Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Bravo e suas Million-Dollar Housewives (parte 1)






Em 2003, um programa chamado Queer Eye for the Straight Guy, onde um grupo de especialistas homossexuais transformava um heterossexual solteirão num cobiçado bachelor, colocou o canal Bravo no mapa. O programa rapidamente sumiu do mapa mas, no ano seguinte, a rede teve um boost ainda maior com a estréia de Project Runway, um reality groundbreaking apresentado por Heidi Klum e focado em fashion designing que rapidamente se transformou num sucesso de crítica e público. Mas foi em 2006, com o lançamento de Real Housewives of Orange Country, que o canal deu o primeiro passo para se transformar na potência que ele é hoje em dia. O programa gerou diversos spin-offs (Real Housewives of New York City; Real Housewives of New Jersey; Real Housewives of Atlantas; Real Housewives Beverly Hills); virou uma franquia gigantesca e deu o tom da emissora que, graças aos seus programas cheios de mulheres ricas barraqueiras sem senso de ridículo, se transformou no canal favorito do público urbano, de alta renda dos EUA. De Nova York a Califórnia, pode apostar que toda mulher e gay antenados estarão viciados em pelo menos alguma das versões do infinito franchise.

Eu já  comentei anteriormente que Real Housewives é um exemplo perfeito do talento que os executivos americanos tem de transformar as tendências do momento em reality show trashy. E, apesar de ter sido um efeito desse fenômeno, a própria franquia já tá sendo chupada pelos canais rivais, desesperados para conseguir seus próprios hits. O VH1 tem Mob Wives, sobre esposas de mafiosos; Football Wives, sobre esposas de jogadores de futebol americano e Basketball Wives sobre, sim, esposas de jogadores de basquete (coming soon: Mob Wives Chicago; Basketball Wives Los Angeles). O canal Logo tem The A-List New York e The A-List Dallas sobre um grupo de gays barraqueiros descritos como "housewives with balls" (donas de casa com culhões). Atualmente em produção: Wall Street Wives e, pasmén, Black Mafia Wives, sobre as esposas dos integrantes de um dos mais notáveis grupos de traficantes de drogas de Atlanta.

Andy Cohen, o rosto da Bravo: top executivo e personalidade televisiva
Em todo o caso, assim como as Kardashians geraram nova vida para o E! e fizeram com que o canal se valorizasse absurdamente; as Housewives fizeram o mesmo para o Bravo. Até o top executive do canal, o caricato e carismático Andy Griffin (um dos muitos power gays do showbizz) se transformou numa celebridade e apresenta um talk show de enorme sucesso no canal onde não apenas entrevista as personalidades da casa (principalmente as Housewives) mas também discute sobre os programas com seus amigos A-listers (e fãs das Housewives) como Sarah Jessica Parker; Liam Neeson; Tina Fey; Lea Michelle; Neil Patrick Harris e Anderson Cooper.

Tentando seguir o exemplo das Kardashians, as Housewives também estão loucas para virarem marcas de sucesso. Porém, elas são muitas e as personalidades delas são estridentes em demasia para o grande público. Isso, é claro, não as impede de tentar, com muitas lançando suas linhas de bebidas alcoólicas, livros autobiográficos e de receita e, pasmén, até carreiras como cantoras (por favor, parem o que vocês estão fazendo para absorver o brilhantismo que foi a singing career da Housewive de NY Countess Lulu com seu brilhante Money Can't Buy You Class. Danielle Staub, ex Housewive de NJ, também não fez feio com Real Close).

Bethenny Frankel: a housewive mais bem sucedida
 A Housewive mais bem sucedida foi Bethenny Frankel. Depois de um stint como Real Housewive of New York City, onde era a favorita da maioria (por ser slightly mais sã do que suas castmates), Bethenny conquistou seus próprios reality shows solo no Bravo e lançou uma bem sucedida linha de bebidas alcoólicas dietéticas (SkinnyGirl). Ellen DeGeneres, uma das maiores personalidades televisivas do país, está desenvolvendo um talkshow para ela.

Enquanto isso, aqui no Brasil, a Band acaba de estrear "Mulheres Ricas", um reality com um formato bem similar a versão americana. E não é coincidência: o programa que está ao ar aqui não é uma versão direta do franchise mas sim uma produção da produtora argentina Cuatro Cabezas Earwork (responsáveis pelo CQC) que foi ao ar pela primeira vez no canal Cuatro na Espanha em 2010. Mas fear not, a Universal (dona do Bravo) já devidamente processou os argentinos e espanhóis que agora são obrigados a dar royalties do programa dele para os detentores dos direitos do programa original (que a justiça declarou ser Real Housewives).

As Mulheres Ricas da Band
Alias, é engraçado como esses programas rendem, não é mesmo? Apesar de (ainda) não ser o sucesso sem fim que é a versão americana, Mulheres Ricas causou enorme repercussão em todas as redes sociais, foi temas de críticas horrorosas na Folha e na Veja (é impressão minha ou a imprensa nacional leva as coisas muito a sério? Chillax) e, pasmén, foi até tema de reportagem no The Guardian, o mais respeitado jornal britânico.

Mas enfim, isso só serviu de introdução para a parte 2, uma tradução que dá uma olhada bem in-depth nesse fenômeno, fiquem ligadinhos.

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