A garota foi recebido como uma heroína na sua volta para a Alemanha: milhares de pessoas (40 mil, estimou o não muito confiável Bild) a esperavam nas ruas de sua cidade natal Hannover, onde foi recebida pelo prefeito, debaixo da chuva.
Na sua primeira coletiva de imprensa pós vitória, Lena deu a entender que, no próximo ano, irá representar o país mais uma vez no Eurovision, sendo apenas a terceira vencedora a fazer isso. Particularmente, não acho essa decisão muito inteligente: a garota deveria se esforçar para se estabelecer como uma artista bem sucedida e não ficar com sua imagem eternamente vincluada ao Eurovision. Claro que, se ela ganhar pelo segundo ano consecutivo, sua popularidade irá crescer ainda mais porém as chances disso acontecer são poucas. Como se isso não fosse o suficiente, a ProSieben ainda vai perder a oportunidade de fazer uma segunda edição do bem sucedido reality show de talento.
Enfim, na minha opinião a grande coisa sobre Lena não são suas músicas (acho elas meio boring) mas sim sua personalidade. Se recusar a falar sobre sua vida pessoal ("eu escolhi a fama, não meus amigos e família", ela diz para entrevistadores) é algo que eu acho bastante interessante nela. Sua sinceridade e falta de vergonha sobre sua falta de experiência também me parece algo positivo.
Agora só falta a Alemanha ganhar a Copa (algo que, por mais que doa a nós, brasileiros, admitir, tem muitas chances de acontecer) para o país explodir em extase. A econômia pode estar uma merda (para padrões alemãos, né?) mas nada melhor do que um monte de troféu para levantar o ego de qualquer nação (principalmente, uma cheia de cicatrizes e insegurança).
terça-feira, 1 de junho de 2010
Chart Watch UK: Urban Dominition
Depois de um ápice no fim dos anos 90, época da explosão de Britney, BSB, Christina e NSync, o pop sumiu completamente das paradas estado-unidenses e, subseqüentemente, do mundo a partir de 2002.
De 2003 até 2005, apenas cinco artistas que não pertenciam ao gênero de música urbana (R&B/rap) conseguiram alcançar o topo do Billboard Hot 100 (mas só um por mérito próprio: Gwen Stefani com Hollaback Girl. Os outros quatro são os ganhadores de American Idol na semana seguinte a final do programa). Em vendas de CDs, pouquíssimos atos pop se destacaram (Avril Lavigne foi um enorme fenômeno em 2002 e P!nk também teve um bom ano com o lançamento de Missundaztoosd; Hilary Duff, com a ajuda do Disney Channel, foi a "explosão pop" do ano seguinte com 3 milhões de cópias vendidas de Metamorphosis; Jessica Simpson e Ashlee Simpson, ambas impulsionadas por reality shows de grande sucesso na MTV, foram bem recebida em 2004 e, em 2005, Kelly Clarkson brilhou com Breakaway) e todos os álbuns que mais venderam ao longo desses anos pertenciam ao gênero urbano (em 2002, um empate técnico entre The Eminem Show do Eminem e Nellyville do Nelly; em 2003, Get Rich or Die Tryin' do 50 Cent; em 2004, Confessions do Usher e, no ano seguinte, The Emancipation of Mimi de Mariah Carey).
Enquanto isso, a Grã-Bretanha era um dos poucos países ocidentais onde o pop em sua forma mais pura continuava forte nas paradas. Apesar de nenhum gigantesco fenômeno a la Spice Girls, vários atos, como Sugababes, Girls Aloud, e boybands como Blue e Westlife, continuavam com um desempenho sólido e vendas satisfatórias.
Agora a situação parece se inverter.
O sucesso de Justin Bieber, Miley Cyrus, Katy Perry e Ke$ha nas paradas mundiais contribuíram para que, depois de anos sumido, o pop alcançasse um novo ápice. O maior fenômeno do momento, claro, é Lady Gaga.
Enquanto isso, na Grã-Bretanha, a música urbana, que -- com algumas exceções -- nunca foi excepcionalmente forte no país, alcança um ápice histórico. Rappers britânicos estão gozando de um nível nunca antes visto de popularidade com Dizzee Rascal, Chipmunk, Plan B, Tinchy Stryder e o N-Dubz dominando os charts.
Prova dessa dominação é a paradas de singles dessa semana: em todo o top 10, apenas UMA música não pertence ao gênero urbano.
O primeiro lugar é o novo single de Dizzee Rascal, Dirtee Club. É a quarta música do rapper londrino a alcançar o primeiro lugar das paradas britânicas.
O segundo lugar é ocupado Nothin' on You do americano B.o.B. (que eu já comentei sobre aqui).
Semana passada, Nothin' on You vendeu impressionantes 85 mil cópias, a segunda maior quantidade de venda semanal do ano até o momento, atrás apenas do primeiro single de Iyaz, Replay.
E, falando em Iyaz, é ele que ocupa a terceira posição essa semana com Solo, seguido pelo novo sucesso de Jason DeRulo que tem um título bastante similar: Ridin' Solo.
Apesar de não ter feito nenhuma promoção até o momento, Not Afraid de Eminem estréia na quinta posição. Isso mostra o poder do rapper nas terras da Rainha. O sexto lugar, uma outra nova entrada, é ocupado por N-Dubz com We Dance. A música é o tema um novo filme de dança chamado Streetdance 3D.
Essa semana, cinco novas músicas entraram no top 10. Além de Dizzee, Iyaz, Eminem e N-Dubz, a sensação pop canadense Justin Bieber penetra o top 10 britânico pela segunda vez com Baby, um dueto com Sean Kingston.
A única música não urbana na parada é, por tanto, Stereo Love de Edward Maya e Vika Vigulina.
Posição nessa semana (posição na semana passada) (posição mais alta) (tempo no top 10)
1. Dirtee Disco - Dizzee Rascal (-) (1) (1 semana)
2. Nothin' on You - B.o.B. (1) (1) (2 semanas)
3. Replay - Iyaz (-) (3) (1 semana)
4. Ridin' Solo - Jason DeRulo (2) (2) (3 semanas)
5. Not Afraid - Eminem (-) (5) (1 semana)
6. We Dance On (ft. BodyRox) - NDubz (-) (6) (1 semana)
7. Candy (ft. Kimberly Wyatt) - Aggro Santos (7) (4) (4 semanas)
8. Stereo Love (ft. Vika Jigulina) - Edward Maya (5) (5) (3 semanas)
9. Good Times - Roll Deep (3) (1) (5 semanas)
Apesar da total dominação de música urbana essa semana, o pop britânico está longe de ser exterminado. É verdade que, com algumas exceções (Take That, Pixie Lott, Westlife, Florence and the Machine, Lily Allen e os atos estado-unidenses como Lady Gaga), o gênero tem dependido fortemente do apoio do The X Factor. O programa de talento é responsável por catapultar quase todos os atos pops locais ao mega-estrelato: além de Leona Lewis, o programa também foi responsável pela explosão de popularidade de Cheryl Cole e da boyband JLS (que, alias, tem um som muito mais urbano que as boybands antecessoras).
De qualquer maneira, o Reino Unido sempre foi bastante aberto a uma grande variedade de gêneros musicais. Prova disso, é o primeiro lugar nas paradas de CD da semana: a banda de drum n bass australiana Pendulum ocupa o topo com Immersion. O CD vendeu satisfatórias 59 mil cópias ao longo da semana.
A exibição do especial An Audience with Michael Bublé na ITV1 catapultou as vendas do crooner canadense. O álbum de Bublé, Crazy Love, que já vendeu mais de 1.5 milhões de cópias no país até o momento, sobe 17 posições em relação a semana passada e ocupa o segundo lugar com 45 mil unidades. O terceiro volume da trilha sonóra de Glee também estréia muito bem com 44 mil cópias em terceiro lugar.
O novo álbum de Kate Melua estréia dignamente mas não de maneira muito empolgante: 29 mil cópias de The House foram comercializadas, o suficiente para ocupar a quarta posição. Os Rolling Stones, cuja versão remasterizada de Exile on Main Street ocupou o topo semana passada, encerram o top 5.
Posição essa semana (Posição semana passada) (Posição mais alta)
1. Immersion - Pendulum (-) (1)
2. Crazy Love - Michael Buble (19) (1) ****
3. Glee: Showstoppers - Vol. 3 (-) (3)
4. The House - Katie Melua (-) (4)
5. Exile on Main Street - The Rolling Stones (1) (1)
6. The Element of Freedom - Alicia Keys (8) (1) **
7. The Defamation of Strickland Banks - Plan B (3) (1) *
8. The Fame - Lady Gaga (5) (1) °°
9. The Dance - Faithless (2) (2)
10. Lungs - Florence & the Machine (10) (1) ***
*mais de 300 mil cópias vendidas **mais de 500 mil cópias *** mais de 1 milhão **** mais de 1.5 milhões °° mais de 2 milhões
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Causando na Europa: Dancing Europe
No momento, duas músicas dance estão fazendo enorme sucesso por lá. São elas:
sábado, 22 de maio de 2010
De Olho Nele: Jason DeRulo
Quando Jason DeRulo surgiu na cena, com o single Whatcha Say, achei que ele seria mais um one hit wonder. Um daqueles milhares de cantores de música urbana que aparecem nas paradas durante algumas semanas antes de despontar para o anonimato.
A música, que usava samples de Hide & Seek da interprete britânica Imogen Heap, teve um tremendo staying power, chegando ao topo do Hot 100 nos EUA, onde vendeu mais de 3 milhões de cópias, e alcançando o top 5 tanto na Austrália quanto na Grã-Bretanha.
Alguns meses depois, eu tive que admitir que minha percepção original estava errada: DeRulo emplacou outro gigantesco sucesso. In My Head, seu segundo single, alcançou o top 5 nos EUA e o primeiro lugar tanto na Austrália quanto na Grã-Bretanha.
E, quando In My Head finalmente saiu do top 10, Jason atacou com um novo smash hit: Riding Solo, o terceiro single, já alcançou o segundo lugar no Reino Unido e o sexto na Austrália.
In My Head - Jason DeRulo
DeRulo é um dos grandes hit makers do momento mas, por enquanto, o garoto de 20 anos é muito mais um single act do que um album act. Ou seja, suas músicas causam enorme impacto nas paradas mas não fazem o principal: vender o CD. O álbum está tendo vendas decentes (tendo alcançado o top 10 no UK e o top 5 na Austrália) porém bem distante dos números impressionantes dos singles. Isso significa que sua gravadora continuara investindo bastante nele porém o objetivo (fazer com que ele venda CDs) ainda não foi atingido.
Jason tem definitivamente uma inteligentissima equipe de marketing atrás dele. A idéia de fazê-lo cantar seu nome no começo de todas as canções, por exemplo, é brilhante: além de martelar o nome do interprete na cabeça das pessoas, algo muito importante para um artista novato, a idéia foi extremamente bem aceita pelo público. No Facebook, mais de 900 mil pessoas são partes de grupos (como esse e esse e esse e esse) que referenciam essa prática. Ou seja, mais gente é fã dessas introduções do que de DeRulo como artista (seu grupo oficial tem 450 mil fãs).
Na minha cabeça, sempre vi DeRulo e outro artista novato, Iyaz, como rivais. Apesar de ambos serem atos urbanos, cada um deles vai por um caminho diferente: Jason é mais um típico popstar que canta e dança (na mesma linha do Usher, por exemplo) enquanto Iyaz lembra mais artistas como Akon. Porém, é difícil para mim não compara-los. Para começar, ambos surgiram ao mesmo tempo. No fim do ano passado, os primeiros singles dos dois, Replay e Whatcha Say, disputaram o topo do Hot 100 da Billboard (DeRulo conseguiu o primeiro lugar, mas Iyaz também fez bonito, alcançando o segundo) e, nas primeiras semanas de 2010, a música de estréia do interprete caribenho foi lançado simultaneamente com o segundo single de DeRulo na Austrália e na Grã-Bretanha (nesse caso, ambos conseguiram alcançar o topo com DeRulo substituindo Iyaz nas paradas britânicos e o contrário acontecendo na Austrália).
Como se isso não fosse o suficiente, o segundo single de Iyaz e o terceiro de Jason também foram lançados ao mesmo tempo. O de DeRulo, Ridin' Solo, traz o cantor comemorando o fato dele finalmente estar solteiro (I'm feeling like a star/you can't stop my shine/I'm loving cloud nine/my head's in the sky/I'm solo/I'm riding solo) enquanto o de Iyaz, Solo, fala sobre tristeza pós-separação (Cuz I was so high/And now I'm so low/And I don't wanna walk around alone, solo/Said I don't want to walk this earth/If I gotta do it solo). Como vocês podem ver, é realmente difícil não compará-los.
Porém, recentemente descobri que "rivais" talvez não seja o termo certo, uma vez que ambos tem o mesmo produtor por de trás: J.R. Rotem. Foi J.R. que produziu Whatcha Say e Replay e In My Head e Riding Solo e Solo. O que provavelmente explica tantas coincidências...
quinta-feira, 13 de maio de 2010
O poder dos Gleeks
O intenso marketing rendeu frutos: a estréia teve altíssima audiência. Os críticos amaram, o público também. A versão de Don't Stop Believing cantada pelo elenco do programa foi para o topo dos singles mais vendidos e estreou dentro do top 5 nos EUA, na Grã-Bretanha e na Austrália.
Mas os executivos da Fox só ofereceram "um gostinho" ao público. O piloto foi ao ar em maio mas a série só estreou oficialmente em setembro. Durante esses quatro meses, o burburinho só aumentou: a Fox reprisou o piloto várias vezes, para que todo mundo tivesse a chance de ver (inclusive exibindo versões especiais do piloto, por exemplo, director cut que continha alguns minutos a mais), o boca a boca foi gigantesco e o sucesso de Don't Stop Believing só fez com que Glee ficasse ainda mais onipresente na mídia.
Finalmente, em setembro, a série voltou com tudo, com ótimos índices de audiência e cumprindo com as altas expectativas da emissora. E parece que a cada break a série volta mais forte. Até dezembro, a média do programa era de 7.6 milhões de telespectadores por episódio. Nesse ponto, a série entrou em hiatus e só voltou ao ar quatro meses depois, em abril. Os novos episódios tem registrado média de 12 milhões de telespectadores.
Com apenas 18 episódios exibidos até o momento (nem uma temporada completa), Glee já:
- Emplacou três álbuns entre os cinco mais vendidos dos EUA (inclusive um primeiro lugar para o EP The Power of Madonna, com as músicas do episódio dedicado a Rainha do Pop).
- Conseguiu fazer com que 12 músicas penetrassem a lista das 10 mais vendidas no iTunes.
- Vendeu, no total, mais de 2 milhões de singles e CDs só nos EUA.
- Foi assunto de capa da Rolling Stone, da TV Guide e da Entertainment Weekly.
- Teve sua protagonista, Lea Michele, incluída na prestigiosima lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time.
- Ganhou 28 prêmios, incluindo um Globo de Ouro de Melhor Comédia Televisiva.
- Vendeu 90 mil ingressos para uma turnê de verão com o elenco juvenil do programa.
- Se transformou no programa mais visto na TV a cabo britânica, com mais de 1 milhão de telespectadores por episódio.
- Alcançou três vezes o top 2 das paradas de CDs britânicas (duas vezes alcançando o topo) e cinco vezes o top 20 das paradas de singles (e a segunda e a nona posição com Don't Stop Believing e o medley de Halo/Walking on a Sunshine respectivamente).
- Alcançou o top 10 das paradas de CDs australianas com os dois primeiros volumes da trilha-sonora (que foram certificado platina e ouro).
Minha sincera opinião sobre Glee: um lixo. Roteiro péssimos, covers medíocres (quase idênticas as versões originais só que BERRADAS pela Lea Michelle) e histórias e personagens absurdamente clichês. Mas, apesar disso, admito que o programa tem sua importancia, dando chances para atores e cantores talentosos que não tem um biotipo típico para a TV estado-unidense e tendo momentos semi-divertidinhos (o episódio da Madonna, por exemplo, foi... decente).
O sucesso de Glee, porém, fala mais alto do que minha opinião. E, por mais que eu acredita que haverá, em algum ponto, um backlash, por enquanto o programa não mostra sinais de fraqueza: a audiência continua em ascendencia e, com a versão de Lea Michelle para Total Eclipse of Heart, o clássico do anos 80 de Bonnie Tyler, o programa irá conquistar seu maior sucesso nas paradas desde Don't Stop Believin': nos EUA, a música vendeu 134 mil cópias na primeira semana, as maiores vendas desde o cover da power ballad do Journey. Na Grã-Bretanha, a música também deve ultrapassar Halo/Walking on a Sunshine e se tornar o segundo single do programa mais bem posicionada no chart oficial.
E, putz, até eu, que abomino as versões de Glee, aprovei a versão da Lea Michelle de Total Eclipse of Heart:
Alias, Lea parece ser a que mais está lucrando com o sucesso do programa. Não só apareceu na lista das 100 pessoas mais influentes da Time, como também assinou um lucrativo contrato para se tornar a garota propaganda do shampoo Dove. O comercial, onde ela canta My Favorite Things, o clássico da Noviça Rebelde, pode ser conferido ai em baixo:
terça-feira, 11 de maio de 2010
Chart Watch UK: Ela é bela, já era, eu quero dar pra ela
Porém, em quarto, uma nova entrada: Watercolour da banda de drum 'n' bass australian Pendulum. É o segundo top 10 hit do grupo e o primeiro a penetrar o top 5.
Mas ó, na minha opinião, a grande estréia da semana foi Candy do Aggro Santos. Não só porque o rapper foi descoberto por Gary Barlow, o cerebro da minha banda favorita (Take That ♥) mas também porque ele é -- surpresa -- de origem brasileira. E ele homenageia o nosso país cantando os belíssimos versos que dão título a esse post: já era, já era, eu quero dar pra ela, ela é bela, já era. Mas Aggro, como assim você quer "dar"? Amigo, sua imagem de thug vai ficar comprometida, hein? Você precisa de umas aulinhas de semântica para absorver os significados das gírias sexuais brasileiras. O correto, levando em conta que você é homem, é "comer". Alias, como vocês podem notar pelo leve sotaque, Santos, que nasceu em São Paulo, cresceu na Grã-Bretanha, não aqui.
Alias, WARNING: Candy é mega ultra uber catchy. Escute e Girl you look familiar/Where do I know you from?/Have you been to visit me at aggro santos dot com/Step into my world/I am sure you want to come/Check my Facebook, I got pictures/Imma give you/Ooh come n getcha some/Come n getcha some/Candy nunca mais saíra de sua cabeça (ah, e a parte do "ela é bela, já era, eu quero dar pra ela" também!).
Posição nessa semana (posição na semana passada) (posição mais alta) (tempo no top 10)
1. Good Times (ft. Jodie Connors) - Roll Deep (1) (2 semanas)
2. OMG - Usher (2) (1) (6 semanas)
3. She Said - Plan B (3) (3) (6 semanas)
4. Watercolour - Pendulum (-) (4) (1 semana)
5. Candy - Aggro Santos (-) (5) (1 semana)
6. Dirty Picture (ft. Ke$ha) - Taio Cruz (10) (6) (2 semanas)
7. Until You Were Gone (ft. Esmee Denters) - Chipmunk (5) (3) (3 semanas)
8. Once -Diana Vickers (4) (1) (3 semanas)
9. I Need You Tonight (ft. Ed Drewett) - Professor Green (6) (3) (4 semanas)
Nas paradas de CD, as vendas foram meio fracas. Diana Vickers, que ocupou o topo com seu primeiro álbum, Songs from the Tainted Cherry Tree, vendeu apenas 36 mil cópias. Mesmo com as vendas baixas, estrear em primeiro lugar é um grande feito para Vickers. A garota, que acabou em quarto lugar no The X Factor faz dois anos, também alcançou o topo da parada de singles com Once, seu pegajoso single de estréia.
Numa semana fraca, o fenômeno country estado-unidense Lady Antebellum, cujo álbum é o mais vendido do ano nos EUA até o momento, estréia em nono com Need You Now. Além disso, depois de dois meses, os Black Eyed Peas voltam para o top 10 com The E.N.D.
Posição essa semana (Posição semana passada) (Posição mais alta)
1. Songs from the Tainted Cherry Tree - Diana Vickers
2. The Defamation of Strickland Banks (1) (1) - Plan B
3. Iron Man 2 (3) (1) - AC/DC
4. Raymond V Raymond (2) (2) - Usher
5. The Fame (7) (1) - Lady Gaga****
6. Lungs (11) (1) - Florence + the Machine***
7. My Worlds (14) (3) - Justin Bieber*
8. Need You Now - Lady Antebellum
9. Sunny Side-Up (10) (1) - Paolo Nutini***
10. The E.N.D. (16) (3) - The Black Eyed Peas***
*mais de 300 mil cópias vendidas **mais de 500 mil cópias *** mais de 1 milhão **** mais de 2 milhões
segunda-feira, 10 de maio de 2010
OMG! Usher é um thriple-winner. Plus: as mães australianas amam k.d. lang
Rude Boy de Rihanna e TiK ToK de Ke$ha alcançaram o topo nos EUA e na Austrália mas não na Grã-Bretanha. Já In My Head de Jason DeRulo e Replay do Iyaz foram primeiro lugar na Austrália e na Grã-Bretanha mas não nos EUA. Todas essas músicas, porém, alcançaram o top 5 nos três países.
O resto do top 10 de singles da Austrália essa semana:
Os 10 singles mais vendidos
(posição - título - tempo na parada - posição pico - certificação)
2. Just Say So - Brian McFadden (4 semanas) (1) (Platina: + de 70 mil)
3. Nothin' on You - B.o.B. ft. Bruno Mars (7 semanas) (3)
4. Mr. Mysterious (ft. Seany B) - Vanessa Amorosi (5 semanas) (4)
5. Baby (ft. Ludacris) - Justin Bieber (13 semanas) (Platina) (3)
6. Hey, Soul Sister - Train (11 semanas) (2xP: + de 140 mil) (1)
7. Ridin' Solo - Jason DeRulo (13 semanas) (7)
8. Alejandro - Lady Gaga (6 semanas) (Ouro) (2)
9. Whataya Want From Me - Adam Lambert (9 semanas) (Ouro) (4)
10. I Like That (ft. Luciana) - BodyRox & Static Revenger (16 semanas) (Platina) (3)
*diferente da minha contagem britânica, que conta o tempo que a música está dentro do top 10, a parada australiana leva em consideração o tempo que a música está dentro do top 50.
Na parada de CDs, o "efeito Dia das Mães" foi extremamente forte. Susan Boyle, cujo CD está entre os mais vendidos na Austrália faz seis meses e já foi certificado nove vezes platina, voltou para o top 5 com a aproximação do dia festivo e, essa semana, alcança a primeira posição.
Mas a maior beneficada da semana foi a interprete canadense k.d. lang. Sua coletânea, Recollection, voa da 15ª posição para o topo das paradas de CD.
Outras opções populares de presente: o cantor de ópera local Mark Vincent (Compass, sexto lugar), o músico David Campbell (On Broadway, sétimo lugar), o violinista austriaco Andre Rieu (You Raise Me Up, oitavo lugar) e o crooner canadense Michael Bublé (Crazy Love, nono lugar).
Posição atual - título - artista - posição pico
1. Recollection - k.d. lang (1)
2. I Dreamed a Dream - Susan Boyle (1)****
3. My Worlds - Justin Bieber (1)
4. Iron Man 2 - AC/DC (2)
5. The Fame Monster (EP) - Lady Gaga (1)**
6. Compass - Mark Vincent (5)*
7. On Broadway - David Campbell (7)
8. You Raise Me Up - Andre Rieu (8)
9. Crazy Love - Michael Bublé (1)***
10. Avalanche - British India (10)
*mais de 100 mil **mais de 200 mil ***mais de 500 mil ****mais de 700 mil

