Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Segredo de prosperidade: seja o primeiro

Reality shows de talento como The Voice, X Factor e American Idol prometem carreiras prósperas, contratos milionários e garantia de vendas altas mas todo mundo está cansado de saber que não existe nenhuma promessa mais furada que essa. Dá para contar nos dedos de uma mão a quantidade de ganhadores que realmente obtiveram uma carreira de sucesso que durou mais do que cinco minutos.

Em todo o caso, existe um fenômeno curioso por de trás desses ganhadores que conseguiram outgrown o programa que os deu origem: eles foram os primeiros ganhadores em seus respectivos países.



O caso mais conhecido é Kelly Clarkson, a texana que foi a grande vencedora da primeira edição do American Idol faz exatamente uma década. Depois de um começo morno, a jovem emplacou um álbum blockbuster global que a transformou numa das maiores estrelas do mundo: Breakaway vendeu mais de 12 milhões de unidades e deu origem a vários smash hits como Because of You; Since U Been Gone e a canção título. Depois, o momentum dela diminuiu um pouco mas ela continua um ato consistente em vendas e prestigio: todos os seus álbuns ultrapassaram 1 milhão de unidades vendidas nos EUA e, em 2011, ela obteve mais um número 1 nas paradas de venda como Stronger (What Doesn't Kill You)

A prova maior de que ela outgrown o American Idol foi o fato de, nesse mês, ela ter sido convidada de honra na final dos seus dois maiores rivais: no Reino Unido, ela cantou na final do X Factor e, nos EUA, na final do The Voice.



Enquanto Kelly é o caso mais conhecido mundo afora, ela não é a única. Apesar de no Reino Unido The X Factor continuar sendo uma força gigantesca, o vencedor de reality show com a carreira mais próspera é o primeiro vencedor de Pop Idol, a versão original do formato Idol que deu ponta-pé a febre de realitys de canto mundo afora. Desde 2001, Will Young continua sendo um dos maiores cantores pop do país e todos os seus cinco CDs -- incluindo Echoes lançado em 2011 -- obtiveram disco de platina. Ele também teve onze top ten hits, o mais recente deles também em 2011, com Jealously, o lead single de seu último álbum.

Durante algum tempo, parecia que Leona Lewis, ganhadora do X Factor em 2006, iria superá-lo quando seu primeiro CD, Spirit, virou um sucesso mundial. Impulsionado por Bleeding Love, a maior canção do ano, o álbum de estréia da moça alcançou o topo em todo o mundo e, no Reino Unido, vendeu mais de 3 milhões de unidades, um dos lançamentos mais bem sucedidos de todos os tempos por lá.

Contudo, isso não durou muito: Leona rapidamente foi esquecida a nível mundial e, no Reino Unido, seu novo CD, Glassheart, não chegou nem perto das 100 mil cópias vendidas requeridas para a certificação de disco de ouro.

Leona ilustra bastante bem aquele ditado: "quanto mais alto a subida, maior a queda".


Guy Sebastien venceu a primeira edição do Australian Idol em 2003. Rapidamente, ele se transformou num fenômeno e seu primeiro álbum obteve 6x Platina (mais de 500 mil unidades vendidas). As coisas pareciam estar feia para ele quando o CD seguinte não vendeu 1/5 disso mas, ao invés de despontar para o anonimato, ele rebounded e continuou com uma carreira forte. Hoje em dia, ele é o cantor solo australiano de maior sucesso do mercado local e, assim como seus equivalentes britânicos e americanos, todos os seus cinco álbuns ultrapassaram disco de platina. De fato, em 2012, ele parece ter atingido um segundo ápice: Battle Scars, uma colaboração com o rapper americano Lupe Fiasco, virou seu primeiro hit global e encerrou o ano como o terceiro single mais vendido de 2012 na Austrália e seu single mais vendido até o momento (500 mil unidades, em contraste com as 400 mil unidades de Angels Brought Me Here, seu winning single de Idol lançado em 2003). A música também atingiu o top 10 em vários países europeus e o top 20 no iTunes americano.

Na Espanha, outro exemplo: David Bisbal. O ganhador da primeira edição de Operacion Triunfo -- o programa local que deu origem ao Fama no Brasil e que, em sua run espanhola, bateu recordes históricos de audiência -- é, hoje em dia, o segundo maior ato local no país, atrás apenas de Alejandro Sanz. Mês passado, ele se transformou no terceiro artista espanhol a se apresentar no mítico Royal Albert Hall em Londres (antes dele, só Julio Iglesias em 1982 e Enrique Iglesias em 2002).


Finalmente, temos o caso de Jenifer, a primeira vencedora do Star Academy em 2002, o concurso de canto mais bem sucedido da França. A moça também emplacou uma carreira bastante duradoura mas, depois de uma década, ela já está mostrando sinais de desgaste: L'amour et moi, seu quinto CD, lançado esse ano, foi o primeiro a não ultrapassar as 100 mil unidades vendias (também, pudera, a música dela é muito ruim). Mesmo assim, a cantora é um enorme household name na França e uma das juradas do The Voice local.

É óbvio que os primeiros ganhadores não são necessariamente os únicos bem sucedidos on the long run. Nos EUA, apenas com as vendas locais, a maior vendedora é Carrie Underwood, cantora country vencedora da quarta edição e que já acumulou mais de 13 milhões de unidades comercializadas (e segue sendo uma das maiores vendedoras. Seu último CD já ultrapassou a casa de 1.5 milhão). Na França, Nolwenn Leroy, vencedora da segunda edição do Star Academy em 2002, teve o segundo álbum mais vendido no ano passado. Além disso, muitos dos maiores success stories não são nem sequer os que obtiveram a vitória: One Direction ficou em terceiro lugar no X Factor britânico de 2010 enquanto Olly Murs, o maior vendedor do programa no país, com três CDs ultrapassando 600 mil unidades vendidas, ficou em segundo em 2011. Jennifer Hudson, que ganhou um Oscar por Dreamgirls e é um household name nos EUA, ficou em sétimo na primeira edição do American Idol.

Em todo o caso, uma coisa não tem como negar: os fracassos outweight em MUITO os sucessos. Mas a consistência do sucesso dos primeiros ganhadores é impressionante.

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