Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O poder dos Gleeks



Glee é uma das séries mais promovidas dos últimos anos. A Fox apostou todas as suas fichas na comédia musical e não poupou energias para transformá-la em sucesso: depois de meses de incessante promoção, o seriado finalmente estreou após a semi-final da sétima edição de American Idol, o programa mais visto do país.

O intenso marketing rendeu frutos: a estréia teve altíssima audiência. Os críticos amaram, o público também. A versão de Don't Stop Believing cantada pelo elenco do programa foi para o topo dos singles mais vendidos e estreou dentro do top 5 nos EUA, na Grã-Bretanha e na Austrália.

Mas os executivos da Fox só ofereceram "um gostinho" ao público. O piloto foi ao ar em maio mas a série só estreou oficialmente em setembro. Durante esses quatro meses, o burburinho só aumentou: a Fox reprisou o piloto várias vezes, para que todo mundo tivesse a chance de ver (inclusive exibindo versões especiais do piloto, por exemplo, director cut que continha alguns minutos a mais), o boca a boca foi gigantesco e o sucesso de Don't Stop Believing só fez com que Glee ficasse ainda mais onipresente na mídia.

Finalmente, em setembro, a série voltou com tudo, com ótimos índices de audiência e cumprindo com as altas expectativas da emissora. E parece que a cada break a série volta mais forte. Até dezembro, a média do programa era de 7.6 milhões de telespectadores por episódio. Nesse ponto, a série entrou em hiatus e só voltou ao ar quatro meses depois, em abril. Os novos episódios tem registrado média de 12 milhões de telespectadores.

Com apenas 18 episódios exibidos até o momento (nem uma temporada completa), Glee já:
  • Emplacou três álbuns entre os cinco mais vendidos dos EUA (inclusive um primeiro lugar para o EP The Power of Madonna, com as músicas do episódio dedicado a Rainha do Pop).
  • Conseguiu fazer com que 12 músicas penetrassem a lista das 10 mais vendidas no iTunes.
  • Vendeu, no total, mais de 2 milhões de singles e CDs só nos EUA.
  • Foi assunto de capa da Rolling Stone, da TV Guide e da Entertainment Weekly.
  • Teve sua protagonista, Lea Michele, incluída na prestigiosima lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time.
  • Ganhou 28 prêmios, incluindo um Globo de Ouro de Melhor Comédia Televisiva.
  • Vendeu 90 mil ingressos para uma turnê de verão com o elenco juvenil do programa.
  • Se transformou no programa mais visto na TV a cabo britânica, com mais de 1 milhão de telespectadores por episódio.
  • Alcançou três vezes o top 2 das paradas de CDs britânicas (duas vezes alcançando o topo) e cinco vezes o top 20 das paradas de singles (e a segunda e a nona posição com Don't Stop Believing e o medley de Halo/Walking on a Sunshine respectivamente).
  • Alcançou o top 10 das paradas de CDs australianas com os dois primeiros volumes da trilha-sonora (que foram certificado platina e ouro).
Impressionante, não?

Minha sincera opinião sobre Glee: um lixo. Roteiro péssimos, covers medíocres (quase idênticas as versões originais só que BERRADAS pela Lea Michelle) e histórias e personagens absurdamente clichês. Mas, apesar disso, admito que o programa tem sua importancia, dando chances para atores e cantores talentosos que não tem um biotipo típico para a TV estado-unidense e tendo momentos semi-divertidinhos (o episódio da Madonna, por exemplo, foi... decente).

O sucesso de Glee, porém, fala mais alto do que minha opinião. E, por mais que eu acredita que haverá, em algum ponto, um backlash, por enquanto o programa não mostra sinais de fraqueza: a audiência continua em ascendencia e, com a versão de Lea Michelle para Total Eclipse of Heart, o clássico do anos 80 de Bonnie Tyler, o programa irá conquistar seu maior sucesso nas paradas desde Don't Stop Believin': nos EUA, a música vendeu 134 mil cópias na primeira semana, as maiores vendas desde o cover da power ballad do Journey. Na Grã-Bretanha, a música também deve ultrapassar Halo/Walking on a Sunshine e se tornar o segundo single do programa mais bem posicionada no chart oficial.

E, putz, até eu, que abomino as versões de Glee, aprovei a versão da Lea Michelle de Total Eclipse of Heart:



Alias, Lea parece ser a que mais está lucrando com o sucesso do programa. Não só apareceu na lista das 100 pessoas mais influentes da Time, como também assinou um lucrativo contrato para se tornar a garota propaganda do shampoo Dove. O comercial, onde ela canta My Favorite Things, o clássico da Noviça Rebelde, pode ser conferido ai em baixo:



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