Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Cool Britania mais uma vez


Em meados dos anos 90, um movimento cultural chamado Cool Britannia tomou conta da mídia. Entre 95 e 97, poucas coisas eram mais cool que o Reino Unido e o vestidinho union jack usado por Geri Haliwell, a Ginger Spice, durante uma apresentação nos BRIT Awards, virou um icône desse momento. Na mundo da moda, Alexander McQueen ganhava força e, na música, além do sucesso global das Spice Girls, o britpop, liderado pelos Oasis, era o ritmo musical do momento, propulsando Blur, Pulp, The Verve, Suede e Supergrass para o estrelato mundial. Nada era mais cool que a Inglaterra. Mas durou pouco e, em 1998, até os britânicos já tinham moved on da modinha.

É óbvio que a relevância cultural dos britânicos nunca foi posta em duvidas. De Shakespeare a Harry Potter, de Vivianne Westwood a Alexander McQueen, de Twiggy a Kate Moss, dos Beatles as Spice Girls, o Reino Unido sempre foi um dos maiores consumidores e propulsores da cultura pop. Mas, se pararmos para pensar, apesar de muito menos buzz que o Cool Britannia em 1996, 2011 foi um ano ímpar para cultura britânica.


Para começar, temos a news story mais comentada do ano: o Royal Wedding. O casamento do Principe William com Kate Middleton foi o evento televisívo mais assistido do ano e fez com que revistas de fofocas e jornais, tanto nos EUA quanto no Reino Unido, batessem recordes de venda. Kate Middleton virou uma celebridade global e um ícone de estilo de enorme influência e Pippa, a irmã mais velha da noiva, desbancou Kim Kardashian e Mulheres Frutas como o derriere mais celebrado, comentado e desejado do planeta.

O suicídio de Alexander McQueen em 2010 colocou o mundo da moda em polvorosa. Todos se perguntaram se a marca que levava o nome do designer britânico mais celebrado do século 21 iria continuar no topo sob o comando de Sarah Burton. E quando Kate revelou o seu vestido de noiva, made by McQueen, pela primeira vez, o mundo inteiro sabia a resposta.



Em todas as áreas culturais, o destaque de 2011 foi o Reino Unido.

Na música, Adele quebrou todos os recordes, foi celebradíssima e basicamente carregou a indústria fonográfica nas costas, freando um declínio em vendas de CDs que já durava 8 anos. Dezenas de recordes quebrados, o CD mais vendido do ano (15 milhões de cópias no mundo, uma diferença modesta de 10 milhões de cópias com o segundo lugar, Michael Bublé) e o single mais tocado, Adele dominou as paradas de norte a sul, de leste a oeste.

O vestido McQueen de Kate e o derriere de Pippa

Mesmo com um problema na garganta que a obrigou a cancelar todas as suas aparições, a londrina foi a obsessão da mídia e do público e não deixou de ser manchete mesmo depois de seu sumiço. O unico momento que o holofote foi desviado dela foi quando outra londrina, Amy Winehouse, morreu aos 27 anos. Depois de anos brigando com os vícios, Winehouse, um dos maiores prodígios musicais dos últimos anos, faleceu em sua casa.

Adele: a salvação da indústria fonográfica
Nos cinemas, outro ícone britânico brilhou: Harry Potter. O lançamento do último filme da série mais bem sucedida da história foi o maior lançamento do ano, com 1.33 bilhão de dólares arrecadados nas bilheterias mundiais (com arrecadação acima de 50 milhões em sete mercados: 381mi nos EUA; 120mi no Japão; 117mi no Reino Unido; 78mi na Alemanha; 67mi na França; 60mi na China e 52mi na Austrália). Com o lucro inflacionado pelos preços mais altos das sessões em 3D, o último filme da saga bateu recordes de bilheteria e fechou a série de J.K. Rowling com chave de ouro.

Daniel Redcliffe, JK Rowling, Emma Watson e Rupert Grint posam na pré-estréia de HP no centro de Londres
Elenco de O Discurso do Rei comemora o Oscar
 E Harry não foi o unico britânico que brilhou nos cinemas. O filme mais premiado do ano também foi bem inglês: O Discurso do Rei, o grande ganhador do Oscar e outro dos filmes mais rentaveis do ano, com 400 milhões arrecadados e produzido com um orçamento micro.


Na literatura, One Day foi um dos enormes sucessos do ano. Lançado em 2009, o livro, escrito por David Nicholls, conta a história de um casal e cada capítulo narra um dia na vida deles ao longo de 15 anos. O romance foi adaptado para o cinema, com Anne Hathaway e Jim Sturgess como os protagonistas mas, enquanto o filme não foi muito bem recebido, o livro alcançou o ápice de vendas.

Finalmente, na televisão, nenhuma série foi tão elogiada quanto Downton Abbey. O drama épico, escrito por Julian Fellowes, bateu recordes de audiência na TV inglesa com a estréia de sua segunda temporada e varreu todas as premiações mundiais, incluindo os Emmy. O programa foi exportado para o mundo inteiro (inclusive para os EUA, onde foi exibido com audiências recordes na PBS) e foi reconhecido pelo Guinness como "a série mais amada pelos críticos" (o Guinness é meio vendido, né?).


All in all, é impossível negar a força que o Reino Unido teve na cultura pop ao longo de 2011. E merecidamente: num mundo dominado pela plasticidade de Hollywood, é bom mudar de foco as vezes.

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