Depois de anos sendo um pop culture junkie, finalmente resolvi canalizar minhas energias em algo útil (assim, dependendo da sua perspectiva). Esse blog tem, portanto, o objetivo de documentar quem está causando na cultura pop mas não comentando do óbvio e sim antecipando tendências e o que está por vir. E-mail me @ tacausando@gmail.com. Mais sobre a nossa proposta.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Kids' Choice Awards 2010



André, você vai comentar ATÉ os Kids' Choice Awards? Pois é... não queria banalizar essa coisa de comentar as premiações mas me deu vontade de comentar essa. Vai ver é a nostalgia?

Diferente da maior parte das crianças brasileiras da minha idade, que eram obcecadas com o Cartoon Network, eu cresci assistindo a Nickelodeon (que, nos EUA, é o canal infantil mais visto faz quase duas decadas. Nem o Disney Channel o supera) e os Kids' Choice eram A premiação que eu não podia perdeu. Eu assistia religiosamente ano após ano e amava.

Naturalmente, hoje em dia eu já não vejo mais tanta graça nos Kids' Choice. Depois de muito tempo sem assistir, eu vi a do ano passado e fiquei um pouco decepcionado. Mas, esse ano, fui de novo dar uma olhada e... bom, não foi incrível mas foi interessante.


Então, para quem não sabe, o grande negócio dos Kids' Choice, além de premiar os artistas favoritos das crianças, é ver as celebridades sendo slimed. Ou seja, serem cobertas por aquela gosma verde que é uma das trademarks da Nick.

Esse ano as grandes "vítimas" foram Tina Fey, Steve Carrel (ambos promovendo Date Night), Robert Downey Jr. (promovendo Iron Man 2) e, o melhor de todos, a cantora Katy Perry.

Gente, foi MUITO bom ver a Katy Perry sendo slimed, eu me senti com 9 anos de novo.

Olha, vou ser sincero sobre minha opinião em relação a Katy Perry: costumo acha-la meio annoying. Ela me parece ser aquele tipo de pessoa que tenta desesperadamente ser engraçada e fracassa (vide o Twitter da moça), é toda bff do Perez Hilton que é a pseudo-celebridade que eu mais odeio (e aquele site dele é bizarramente ruim: fofocas com três dias de atraso, piadas sem graça e grandes doses de sexismo. Não curto) e tenta se vender como "compositora" quando, na verdade, ela é só mais um fantoche do Dr. Luke.

Por outro lado, ela é carismática, estilosa e bonita e suas músicas são divertidas (e eu acho ela e o Russel Brand um casal super fofinho).

Porém, nos Kids Choice Awards, eu estava mais inclinado a não gostar dela porque, por algum motivo, ela achou de bom tom apresentar o prêmio falando que nem uma débil mental (sabe aquela voz que você faz quando você fala com bebê? Pois é).



Então foi extra hilário ver aquele jato de slime acertando a cara dela e a jogando no chão. OK, foi extremamente violento e parece ter doido... mas foi por isso que foi engraçado! Sim, as vezes eu tenho o senso de humor de uma criança de 9 anos.

Obviamente, Katy estava preparada para ser slimeada: a peruca era pra proteger o cabelo dela e o vestido (que não era o mesmo com o qual ela tinha chegado) era impermeável. Mas o momento pareceu autêntico, o que me faz acreditar que ela esperava um jato muito menos intenso.

Quanto aos ganhadores: os Jonas Brothers estão ficando no passado. Esse ano, os irmãos não levaram nenhum dos prêmio ao qual foram indicados (Nick e Joe Jonas perderam para Cole Sprouse, um dos gêmeos protagonistas de Zack & Cody: Gêmeos em Ação, no prêmio de Melhor Ator de Televisão e os Jonas Brothers perderam para os Black Eyed Peas como Melhor Banda). Miley, indicada a quatro prêmios, só levou um (Melhor Atriz de Cinema pelo filme de Hannah Montana) perdendo para Taylor Swift em Melhor Cantora e Melhor Canção (Party in the USA perdeu para You Belong with Me) e para Selena Gomez, de Wizards of Waverly Place, como Melhor Atriz de Televisão.

O mais surpreendente foi Lua Nova, o segundo filme da saga Crepúsculo, não ter levado o prêmio de Melhor Filme para casa, perdendo para Alvin & os Esquilos 2. A série escrita por Stephanie Meyer também perdeu o blimp de Melhor Livro para Diary of a Wimpy Kid. Porém, o grande fenômeno da literatura foi reconhecido: Taylor Lautner foi escolhido como Melhor Ator de Cinema e Jacob e Bella como Melhor Casal.

Apesar da premiação ser da Nick, as estrelas da casa tem sido ofuscada pelas do Disney Channel. Mas o canal recuperou um pouco da honra ao ver iCarly ser escolhido como Melhor Programa de TV e Bob Esponja como Melhor Desenho.

Alias, essa briga Disney vs. Nick continua dando o que falar. Apesar da Nickelodeon continuar sendo o canal mais visto entre o público alvo e iCarly e Bob Esponja serem os líderes na programação infantil, o canal da Viacom não consegue de jeito nenhum criar gigantescas estrelas e grandes franchises como a corporação do Mickey.

De acordo com o L.A. Times, rolou climão entre os executivos de ambos os canais quando a Nick se recusou a dar espaço no tapete laranja para muitas estrelas indicadas. Enquanto os grandes nomes (Selena, Demi, JoBros) tiveram tratamento normal (incluindo passar pelo tapete onde foram fotografados por centenas de fotógrafos e deram entrevistas), outros artistas da Disney, como Sterling Knight, protagonista masculino de Sonny with a Chance, e Jennifer Stone, parte do elenco de Wizard of Waverly Places, ambos programas indicados a Melhor Seriado, tiveram que entrar pela entrada do povão e não tiveram a chance de falar com a imprensa.

Enquanto isso, o elenco completo de todos os programas da Nick, incluindo iCarly, BrainSurge, The Troop e Tru Jackson V.P., tiveram tratamento normal, passando pelo tapete laranja e posando para as câmeras.

A lista com todos os ganhadores pode ser vista aqui.

Michelle Obama, a Primeira Dama, foi reconhecida com um prêmio especial pelo sua campanha para acabar com a obesidade nos EUA. Ela, que se encontrava em Washington, agradeceu via satelite.

A premiação foi apresentada por Kevin Smith (protagonista do defunto sitcom King of the Queens e estrela de vários filmes de comédia ruins, como Mall Cop, que foram grandes sucessos nos EUA mas não causaram repercussão no resto do mundo) que eu achei uma péssima escolha e um sério downgrade de alguns dos apresentadores passados (Justin Timberlake, Mike Myers e Cameron Diaz, etc).

Rihanna e Justin Bieber foram os dois performers da noite.



Rihanna foi uma das escolhas mais aleatórias ever. Além dela atualmente não ser excepcionalmente popular com crianças, seu último CD, intitulado Rated R (que, nos EUA, equivale a "Proíbido para Menores de 18 anos), não tem UMA música que seja apropriada para o público mais jovem.

A caribenha cantou um medley que incluía Rude Boy, Hard (ambas devidamente censuradas. Ou seja, ela mal cantou qualquer uma delas) e Please Don't Stop the Music.


Mas o ponto alto da noite, que fez todas as garotas de 10 anos presentes caírem em prantos, foi a performance da atual sensação teen Justin Bieber. O interprete de 16 anos não foi indicado a nada (pois ele ficou popular depois que as nominações já estavam encerradas) mas a sua apresentação de Baby levou o público ao delírio.

Em tempo, achei essa matéria do L.A. Times interessante. Ela comenta sobre a ausência na televisão de programas infanto-juvenis com garotos no papel principal. De acordo com pesquisas, meninos estão cada vez mais tolerantes na hora de assistir programas estrelando garotas e hoje em dia eles se identificam com personagens femininos sem nenhum problema. É um grande contraste se comparado com a situação na minha infância: nos anos 90, os executivos acreditavam que um programa que tinha como protagonista garotas iria afastar o publico masculino enquanto meninas assistiam programas estrelando meninos sem nenhum problema. Conclusão: nos anos 90, era raro programas infantis estrelando garotas. Créditos a Hilary Duff e Lizzie McGuire por mudar o panorama da televisão infanto-juvenil.

Also, depois do gigantesco sucesso de iCarly, Drake & Josh e Zoey 101, a Nick está apostando todas as fichas em Victorious, um novo programa de Dan Schneider, o criador de todos esses hits. O New York Times faz um profile do hit maker
. A Nick tem a esperança que Victoria Justice, a protagonista do programa, alcance o super-estrelato (até o momento, nenhuma das estrelas do canal conseguiram esse feito).

6 comentários:

  1. raros programas infantis estrelando garotas? ó, nao sei, mas eu pelo menos era OBCECADA com a sabrina e clarisse e blossom e irmã ao quadrado. anos 90, right?

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  2. eu tô falando de programas infanto-juvenis (produzidos pela nickelodeon, fox kids, disney channel, etc), todos os programas que você mencionou, com exceção de clarissa, foram produzidos para TV aberta estado-unidense (sabrina e irmã ao quadrado para a ABC, blossom para a NBC) e não eram exclusivamente para crianças.

    e de qualquer jeito, em toda uma DÉCADA, você menciona cinco ou seis programas estrelados por garota. DEZ ANOS. em cinco anos foram produzidos unfabulous, zoey 101, icarly, victorious, sonny with a chance, hannah montana, wizards of waverly place, that's so raven. e isso só para mencionar os mais populares, ainda tem cake, h2o, elephant princess, darcy's wildlife, etc. etc. etc.

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  3. ó, eu falei só dos que eu via. entao lembrar de quatro é grandes coisas. ate pqe eu nao lembro agr de nenhum qe fosse o contrario - tirando um idiota tipo kenan & kel.

    so, nao estou convencida.

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  4. Meninos preferem desenhos animados, logo 90% dos programas voltados a eles são dentro desse gênero. Meninas preferem live-action.

    Nos anos 90, 90% dos programas produzidos para a televisão infanto-juvenil eram desenhos (com meninos no papel principal). Os outros 10% eram carne-e-osso e, em geral, eram SIM focados a garotas (na televisão infantil dos anos 90 foram produzidos CINCO programas carne e osso de sucesso excepcional: Pete & Pete, Clarissa, Kenan & Kel, Shelby Woo e Alex Mack. Sabrina, As Patricinhas, Irmã ao Quadrado etc. foram produzidos para o horário nobre da TV aberta, não sendo por tanto concebidos como programa infantil). Por tanto, o meu ponto inicial continua o mesmo: a televisão infanto-juvenil nos anos 90 era voltada a garotos principalmente.

    Hoje em dia, QUASE TODOS os lançamentos são em carne-e-osso com garotas no papel principal enquanto desenhos com garotos protagonistas (ou mesmo animais falantes e outros "truques") foram deixados em segundo plano. A situação se inverteu totalmente por tanto.

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  5. http://www.kidscreen.com/articles/magazine/19980801/22429.html

    Aqui uma matéria interessante de 1999, quando os executivos estavam começando a se dar conta que garotas em papel principal não eram necessariamente sinônimo de fracasso. O grande divisor de águas, porém, só se deu uns quatro anos depois, quando Lizzie McGuire colocou o Disney Channel, um canal que tinha audiências medíocres, no mapa.

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  6. ahhh, sim. agora vcê se explicou =)
    eu tava falando dos 'carne-e-osso'. dá uma editada no post, então, que tinha ficado meio ambiguo.

    xo :*

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